Arquivo da Categoria “Copa 2014”

Jogo dos sete erros do futebol brasileiro – Erro 3

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começará a partir de hoje uma brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

SIM, EXISTEM SETE ERROS ENTRE AS DUAS IMAGENS!!!!

EXISTEM SETE ERROS ENTRE AS DUAS IMAGENS!!!!

Erro 3 – Uma seleção paralítica

Você toma conta da Seleção. Aquela que já tem mais de 100 anos de história, que participou de todas as Copas do Mundo, que é maior campeã mundial e que é referência pra todos os outros países. Você não acha que foi exatamente fácil, mas confessa que o talento dos jogadores sempre superou uns probleminhas de organização. A verdade é que você nunca parou pra pensar que o futebol estava evoluindo, que os outros países estavam aprendendo uma ou outra coisa e que você estava ficando pra trás. A possibilidade de um novo Pelé, de um novo Garrincha, Romário, Ronaldo ou de um eterno Neymar fizeram você se acomodar. Até você ser atropelado por um caminhão cegonha alemão que levava jumbos. Era hora de mudar. Você sabe que não resolverá tudo em um ano. Sabe que é um trabalho profundo de reestruturação e, principalmente, de reflexão do futebol nacional. A sua Seleção Brasileira é um reflexo do futebol de cada dia. Você sabe que os dois merecem mais, então convoca uma comissão de estudiosos, jornalistas e técnicos e profissionais do futebol para repensar o que está sendo feito. Não é certeza que isso trará um, dois, três, outros cinco títulos mundiais, mas você vai fazer de tudo pra que os próximos Romários, Ronaldos e Neymars tenham um time e um futebol mais forte para apoiá-los.

Você toma conta da Seleção. Aquela que já tem mais de 100 anos de história, que participou de todas as Copas do Mundo, que é maior campeã mundial e que é referência pra todos os outros países. Você não acha que foi exatamente fácil, mas confessa que o talento dos jogadores sempre superou uns probleminhas de organização. A verdade é que você nunca parou pra pensar que o futebol estava evoluindo, que os outros países estavam aprendendo uma ou outra coisa e que você estava ficando pra trás. A possibilidade de um novo Pelé, de um novo Garrincha, Romário, Ronaldo ou de um eterno Neymar sempre te deixaram tranquilo. Mesmo após ser atropelado por um caminhão cegonha alemão que levava jumbos. Pra que mudar? Você sabe que resolverá tudo com umas vitórias e firulas. Basta fazer um discurso raso usando a palavra reestruturação que vão acreditar que você vai propor uma reflexão do futebol nacional. A sua Seleção Brasileira é sua pra fazer o que quiser e ela não tem nada a ver com o futebol de cada dia (que você acha que vai muito bem, obrigado). Os dois, inclusive, merecem o que você achar mais conveniente, então você convoca um técnico chefão, próximo da sua patota, e que concorda com o que você tem feito. Você tem certeza que isso trará um, dois, três, outros cinco títulos mundiais, afinal você sempre terá um “novo Pelé” por aí e você não precisa dar nenhum apoio. Eles apensas nascem.

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100 anos de futebol numa nuvem qualquer

Hoje, lá de cima, o primeiro goleiro da Seleção Brasileira deve se lembrar de cada detalhe daquele dia, há exatos 100 anos, quando onze brasileiros entraram em campo contra os jogadores profissionais do time inglês Exeter City. Certamente, os torcedores que assistiam à partida no Campo da Rua Guanabara pensavam: “se todo grande time começa com um grande goleiro, nosso número um neste primeiro jogo da Seleção Brasileira (embora as camisas ainda não tivessem número) anuncia um futuro de primeiros lugares.”

Recorte de jornal com a primeira seleção brasileira. Em pé, no centro, Marcos Carneiro de Mendonça. Sentado, também no centro, Friedenreich.

O Brasil venceu aquele jogo, mas Marcos Carneiro de Mendonça saiu decepcionado. Para o goleiro, futebol era prazer. Para os adversários, resultado. Embalados pela cobrança profissional, disputavam os lances com mais força, enquanto os brasileiros jogavam em ritmo de diversão. Irritados com a derrota, os ingleses partiram pra violência. Rubens Salles foi atingido nas costelas e o craque Friedenreich perdeu dois dentes.

Marcos Carneiro de Mendonça Lá do céu, Marcos Carneiro de Mendonça avançaria alguns anos em sua memória. Ídolo em seu clube e de seu país, ainda jogou muitas partidas pela Seleção. Mas, aos 24 anos, com a chegada da profissionalização do futebol, as cobranças por resultado e obrigações, se afastou do futebol.

“Aquelas mudanças não me animavam”, diria, sentado numa nuvem ao lado do outro craque presente naquele jogo. “Nunca fui um entusiasta dessa profissionalização, sabe Fried, mas jamais imaginei que fosse caminhar para isso. Que veria o futebol brasileiro dessa forma. Que raios de profissionalismo é este que estamos vendo lá embaixo?”, completaria.

Friedenreich“E eu, caro amigo, imagine a minha decepção ao olhar para os campos brasileiros e pra essa seleção que temos hoje e provavelmente seguiremos tendo? Você sabe, desafiei meu pai, alemão, quando rejeitei jogar pelo Germânia, clube da rica colônia alemã e da sociedade paulistana daquela época. Jogamos juntos diversas vezes, você sabe que o estilo de jogo por lá não era o que eu procurava, não é? Aquele jeitão europeu de jogar futebol, pegado e quase violento, não combinava com o meu estilo. Mais de 100 anos depois, não me arrependo nem por um dia de ter ido para o Ypiranga, clube recém-promovido à Primeira Divisão da Liga Paulista de Futebol. Confesso, abro um sorriso toda vez que alguém insinua que o estilo atrevido, insinuante e bonito do futebol brasileiro começou comigo, mas é triste admitir que, hoje, olhando para o meu estilo, eu escolheria jogar pela Alemanha.”

“Realmente, Fried, deve ser ainda mais duro pra você ver esse futebol jogado por aí. Mas será que a coisa não muda depois do que aconteceu na Copa do Mundo?”

“Gostaria de acreditar que sim, meu eterno goleiro, mas não vejo motivos para pensar positivo. Tudo bem, tudo bem, sei que já tive minhas desavenças com a CBD, que hoje chamam de CBF. Você bem lembra, antes daquele Sul-Americano de 1919, quando conquistamos juntos o primeiro título para a Seleção Brasileira, cheguei a ser punido pela entidade. Diga-me, que culpa tive eu do Sul-Americano de 1918 ser adiado e eu já ter gastado o adiantamento recebido pra viagem? Mas, enfim, mágoas passadas, acho que concorda comigo quando digo que estes que estão à frente da CBF não estão preocupados com o futuro do futebol brasileiro. Enquanto tantas outras seleções evoluem e tentam jogar um futebol envolvente, interessante e bonito, vamos aguentar mais alguns anos de contra-ataque, bola parada, arrogância e atraso tático.”

“De fato, Fried. Se, há 100 anos, eu não gostava de futebol de resultado e não suportava ver nosso esporte ser jogado sem prazer, sem diversão e sem beleza, imagina agora?”

“Difícil, amigo, difícil. Quem sabe daqui mais uns 100 anos? Mas, enquanto isso, que tal visitarmos meu pai numa nuvem lá por cima da Alemanha? Veja só, há mais de 100 anos que o velho me chama e, finalmente, tenho vontade de atender ao pedido.”

E trocaram de nuvem.

P.S. Marcos Carneiro de Mendonça e Friedenreich estão no meu livro Os Sem-Copa pra quem quiser conhecer um pouco mais sobre eles.

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Futebol e lágrimas não caem do céu

Peço licença pra começar esse texto relembrando um outro, que escrevi em 2011, quando a Seleção Brasileira realizou seu milésimo jogo na história.

“A Seleção Brasileira nasceu pra mim na Copa de 1986. Muitos de vocês já conhecem essa história: eu não tinha completado três anos ainda, mas já adorava a farra do futebol. Na ocasião, uma de minhas avós, ao voltar de uma viagem com presentes para os netos, trouxe para meu irmão uma camisa da Seleção e, para mim, uma boneca. Era dia de jogo do Brasil e eu achei aquilo um absurdo. Do jeito que só uma criança faria, chorei e protestei pelo fato dele ter recebido um presente relacionado à festa da Copa do Mundo e eu não. Felizmente, minha mãe encontrou uma solução: tratou de escrever Brasil com lápis de cera verde numa folha de papel ofício e colou a “obra” numa camisa amarela que eu já tinha no armário. Estava pronta a camisa da Seleção Brasileira que, pela minha reação de felicidade e satisfação, era tão oficial quanto a que Falcão, Casagrande, Zico, Sócrates e companhia desfilavam nos campos do México.

Pra minha mãe, a Seleção Brasileira nasceu em 58, quando ela era arremessada pra cima por meu avô a cada gol do Brasil no nosso primeiro título mundial. Pra meu pai, foi na Copa do Mundo seguinte, quando a família toda se reunia em volta do rádio pra ouvir as partidas do time que conquistou o bicampeonato. Sempre tive a certeza que a cada partida, gol de Pelé e de Ronaldo, drible de Garrincha e Neymar, jogada de Sócrates e Ronaldinho, título, goleada ou derrota do Brasil, nascia uma Seleção Brasileira particular pra alguém. Umas mais espetaculares e outras sem muito brilho e com algumas cabeças de bagre dentro de campo, mas todas são especiais de alguma forma.”

Até as que perdem, acreditem. Em algum lugar, ela nasce de novo. E cresce. Porque lágrimas de bola não nascem de primeira. São trabalhadas, massacradas num tiki-taka interminável, incansável. Que passa a bola pra lá, a derrota pra cá, a bola pra lá, a vitória pra cá, a bola pra lá, a derrota pra cá, a bola pra lá, a vitória pra cá… e quando você menos espera, ou nem mais espera, a lágrima vem. Por isso, torcedor enganado, iludido, consciente, entendido, novo, velho, cascudo, sonhador, ou seja lá qual você for, pode chorar, se tiver vontade. Essas lágrimas não nasceram de uma bola de escanteio. Muito menos de uma bola perdida. Seus olhos não jogam por uma única bola. Jogam por pré-temporadas e campeonatos inteiros de posse de bola. Nada mais justo que caiam lágrimas.

Danilo Borges/Portal da CopaAssim como nada mais justo que caia futebol da Alemanha. Porque, pode ter certeza, a oitava final de Copa do Mundo da Alemanha não caiu do céu. Não tratarei aqui dos motivos, mas desde a constatação, apesar do vice-campeonato em 2002, de que o futebol local precisava de uma reformulação, as coisas foram repensadas. Da formação dos jogadores, passando pelos métodos de treinamento, até o estilo de jogo atual, muito mais jogado, talentoso e versátil. E, não se engane, a seleção da Alemanha é “apenas” o sétimo gol da goleada. Os outros seis foram/são dados na Bundesliga, jogo após jogo, estádio cheio após estádio cheio.

Pode ter sido um castigo cruel demais, especialmente para as crianças, que nada entendem dos meandros sujos da CBF ou da arrogância ultrapassada de quem a comanda, mas se houvesse justiça no futebol, a desorganização do futebol nacional seria a explicação para a derrota de hoje. A explicação está nos clubes da elite do futebol que iniciam uma temporada esgotante sem um período de treinamento decente e está nos clubes pequenos que penam pra jogar um estadual e acabam o ano em maio. Está também nos talentos que vão embora cedo porque não temos um campeonato nacional forte o suficiente. A explicação é dada toda quarta e domingo. Toda terça e sexta.

Confiar que um novo Pelé (ou Garrincha, ou Amarildo, no caso de precisar de um plano B, né?) vai cair do céu com o peso da camisa da Seleção Brasileira me parece longe do ideal. É preciso muito mais. É preciso pensar numa reformulação (o que não significa que somos os piores do mundo, não temos nada de bom e os 23 jogadores dessa seleção merecem ser banidos da seleção, por favor, hein?!). E isso tudo é dito, pelos que pensam futebol de forma séria, muito antes da derrota de hoje. Talvez, ela sirva pra que outras pessoas também digam. E que pra que outras pessoas também escutem o que é preciso ser dito (pelo Bom Senso F.C., por exemplo). Futebol não cai do céu. E é uma pena que a CBF siga abrindo seu guarda-chuva enquanto tantas lágrimas são treinadas.

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Uma Copa pra quem não entende de futebol

A gente que é doente por futebol, gosta de qualquer Copa do Mundo. Da Copa de 90 à Copa de 58. Da competição cheia de empates e 1×0 àquela com maior média de gols, viradas e resultados imprevisíveis da história. A gente prefere esse segundo tipo mais emocionante, é claro, mas a verdade é que a gente vira o mundo de cabeça pra baixo se precisar pra assistir a Irã e Nigéria numa segunda-feira de Copa do Mundo.

Há muito tempo, uma bola de Copa do Mundo não balançava tanto as redes!

A coisa não é a mesma coisa pra quem não acompanha futebol dessa forma. Quem não sabe (ou não quer saber) as variações táticas, não avalia o desempenho de cada jogador, não se interessa pela escalação da Holanda e não tá nem aí pra evolução (ou involução) de uma seleção especifica, quer ver emoção e não necessariamente futebol.

É por isso que essa Copa tem sido uma competição mais do que perfeita pra quem não entende de futebol (e tem acabado com os bolões de quem  “entende”). Se antes, os torcedores de quatro anos em quatro anos, assistiam ao Mundial pela festa, agora também podem aproveitar pra se esbaldar com muito mais. Se é emoção que eles querem, a gente prova que emoção é o que não está faltando. Então, pode esquecer as previsões táticas, as projeções de gols e as últimas estáticas e vem comigo!

Uma Copa de Gols
Nunca na história desse país…  Na verdade, desde a edição de 1958, a média de gols da Copa do Mundo não alcança o patamar de 3 gols por partida. Em suas seis primeiras edições, de 1930 a 1958, as médias foram todas mais altas – a maior sendo a de 1954, de 5,38 gols por jogo. De lá pra cá, o número de seleções aumentou (de 16 para 24, em 1982, e então para 32, em 1998), mas os gols, esses teimaram em se manter entre 2,96 (saudades 1970) e 2,21 (beijo, Copa de 1990, não me liga).

Em 2014, pra alegria geral da nação, a primeira rodada teve um total de 49 gols em 16 jogos (e uma média de 3,06 gols por jogo), um recorde neste formato com 32 seleções. Até o início dos jogos de quinta-feira (19), mesmo com o 0x0 de Brasil e México, a média seguia com três gols por partida, mas caiu com o zero a zero entre Japão e Grécia. Atualização: com os jogos de sexta-feira (20), a média voltou a subir (2,96), graças à mais uma goleada, dessa vez na França sobre a Suíça, na Fonte Nova.  Não dá pra garantir que a média seguirá subindo, mas até agora ela tem feito a festa. Inclusive, nesse ritmo, não acho impossível a Copa de 2014 alcançar o total de gols de 2010 (145) ainda na primeira fase! Digam se não é pra sair pelas encruzilhadas fazendo oferendas pra agradecer aos orixás?!

Uma Copa de vencedores
Nunca na história desse país… Na verdade, nunca na história das Copas tivemos tão poucos empates! Pra começar, pela primeira vez desde 1930, um Mundial teve 10 jogos seguidos sem empate. E passamos! Chegamos a 12 jogos.

Em 23 jogos, tivemos quatro empates (17%)!! A esta altura, em 2010, já tínhamos visto oito empates. Com exceção da Copa de 1930 (18 jogos), quando não houve nenhum empate, a Copa com o menor número de empates foi a de 1934 (16 seleções, 17 jogos, 16 vitórias e apenas um empate). Em 1954 (16 seleções, 26 jogos), apenas dois jogos terminaram em empate, mas essas porcentagens de empates (5,88% e 7,69% respectivamente) nunca mais se repetiram. Na real, subiram bastante. De 1982 (24 seleções) a 2010 (32 seleções), esse número variou entre 32% e 21%. Neste período, a Copa com o menor número de empates foi a de 1994, com 11 empates.

Com uma última rodada de grupos emocionante, vamos torcer que os gols sigam saindo. Não duvido nada que esta Copa bata o recorde de números de vitórias da “era moderna”!

Uma Copa de viradas
Nunca na história desse país… Na verdade, nunca estivemos tão perto de bater o recorde de viradas em uma edição de Copa do Mundo. A gente que acompanha e destrincha Copa do Mundo sabe que é uma situação bem complicada de ser conquistada. Não é a toa que o recorde histórico de viradas em Mundiais é de nove jogos em 1970 (num total de 38 jogos) e em 2002 (64 jogos). Mas a Copa de 2014 não é nada apegada a caminhos projetados e  já tivemos seis vitórias com viradas de placar, incluindo a do  Brasil, na abertura contra a Croácia, a da Costa Rica, ao bater o Uruguai, e a da Suíça, com um gol num contra-ataque no final do jogo diante do Equador. Até a final, no Maracanã, no dia 13 de julho, eu aposto em mais viradas e muito mais emoção.

Uma Copa de goleadas e surpresas
Pela primeira vez na história, a atual campeã mundial foi desclassificada nos primeiros dois jogos. E o olha que, na estreia, a Holanda, atual vice-campeã, já havia feito 5 a 1 na revanche contra a Espanha. Inclusive, essa derrota espanhola também significou algo histórico para o torneio, já que um defensor de título jamais havia sofrido derrota tão grande. Ainda teve a Alemanha, forte candidata ao título, vencendo Portugal, de Cristiano Ronaldo, eleito melhor jogador do mundo, por 4 a 0. Isso tudo e nem terminamos a segunda rodada da fase de grupos. Atualização: e o que dizer da Costa Rica? Classificada no grupo da morte com Itália, Uruguai e Inglaterra, ao fim da segunda rodada?!

Mesmo sem tudo isso, eu teria assistido (e sigo fissurada em) cada uma das partidas da Copa, mas garanto que praquela tia que não entende de futebol ou praquele amigo que não faz ideia da forma com a Espanha joga, isso faz diferença. Então é melhor correr pra Copa. Se tem alguém que ainda estava em dúvida em acompanhar a Copa do Mundo, ela acabou.

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Vai ter leitura na Copa!

Vitrines dos sonhos nas livrarias! E olha o meu Os Sem-Copa sempre lá! :)

Vitrines dos sonhos nas livrarias! E olha o meu Os Sem-Copa sempre lá! 🙂

Cês sabem, é claro, que eu sou louca por livros de futebol e que faço coleção deles. Logo, com a proximidade da Copa do Mundo e a avalanche de lançamentos e vitrines futebolísticas, minhas prateleiras ficaram mais cheias e meus bolsos mais vazios.

Lançamentos

Ainda não tive tempo de ler todos, mas antes que a Copa comece e outros assuntos tomem conta deste blog, faço uma lista das novidades das minhas prateleiras! Não vou indicar o meu Os Sem-Copa, mas vcs já sabem, né?!


Os dez mais da Seleção Brasileira, de Roberto Sander. Maquinária Editora

Sander conta a história de dez craques que fizeram história na Seleção. A escolha dos jogadores foi feita através de uma consulta a diversos jornalistas como Juca Kfouri, Mauro Beting, PVC, Roberto Assaf, Ruy Castro e outros. São eles: Leônidas, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Rivelino, Zico e Romário, Tostão e Ronaldo. Sim, você pode discordar da lista. Eu trocaria um nome com certeza, talvez dois. Faz parte! Mas o livro vale muito a leitura. Os textos fluem e quando você percebe já leu a história de todos os craques do livro.

Tática Mente – A história das Copas explicadas pelas cabeças e pranchetas dos treinadores, de Paulo Vinícius Coelho. Editora Panda Books
Eu sou fã do PVC e esse livro é pra quem curte tática. O livro conta a história da formação de varias seleções, destrincha o sistema tático de outras, explica ou questiona o de mais algumas. São vários textos independentes com uma seleção (e uma prancheta) como tema. Tem as seleções brasileiras de 70, 82, 94, 50… outras grandes seleções como a Holanda de 74, a Hungria de 1952, a Espanha de 2010, confrontos como Uruguai x Argentina na Copa de 30 e outras equipes não tão vitoriosas ou famosas, como a Escócia de 1986, treinada inicialmente por Jock Stein, maior treinador escocês antes de Sir Alex (que foi seu pupilo e assumiu aquela seleção), e que morreu no vestiário após uma partida decisiva entre Escócia e Gales nas eliminatórias pra Copa.

Infográfico das Copas, de Gustavo Longhi de Carvalho e Rodolfo Rodrigues. Editora Panda Books.
Esse livro traz uma infinidade de estatísticas, listas, números e informações curiosas organizadas em infográficos lindos e coloridos. Um livro divertido pra folhear durante os jogos e descobrir, por exemplo, em qual Copa foi marcado o gol número 1.000 na história do Mundial,  quais são as maiores sequências invictas das seleções, quantos gols foram marcados na Copa de 1998, quais clubes brasileiros tiveram mais jogadores campeões do mundo, quem são os técnicos que dirigiram mais jogos, quais jogadores brasileiros foram expulsos nos Mundiais e muito mais!

Lançamentos
O Planeta Neymar: Um Perfil, de PVC. Editora Paralela.
Ainda não consegui ler todo, mas foi o único livro sobre o craque que me interessou nessa leva de lançamentos para a Copa do Mundo. Não espere fotos coloridas e detalhes sobre o namoro do jogador com a atriz Bruna Marquesine. PVC faz um perfil jornalístico, com o respaldo de quem acompanhou de perto a ascensão de Neymar, mais precisamente desde 2005, quando o jogador ainda não havia completado 15 anos.

O Guia Dos Curiosos – Copas, de Marcelo Duarte, Editora Panda Books
Segue a mesma linha de livros divertidos pra folhear durante as partidas menos interessantes (ou no intervalo, sei lá!) da Copa do Mundo. As curiosidades e informações muito bem selecionadas são divididas por Copa do Mundo. O livro é o nono volume da série, O Guia dos Curiosos, que trata de outros temas como Invenções, Brasil, Sexo e outros.

Maracanazo – A história secreta, de Atilio Garrido. Editora Livros Ilimitados
Não li ainda, mas trata-se do novo livro do jornalista uruguaio Atílio Garrido. O release conta que o autor vai além do relato esportivo e cria um documento histórico informativo, crítico e emocionante deste que foi um dos maiores fatos do futebol mundial e que teve profundas consequências nas histórias dos respectivos países, nos âmbitos cultural, social, político e, obviamente, esportivo.

Lançamentos
Béla Guttmann — Uma lenda do futebol do século XX, do autor alemão Detlev Claussen
O livro acabou de ser lançado e a editora (obrigada!!!) me mandou um exemplar quentinho da gráfica pra fazer parte da minha coleção. Eu conhecia a história do Béla Guttmann de forma superficial e estou morrendo de vontade de conhecer melhor! Pra quem não ligou o nome ao personagem, Béla é aquele ex-treinador húngaro, bicampeão da Champions em 1961/62 no comando do Benfica que ficou famoso ao lançar uma maldição no time. Ao sair do clube após um desentendimento com a diretoria, Béla anunciou uma maldição aparentemente profética: a de que o Benfica não voltaria a vencer uma competição continental pelos próximos cem anos. E olha que de lá pra cá já se foram alguma finais, hein?! Incluindo a mais recente, em maio deste ano, quando o Benfica perdeu a decisão da Liga Europa para o Sevilha. História imperdível!

O Drible, de Sergio Rodrigues. Editora Companhia das Letras
Não briguem comigo, mas também não comecei a ler ainda. O que posso dizer é que esse livro está recebendo dezenas de elogios e belas críticas. Ele não é um livro “comum” de futebol. É um romance (eta novidade maravilhosa) que tem futebol como tema. O Drible conta a história de um cronista esportivo de oitenta anos, desenganado pelos médicos, e testemunha dos anos dourados do futebol brasileiro que tenta se reaproximar do filho. Pra isso, decide escrever um livro onde narra a história do fictício Peralvo, um ex-jogador de talentos paranormais que deveria ter sido “maior que Pelé”, caso uma tragédia não o tirasse de campo.

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Bolinhas queridas. Ou não

Reprodução Fifa.com sorteio final fifa 2014

Não sei vocês, mas eu não vejo a hora dessa Copa começar pra gente ficar ensandecido e desesperado pra ver os jogos, entrar em bolão, apostar com os amigos, ver as jogadas de Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Ribery, Iniesta, Ozil, Rooney, Van Persie e por aí vai. Sorry se você não se empolga, não fica nervoso e não se emociona com a Copa do Mundo. Dá pra fazer tudo isso mesmo tendo consciência dos absurdos que esta Copa “trouxe”. E como eu prometi que não ia mais dar bronca em vocês esse ano, vamos fazer uma das coisas preferidas deste blog! Pitacar como se não houvesse amanhã, Ora Bolas?!

Grupo a grupo, vamos lá:

GRUPO A – Nem oito nem oitenta

Brasil
Croácia
México
Camarões

Considerando que o Brasil poderia ter pego um grupo com Holanda, França e México ou Itália, Inglaterra e México, parece até que ganhamos um doce pra saborear. Mas não é bem assim. Claro, nenhuma das seleções é um bicho papão, mas elas também não são galinhas mortas. A boa notícia é que seleções de porte médio são bons testes para o Brasil sair da primeira fase aquecido. Principalmente com a possibilidade de pegar Espanha ou Holanda (ou Chile) logo nas oitavas.

Palpite: Brasil e México

GRUPO B – Tadinha da Austrália

Espanha
Holanda
Chile
Austrália

A Espanha é a favorita da chave. A Holanda, até pela tradição, seria a segunda força óbvia do grupo, mas a seleção holandesa tem um time mais envelhecido e pode se complicar na briga pela segunda colocação. O adversário nessa briga é o Chile, muito bem treinado por Jorge Sampaoli. A Austrália, tadinha, deve voltar com um trio de derrotas.

Palpite: Espanha e Holanda

GRUPO C – Equilíbrio

Colômbia
Grécia
Costa do Marfim
Japão

Ninguém é forte demais, ninguém é fraco demais. Bom desafio para a Colômbia, uma das cabeças de chave olhadas com desconfiança pelos torcedores. Será que o Japão complica a ponto de garantir um segundo lugar na chave ou os marfinenses Yaya Touré e Drogba vão impor seu futebol? A Grécia corre por fora.

Palpite: Colômbia e Japão

GRUPO D – Uhhhhhh

Uruguai
Costa Rica
Inglaterra
Itália

Não tá fácil pra Costa Rica, amigos. Uruguai, Inglaterra e Itália vão brigar por essas duas vagas como se não houvesse amanhã. E acho que nenhum dos três larga na frente. A Itália tem uma boa seleção (Pirlo <3) e vem embalada de um bom e longo trabalho de Cesare Prandelli. A Inglaterra (o técnico Roy Hodgson, na verdade) tanto resmungou que, é claro, que iria jogar em Manaus. Rooney e Wilshere, ao lado dos veteranos Gerrard e Lampard, formam uma seleção forte, mas o Uruguai de Cavani e Luis Suarez não fica nada atrás. O palpite é tipo assim: joga os três pro alto e cata dois.

Palpite: Itália e Inglaterra

GRUPO E – Allez les Bleus

Suíça
Equador
França
Honduras

E a França, hein?! Da repescagem pra um grupinho que dá pra aller (verbo ir em francês) tranquilamente! O Equador pode até incomodar a Suíça pelo segundo lugar, mas é improvável. E Honduras, bem, nada a dizer.

Palpite: França e Suíça

GRUPO F – Los hermanos vêm aí

Argentina
Bósnia
Irã
Nigéria

A Argentina, uma das favoritas para o título (sim, existe a possibilidade linda e maravilhosa e emocionante e desesperadora e #muitagentevaienfartar de uma final Brasil x Argentina no Maracanã), também ganhou um bom grupo pra aquecer as turbinas. A briga pelo segundo lugar é entre Nigéria e Bósnia.

Palpite: Argentina e Nigéria

GRUPO G – O gajo pira

Alemanha
Portugal
Gana
Estados Unidos

Alemanha é uma das minhas favoritas para o título (ao lado do Brasil, Argentina e Espanha) e leva a primeira vaga. A segunda vaga, na teoria, deveria ser de Portugal por conta de Cristiano Ronaldo, mas, #minhanossasenhora, como os portugueses se complicam (o gajo merecia uma geração que chegasse mais perto do nível do futebol dele). Pra piorar, Gana é provavelmente a seleção africana mais forte do mundial e os  Estados Unidos, comandado por Jürgen Klinsmann, também tem uma boa seleção.

Palpite: Alemanha e Portugal

GRUPO H – Dois pra cá, dois pra lá

Bélgica
Argélia
Rússia
Coreia do Sul

A queridinha, surpresinha, bonitinha e mais do que apenas boazinha seleção da Bélgica garante uma das vagas. A Rússia, de Fábio Capello, é o outro time que está num patamar superior à Coreia do Sul e à Argélia.

Palpite: Bélgica e Rússia

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Natal futebolístico!

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Lindões e lindinhas, livro A Linha da Bola – Tudo o que as mulheres precisam saber sobre futebol e os homens nunca souberam explicar – disponível pro Natal!!! Pras moçoilas formosas começarem 2014 sabendo tudo sobre futebol, hein?!?! E pros moços que gostam de futebol presentearam a namorada, a mulher, a mãe, a chefa, a colega de trabalho e arrasar no amigo secreto da firma ou da família!!!

Pra comprar (com dedicatória especial!!), é só escrever pra contato@claraalbuquerque.com.br

beijoca com paçoca.

 

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Copa 2014 – Arrumando as malas!

Enfim, a pouco mais de seis meses para a Copa do Mundo de 2014, as 32 seleções que virão ao Brasil estão definidas. Nada de “zebras”! Uruguai (campeão em 1930 e 1950), Itália (1934, 1938, 1982 e 2006), Alemanha (1954, 1974, 1990), Inglaterra (1966), Argentina (1978, 1986), França (1998) e Espanha (2010) se juntam ao Brasil em um mundial que terá a tradição de todas as equipes que já levantaram a taça ao menos uma vez na história. Não sei vocês, mas eu adorei.

E com as classificações garantidas, começaram também as provocações, as previsões, as projeções e o frio na barriga.

Primeiro, um vídeo lançado pela Puma, patrocinador da seleção uruguaia. É a peça mais provocativa (e criativa) da leva: “O fantasma de 50 está no Brasil”.

Segundo, um vídeo lançado pela Adidas para emocionar todo mundo os espanhóis.

Os uniformes para a Copa do Mundo também já estão sendo colocados na mala, novinhos e cheirosos! A França aproveitou para dar uma provocadinha.

Uniforme da França 2014

Uniformes Argentina Alemanha México e Rússia Copa 2014

Por fim, uma ferramenta viciante divertida para quem não aguenta de ansiedade pro sorteio dos grupos do torneio, que acontece, no dia 6 de dezembro, na Bahia. Basta ir lá no simulador online criado pelo site UltraZone. Se não acontecer nenhuma surpresa nas regras do sorteio, os franceses devem ficar em uma posição especial, diferente das demais seleções europeias do pote 4, onde estarão todas as seleções europeias. Isto porque a França não poderá cair em um grupo que tenha uma seleção europeia como cabeça-de-chave. Assim, excluindo Espanha, Alemanha, Suíça e Bélgica (as cabeças de chave da Europa), restam apenas os grupos encabeçados por Brasil, Argentina, Colômbia e Uruguai. A outra regra é que Chile e Equador, participantes do pote 3, não podem cair em grupos onde seleções sul-americanas são cabeças de chave.

Pelas possibilidades, o Brasil pode ganhar um grupo da morte e DO TERROR, com México, França e Itália ou um grupo com Honduras, Argélia e Bósnia de bandeja. E aí, vocês preferem com ou sem emoção?

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Vem, Cristiano Ronaldo! Vem, Messi! Vem, você aí também!

Reprodução da página fpf.pt após a classificação de Portugal

Mas, nossasenhoradacopadomundo, qual é o problema de vocês com essa obsessão de escolher entre Messi e Cristiano Ronaldo?!? Por que vocês não podem simplesmente apreciar o futebol absurdamente genial dos dois?! Por que não desejar uma Copa no Brasil com os dois craques (e todos os outros mais que existirem nesse planeta)?

Eu entendo que exista preferência entre um e outro. Messi é produto de seu talento. É orgânico, escorregadio, velocidade, drible. Cristiano Ronaldo é produto de muito treino (e não de marketing). É força, trabalho, concentração, determinação, esforço. O que não significa que o argentino não treine, muito menos que o português não tenha talento. Se um dia colacassem um revólver na minha cabeça e mandassem eu escolher entre os dois, eu decidiria por Messi. Muitos outros diriam o nome de CR7.

Mas, vejam só, que notícia maravilhosa, ninguém está me ameaçando (nem vocês!!!) de morte e eu não tenho que escolher um OU outro. Os dois são craques absurdos e, ainda que você tenha preferência por um outro, dá pra curtir o futebol dos dois!

A gente fala tanto do futebol do passado, dos craques que marcaram época quando a gente nem era nascido ou acompanhava o futebol holandês, chora tanto a falta de jogadores como Garrincha, Maradona, Cruyff, Zidane e outros monstros do futebol que não consegue nem perceber o quão sensacional é poder acompanhar Messi e Cristiano Ronaldo jogando num mesmo momento do futebol. Eu mesmo vivo reclamando que não tive o privilégio de ver Garrincha jogar. É justamente por isso que aproveito cada minuto em campo de Messi e Cristiano Ronaldo. Não sendo contra a Seleção Brasileira, quero mais é que eles quebrem todos os recordes e tenham as atuações mais inacreditáveis possíveis.

E chega desse assunto porque já é a segunda vez que dou essa bronca falo disso aqui no blog. Que venham Portugal, Argentina, França (ou não pode gostar de Ribery TAMBÉM????) e todos os seus craques!

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Nem tanto cá, nem tanto lá: no meio de campo

Você que ir à Fonte Nova ver o jogo do Bahia (uma das novas arenas preparadas para a Copa). Pula a parte do transporte precário pra chegar lá, caso você não tenha carro (o que também não será paraíso nenhum e você pagará R$25 no estacionamento oficial ou R$20 num “armengado” quase no meio da rua). Daí você paga R$60 pra entrar no estádio. Se estiver com fome, vai pagar quase R$10 num saco de pipoca ou num salgado.

A arrecadação da final da Libertadores, na quarta-feira (24/07) da semana passada, revelou que o valor médio de ingresso pago pelo torcedor foi acima de R$100. No último fim de semana, torcedores de terno e gravata fizeram um criativo protesto na porta do Maracanã no jogo do Flamengo com o Botafogo por ingresso a preços “populares”.

E, de repente, estava instalado o caos e a caça à elitização do futebol brasileiro. De repente, a modernidade, o “conforto”, o lucro com a receita das arquibancadas são vilões prontinhos pra matar toda a alma do futebol brasileiro.

Foto: AFP

Pera lá, gente. Nem tanto cá, nem tanto lá.

Primeiro, é preciso entender e aceitar que o futebol precisa evoluir. Estádios mais modernos e confortáveis não são mero capricho de torcedor que gosta de ópera e bate palma de forma contida durante um gol. Essa evolução é necessária e justa, afinal, o torcedor está pagando por um serviço e merece ser tratado de forma, no mínimo, justa. Desculpem-me, mas a alma do futebol brasileiro não está em arquibancadas caindo aos pedaços, muito menos no cheiro de xixi ou nos banheiros nojentos que o torcedor era obrigado a aturar.

Segundo, as novas arenas (e o valor dos ingressos) não podem ser exclusivamente responsabilizadas pelo esvaziamento das arquibancadas do país. Nos últimos 10 anos, o Brasileirão teve média de público acima de 15 mil em apenas três oportunidades (2007, 2008 e 2009). E não digam que é culpa dos pontos corridos, adotados em 2003. Entre 1993 e 2002, isso aconteceu apenas uma vez. Portanto, a gente pode discutir e questionar aqui a forma como essas arenas foram construídas, por exemplo, mas o público já não estava tão presente assim desde antes. As coisas são sempre mais complexas do que um vilão e um mocinho.

Isso significa que eu acho que os ingressos de futebol devem custar mais de R$100 e o céu é o limite (pesquisa recente da Pluri Consultória mostrou que, nos últimos dez anos, o preço médio dos ingressos mais baratos dos times que disputam o Campeonato Brasileiro subiu 300% – contra uma inflação próxima a 90%)? É claro que não, mas nem sempre.

Explico. Se um time faz 35 jogos em casa na temporada, é compreensível que um ou outro jogo seja mais importante e desejado do que outros. Uma final de Libertadores vale o ingresso mais caro porque existe procura pra ele. O mesmo valor não pode ser ofertado para uma partida do estadual. Eu acho que não há nada de errado em aumentar a receita da bilheteria quando a procura existe (a gente não quer os melhores reforços, as melhores sedes, as melhores partidas, os jogadores do mais alto nível na melhor fase da carreira e um futebol de alta qualidade técnica?). E, sim, a gente pode (e deve) discutir e cobrar pelo serviço ruim, pelas filas, pelo despreparo, pela falta de segurança, transporte e tudo mais, mas isso é uma outra coisa.

Não acho também que o torcedor de futebol deve ser tratado exclusivamente como um cliente. O futebol é o que é e tem tamanha capacidade de lucro justamente porque ele não é apenas negócio e isso, sim, deve ser respeitado.

Pra um jogo “comum” de meio de campeonato, acho caro pagar R$60 pra ir à Fonte Nova. E essa história de meia-entrada pra todo mundo (seja porque liberam ou porque a quantidade de carteira falsa é obscena) é simplesmente ridícula.

No fim das contas, existe uma receita prontinha de valores e ações pra levar o torcedor (de todos os tipos) aos estádios brasileiros?? É claro que não. Não dá, por exemplo, pra seguir um modelo europeu pronto como o do Borussia Dortmund que leva 80 mil pessoas por jogo (até porque eles não vendem ingressos por uma pechincha. Tirando as entradas para crianças e cadeirantes, os ingressos começam em 15 euros, em pé, e 34 euros, sentado. Multipliquem os valores por 3, o câmbio). E não vamos nem entrar no mérito aqui que a população com dinheiro (chame de elitizada, se quiser) por lá é muito mais numerosa, sem falar em transporte e serviços oferecidos.

Eu não tenho dúvidas de que existem soluções e boas ideias para cada caso. A alma do futebol brasileiro está no seu torcedor e é ele quem deve mostrar esse caminho. O Bahia, por exemplo, ganhou 13 mil novos sócios patrimoniais, em 48 horas, numa campanha de associação em massa, promovida pelo interventor Carlos Rátis, que reduziu o título patrimonial de R$300,00 para R$10,00 (a mensalidade continuará sendo de R$40,00). Outro clube que poderia ter um projeto de sócio torcedor sensacional é o Flamengo. Mas, tem? Não tem. Pois é.

Que existem caminhos, existem, resta “esperar” que, quem pode, saiba jogar essa bola pro meio de campo. Tem que ter passe pro futebol negócio, mas também tem que ter toque pra paixão.

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