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Sobre cabelos e mudanças

O primeiro dos doze estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo de 2014 a receber uma partida oficial abre hoje o seu gramado para o mundo do futebol. Numa rodada dupla, Fortaleza x Sport e Ceará x Bahia, iniciam no Nordeste uma mudança fora de campo cheia de simbolismo e realidade que se espalhará por quase todo o país.  A 501 dias do Mundial, os torcedores que sentarem, hoje, nas arquibancadas do Castelão, em Fortaleza, poderão se sentir rasgando algumas folhas do calendário.

Gosto de momentos históricos. De fatos e eventos que possam marcar de alguma forma o início de uma mudança positiva. Como uma ex-namorada triste que muda radicalmente o corte de cabelo na tentativa de esquecer o passado. Isso significa que ela será uma nova mulher quando sair do cabeleireiro? Claro que não. Assim como a inauguração de uma primeira arena moderna e nos padrões Fifa no Nordeste não vai transformar o futebol da região após 90 minutos de bola rolando.

Mas, se uma mulher pode iniciar uma nova era mais promissora com uma simples ida ao salão de beleza, não é possível que a construção de quatro arenas (totalizando mais de 3,5 bilhões), em Fortaleza, Salvador, Recife e Natal, não possa dar um empurrãozinho mínimo que seja no crescimento e melhora no futebol nordestino.

Neste início de temporada, com a mais do que bem vinda volta da Copa do Nordeste, o torcedor começou fazendo a sua parte. Nas duas primeiras rodadas, o público da competição foi melhor do que os de todos os Campeonatos Estaduais disputados pelo Brasil. Ou seja, se alguém tinha que dar a primeira tesourada nas madeixas, ela foi dada. As próximas, agora, são um misto de cortes lógicos com outros que precisam de mais cuidado e competência.

Porque a gente imagina que a volta do Nordestão obrigará os times a se qualificarem de forma mais eficiente. Que o nível técnico mais alto de um, que arrancará os cabelos dos outros, e a rivalidade farão com que os clubes se esforcem cada vez mais para subir de patamar. A disputa de uma competição melhor fará com que cheguem mais preparados para o Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O pensamento lógico é que o mercado (da bola e da grana) se fortalecerá. Mas, tudo isso só vai funcionar mesmo se os dirigentes e gestores também decidirem “cortar o cabelo”. Se assumirem uma postura menos amadora, mais inteligente e, acima de tudo, de mais respeito ao torcedor. Não basta sentar nas arquibancadas com o corte de cabelo da moda se o que ele vê em campo é um monte de gente careca.

Pretinho Básico
O Nordestão volta ao calendário principal do futebol, depois de dez anos esquecido, com a participação de 16 clubes. Bahia e Pernambuco têm três clubes cada e Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba e Sergipe têm dois representantes – Piauí e Maranhão não participam desta edição. Bahia e Vitória são os dois últimos campeões.

Esporte Fino
Na 1° fase, os clubes foram divididos em quatro grupos. Os dois melhores clubes de cada grupo avançam à fase seguinte, disputada no sistema “mata-mata” a partir das quartas de final. As finais acontecem em 10 e 17 de março. A partir de 2014, dará ao seu campeão uma vaga na Copa Sul-americana do mesmo ano.

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Se não tivesse sido Garrincha

Manuel Francisco dos Santos morreu quase esquecido na cama de um hospital, há exatos 30 anos, por consequência de uma cirrose hepática. Tinha 49 anos, 14 filhos de seis mulheres diferentes, três casamentos e apenas um olhar perdido. Não era especialmente bonito ou charmoso, não vestia as melhores roupas nem era letrado ou doutor. Pra completar, tinha a perna esquerda seis centímetros mais curta do que a direita e sofria com o alcoolismo. Teria sido apenas mais um Mané, se não tivesse sido Garrincha.

Um Mané enterrado num tumulo mal cuidado. Que morreu depois de sofrer todas as consequências de ser o torto que era e todas as tristezas de ter outros tortos por perto. Que assinava papeis em branco. Que viu a carreira ser encurtada pela ganância de gente que achava que sabia algo sobre valor. Que jogava peladas na cidade em que nasceu como se fossem finais de campeonato, no auge da temporada ou na véspera de uma partida importante. Que sentia dor. Vendido sem aviso. Que não entendia a realidade perdido em seu mundo inconsequente e ignorante. Que perambulou, como um bêbado na estrada, em campos e escudos por ai, numa tentativa triste de reviver o que já estava morto. Que foi crucificado pela sociedade. Explorado e abandonado. E que bebeu, bateu e perdeu. Amor, dinheiro, profissão, dignidade. Um Mané que perdeu tudo. Que teria sido apenas mais um qualquer, se não tivesse sido Garrincha.

O Garrincha que foi imortalizado no melhor futebol do mundo. Que viveu para ser a alegria de um povo. Que mais do que conquistar títulos por um time, virou símbolo solitário de uma torcida. Que conquistou duas Copas do Mundo (1958 e 1962) e que perdeu apenas uma das 60 partidas que fez com a Seleção Brasileira. A mesma que ajudou a transformar em mais do que uma camisa amarela qualquer. Que colocou na cabeça da gente que futebol também é arte e poesia e, desde então, deixou essa dor danada de que com ele em campo o sorriso era maior. O Garrincha que amou, alegrou e venceu. Torcedores, gols, títulos, corações. O Garrincha que venceu tudo. Que teria sido apenas mais um Mané, se não tivesse sido Garrincha. Que teria sido apenas mais um qualquer, se não tivesse sido Garrincha. Que teria sido apenas mais um Garrincha, se não tivesse sido o único Garrincha.

2013
Que a temporada que se inicia neste fim de semana de aniversario de morte de Manoel Francisco dos Santos tenha mais vida. Que seja mais alegria e menos abandono. Que tenha menos caos fora das quatro linhas e mais poesia dentro de campo. Que seja mais Garrincha e menos qualquer.

Pretinho Básico
Garrincha nasceu em 28 de outubro de 1933, em Pau Grande, Rio de Janeiro. O apelido veio de um tipo de pássaro comum na região e que Mané gostava de caçar. Começou a carreira jogando no clube de sua cidade e, aos 19 anos, entrou no Botafogo, onde ficou mais de dez anos, disputou 608 partidas e marcou 245 gols.

Esporte Fino
Após deixar o Botafogo, tentou a sorte no Corinthians, Flamengo, Olaria, Bangu, Portuguesa-RJ e até no Atlético Júnior, da Colômbia. Mas a bebida e problemas no joelho fizeram que ele fracassasse. Em diversas pesquisas realizadas por revistas e jornais de todo mundo, foi eleito para a seleção dos maiores jogadores do século XX.

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Por quem você vai torcer em 2013

Se você é um daqueles torcedores ferrenhos e fanáticos pelo seu time e pouco (ou nada) conversa sobre futebol com pessoas que não sabem decoradas as escalações do Bolinha F.C. de 1954, dificilmente entenderá que tipo de torcedor é esse que falarei nas próximas linhas. É muito provável, inclusive, que você nunca nem tenha reparado a existência dele. Em grupos nem tão futebolísticos assim, no entanto, é comum a existência dos torcedores de jogadores. Eles não gritam necessariamente pelo escudo na camisa, mas sim pelos pés que calçam as chuteiras.

São vários níveis. Aquele, por exemplo, que tem um time do peito, mas que também tem um jogador do coração. Geralmente um craque internacional, ou mesmo brasileiro, mas que não joga mais no país, eliminando, portanto, a possibilidade de choques de interesse a cada campeonato. Mas tem também quem pule de tricolor para rubro-negro, de colorado para alvinegro, de azul celeste para azul-grená de acordo com quem veste a camisa.

Bom mesmo é quando dá pra unir o gol com a vontade de chutar. Quando a gente pode gritar pelo nosso time, mas também pelo cara que está ali em campo correndo, chutando, defendendo e se jogando no chão. Quando torcemos pelos onze e, ao mesmo tempo, pelo um.

No futebol baiano, no entanto, isso é coisa rara. Nossos dois principais times vivem de torcedores que se alimentam basicamente da camisa em campo. Porque a verdade é que, quando a gente tira o pano, quase ninguém continua com o escudo no peito. Afinal, que jogador de Bahia e Vitória merece o seu sangue neste início de ano? Algum ali compartilha a mesma seringa que alimenta a sua veia? Ou sua paixão, tão quente e carnal, acaba assassinada na superfície fria de jogadores que nada significam pra você?

O mercado do futebol atual não é fácil para Bahia e Vitória, sabemos. Não dá sempre pra contratar o craque que vai fazer história ou manter o garoto que começa a escrever a sua, mas dá pra ter respeito pela torcida que vai ao estádio por eles. E é triste que Bahia e Vitória não saibam criar, cuidar, aproveitar, amar seus ídolos e também lucrar com eles. Enquanto o Vitória escorraça do Barradão quem deixou e conquistou corações rubro-negros por ali (estão lembrados de Viáfara?), o Bahia se desfaz, pouco a pouco, de suas próprias veias tricolores (Ananias, Maranhão, Paulinho, Gabriel…).

Tudo indica que 2013 vai exigir muito amor à camisa para os torcedores da dupla baiana. Com as escalações que teremos em campo, capaz até do torcedor mais ferrenho não querer saber o nome dos jogadores. O jeito será fechar os olhos e se agarrar ao escudo vestido pelos onze. Definitivamente, não será fácil torcer pelo ‘um’ que estará por baixo dele.

Pretinho Básico
Em seu primeiro jogo-treino na temporada, contra o Botafogo-Ba, no sábado (12), o Vitória entrou com a seguinte formação: Deola; Léo, Gabriel Paulista, Reniê e Iuri; Rodrigo Mancha, Neto Coruja, Leilson e Arthur Maia; Marquinhos e Lúcio Maranhão. O Rubro-negro venceu com um gol de pênalti, mas alguém nessa escalação te ganhou?

Esporte Fino
O Bahia também realizou um amistoso de preparação, na sexta-feira (11), contra a equipe da FTC, no Fazendão. O time que iniciou o jogo foi: Marcelo Lomba; Madson, Danny Morais, Brinner e Jussandro; Diones, Kléberson, Anderson Talisca e Zé Roberto; Ítalo Melo e Souza. O Tricolor venceu a partida por 7 a 0.

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Apostas e apostas

Acompanhe a historinha: você conhece um cara lindo, inteligente, engraçado e que te trata bem. Seus amigos, no entanto, contam que o seu príncipe encantado tem realmente várias qualidades, mas que os namoros dele não têm dado certo porque ele gosta mesmo é de ser solteiro. Você pensa. Fica meio receosa, mas, no fim das contas, avalia que suas chances de ganhar um final feliz nessa história são reais. E então você coloca suas fichas no cara. Isso é aposta de risco.

Numa outra situação, um conhecido seu tenta te convencer a sair num encontro às escuras com um amigo dele. Você nunca ouviu falar no cara, ninguém consegue te dar uma referência de confiança e as poucas informações que chegam é que o último namoro dele não foi nenhuma maravilha. Isso é aposta furada.

Agora, analisem comigo: você teve o pior ataque do Campeonato Brasileiro na temporada passada e, claramente, precisa de um jogador para a posição. Daí você fica sabendo de um atacante que disputou a Série C de 2012 pela Chapecoense. No currículo pelo clube, dos 22 jogos no campeonato, ele esteve presente em oito, mas apenas dois como titular. Nesse período, marcou um golzinho só.  Antes disso, pelo Novo Hamburgo, do Rio Grande do Sul, na disputa do Campeonato Gaúcho, cinco jogos, sendo dois como titular, e também nenhum gol marcado. Nada contra Thuram,  meus amigos, mas desconfio que não precise dizer a vocês em que categoria de aposta ele se encaixa.

Trazer o destaque de um time pequeno é aposta. Repatriar um craque em má fase na Europa é aposta. Promover jogadores talentosos da base para o time profissional também é. Na real, até a contratação de um craque consagrado é uma aposta. Claro, tem aquela aposta que você só precisa perguntar ao Google pra confirmar a vitória e tem as do tipo Mega-Sena da Virada. Níveis diferentes de apostas para níveis diferentes de “investidores”.

O problema é que o Bahia não tem um elenco que permita apostas do tipo furada (já tem muitas, na verdade). Num time com dois atacantes com qualidade e em boa fase e ao menos um reserva decente, vai lá, tudo bem trazer um jovem sem custo pra testar, ter paciência, dar uma oportunidade. Mas num time que garantiu a permanência na Serie A no último minuto, com um atacante (Souza) que vira e mexe se lesiona, outro (Zé Roberto) que não marcou nenhum gol em 40 jogos, e reservas que, bem, eu não vou nem começar a falar dos reservas, não dá. Simplesmente não dá.

O entrosamento desta base do Bahia pode até ser suficiente em encontros “sem compromisso” pela Copa do Nordeste e pelo Baianão.  Mais adiante, no entanto, o Brasileirão não terá dó de avisar: esse pretendente está muito mais para sapo. E do papo furado.

Pretinho básico
O Bahia estreia em 2013 no dia 19 de janeiro, em Pituaçu, contra o Itabaiana (SE), pela Copa do Nordeste (20 de janeiro a 17 de março). No fim de março, entra já na 2° fase do Campeonato Baiano (20 de janeiro a 19 de maio) e em abril entra na Copa do Brasil (3 de abril a 27 de novembro). O Brasileirão começa 26 de maio.

Esporte fino
Souza, com 27 gols, foi o artilheiro do Bahia em 2012. Gabriel e Júnior, com 13 cada um, ficaram logo atrás. O volante Fahel (9), o zagueiro Rafael Donato (6), Lulinha (5), Hélder e Rafael (4), Ciro, Magno, Neto (3) seguem a lista da artilharia tricolor no ano que passou.

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Por um 2013 de mais futebol

Quando somos pequenos, queremos sempre o maior sorvete, o melhor brinquedo e muitos, muitos, muitos presentes. Minha mãe tem um vídeo, que já é famoso na família, de um Natal antigo (e que é lembrado todo fim de ano) onde eu conto e reconto os presentes enquanto faço um discurso indignado para a câmera porque recebi um a menos que meu irmão. Coisa de criança. É normal também que a gente se comporte da mesma forma com o futebol. Queremos que nosso time seja o maior de todos, ganhe títulos e faça muitos, muitos, muitos gols.

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Com a idade, assim como passamos a desejar outros tipos de presentes na nossa vida que nada têm a ver com tamanho ou quantidade, deveríamos aprender a valorizar, também no futebol, outras coisas além do resultado nu e cru ali na nossa frente. Sim, a gente continua torcendo por todos os títulos possíveis e imagináveis quando se trata do nosso time até que a morte nos separe e não há nada de errado nisso. Não se trata de não valorizar a vitória. Os grandes times que não abandonam nunca nossas memórias foram também grandes vencedores, mas eles não significariam metade do que são se não fosse pelos valores humanos e também lúdicos contidos em cada um deles, independente da foto final ter uma taça ou não.

São essas coisas, por exemplo, que nos fazem dar tanto valor (ou até mais, a depender dos critérios e lembranças) à Seleção de 1982, que parou no segundo jogo da segunda fase da Copa do Mundo, quanto à de 1994, que conquistou o tetra.

A questão é que a evolução natural, aliada à indústria bilionária na qual o futebol se transformou, criou adultos que não enxergam além dos desejos infantis de resultados, números e imediatismo. Adultos que não sabem sonhar como as crianças, ainda que amadureçam com a idade. É por isso que o futebol brasileiro caminhou tanto pra trás. Em vez de aprender a somar o futebol coletivo dos grandes da Europa ao nosso jogo, iniciou-se a era dos chutões, jogadas aéreas, volantes e contra-ataques. Claro que às vezes dá certo. Mas aí voltamos praquela historinha da criança que escolhe o maior presente embaixo da árvore, sem saber que a caixinha pode ter mais valor.

Portanto, eu desejo sim que seu time seja campeão. Que ele tenha o ataque mais positivo. Que ele levante todas as taças possíveis e que conquiste todos os prêmios que você souber da existência. Mas, acima de tudo, eu desejo que seu time tenha mais valor pra você em 2013. Que ele coloque estrelas que tenham brilho no seu escudo. Que ele te faça sonhar não só no apito final, mas nos 90 minutos de cada jogo. Que ele te dê ídolos e memórias e que você tenha, então, um ano de mais futebol, mesmo que com menos resultados. Feliz 2013!

Pretinho básico
Na Copa do Mundo de 1982, o Brasil deixou a vaga nas semifinais para a Itália ao perder por 3×2 para Azzurra no segundo jogo da segunda fase (na época, as quartas de final eram chaves de três equipes e só uma passava). A Itália havia vencido a Argentina por 2×1, e o Brasil por 3×1. A Itália foi campeã em cima da Alemanha.

Esporte fino
Outras seleções estrangeiras também marcaram época mesmo sem conquistar o título mundial. É o caso da Hungria, famosa pelo craque Puskas, vice-campeã em 1954, diante da Alemanha e da Holanda de Johan Cruyff, conhecida como Carrossel Holandês, que foi vice em 1974, também diante da Alemanha.

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Improvável e impossível

Cinco anos é um tempo justo. Um período satisfatório para sabermos, por exemplo, por que o Corinthians chegou ao topo do mundo ou por que Bahia e Vitória estão onde estão. Pelo novo ranking da CBF, que leva em conta o desempenho dos times em torneios nacionais nos últimos cinco anos, portanto, o Vitória, na 15ª posição, ultrapassa o Bahia, em 17°. Uma virada histórica, justamente, porque as novas regras privilegiam o momento atual e não o passado.

O torcedor tricolor pode esfregar suas duas estrelas na cara do rubro-negro, mas o fato é que, de 2008 pra cá, o Vitória foi vice-campeão da Copa do Brasil e disputou a Série A em três oportunidades, com direito a uma 10ª posição em 2008. No mesmo período, o Bahia jogou na elite em apenas dois anos, sem nunca nem figurar na primeira metade da tabela, e, somente em 2011, terminou à frente do Vitória na Copa do Brasil. Sem falar nos três estaduais pro lado rubro-negro contra apenas um tricolor, que não entram na soma da CBF.

Quem acompanha esta coluna sabe que não sou daquelas que se apegam apenas a números, rankings e títulos. O torcedor pode (e deve) usá-los na hora de brincar, provocar, comemorar, mas, no fim das contas, o que tiramos desses cinco anos da dupla baiana? Evoluíram, aprenderam, começam um novo ciclo com mais pontos negativos do que positivos?

Se o ranking fosse ao contrário, de quem perdeu mais ponto, garanto que a posição da dupla seria “melhor”. Não é uma questão de comparar, por razões óbvias, mas será que Bahia e Vitória não poderiam aprender, por exemplo, com o Corinthians, que se reinventou e se reconstruiu nesses cinco anos? Infelizmente, não estou cogitando aqui a possibilidade de Bahia e Vitória irem da segunda divisão para o título mundial, como fez o Corinthians. O que não dá é pra simplesmente culpar o regulamento se seu time ficou fora da disputa pelo título. Se o futebol atual, em geral, e a principal competição nacional, especificamente, beneficiam a organização, o planejamento, o aprendizado, a administração, por que não seguir esse caminho?

O trabalho sensacional de marketing desenvolvido pelo Corinthians, não poderia servir de exemplo para o Bahia? Alguém duvida do retorno de uma torcida que faz o que faz, ano após ano, mesmo longe de casa, sem grandes ídolos na atualidade e sem grandes conquistas? O êxito obtido pelo Internacional com seu programa de sociotorcedor não é uma alternativa importante para gerar receita fixa, fidelizar a torcida, potencializar a marca e, consequentemente, trazer novos investidores?

Eu não acredito que, nos próximos cinco anos, Bahia e Vitória lutem pelo título do Brasileirão. É um sonho absolutamente improvável. Se continuarem de braços cruzados (ou com os dedos apontados para os outros) e com as chuteiras em cima da mesa, no entanto, mais do que improvável, será impossível.

Pretinho básico

O Vitória é o nordestino melhor colocado no novo ranking da CBF. Entre os 20, o Bahia aparece em 17° e o Sport em 19°. Outros nove nordestinos estão entre os 50 mais bem classificados.  Fluminense, Corinthians, Vasco, São Paulo e Grêmio, em ordem decrescente formam o top cinco.

Esporte fino

O antigo modo de pontuação levava em conta todos os campeonatos nacionais desde 1959, ano em que o primeiro campeonato abrangendo todo o país foi disputado. O Palmeiras liderava seguido por Santos, Vasco, Grêmio, Flamengo. O Bahia (que liderou de 1959 a 66) estava em 14º lugar e o Vitória em 20º.

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Sente-se, se for capaz

Há dois anos, assisti a uma partida do Barcelona no Camp Nou com uma amiga. Compramos os ingressos pelo site oficial alguns dias antes. Como as cadeiras, numeradas, são dos sócios e eles apenas liberam a venda de seus lugares quando confirmam que não vão ao jogo, não é muito fácil encontrar assentos juntinhos esperando por você. E nós não encontramos. Compramos cadeiras relativamente próximas. Para nossa sorte, choveu muito em Barcelona no dia e como nossos ingressos eram para a parte descoberta, muitos torcedores não foram ao estádio e conseguimos sentar uma ao lado da outra para ver Barcelona 4×1 Tenerife (com direito a dois gols de Messi).

Contei toda essa historinha porque, hoje, em Fortaleza, será inaugurado o primeiro dos 12 estádios brasileiros construídos ou reformados para a Copa de 2014. O primeiro de uma leva de estádios modernos e brilhantes bem próximos dos da Europa e muito diferentes da realidade do Brasil.

Não tenho dúvidas de que a proposta de entretenimento que eles trazem funcionará na Copa do Mundo e das Confederações. O público que vai a estes eventos não é o mesmo do clássico local na final do estadual. O torcedor de Copa do Mundo que compra ingresso com cartão de crédito no site da Fifa faz aquilo uma vez ou outra na vida e, em grande parte, assimila o pacote festa, show e futebol que lhe é vendido. É outra realidade, nem certa nem errada. É apenas diferente.

O que me preocupa é como o torcedor típico brasileiro vai receber essa nova era do futebol. Vai assistir aos jogos sentado? Vai respeitar a numeração dos assentos? Como as torcidas organizadas farão para que seus integrantes fiquem lado a lado? Todos preservarão o “patrimônio” na hora de uma derrota, de um rebaixamento, de uma goleada humilhante num clássico?

Temo que não. Se inserido na nossa cultura o modelo já não dá tão certo (vide os estádios vazios no Brasileirão passando pelos diversos e recorrentes exemplos de violência e vandalismo que presenciamos), imagine mergulhado numa cultura futebolística bem distante da nossa? E, sim, também é uma questão de educação. O brasileiro não gosta de regras. O cara acha que você que tem que levantar pra ver o campo e não ele que tem que sentar. Apenas um exemplo dos vários (muito mais sérios, inclusive) que podemos citar.

Nenhuma das duas coisas irá mudar de atacante para goleiro de repente e receberemos (pagaremos) esses estádios sem que essa realidade seja ao menos discutida. Ainda esta semana, teremos a inauguração do Mineirão. Cadeiras já estão sendo colocadas na Fonte Nova, mas, me diga, você viu alguma campanha de conscientização por aí? A CBF, os clubes, as federações, ou alguém que deveria, parecem estar preocupados? Melhor sentar numa poltrona confortável (ou não) pra esperar essa resposta.

Pretinho basico
A inauguração do Castelão acontece hoje, mas o jogo inaugural do estádio de Fortaleza acontecerá apenas no dia 27 de janeiro, com uma rodada dupla entre Ceará x Bahia e Fortaleza x Sport, válida pela Copa do Nordeste. O estádio receberá três jogos da Copa das Confederações, em junho de 2013, e mais seis partidas do Mundial.

Esporte fino

O Mineirão será a segunda arena entregue para a Copa, após dois anos e meio fechado para reforma, na sexta-feira (21/12). O jogo inaugural será o clássico Cruzeiro x Atlético, na abertura do Mineiro, em fevereiro. O jogo inaugural da Fonte Nova está previsto para o dia 29 de março, data da fundação de Salvador.

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Somas e subtrações de Bahia e Vitória

Agora que fechamos a conta da temporada de Bahia e Vitória, vamos dar uma olhada no que foi soma e no que foi desconto? A renovação do Bahia com Jorginho, por exemplo, somou pontos ao tricolor. Começar o ano com o técnico que garantiu a quinta melhor campanha do segundo turno no Brasileirão, com o elenco que ele tinha nas mãos, só pode ser positivo.

Já pelo lado rubro-negro, contratar Caio Júnior como a quinta opção no ano, não me parece muito bom. O treinador não teve bons resultados nos últimos clubes brasileiros por onde passou, incluindo o Bahia, não agradou a torcida e não tem o perfil pra melhorar um problema grave na Toca, onde todo mundo quer pitacar em tudo.

Seguindo os cálculos, o Bahia disse que vai dar mais chances à sua base depois de dois anos apostando (e fracassando) em jogadores de fora. Ponto positivo pro tricolor. E se os meninos da base estão dando um show na Copa do Brasil Sub-20 e podem ser bons reforços para 2013? Pode somar uns zerinhos à direita também, mas dessa vez para o rubro-negro.

E quantos pontos negativos podemos dar a um time que começará o ano obrigado a manter medalhões que não deram certo em 2012? Muitos. É de perder as contas negativas de quem tem uma folha inchada com Zé Roberto, Kleberson e Claudio Pitbull. Nem todo o valor de destaque de Gabriel na temporada pode compensar, ainda mais se o garoto deixar o clube. Aí é que a conta vai ficar roxa de tão vermelha, daquelas de mandar pendurar pra pagar no ano que vem.

No embalo de tanta subtração, também descontaremos pontos e mais pontos para o Vitória por perder seus principais jogadores: Pedro Ken, Victor Ramos, William e Deola. Ao menos, pagando a Série B que estava devendo, o Vitória vai receber uma graninha extra na Série A.

Pra fechar a continha, vamos somar muitos pontos pelo que vimos nas arquibancadas dos dois times. O Bahia fechou 2012 com a sexta maior média de público da temporada, levando cerca de 18.981 pagantes por jogo (vamos combinar que tem potencial pra muito mais). Já o Vitória terminou o ano em nono, colocando uma média de 16.192 rubro-negros no Barradão, na frente de times como o campeão Fluminense e Flamengo.

Brasileirão
Aproveitando, acerto também as contas das minhas apostas do Brasileirão. Pois bem, antes do início do campeonato (nesta coluna aqui), meu G4 tinha Fluminense, Vasco, Santos e Corinthians e os rebaixados eram Sport, Náutico, Portuguesa e Figueirense. No total, três acertos de oito. Fiquei devendo.

Faltando dez rodadas para o fim, no entanto, voltei a pitacar na coluna do colega Marcelo Sant’Ana. Cravei o Fluminense campeão, Grêmio e Atlético-Mg no topo. Errei em insistir com o Vasco, no lugar do São Paulo. Na parte triste da tabela, paguei por Atlético-GO, Figueirense, Sport e Palmeiras garantindo o cálculo (bem mais fácil, claro) de sete acertos de oito possíveis.

Pretinho basico
Com 25.222 torcedores por jogo, o Corinthians teve a maior média entre todas as séries do Brasileirão, seguido de Santa Cruz (na Série C), São Paulo, Grêmio e Sampaio Corrêa (time de São Luís, do Maranhão, que disputou a Série D). Entre o Bahia e o Vitória, Atlético-MG e Sport garantiram a sétima e oitava médias.

Esporte fino
Em 2011, na sua volta à Série A, o Bahia garantiu a terceira média de público da temporada, levando 22.741 tricolores por jogo à Pituaçu. Já o Vitória, ficou apenas com a 17° colocação no ranking, com uma média 11.850. O Santa Cruz (36.916) e o Corinthians (29.424) levaram os dois primeiros lugares em 2011.

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Por um espetáculo de melhor categoria

Todo mundo já assistiu alguma vez na vida àquele número em que um mágico (ou malabarista?) acorrentado de todas as formas possíveis tenta sair sozinho de dentro de uma caixa trancada com diversos cadeados. De olhos vidrados, a plateia acompanha apreensiva a saga do “herói”.

Eu não gosto muito de mágica, mas, enquanto quem está preso é um desconhecido, até que a situação pode ser divertida. O problema é quando quem está ali de mãos atadas é alguém muito querido. É exatamente essa a sensação que tenho com o Bahia: de um time que passou todo o campeonato tentando se safar de uma situação em que ele mesmo se colocou sem ter muita opção de fuga.

Na última rodada, no empate contra o Náutico, a opção no ataque tricolor era Souza. Pouco depois dos 15 minutos do primeiro tempo, no entanto, o artilheiro se contundiu e teve que deixar o gramado. Jorginho olhou, então, para o banco. Com todo o respeito aos profissionais que estavam sentados por lá, ele deve ter tido vontade de chorar. Se o time titular já se embaralha sozinho nas correntes, imagina o reserva…

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No segundo tempo, então, o comandante substituiu Zé Roberto, que não fez nada o jogo inteiro, por Victor Lemos, um volante. E o Bahia tomou o gol que adiou a permanência do time na Série A. Sim, todo mundo sabe que a chance de levar um gol aumenta na medida inversa à que você recua o time. Mas, me contem aí, a questão principal aqui é o Bahia ter tomado um gol com Victor Lemos em campo?

Entendam, a questão não é defender ou culpar Jorginho (mesmo que ele tenha tomado a decisão errada). O Bahia já era refém de si mesmo e, portanto, se encontrava nessa situação muito antes dele. Ou a gente já não falava, desde a demissão de Falcão, lá na 10ª rodada da competição, que o problema do Bahia estava dentro dele, no elenco?

O Bahia foi acorrentado, amarrado, amordaçado e preso dentro de uma caixa trancada a cadeados por ele mesmo (ou, no caso, quem toma as decisões por ele). O número de mágica apresentado por Falcão, Caio Júnior, Jorginho, ou quem quer que subisse ao palco, nunca poderia ser o de um troféu que sai da cartola.

Hoje, contra o Atlético-GO, na última rodada, o Bahia ainda tem a chance de se livrar do rebaixamento, sem “pedir” a ajuda de ninguém que venha a ter a chave dos cadeados tricolores. Como uma criança que espera a salvação do mágico até o último minuto, acredito no Bahia. É muito, muito triste, no entanto, ver a plateia tricolor ter que passar por apresentações de mágicos desta (quinta) categoria. Que os responsáveis pelo teatro saibam fazer escolhas melhores para os próximos espetáculos.

Pretinho básico
Em 2011, depois de ficar sete anos longe da Série A, o Bahia fisgou a última vaga para a Sul-Americana, terminando o campeonato em 14º lugar, com 46 pontos, 11 vitórias, 14 derrotas e 43 gols marcados. Neste ano, garantindo três pontos hoje, o máximo que pode chegar é até o 13º lugar, a depender dos outros resultados.

Esporte fino
O Bahia começou o ano sob o comando de Joel Santana. Falcão substituiu o técnico no início do Campeonato Baiano, vencido pelo Bahia. Demitido após a goleada (4×0) sofrida pelo Bahia diante do Fluminense, em julho, Falcão foi substituído por Caio Júnior, que também deixou o time no fim de agosto, para a chegada de Jorginho.

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Bahia: é hora de acertar a receita

Na lista de compras dos últimos supermercados, podemos dizer que Bahia e Náutico são farinha do mesmo saco. Desde 2003, quando o Campeonato Brasileiro adotou o regulamento dos pontos corridos, os dois alternam entre a despensa e a cozinha. O Bahia participou da receita da Série A em três oportunidades (2003, quando caiu, 2011 e 2012). Já o Náutico esperou na despensa por 12 anos até conseguir entrar na cozinha e esteve entre os ingredientes de primeira em 2007, 2008, 2009 e 2012.

Quando falamos da composição nutritiva de cada um, tricolores e alvirrubros têm elencos relativamente parecidos. Acho até que o tricolor baiano leva vantagem quando pensamos em cada jogador de forma independente. Em contrapartida, na hora de colocar o prato na mesa, o Náutico saciou melhor a fome de gol. Enquanto o Bahia tem, ao lado do Atlético-GO, o pior ataque do campeonato, com apenas 35 gols, o Náutico anotou 42.

Por que, então, o Náutico oscilou em torno da 12ª posição (esteve na zona de rebaixamento em apenas uma rodada, a 3ª) enquanto o Bahia sofreu entre os quatro últimos em 13 oportunidades e não desgrudou muito da 16ª colocação? A diferença, queridos cozinheiros, está na panela. Sim, o Náutico é um péssimo visitante (pior campanha da competição), mas sabe fazer sua comida direitinho dentro de casa.

Das 13 vitórias do time no Brasileirão, 12 foram nos Aflitos. Pra colocar água na boca, se o Bahia tivesse o aproveitamento do clube pernambucano em casa (mantendo os resultados como visitante), estaria na 5ª colocação, com 59 pontos, isso sem descontar os pontos das vitórias e empates que se tornariam derrotas dos adversários. A verdade é que, apesar da torcida não ter abandonado o time, Pituaçu não tem sido saboroso para o Bahia. Levando em conta a campanha no estádio em 2011 e 2012, na Série A, foram apenas 12 vitórias em 37 partidas. É muito pouco.

Hoje, a panela volta a ferver e o Bahia não pode se dar ao luxo de azedar a refeição. Se tem muito o que aprender com a campanha do Náutico dentro de casa, a hora não poderia ser melhor. A torcida merece esse banquete.

Seleção
Tinha boas esperanças no trabalho de Mano Menezes quando ele assumiu, mas me decepcionei com o rumo que ele deu à Seleção. Existiram, sim, vários momentos em que a demissão do técnico seria coerente, mas ela não aconteceu. Quando, então, começa a existir algum avanço, ela vem. A hora e a forma como tudo aconteceu, junto com a entrevista coletiva concedida por Andrés Sanches após a decisão da CBF, mostram em que tipo de caldeirão o futebol brasileiro está sendo cozinhado. Não é à toa que já tem muita gente com nojo do que sai dele. Simples assim.

Pretinho básico
O Bahia já disputou 35 partidas em Pituaçu na temporada 2012. Contando Baiano, Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana foram 16 vitórias, 12 empates e 7 derrotas, marcando 59 gols e sofrendo 32. Nos 18 jogos como mandante na Série A, foram 5 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, com 15 gols a favor e 15 contra.

Esporte fino
O aproveitamento do Bahia em casa é de 42,5%, o 3º pior, à frente apenas dos rebaixados Figueirense e Atlético-GO. Fora de casa, foram 5 vitórias, 5 empates e 8 derrotas, uma delas, inclusive para o Náutico, nos Aflitos: 1×0 na 18ª rodada. O Náutico venceu uma partida fora de casa em todo o campeonato.

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