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Longe de acabar

Considerando que Náutico e Ponte Preta já estavam rebaixados antes da rodada começar, eu gostaria de escrever este post do final do Brasileirão com a tristeza “apenas” da torcida de outros dois times rebaixados. As cenas ocorridas no jogo que decretou o rebaixamento do Vasco, diante do Atlético-PR, em Joinville, no entanto, fazem com que esse post tenha a tristeza de todo o futebol brasileiro.

Perde o Vasco, perde o Fluminense, o Atlético-PR, o Bahia, o Botafogo, o Corinthians, O Flamengo, o Inter, o Vitória, o Grêmio, o Cruzeiro e todos os outros clubes de todas as divisões. Perde o torcedor, o pai que levava o filho ao estádio, a garotinha que ama gritar gol, o jogador, o jornalista, o ser-humano. Porque o que faz todo mundo aí amar o futebol é, acima de tudo, sua natureza humana. Exatamente o oposto desses animais que não fazem ideia do que é futebol. Que me deram, até agora, um nó na garganta de raiva, frustração, tristeza e revolta com as imagens em Atlético-PR 5×1 Vasco. O pior é que é possível reconhecer TODO MUNDO que estava na briga. Há imagens por todos os ângulos e com toda a definição. Aguardo o dia em que alguém será preso e proibido de entrar no estádio pelo resto da vida. Lembrando que o jogo já estava acontecendo em Joinville, e não em Curitiba, porque o Atlético-PR estava cumprindo punição por cenas parecidas no Atletiba. Não adianta punir o clube mil vezes, se os animais (não os chamarei de torcedores) violentos continuam podendo entrar no estádio outras mil vezes.

Que os torcedores dos times que comemoram algo, me perdoem, mas que fim de ano de merda para o futebol brasileiro (até a festa do campeão brasileiro foi cancelada por conta de atos de alguns imbecis). Aliás, não só fim, não é mesmo? Da morte do garoto Kevin, no início do ano, ao nosso ministro do esporte comparando o atraso dos estádios com as noivas, passando por mortes de operários no estádio da Copa e pelos inúmeros casos de violência que testemunhamos. Ainda mais triste pensar que nem gente morta consegue mudar alguma coisa por aqui.

O motivo principal desse post seria a minha tradicional prestação de contas das apostas do Brasileirão. Pago as contas, mas com um sentimento embolado no peito e sem o clima festivo e descontraído que tanto tento usar e espalhar neste blog. O Brasileirão 2013 terminou, mas a imbecilidade e a impunidade, no “futebol”, estão longe de acabar.

Aí vai:

Meus palpites para os quatro primeiros:

Atlético-MG, Corinthians, Fluminense e Inter. ERREI FEIO.

Quatro rebaixados:

Náutico, Portuguesa, Bahia e Criciúma.

E agora, pra relembrar, os textos das apostas escritas em MAIO sobre os quatro primeiros e os quatro rebaixados:

Cruzeiro

O time mineiro não tem feito feio. Sobrou na primeira fase do Estadual e se reforçou. Os torcedores começam o Brasileirão com mais esperanças do que nos últimos anos e o time pode brigar por uma vaga na Libertadores, mas que eu não aposto.

Grêmio

Depois de muito gastar, o Grêmio tem provavelmente um dos melhores elencos deste Brasileirão. Tem qualidade para brigar no topo da tabela, mas ainda não encaixou. Pode se encontrar e evoluir durante o Brasileirão? Pode e até deve crescer na competição, mas não acho que vai brigar pelo título.

Atlético-PR

Acabou de voltar à elite e fez um planejamento ousada para 2013, mas que tem dado certo. Mandou um time sub-23 para o estadual e mesmo assim quase levou a taça. Com isso, conseguiu reservar praticamente todo o primeiro semestre para a pré-temporada. A equipe principal fez apenas os jogos da Copa do Brasil onde avançou para a 3° fase. O time ainda precisa ser testado em confrontos mais difíceis, mas deve brigar por mais do que para fugir do rebaixamento.

Botafogo

O time carioca evoluiu muito nesse primeiro semestre. Levou o estadual de forma merecida e convincente. Além de bons jogadores, tem Seedorf para liderar o grupo e tentar colocar o Botafogo de volta na luta pela Libertadores. Um passarinho da intuição sopra no meu ouvido que o time pode ter sucesso na Copa do Brasil, mas acho que não deve brigar pelo título do Campeonato Brasileiro.

Rebaixados:

Náutico

Vida do Náutico não está boa não… Decepcionou no Campeonato Pernambucano e foi eliminado pelo Crac na 1ª fase da Copa do Brasil. O time base é fraco e a promessa de reforços não deve mudar esse panorama de forma considerável. Candidato ao rebaixamento.

Ponte Preta

O time não é nenhuma maravilha do futebol, mas conseguiu se arrumar no primeiro semestre. Com a quinta colocação no estadual e a vaga garantida na terceira fase da Copa do Brasil, a Ponte deve ficar acima da briga pelo rebaixamento.

Vasco

É pelo simples fato de que existem outros quatro times piores que o Vasco, em minha opinião, que o time cruz-maltino não está entre os quatro candidatos ao rebaixamento. O primeiro semestre foi feio e o técnico Paulo Autuori precisará de muita criatividade e paciência para conseguir alguma coisa no Brasileirão.

Fluminense

O campeão brasileiro de 2012 não é mais o mesmo. A regularidade e o rendimento do time de Abel caíram, mas ele ainda segue sendo um dos mais fortes em 2013. O elenco tem qualidade e poder de decisão. Candidato ao título.

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Nem tanto cá, nem tanto lá: no meio de campo

Você que ir à Fonte Nova ver o jogo do Bahia (uma das novas arenas preparadas para a Copa). Pula a parte do transporte precário pra chegar lá, caso você não tenha carro (o que também não será paraíso nenhum e você pagará R$25 no estacionamento oficial ou R$20 num “armengado” quase no meio da rua). Daí você paga R$60 pra entrar no estádio. Se estiver com fome, vai pagar quase R$10 num saco de pipoca ou num salgado.

A arrecadação da final da Libertadores, na quarta-feira (24/07) da semana passada, revelou que o valor médio de ingresso pago pelo torcedor foi acima de R$100. No último fim de semana, torcedores de terno e gravata fizeram um criativo protesto na porta do Maracanã no jogo do Flamengo com o Botafogo por ingresso a preços “populares”.

E, de repente, estava instalado o caos e a caça à elitização do futebol brasileiro. De repente, a modernidade, o “conforto”, o lucro com a receita das arquibancadas são vilões prontinhos pra matar toda a alma do futebol brasileiro.

Foto: AFP

Pera lá, gente. Nem tanto cá, nem tanto lá.

Primeiro, é preciso entender e aceitar que o futebol precisa evoluir. Estádios mais modernos e confortáveis não são mero capricho de torcedor que gosta de ópera e bate palma de forma contida durante um gol. Essa evolução é necessária e justa, afinal, o torcedor está pagando por um serviço e merece ser tratado de forma, no mínimo, justa. Desculpem-me, mas a alma do futebol brasileiro não está em arquibancadas caindo aos pedaços, muito menos no cheiro de xixi ou nos banheiros nojentos que o torcedor era obrigado a aturar.

Segundo, as novas arenas (e o valor dos ingressos) não podem ser exclusivamente responsabilizadas pelo esvaziamento das arquibancadas do país. Nos últimos 10 anos, o Brasileirão teve média de público acima de 15 mil em apenas três oportunidades (2007, 2008 e 2009). E não digam que é culpa dos pontos corridos, adotados em 2003. Entre 1993 e 2002, isso aconteceu apenas uma vez. Portanto, a gente pode discutir e questionar aqui a forma como essas arenas foram construídas, por exemplo, mas o público já não estava tão presente assim desde antes. As coisas são sempre mais complexas do que um vilão e um mocinho.

Isso significa que eu acho que os ingressos de futebol devem custar mais de R$100 e o céu é o limite (pesquisa recente da Pluri Consultória mostrou que, nos últimos dez anos, o preço médio dos ingressos mais baratos dos times que disputam o Campeonato Brasileiro subiu 300% – contra uma inflação próxima a 90%)? É claro que não, mas nem sempre.

Explico. Se um time faz 35 jogos em casa na temporada, é compreensível que um ou outro jogo seja mais importante e desejado do que outros. Uma final de Libertadores vale o ingresso mais caro porque existe procura pra ele. O mesmo valor não pode ser ofertado para uma partida do estadual. Eu acho que não há nada de errado em aumentar a receita da bilheteria quando a procura existe (a gente não quer os melhores reforços, as melhores sedes, as melhores partidas, os jogadores do mais alto nível na melhor fase da carreira e um futebol de alta qualidade técnica?). E, sim, a gente pode (e deve) discutir e cobrar pelo serviço ruim, pelas filas, pelo despreparo, pela falta de segurança, transporte e tudo mais, mas isso é uma outra coisa.

Não acho também que o torcedor de futebol deve ser tratado exclusivamente como um cliente. O futebol é o que é e tem tamanha capacidade de lucro justamente porque ele não é apenas negócio e isso, sim, deve ser respeitado.

Pra um jogo “comum” de meio de campeonato, acho caro pagar R$60 pra ir à Fonte Nova. E essa história de meia-entrada pra todo mundo (seja porque liberam ou porque a quantidade de carteira falsa é obscena) é simplesmente ridícula.

No fim das contas, existe uma receita prontinha de valores e ações pra levar o torcedor (de todos os tipos) aos estádios brasileiros?? É claro que não. Não dá, por exemplo, pra seguir um modelo europeu pronto como o do Borussia Dortmund que leva 80 mil pessoas por jogo (até porque eles não vendem ingressos por uma pechincha. Tirando as entradas para crianças e cadeirantes, os ingressos começam em 15 euros, em pé, e 34 euros, sentado. Multipliquem os valores por 3, o câmbio). E não vamos nem entrar no mérito aqui que a população com dinheiro (chame de elitizada, se quiser) por lá é muito mais numerosa, sem falar em transporte e serviços oferecidos.

Eu não tenho dúvidas de que existem soluções e boas ideias para cada caso. A alma do futebol brasileiro está no seu torcedor e é ele quem deve mostrar esse caminho. O Bahia, por exemplo, ganhou 13 mil novos sócios patrimoniais, em 48 horas, numa campanha de associação em massa, promovida pelo interventor Carlos Rátis, que reduziu o título patrimonial de R$300,00 para R$10,00 (a mensalidade continuará sendo de R$40,00). Outro clube que poderia ter um projeto de sócio torcedor sensacional é o Flamengo. Mas, tem? Não tem. Pois é.

Que existem caminhos, existem, resta “esperar” que, quem pode, saiba jogar essa bola pro meio de campo. Tem que ter passe pro futebol negócio, mas também tem que ter toque pra paixão.

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Dica, Ora Bolas?! pra uma conquista e uma perda

Um dia a gente perde, um dia a gente ganha. Uma hora a gente chora de tristeza, em outra as lágrimas são de felicidade. Nem tudo é sempre o fundo do poço e nada é uma eterna maravilha. Temos momentos de reencontros e de despedidas. Às vezes, é preciso respirar fundo pra seguir em frente e noutras é o grito de alegria que nos tira o ar.

Raça e Amor - A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada
É por isso que a Dica, Ora Bolas?! de hoje é doce e amarga. E vamos começar pela vitória por que hoje é sexta! E é claro que estou falando da conquista da Libertadores absolutamente emocionante do Atlético-M. E o  alvo da dica tem nome e sobrenome: Ricardo Galuppo, autor do livro Raça e Amor – A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada, da coleção Camisa 13.

A questão é que a publicação, que conta a história e trajetória do Galo, agora está faltando um capitulo. Pois bem, a sugestão do blog é que o autor acrescente esse feito à história do clube. Mas… como a gente sabe que demora um montão pra escrever, editar e publicar uma nova edição, que tal você, torcedor do Atlético-MG, escrever uma versão só sua pra “anexar” ali no fim do livro? Eu acho uma ótima ideia!

 

Raça e Amor - A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada

Foto: DivulgaçãoA outra dica de hoje é triste, mas não tem nada de derrota. Na última terça-feira (23), nos despedimos de Djalma Santos, considerado por muitos como o melhor lateral-direito de todos os tempos. Bicampeão mundial em 1958 e 1962, Djalma iniciou uma era de laterais que ajudavam no ataque quando os jogadores de sua posição tinham como principal função defender. Na final da Copa de 58, bastaram 90 minutos para ser eleito o melhor lateral-direito da competição.  Reserva durante praticamente toda a competição, Djalma teve a chance de disputar a decisão depois da contusão do titular.

E são com esses 90 minutos que encantaram o mundo que encerro a dica de hoje. Porque Djalma deixou um montão de saudade e tristeza ao partir, mas, ainda bem, será eternamente capaz de nos fazer sorrir! Abaixo, portanto, a dica pra você ver e rever: link do vídeo publicado no YouTube com a vitória brasileira na íntegra por 5 a 2 sobre a Suécia com narração quase toda em português.

http://youtu.be/kjWe7ATSjPU

Reprodução

 

 

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Quatro times. Duas finais. Um favorito

Atlético-MG + Olimpia + Corinthians + São Paulo = 4

Dividindo por dois = 2 finais

Calculando porcentagem de favoritismo =  33,33%

Pra quem tá confuso na matemática (algo possivelmente compreensível considerando a pessoa que escreveu a “equação”) o que quero dizer é que em apenas uma, das duas finais da noite, há um favorito. E estou falando do Corinthians.

Assim como mereceu a vitória no primeiro jogo da Recopa, o time de Tite tem tudo pra repetir o resultado positivo. O Corinthians nem é mais aquele exército de organização e força que foi campeão mundial, mas ainda assim é um time mais consciente taticamente e que tem um técnico que pode contar com seu elenco. Do outro lado, um São Paulo completamente perdido em campo. Culpa, aparentemente, de uma bela de uma confusão extracampo. O São Paulo tem bons jogadores, mas não tem um time. É um grupo cheio de buracos e Paulo Autuori terá muito trabalho mesmo sendo um dos técnicos visto com bons olhos pelos jogadores “mais resistentes”.

Foto: AFP

Galo
O caminho do Atlético-MG até a final da Libertadores não poderia ter sido escrito de forma melhor por um roteirista dramático. Teve adrenalina, suspense, choro, desespero, superação, paixão. O pacote completo com conteúdo de campeão esperando o lacre final. Um daqueles momentos em que torcida e time criam um laço afetivo que empurra o time pelas vísceras mesmo quando ele não joga aquele futebol que encantou os torcedores em 2012 e no início de 2013.

Aí você me pergunta: “Ô criatura, então como é que a soma de tudo isso aí que você falou não resulta num Atlético favorito?”. Acontece que o time não tem mostrado a mesma regularidade e produção de antes e o Olímpia, que chega à final do torneio pela sétima vez, tem três títulos e três vices, é muita camisa, mas não é apenas camisa. Se o Atlético tem o melhor ataque da Libertadores, com 27 gols, o Olimpia vem logo atrás, com 25. Na defesa, são 16 gols sofridos pelos brasileiros, contra 11 pelos paraguaios, sendo que, em sete jogos, o Olímpia não sofreu nenhum gol, coisa que aconteceu apenas uma vez com os mineiros. Portanto, o Atlético não vai enfrentar apenas um time com tradição na competição e espírito copeiro.

Eu desconfio que os deuses do futebol, no entanto, jogaram algumas incógnitas mágicas na soma do Atlético que passam por cima do 2+2=4. Acho que será um confronto equilibrado, angustiante e “enfartante”, mas que está todo equacionado pro Atlético ser campeão. Seria a minha resposta.

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Libertadores da semana

O primeiro semestre do futebol brasileiro tem um problema sério de qualidade. Os estaduais, antes charmosos, passeio familiar do domingo, divertidos e relevantes, se tornaram competições ultrapassadas, de baixo nível técnico e cheias de problemas. São poucos os jogos interessantes para o público em geral e os que mobilizam o próprio torcedor dos times. Não é por acaso que o público dessas competições não para de fugir. Na imagem abaixo, o ranking de público por Estado na temporada 2012 divulgado pela PLURI Consultoria, há algum tempinho, pra vocês terem uma ideia.

Média de publico nos Estaduais 2012

Aí você me diz: “mas, Clara, já estamos em 2013. Aí eu te conto que o Campeonato Carioca terminou no último domingo com uma média de público de apenas 2.396 torcedores pagantes por partida. Sim, eu sei que o Maracanã faz falta e que o Engenhão foi interditado na reta final, mas, ó, te garanto que se a gente quiser, vai ter sempre uma desculpa pra mascarar a verdade. Ou vocês acham normal o Flamengo, clube com maior torcida do Brasil, registrar 929 pagantes na partida contra o Duque de Caxias? O Campeonato Gaúcho, tadinho, terminou com média de público de 2.219 pagantes, incluindo 25 partidas que não chegaram nem a contar com mais de cem pagantes, segundo essa matéria aqui do Lance. Em Minas Gerais, com o Mineirão e o Independência, Cruzeiro e Atlético-MG conseguem boa média de público, mas o resto do competição patina. E o cenário segue em praticamente todas as cadeias: torcedores fujões.

Isso significa que os Estaduais precisam acabar? Não necessariamente. Eu nunca fui radical em relação a isso, e sempre defendi que é possível encontrar soluções, mas é inacreditável a resistência por mudanças. Elas podem vir tarde demais e tá todo mundo avisando.

Mas, Clara, por que o título do texto é Libertadores da semana se você está falando de Estaduais? Então, gente, é que eu falo um pouco demais, mas o que eu quero dizer é que, pra gente não ficar preso nos estaduais e neste início de Copa do Brasil (que com 86 times manda um beijo, não me liga, pra qualidade, nesta largada, mesmo que abrace exceções de interesse) ao menos a gente tem a Libertadores!

A competição é perfeita, tá completamente bonita, organizada e bem cuidada? Claro que não. Mas confrontos como Atlético-MG x São Paulo, Corinthians x Boca, Fluminense x Emelec, Grêmio x Santa Fé e Palmeiras x Tijuana pelo menos nos dão mais qualidade e interesse (com até bom futebol) num primeiro semestre em que o Brasil maltrata a bola enquanto somos “obrigados” a sequestrar jogaços lá pela Europa.

Pois bem, hoje é dia de Fluminense x Emelec na Globo (RJ e parte da rede), SporTV2 e FX e de Atlético Mineiro x São Paulo na Globo (SP, MG e parte da rede), SporTV e FOX Sports. Os dois às 22h.

Foto: Divulgação

Meus palpites? O Atlético leva essa classificação. Além de decidir em casa, é um time mais consistente e regular. Além dos 46 jogos invicto, como mandante, o clube não perde por dois gols (resultado que importa a São Paulo) em casa desde junho de 2011 (com 38 vitórias e oito empates). Mas mais importante do que uma estatística que começa contemplando um time lááááá de 2011, é a força e a bola que esse time atual do Galo vem apresentando. Atuando no Independência, local do jogo de hoje o Atlético-MG ostenta aproveitamento de 100% em 2013.

No outro jogo da noite, eu aposto no Fluminense. O time carioca não é o mesmo campeão de 2012 e é favorito num grau menor do que o Atlético-MG, mas é suficiente pra passar pelo Emelec, rival mais fraco entre os enfrentado pelos brasileiros nesta fase da competição. Pra sonhar com o título, no entanto, precisa fazer mais do que tem apresentado em campo.

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Futebol, vida e morte

Muitos já ouviram aquela famosa frase do ex-técnico inglês Bill Shankly que diz que futebol não é uma questão de vida ou morte; é mais importante que isso.

Eu sempre achei que ela fizesse sentido. E ela continua fazendo. Mas o sentido de vida e morte nessa frase está dentro de nós. Na vida que passamos a acolher no peito quando um escudo de futebol bate forte na gente. Na morte angustiante de um título perdido, de uma bola na trave. Na vivacidade profunda do sorriso de uma criança quando ganha uma bola. No vazio mortal de um rebaixamento e da despedida de um ídolo.

Mas ela só faz sentido assim, única e exclusivamente dentro de nós.

Porque do lado de fora, no futebol que a gente ama, só deve haver espaço para vida. Para o grito de gol nas arquibancadas, para o abraço do pai na derrota do filho, para os olhares de encantamento por um uniforme, para a dor da derrota, para a brincadeira com o rival, para o respeito , para a bola rolando, para a rede estufando. Porque tudo isso aí é vida. Porque ir ao estádio é vida. E sair dele também deveria ser.

Não há palavras de vida suficiente para a morte do menino boliviano de 14 anos durante o empate por 1 a 1 entre Corinthians e San José, em Oruro, quarta-feira, pela Libertadores. É a morte invadindo o lado de fora, e se derramando com dor na vida de dentro de nós.

Já passou da hora do governo e das autoridades brasileiras pararem de contar as mortes e passarem a dar valor à vida. O que mais será preciso? Que o Brasil seja o líder do ranking mundial de mortes ligadas a futebol? Pois bem, já lideramos a lista em 2012. Futebol não deve ser uma questão de vida e morte, mas apenas de vida.

Para refletir:
Para o Corinthians, já acabou a Libertadores 2013, texto de hoje no blog do jornalista André Rizek
O medo, a dor, o luto, texto de hoje no blog do jornalista Lédio Carmona
Estudo sobre violência no futebol nacional indica 2012 como ano com mais mortes na história
Brigas ligadas ao futebol já fizeram 155 vítimas fatais em todo Brasil
Brasil é o país com maior número de mortes de torcedores, diz sociólogo

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A sangue frio

Quente e frio. Grito e sussurro. Visceral e racional. Embriagante e eficiente. Tradição e ineditismo. Catimba e indiferença. Camisa e time. Argentinos e brasileiros. Boca e Corinthians.

Uma final de Libertadores como nunca houve antes. Que ousa colocar frente a frente o mais fervoroso dos escudos de futebol cara a cara com um dos grupos mais frios e calculistas que o Brasil já fabricou.

No jogo coletivo de Tite, não sobra talento, brilho de craque e dribles, mas transborda obediência, equilíbrio e frieza. O que mais poderia ter segurado os avanços de Neymar se não um banho de água fria numa matada de bola gélida, seguida de um chute cirúrgico? Com exceção da melhor dupla de voltantes do país, os jogadores do Corinthians não são acima da média (dá pra citar facilmente outros dois ou três times brasileiros com peças individuais de mais qualidade), mas possuem a característica de não se derreter mentalmente nas horas decisivas.

E talvez essa baixa temperatura seja a mais eficiente contra o Boca, principalmente na Bombonera, símbolo maior de todo o calor que o futebol pode injetar em nossos poros. Porque o Corinthians não vai enfrentar uma daquelas equipes fantásticas e encantadoras do Boca do começo dos anos 2000 que queimou sem pena Palmeiras, Santos, Grêmio, mas, ainda assim, vai visitar o inferno. Vai ouvir como uma bomba o borbulhar do sangue fervendo nas veias por baixo da pele de cada jogador que vestir azul e amarelo. Pode ter certeza, o Corinthians vai sentir o bafo quente das outras nove vezes que o Boca deixou suas garras por lá, na final da Libertadores. E não vai poder tremer.

O Corinthians vai sentir o bafo quente das outras nove vezes que o Boca deixou suas garras por lá, na final da Libertadores. E não vai poder tremer

Até porque, taticamente falando, não há muito o que desvendar. Os dois, inclusive, têm uma proposta de jogo parecida (apesar de esquemas diferentes, Boca joga no 4-3-1-2 e Corinthians no 4-2-3-1): defesa bem armada, forte marcação no meio de campo e obediência tática. No entanto, o Corinthians sabe se fechar melhor que o Boca (tomou apenas três gols, contra sete do adversário), e nesse quesito, a água fria brasileira pode apagar o fogo argentino. Pra completar, como o primeiro jogo acontece na casa do dragão, é de se esperar que ele arrisque um pouco mais. É aí que a marcação por pressão pode frear a febre do Boca e encaixar um contra-ataque. A má notícia é que o camisa 10 que toma conta do vulcão é ninguém menos que Riquelme. Ele não é mais o mesmo jogador de uma década atrás, claro, mas ainda assim tem o poder de controlar o termômetro da partida.

Pra mim, não há dúvidas de que o Corinthians tem grandes chances de fazer nevar um título inédito nas arquibancadas do Pacaembu, no dia 4 de julho. Mas é claro que a previsão do tempo pode mudar completamente durante os 180 minutos em que a frente fria brasileira se chocar com o ar quente argentino. Se estamos falando de futebol, e não de um passeio na praia, boa parte da graça está em não saber se você vai precisar do casaco.

PRETINHO BÁSICO
Fundado em 1905, o argentino Boca Juniors é um dos times com o maior número de conquistas em todo o mundo, com destaque para seis títulos da Libertadores (incluindo 2000, 2003 e 2007 em cima de Palmeiras, Santos e Grêmio, respectivamente) e para os seus três títulos intercontinentais (antecessora do Mundial da Fifa).

ESPORTE FINO
A campanha do Boca até a final foi construída com oito vitórias, três empates, apenas uma derrota (diante do Flu, na fase de grupos), 18 gols a favor e 7 contra. O Corinthians ainda não perdeu, tem sete vitórias, cinco empates, marcou 19 gols e levou três. Na história do confronto, Corinthians nunca venceu o Boca.

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