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Símbolo vai, ídolo não vem

E lá se vai o pé de Feijão / Foto: Reprodução
Tecnicamente, cada um em sua posição, Rafinha tem mais qualidade que Feijão. Futebolisticamente, cada um em sua emoção, não arriscaria um grão de Feijão por Rafinha.

Feijão é símbolo de um novo Bahia. Um clube que começa de novo, que não é o mais técnico e talentoso do momento e que vai passar uns perrengues por um tempinho ainda. O Bahia que renasce agora é um clube que não tem dinheiro de sobra, que não tem craque de sobra, que não tem gol de sobra, que não tem volante de sobra, que não tem ídolo de sobra, mas que tem alma, muita alma, de sobra e excesso.

Feijão não é o melhor volante dos últimos tempos. Não é um jogador pronto e insubstituível tecnicamente. Ainda tem muito a evoluir. Mas Feijão é o que o Bahia tem mais perto de sua torcida. Feijão é aquele morador de um bairro pobre, é aquele volante que se negou a treinar no rival e é aquele garoto que superou trauma do assassinato de um amigo em um campo de futebol. Feijão é aquele Bahia. Aquele Bahia que a torcida ama. E não é apenas pela disposição em campo com a camisa. É porque quando ele tira a camisa, o escudo tricolor continua no peito.
Eu não trocaria isso por Rafinha, aquele que adoraria ficar no Flamengo, mas que vem pro Bahia como quem vai pro Vitória, pro Coritiba, pro Sport…

Deixando um tiquinho a alma de lado, vamos a essa história de que o Bahia está bem servido de volantes. Segue a lista: Fahel, Helder, Rafael Miranda, Anderson Melo e Diego Felipe. Acho que vai faltar 1° volante… Vamos ver como Marquinhos Santos vai montar esse meio de campo.
Sim, o ataque do Bahia preocupa. Em 2013, o clube teve o terceiro pior ataque do Brasileirão e, ainda assim, perdeu Fernandão, sua maior referência (foram 15 gols do artilheiro do clube no campeonato, seguido de Marquinhos Gabriel, que é meia atacante, com apenas quatro, e que também deixou o tricolor). Na reapresentação, para o ataque, estavam Erick, Nadson, Rafael Gladiador, Zé Roberto, Rhayner, Hugo e Jonathan Reis. Será que Rafinha muda esse panorama?? Ou será que Erick, Rhayner, Zé Roberto, Hugo e o próprio Ítalo Melo, reapresentado como meia, não têm um perfil parecido??

Vale mesmo trazer Rafinha, ainda mais nessas condições, em troca de Feijão?? E tem mais, será que Feijão terá chances no Flamengo? Vai voltar tão melhor do que ficando no Bahia a ponto de valer a pena??

Rafinha pode calar minha boca (\o/ bom demais para o Bahia) e Feijão pode se dar bem e devolver sua alma para o corpo Bahia (\o/ bom demais para o Bahia e para Feijão). Não dá pra fazer previsão. O contrário também poderia dar errado e Feijão fazer uma temporada péssima no Bahia (não dá pra virar ídolo só com personalidade). Ainda assim, diante da situação, eu não teria aberto mão, novamente (como fez a antiga diretoria no caso de Gabriel), de um jogador com o simbolismo de Feijão. Não é todo dia que a gente vê um grão de ídolo em formação. Muito menos com uma história tão gigante. Fica pra próxima semente. Ou não.

OBS. Vale a leitura deste perfil de Feijão feito por Eric Luis Carvalho, no Globoesporte.com, em julho de 2013.

OBS2 (atualizada). Só pra lembrar, apesar do meu terrorismo minha opinião, ao menos foi um empréstimo e não venda!

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Dica, Ora Bolas?! de hoje:

Se eu fosse você, tricolor baiano, já que não te devolvem o Bahia, ia lá buscar o que te pertence. Participe da campanha Bahia da Torcida.

 

 

Página oficial: borabahiadatorcida.com.br

Twitter: @bahiadatorcida

Faceboook: www.facebook.com/BahiadaTorcida

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Quando é preciso acabar

É difícil perceber quando algumas coisas acabam. Nem sempre temos aquele momento claro quando sobem os créditos (ou culpados) e aparece um gritante e definitivo FIM. É preciso ter humildade e decência para terminar o que não está bom.

A atual diretoria do Bahia precisa saber que esse momento já chegou. Que esse Bahia comandado por eles precisa acabar porque ele está acabando com outras coisas que não deveriam conhecer essa palavra. Porque ela conseguiu transformar o que parecia inabalável: sua torcida. Que eu tenha conhecimento, nenhum tricolor deixou de amar o time, mas o perfil desse amor já não é mesmo. O amor agora vem acompanhado de uma mágoa misturada com raiva embolada com desdém jogado numa tina tricolor vazia. E isso não significa que o amor diminuiu, ele apenas se moldou ao momento triste pelo qual o time passa.

Tristeza que não tem a ver com uma derrota, com a falta de títulos ou com um jogo ruim. Porque a gente viu a torcida tricolor lotar estádios na Série C. E a gente viu a torcida tricolor ter esperanças até o último minuto. Gritar, chorar e empurrar o time. O que a gente não via era tricolor indo embora antes da metade do segundo tempo de um jogo. O que a gente não via era tanto tricolor deixando de ir ao estádio ou até mesmo de assistir aos jogos do time pela televisão. O que a gente não via era tanto tricolor fazendo piada de seu próprio time. Vaiando gol do seu próprio time, torcendo contra seu próprio zagueiro. Porque a torcida tricolor ama um outro time. Um time que perde, que também é goleado vez ou outra, que passa por momentos difíceis, sim, mas que se respeita. Um Bahia que não acabou, mas que precisa que esse que está aí acabe para voltar.

Foto: Robson Mendes

Tricolores, eu não tenho uma receita para um final feliz. Ninguém ou nenhum jornalista tem. Nos dias atuais, sabemos que o que antes era de conhecimento apenas de quem ia aos treinos, estava por perto do clube, virou informação de tweet, de facebook, de mensagens. Vocês não sabem mais somente o que vai para os jornais, televisões e sites de notícias. Mas, entendam, jornalismo é preciso ser feito com ética e provas. Não podemos acusar sem provas, transformar uma fala “qualquer” em notícia. [Inclusive, leiam esse ótimo texto do jornalista Éder Ferrari de hoje]

Não sei quando essa diretoria vai perceber que acabou. Porque amor do torcedor não acaba, mas tem limite.

 

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Um domingo nada qualquer

Aí você acompanha a inauguração da Arena Fonte Nova pela televisão. Daí você se acaba de chorar no sofá porque não está lá com ela, porque todos os seus amigos postam mil fotos dela nas redes sociais, falam como ela está linda e você está ali em outra cidade que nem uma abestalhada chorando de saudade daquele lugar que viu seus primeiros sorrisos (e choros) no futebol.

Mas aí o que você faz? Corre pro computador pra comprar uma passagem pro próximo BaVi no estádio, conta os dias para o clássico e, quando chega o dia, tira um monte de foto (até porque eu não tinha fotos nas arquibancadas da velha Fonte e tive vontade de chorar quando me toquei disso) e aproveita cada pedacinho dela.

Foto: Clara Albuquerque

E eu não vou mentir, quase chorei (de novo) quando entrei e tive a primeira imagem dela ali prontinha pra encher a gente de emoção (‘cês’ já perceberam que eu sou chorona, né?!risos).

Pois bem, então, pega um lencinho se você for do tipo chorão/chorona, lembra da primeira vez que você foi a qualquer estádio ou de uma lembrança com valor sentimental da Fonte (ou de seu estádio de preferência) e vem comigo!

Arena Fonte Nova - 28.04.13

Cheguei cedo. Antes de 14h, estacionei o carro perto do estádio e fui andando pelo Dique até o estádio.  Fui à bilheteria trocar pegar o ingresso, pois havia comprado pela internet e perto de 15h entrei no estádio. Não teve fila para nada, fui muito bem atendida e orientada. Não sei se o público total no dia do jogo ajudou, foram pouco mais de 30 mil pessoas, mas eu não tive problema algum para entrar.

Foto: Clara Albuquerque

Na entrada, foram distribuídas caxirolas para o público (cada torcedor recebia duas) e Carlinhos Brown, inventor do apetrecho baseado no caxixi, deu uma aulinha de como usar o instrumento oficial da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. O que eu achei da ideia? Sinceramente, achei simpática! O som das caxirolas não é irritante, misturado com o canto/grito das torcidas, aumentou o som/clima de estádio cheio. Elas são um espetáculo de criatividade? Representam uma cultura dos estádios brasileiros? Você é obrigado a chacoalhar ela por aí? Claro que não. Mas, me desculpem, a ideia não faz mal a ninguém e eu achei simpática sim.

Eu e as caxirolas

O jornal inglês The Guardiam, inclusive, publicou no domingo um artigo intitulado “Caxirola: poupe-nos do som da Copa do Mundo 2014 do Brasil”. John Crace, autor do artigo, escreveu: “Se você achou que as vuvuzelas eram ruins, espere até ouvir a caxirola, um pedaço de plástico verde e amarelo lançado pelo Ministério do Esporte brasileiro”. Você pode até não gostar, mas elas não são nem de longe chatas como as vuvuzelas. E estou dizendo isso depois de muito barulho (um show) da torcida do Vitória durante o clássico. Diante dos problemas para as Copas das Confederações e do Mundo, a caxirola, meus amigos, é um barulho insignificante.

Foto: Clara Albuquerque

Pra terminar o assunto das caxirolas, eu compreendo totalmente a revolta dos torcedores do Bahia. Esse time que entra em campo com a camisa tricolor é um reflexo dessa diretoria que está aí. E vocês já sabem o que eu penso desse assunto. Nada, no entanto, justifica arremessar qualquer objeto em campo. Agora que fique bem claro, a “revolta das caxirolas” veio de apenas uma parte da arquibancada ocupada pelos torcedores do Bahia e esse grupo não representa a maioria e o torcedor de verdade. Sou a primeira a dizer que é preciso melhorar a educação em nossos estádios (sim, também vamos ter que adaptar muita coisa da nossa cultura para esse novo modelo de arena), mas não vamos generalizar.

Foto: Clara Albuquerque

Voltando a Fonte Nova, eu achei tudo bem tranquilo, os banheiros femininos estavam limpos e sem fila e, ao menos no setor onde eu estava, as lanchonetes só formaram fila no intervalo. Os preços que realmente são meio salgados.

Foto: Clara Albuquerque

Eu amo a Fonte Nova e é daqueles amores que não diminui, mesmo com as mudanças. Sim, é claro que eu fiquei o tempo todo esperando o vendedor de sorvete de coco (melado de cajá ou similar) “feito com agua do Dique na casquinha de isopor” aparecer. Tem gosto de tudo que eu vivi na Velha Fonte. Vai ser eternamente o meu sorvete preferido. Não lamento, no entanto, o progresso, os estádios modernos e os novos conceitos inevitáveis do futebol moderno. O que lamento é que tudo isso chegue ao Brasil sem responsabilidade e também sem sensibilidade. Infelizmente, temos muitos exemplos disso, mas isso é assunto pra outro texto.

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Respeitável público, os palhaços

Não basta ter passado 10 anos sem um título. Não basta ter passado sete anos longe da Série A do Brasileirão. Não basta brigar pra fugir do rebaixamento em 2011 e 2012.  Não basta não vencer um BaVi há quase dois anos (o último triunfo tricolor aconteceu no dia 1º de maio de 2011, num clássico válido pela semifinal do Baianão). Não basta perder o único jogador com capacidade de virar ídolo. Não basta ser eliminado na primeira fase da Copa do Nordeste. Não basta ter que ouvir jogador do seu time mandar recado que não é ‘viado’ após uma derrota por 3 a 0 diante do ABC. Não basta ser goleado pelo seu maior rival no reencontro com a Fonte Nova. Não, não basta tudo isso. Tem que fazer o torcedor de palhaço.

Reprodução

E, entendam, não é apenas pelo retrocesso de trazer Joel Santana de volta. É pelo conjunto do espetáculo. Pelo circo no qual o Bahia se transformou. Pelas repetidas decisões nada ‘equilibristas’ que caíram de cara no chão. Pela insistência nos mesmos tigres de bengala. Pelos números de mágica para esconder as verdades, os números, os computadores. Pelos trapezistas de ocasião. Pela incompetência geral da trupe no comando do espetáculo de horror. Não adianta trocar o domador do tigre, respeitável público, se o animal está contaminado por dentro.

Eu não sei onde isso vai parar, e o Bahia pode até vencer o Baianão com Joel Santana, mas sei que esse Bahia que se apresenta, ano após ano, debaixo da lona está sugando todas as cores de seus torcedores tão apaixonadamente tricolores. Vão acabar conseguindo transformar o azul, vermelho e branco do Bahia num único vermelho opaco e triste no nariz de cada torcedor.

Pra finalizar, no clima “rir pra não chorar”, aperta o play do vídeo logo abaixo (nada contra os autores/palhaços da música, hein?) e cante comigo! Ah, o exercício de trocar os nomes na letra, eu deixo pra criatividade de vocês:

Música: Lá na Casa dos Palhaços
Autor: Fábio Cantero (Botão)
Estrelando: Palhaço Botão e Palhaço Colchete
Participações especiais:
Palhaço Meleca e Palhaço Risonho

Um dia eu estava andando perto do circo e encontrei alguns palhaços.
Foi aí que eu chamei eles para conversar…
Mas o que é o que é, que tem na CASA DOS PALHAÇOS?
O que é o que é que tem na CASA DOS PALHAÇOS?

Lá tem Botão… te dou um apertão
Lá tem Colchete… debaixo do tapete
E o Amoroso… muito chiquetoso
Tem o Meleca… que é muito sapeca

Tem formiga
Tem lagartixa
E tem cachorro com medo de salsicha
AU, AU, AU, AU

Tem Barriguinha… mas que gracinha
Tem Pimentão… lá no colchão
O Pingo… só de domingo
Até o Risonho… comendo um sonho

Tem jacaré
E tem chulé
Tem um macaco que não larga do meu pé
A CASA DOS PALHAÇOS só tem coisa boa
Venha brincar e não fique aí à tôa.

Mas o que é o que é que tem na Casa dos Palhaços?

O que é o que é que tem na Casa dos Palhaços?

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Dica, Ora Bolas?! – EXTRA! EXTRA! Pague um e leve dois

A Dica, Ora Bolas?! de hoje é no estilo promoção de loja da esquina: pague um e leve dois. Tipo assim, conheça a nova Arena Fonte Nova e ganhe de brinde o maior clássico do Norte/Nordeste e um dos mais acirrados, porretas, malemolentes (‘cês’ não adoram essa palavra?) e emocionantes do Brasil.

Sim, eu sei que os ingressos já esgotaram para o primeiro clássico do ano, mas a dica de conhecer o novo estádio segue valendo para os jogos seguintes. Tem mais BaVi já confirmado lá no dia 28 de abril, e possivelmente, ainda pelo Campeonato Baiano, nas fases semifinais ou na grande final, além dos confrontos do Campeonato Brasileiro. Eta BaVi de primeira maravilhoso!

E o clássico desse domingo(07/04) tem tanta, mas tanta pimenta e pimentão que a gente não sabe nem por onde começar. É a inauguração do estádio. É o primeiro BaVi com os dois times na primeira divisão desde 2003. É o primeiro encontro dos rivais em 2013. É o reencontro do Bahia com sua casa. E que saudade…

Ao todo, foram disputados 306 BaVis na Fonte Nova e o Bahia tem larga vantagem sobre o Vitória: são 126 triunfos do Tricolor contra 78 do Rubro-negro – aconteceram ainda 102 empates. A torcida gritou Bora Bahêa Minha Porra em 356 gols, enquanto a arquibancada explodiu em rubro-negro 262 vezes.

Na história mais recente, no entanto, apesar dos tricolores reclamarem de Pituaçu (onde foram disputados nove clássicos, com apenas duas vitórias e quatro derrotas para o Bahia), o Vitória é quem leva a melhor. Nos últimos nove confrontos, o Bahia perdeu em três oportunidades, empatou em cinco e venceu apenas uma. O último clássico vencido pelo Bahia na Fonte Nova foi em fevereiro de 2004.

BRINDE DE CONSOLAÇÃO

Se você não pode aproveitar a “promoção” compre um e ganhe dois, no entanto, não se preocupe. O blog tem uma dica de brinde surpresa pra você: a partida, marcada para as 16h, terá transmissão pela Rede Bahia, para todo o estado da Bahia, em canal aberto e pelo canal fechado SporTV, para todo o Brasil. Agora, não tem desculpa, hein?!

E um aviso pra quem ainda quer um pitaco de quem vai vencer: aqui tem promoção, tem amor, tem futebol, mas também não é a dica da mãe Joana, não é mesmo?!

Por fim, que neste e em todos os outros clássicos e jogos na nossa nova Fonte, aconteçam muitas promoções. De gols, de sorrisos, de abraços e de alegrias. Acima de tudo, que essa nova fase promova mais respeito, paz e modernidade no futebol baiano. E que isso não seja nunca apenas uma dica.

Seja muito bem-vinda de volta aos nossos olhos, Fonte Nova. É impossível resistir a qualquer promoção que envolva você.

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Por quem você vai torcer em 2013

Se você é um daqueles torcedores ferrenhos e fanáticos pelo seu time e pouco (ou nada) conversa sobre futebol com pessoas que não sabem decoradas as escalações do Bolinha F.C. de 1954, dificilmente entenderá que tipo de torcedor é esse que falarei nas próximas linhas. É muito provável, inclusive, que você nunca nem tenha reparado a existência dele. Em grupos nem tão futebolísticos assim, no entanto, é comum a existência dos torcedores de jogadores. Eles não gritam necessariamente pelo escudo na camisa, mas sim pelos pés que calçam as chuteiras.

São vários níveis. Aquele, por exemplo, que tem um time do peito, mas que também tem um jogador do coração. Geralmente um craque internacional, ou mesmo brasileiro, mas que não joga mais no país, eliminando, portanto, a possibilidade de choques de interesse a cada campeonato. Mas tem também quem pule de tricolor para rubro-negro, de colorado para alvinegro, de azul celeste para azul-grená de acordo com quem veste a camisa.

Bom mesmo é quando dá pra unir o gol com a vontade de chutar. Quando a gente pode gritar pelo nosso time, mas também pelo cara que está ali em campo correndo, chutando, defendendo e se jogando no chão. Quando torcemos pelos onze e, ao mesmo tempo, pelo um.

No futebol baiano, no entanto, isso é coisa rara. Nossos dois principais times vivem de torcedores que se alimentam basicamente da camisa em campo. Porque a verdade é que, quando a gente tira o pano, quase ninguém continua com o escudo no peito. Afinal, que jogador de Bahia e Vitória merece o seu sangue neste início de ano? Algum ali compartilha a mesma seringa que alimenta a sua veia? Ou sua paixão, tão quente e carnal, acaba assassinada na superfície fria de jogadores que nada significam pra você?

O mercado do futebol atual não é fácil para Bahia e Vitória, sabemos. Não dá sempre pra contratar o craque que vai fazer história ou manter o garoto que começa a escrever a sua, mas dá pra ter respeito pela torcida que vai ao estádio por eles. E é triste que Bahia e Vitória não saibam criar, cuidar, aproveitar, amar seus ídolos e também lucrar com eles. Enquanto o Vitória escorraça do Barradão quem deixou e conquistou corações rubro-negros por ali (estão lembrados de Viáfara?), o Bahia se desfaz, pouco a pouco, de suas próprias veias tricolores (Ananias, Maranhão, Paulinho, Gabriel…).

Tudo indica que 2013 vai exigir muito amor à camisa para os torcedores da dupla baiana. Com as escalações que teremos em campo, capaz até do torcedor mais ferrenho não querer saber o nome dos jogadores. O jeito será fechar os olhos e se agarrar ao escudo vestido pelos onze. Definitivamente, não será fácil torcer pelo ‘um’ que estará por baixo dele.

Pretinho Básico
Em seu primeiro jogo-treino na temporada, contra o Botafogo-Ba, no sábado (12), o Vitória entrou com a seguinte formação: Deola; Léo, Gabriel Paulista, Reniê e Iuri; Rodrigo Mancha, Neto Coruja, Leilson e Arthur Maia; Marquinhos e Lúcio Maranhão. O Rubro-negro venceu com um gol de pênalti, mas alguém nessa escalação te ganhou?

Esporte Fino
O Bahia também realizou um amistoso de preparação, na sexta-feira (11), contra a equipe da FTC, no Fazendão. O time que iniciou o jogo foi: Marcelo Lomba; Madson, Danny Morais, Brinner e Jussandro; Diones, Kléberson, Anderson Talisca e Zé Roberto; Ítalo Melo e Souza. O Tricolor venceu a partida por 7 a 0.

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Apostas e apostas

Acompanhe a historinha: você conhece um cara lindo, inteligente, engraçado e que te trata bem. Seus amigos, no entanto, contam que o seu príncipe encantado tem realmente várias qualidades, mas que os namoros dele não têm dado certo porque ele gosta mesmo é de ser solteiro. Você pensa. Fica meio receosa, mas, no fim das contas, avalia que suas chances de ganhar um final feliz nessa história são reais. E então você coloca suas fichas no cara. Isso é aposta de risco.

Numa outra situação, um conhecido seu tenta te convencer a sair num encontro às escuras com um amigo dele. Você nunca ouviu falar no cara, ninguém consegue te dar uma referência de confiança e as poucas informações que chegam é que o último namoro dele não foi nenhuma maravilha. Isso é aposta furada.

Agora, analisem comigo: você teve o pior ataque do Campeonato Brasileiro na temporada passada e, claramente, precisa de um jogador para a posição. Daí você fica sabendo de um atacante que disputou a Série C de 2012 pela Chapecoense. No currículo pelo clube, dos 22 jogos no campeonato, ele esteve presente em oito, mas apenas dois como titular. Nesse período, marcou um golzinho só.  Antes disso, pelo Novo Hamburgo, do Rio Grande do Sul, na disputa do Campeonato Gaúcho, cinco jogos, sendo dois como titular, e também nenhum gol marcado. Nada contra Thuram,  meus amigos, mas desconfio que não precise dizer a vocês em que categoria de aposta ele se encaixa.

Trazer o destaque de um time pequeno é aposta. Repatriar um craque em má fase na Europa é aposta. Promover jogadores talentosos da base para o time profissional também é. Na real, até a contratação de um craque consagrado é uma aposta. Claro, tem aquela aposta que você só precisa perguntar ao Google pra confirmar a vitória e tem as do tipo Mega-Sena da Virada. Níveis diferentes de apostas para níveis diferentes de “investidores”.

O problema é que o Bahia não tem um elenco que permita apostas do tipo furada (já tem muitas, na verdade). Num time com dois atacantes com qualidade e em boa fase e ao menos um reserva decente, vai lá, tudo bem trazer um jovem sem custo pra testar, ter paciência, dar uma oportunidade. Mas num time que garantiu a permanência na Serie A no último minuto, com um atacante (Souza) que vira e mexe se lesiona, outro (Zé Roberto) que não marcou nenhum gol em 40 jogos, e reservas que, bem, eu não vou nem começar a falar dos reservas, não dá. Simplesmente não dá.

O entrosamento desta base do Bahia pode até ser suficiente em encontros “sem compromisso” pela Copa do Nordeste e pelo Baianão.  Mais adiante, no entanto, o Brasileirão não terá dó de avisar: esse pretendente está muito mais para sapo. E do papo furado.

Pretinho básico
O Bahia estreia em 2013 no dia 19 de janeiro, em Pituaçu, contra o Itabaiana (SE), pela Copa do Nordeste (20 de janeiro a 17 de março). No fim de março, entra já na 2° fase do Campeonato Baiano (20 de janeiro a 19 de maio) e em abril entra na Copa do Brasil (3 de abril a 27 de novembro). O Brasileirão começa 26 de maio.

Esporte fino
Souza, com 27 gols, foi o artilheiro do Bahia em 2012. Gabriel e Júnior, com 13 cada um, ficaram logo atrás. O volante Fahel (9), o zagueiro Rafael Donato (6), Lulinha (5), Hélder e Rafael (4), Ciro, Magno, Neto (3) seguem a lista da artilharia tricolor no ano que passou.

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Sente-se, se for capaz

Há dois anos, assisti a uma partida do Barcelona no Camp Nou com uma amiga. Compramos os ingressos pelo site oficial alguns dias antes. Como as cadeiras, numeradas, são dos sócios e eles apenas liberam a venda de seus lugares quando confirmam que não vão ao jogo, não é muito fácil encontrar assentos juntinhos esperando por você. E nós não encontramos. Compramos cadeiras relativamente próximas. Para nossa sorte, choveu muito em Barcelona no dia e como nossos ingressos eram para a parte descoberta, muitos torcedores não foram ao estádio e conseguimos sentar uma ao lado da outra para ver Barcelona 4×1 Tenerife (com direito a dois gols de Messi).

Contei toda essa historinha porque, hoje, em Fortaleza, será inaugurado o primeiro dos 12 estádios brasileiros construídos ou reformados para a Copa de 2014. O primeiro de uma leva de estádios modernos e brilhantes bem próximos dos da Europa e muito diferentes da realidade do Brasil.

Não tenho dúvidas de que a proposta de entretenimento que eles trazem funcionará na Copa do Mundo e das Confederações. O público que vai a estes eventos não é o mesmo do clássico local na final do estadual. O torcedor de Copa do Mundo que compra ingresso com cartão de crédito no site da Fifa faz aquilo uma vez ou outra na vida e, em grande parte, assimila o pacote festa, show e futebol que lhe é vendido. É outra realidade, nem certa nem errada. É apenas diferente.

O que me preocupa é como o torcedor típico brasileiro vai receber essa nova era do futebol. Vai assistir aos jogos sentado? Vai respeitar a numeração dos assentos? Como as torcidas organizadas farão para que seus integrantes fiquem lado a lado? Todos preservarão o “patrimônio” na hora de uma derrota, de um rebaixamento, de uma goleada humilhante num clássico?

Temo que não. Se inserido na nossa cultura o modelo já não dá tão certo (vide os estádios vazios no Brasileirão passando pelos diversos e recorrentes exemplos de violência e vandalismo que presenciamos), imagine mergulhado numa cultura futebolística bem distante da nossa? E, sim, também é uma questão de educação. O brasileiro não gosta de regras. O cara acha que você que tem que levantar pra ver o campo e não ele que tem que sentar. Apenas um exemplo dos vários (muito mais sérios, inclusive) que podemos citar.

Nenhuma das duas coisas irá mudar de atacante para goleiro de repente e receberemos (pagaremos) esses estádios sem que essa realidade seja ao menos discutida. Ainda esta semana, teremos a inauguração do Mineirão. Cadeiras já estão sendo colocadas na Fonte Nova, mas, me diga, você viu alguma campanha de conscientização por aí? A CBF, os clubes, as federações, ou alguém que deveria, parecem estar preocupados? Melhor sentar numa poltrona confortável (ou não) pra esperar essa resposta.

Pretinho basico
A inauguração do Castelão acontece hoje, mas o jogo inaugural do estádio de Fortaleza acontecerá apenas no dia 27 de janeiro, com uma rodada dupla entre Ceará x Bahia e Fortaleza x Sport, válida pela Copa do Nordeste. O estádio receberá três jogos da Copa das Confederações, em junho de 2013, e mais seis partidas do Mundial.

Esporte fino

O Mineirão será a segunda arena entregue para a Copa, após dois anos e meio fechado para reforma, na sexta-feira (21/12). O jogo inaugural será o clássico Cruzeiro x Atlético, na abertura do Mineiro, em fevereiro. O jogo inaugural da Fonte Nova está previsto para o dia 29 de março, data da fundação de Salvador.

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Cara ou coroa

Cara. O grito estava engasgado. Por dez anos, ele ficou ali, como se estivesse carregando no peito tricolor, fazendo bater mais pesado o coração em contato com o escudo. Um escudo que tem estrela, duas, na verdade, e que não para de pulsar. E que não deixa cada torcedor do Bahia interromper a emoção que sai da garganta e ganha vida pelas ruas da cidade.

Porque, hoje, nenhuma direção é mais certeira do que aquela que Gabriel aponta. Porque não tem artilheiro do Brasil que faça outros mil gols que possam calar esse dia. Porque nenhum time tem uma zaga maior do que a do Bahia. Não importa se Titi não fez um bom campeonato ou se Rafael Donato, mesmo salvando o Bahia em diversas ocasiões, é fraco para encarar ataques de muito mais qualidade do que os que enfrentou até agora. Não faz diferença qual formação no meio de campo foi escolhida pelo Falcão. Se foi o chato esquema de três volantes que segurou o empate no sufoco ou se foram as triangulações e troca de passes que vimos no inicio do trabalho do técnico que funcionaram. Não inventem de reclamar se a marcação não foi avançada, se o time perdeu compactação, se essa taça veio no 4-2-3-1, 4-2-2-2, 4-3-2-1 ou no 10-0-0-0. Não precisa nem me lembrar o placar, ou até mesmo se teve gol. Hoje, eu tenho um grito maior para soltar. Porque só o maior campeão desse estadual merece desempatar esse jogo de nove (ou dez) títulos para cada lado. Pode colocar esse sentimento todo na cara, esteja ela limpa, molhada de choro ou pintada de azul, vermelho e branco. Hoje, ninguém nos vence em vibração. É Bahêa. É grito. Meu, seu, nosso. É campeão.

Coroa. Mais um. Como tem sido nos últimos 10 anos em que o Vitória dominou isso aqui. A emoção embarga a voz porque esse sentimento de ser campeão nunca se torna indiferente. O Leão se acostumou a ser campeão, mas não há torcedor nesse mundo que se acostume a “sentir campeão”. É sempre novo e cada vez maior. E hoje, um gosto especial de vencer na casa do adversário, faz o torcedor rubro-negro explodir de vermelho no preto de uma noite que chega na hora perfeita.

Porque não há cores suficientes para nomear cada gol do artilheiro Neto Baiano. Porque não tem gol de Raudinei ou Souza que posso mudar essa história. Não tem importância se falta criatividade ao meio de campo do time e se os gols acabam saindo sempre dos pés do mesmo jogador. Não adianta soprar para os adversários que a lateral esquerda do Vitória é uma avenida sem sinais vermelhos. E não faz diferença se comecei a gritar após uma bola parada de Geovanni ou durante uma jogada organizada e finalizada por Pedro Ken. Se teve jogador isolado lá na frente, se o time teve apenas uma ou nove chances claras de gol. O que importa é que teve uma lá. Na rede. Pra calar a boca de um estádio inteiro e colocar mais um orgulho no peito. Hoje, somos um nome na história. E essa coroa tem dono. É minha, sua, nossa. É campeão.

90 minutos antes, o juiz jogava uma moeda pra cima. Cara. Coroa. Campo. Bola. Começou.

Pretinho Básico
Bahia e Vitória se enfrentaram 19 vezes em finais de Campeonato Baiano. Foram nove taças para cada. Fechando a conta, o título de 1999 foi dividido entre os dois. Nessa final, o Vitória foi para Barradão e o Bahia, para a Fonte Nova. Ambos se consideraram campeões e a decisão oficial saiu dos gramados para o tapetão.

Esporte Fino
O Bahia tem 43 títulos do Baiano e o Vitória, 26. Desde que passou a utilizar o Barradão como seu mando de campo no estadual, em 1995, o Vitória conquistou 13 dos 17 títulos disputados. Em 1994, o gol de Raudinei, aos 46 minutos do 2° tempo, marcou a última vez que o Vitória decidiu o Baiano em desvantagem.

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