Arquivo de julho 2010

Muita gente já sabe que faço coleção de livros de futebol. São a minha paixão! Sempre gostei de ler e comecei a comprar livros que falavam do esporte antes mesmo de pensar em trabalhar com isso. Sem perceber, comecei uma coleção que hoje é uma verdadeira fonte de pesquisa e diversão! Foi pesquisando neles, por exemplo, que percebi que faltava um título direcionado para as mulheres e terminei escrevendo o meu primeiro livro (A Linha da Bola – Tudo o que as mulheres precisam saber sobre futebol e os homens nunca souberam explicar).

Pois bem, hoje comprei e comemorei o meu centésimo livro sobre o assunto! “Trocando os pés pelas mãos – O futebol e a vida nas crônicas de Tostão”, de Gílson Yoshioka, Maquinária Editora. Ainda tenho outros na fila antes de começar a ler o novo item da coleção, mas adianto que já dei uma espiada e adorei de cara a última parte do livro. Ele é dividido em “A trajetória de um cronista”, “Bate-Bola com Tostão” e o “Dicionário Tostão de futebol – Conceitos e Reflexões”.

Já que segunda feira é um dia triste e sem futebol, vou tentar sempre falar um pouco da minha coleção e de algum livro dela pra começar a semana, combinado? E, claro, aceito sugestões de leitura e dicas!!

Livros da minha coleção arrumadinhos na prateleira!! : )

 

Centésimo livro da minha coleção

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A primeira Copa do Brasil aconteceu em 1989 e, de lá para cá, 255 clubes diferentes já disputaram a competição. Ao todo, já foram realizados 2.053 jogos e mais de dois mil gols já foram marcados. Presente em 20 das 21 edições, o Vitória, junto com o Atlético – MG, é o clube que mais participou da Copa do Brasil. Em 105 jogos nesses 20 anos, o rubro-negro baiano venceu 45 vezes, empatou 24 e perdeu 36 partidas. Estufou a rede dos adversários 164 vezes, enquanto viu seu goleiro olhar pra trás 127.

Nenhum desses números ou estatísticas interessa muito ao torcedor do Vitória. Depois de garantir a vaga na final pela primeira vez, estão sonhando acordados com a taça e a vaga para a Libertadores, nunca alcançada pelo clube. Não é à toa que fizeram bonito no embarque do Vitória na última sexta-feira. Mas, será que o Leão pode realmente sonhar com um triunfo sobre o Santos de Robinho, Neymar e Ganso, após os jogos na Vila Belmiro e Barradão?

Antes da parada para a Copa do Mundo, a resposta tendia para um sonoro não, apesar de ainda existir a imprevisibilidade do futebol. Agora, a balança não está tão desigual. O Santos vem de três derrotas seguidas e os meninos da Vila parecem ter esquecido um pouco daquele futebol arte tão festejado (e eficiente) antes da quarentena. Já o Leão cresceu com os últimos confrontos e passou a acreditar com mais fundamentos que pode se deliciar com um peixinho na brasa sem engasgar com a espinha.

De fato, não há como negar que o elenco do Santos é melhor. Enquanto os talentos da Vila Belmiro figuram na lista dos possíveis convocados no projeto de renovação da Seleção Brasileira e despertam interesse dos clubes europeus, o Vitória aposta num time sem grandes estrelas, mas concentrado e cheio de garra. Não é tarefa fácil e acho imprescindível tentar segurar, ao menos, um empate no primeiro jogo, quarta-feira, mas não será uma surpresa tão grande se o Leão conseguir se lambuzar. Apesar dos torcedores do Bahia estarem secando o rival, fazendo mandinga e apelando para toda a fé que existe no “Bahia de todos os Santos” deles, o Leão já está com água na boca.

Ele disse sim 
Gostei da escolha do novo técnico da Seleção Brasileira. Mano Menezes, o próprio Muricy Ramalho e Felipão eram os meus nomes favoritos, mas o agora ex-técnico do Corinthians tinha uma leve vantagem sobre os outros dois. Primeiro, acho que, no momento, é mais interessante ter uma cara nova no comando. Não tenho dúvidas que a história vitoriosa de Felipão seria uma pressão a mais para o grupo que seria regularmente trazida à tona.  Segundo, o novo técnico precisará ser também um anfitrião do Brasil e, para isto, acho que Mano tem mais elegância que Muricy. Não há discussão que os três são profissionais diferenciados, mas, no fim, a escolha não poderia ter sido melhor.

PRETINHO BÁSICO 
Desde a criação da Copa do Brasil, em 1989, apenas em 1992 o Vitória não participou. Naquele ano, após uma modificação no regulamento, a Bahia teve apenas uma vaga no torneio e esta ficou com o Bahia, campeão estadual em 91. O Santos já disputou o torneio nove vezes e também nunca havia chegado à final.

ESPORTE FINO 
Grave o nome: Luiz Antônio Venker Menezes, novo treinador da Seleção. O gaúcho, que já foi zagueiro, começou a carreira de técnico no Guarani-RS, mas foi no Grêmio que fez história trazendo o time de volta à Série A em 2005. Em 2008, fez o mesmo no Corinthians, onde também ganhou a Copa do Brasil 2009.

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Segundo uma reportagem que li na revista Placar há algum tempo (edição de agosto de 2009), Mano foi a segunda escolha do Corinthians, ainda no fim de 2007, após a queda do Timão para a segunda divisão do Brasileirão. A matéria dizia que Luxemburgo seria a primeira opção na reconstrução corintiana, mas que o gaúcho acabou caindo de pára-quedas após um “desencontro” entre Luxemburgo e os dirigentes paulistas. Deu no que deu. Mano não só levou o Corinthians de volta à série A, como foi campeão da série B (2008), do Paulista (2009) e da Copa do Brasil (2009).

E a história começa a se repetir…

Depois do primeiro convite a Muricy e da trapalhada da CBF, Mano disse sim a Seleção Brasileira e acho que a escolha não poderia ser melhor! Gosto de Mano não só pela competência dentro de campo, mas também pela elegância fora dele. Precisamos de um técnico experiente, eficiente, diferenciado, sério e tudo mais, mas não podemos esquecer que ele também precisará ser anfitrião da Copa no Brasil. Gosto do perfil de Mano para esse papel. Educado e com equilíbrio emocional, acho que Mano tem tudo para ter uma passagem mais tranquila do que teriam Muricy ou Felipão, por exemplo, na Seleção Brasileira. Claro, os conflitos, as críticas, a pressão extraordinária estarão lá, mas acho que o agora ex-técnico do Corinthians passa por isso sem perder as boas maneiras. Boa sorte Mano! Que você também seja a melhor segunda opção de todos os tempos para a Seleção Brasilera.

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Contra os males do mundo

Vocês já ouviram falar na Happy Pills? É uma loja/farmácia espanhola muuuuuuito bacana. Simples e criativa, a idéia é a seguinte: doces, chicletes e balas para curar os males da nossa sociedade, os problemas e tristezas da nossa vida. Você chega à loja escolhe o objetivo do “remédio”, coloca todas as guloseimas que quiser e sai de lá com um potinho fofo que, claro, não vai resolver seu problema, mas vai no mínimo alegrar um pouquinho o seu dia ou o de alguém!

Você pode escolher, por exemplo, pílulas para “os dias de cabelo ruim”, para “as noites solitárias”, “contra as segundas-feiras”, “contra os dias nublados”, “contra o stress do dia a dia” e outras mil possibilidades bem divertidas. Eu, assim como todo mundo, preciso de várias dessas prescrições, mas encontrei uma perfeita para trazer para casa: “Contra os domingos sem futebol”.


Se não estou enganada, a Happy Pills tem lojas apenas em Barcelona, em pontos centrais e bem turísticos. Todos os “remédios” têm receitas em espanhol, inglês e catalão. Pra quem quiser conhecer um pouco mais o site é www.happypills.es .

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Filosofia da bola

O técnico Carlos Alberto Parreira, campeão mundial em 1994, disse certa vez  que “a tática é o melhor aproveitamento das características dos jogadores de um time”. Felipão, que voltou com o penta em 2002, aposta que “quem não sabe  por que perde não sabe por que ganha” e Zagallo, presente em quatro das nossas cinco estrelas, acredita que “atacar sem disciplina é suicídio.  Apenas defender é renunciar à vitória”.
Já o holandês Johan Cruyff, craque  do passado que virou treinador depois de pendurar as chuteiras, diz que “futebol se joga com o cérebro. O jogador deve estar no lugar certo, na hora  certa. Só isso”.
Sem ir muito longe, “futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem, defende”, dizia Neném Prancha, folclórico personagem do futebol no passado.

A verdade é que se fosse realmente simples não existiriam tantas teses, mesas redondas e discussões sobre esquemas táticos, por que tal time perdeu ou por que tal jogador estava posicionado no lugar errado. E é claro, os técnicos não sofreriam tanto com o troca-troca no Campeonato Brasileiro.

Não sou do time que acha que o comandante à beira do campo é o culpado de todos os erros que acontecem dentro das quatro linhas, muito menos o único responsável na hora de levantar o caneco. Afinal, citando mais um da espécie, o argentino Carlos Bianchi, “o segredo na Libertadores é arrumar boas equipes para treinar. São os jogadores que entram em campo e ganham os campeonatos”. É claro que você pode substituir a Libertadores na frase pelo campeonato brasileiro, argentino, etc.

Mas, sempre existe um porém. E, apesar de não defender esse endeusamento de muitos treinadores de futebol, de todas as convocações nessa parada do Brasileirão, a volta de Felipão foi a mais emblemática e  a que mais arrisco em dizer que será vitoriosa (caso Big Phil não assuma a Seleção Brasileira).
O país, e os palmeirenses ainda mais, adoram Felipão. Quando vêem sua imagem lembram-se de palavras como família, garra e conquistas. Três coisas muita importantes para o brasileiro. Pra completar, a personalidade de Scolari é uma folga positiva da mesmice apresentada pela maioria presente no futebol brasileiro atual. Basta assistir uma entrevista coletiva com o técnico.

Por isso, além de ser um profissional diferenciado, competente e vitorioso, o estilo do gaúcho é uma injeção de ânimo pra qualquer grupo (seja ele um elenco de futebol ou apaixonados pelo esporte).
Se o Palmeiras começou o ano numa depressão pós-fracasso da campanha no Brasileirão em 2009, a tristeza agora foi embora. Em geral, acredito que a diferença maior está dentro de campo, na qualidade dos jogadores, mas, se tratando da “Familia Scolari”, a balança fica um pouco mais equilibrada.

PRETINHO BÁSICO  Aproveite para lembrar os técnicos campeões mundiais com a Seleção Brasileira. Em 1958, Vicente Feola foi o comandante do primeiro título e Aymoré Moreira trouxe o bicampeonato em 1962. Em 1970, Zagallo ganhou o tri e, 24 anos depois, Parreira conquistou o tetra. Felipão, em 2002, foi o comandante do penta.

ESPORTE FINO  Luis Felipe Scolari se destacou como técnico no Grêmio entre 1993 e 1996 e assumiu o Palmeiras, em 1997, numa campanha vitoriosa. Em 2001, depois de passar pelo Cruzeiro, chegou ao comando da Seleção Brasileira. Antes de voltar ao Palmeiras, treinou Portugal, o clube inglês Chelsea e o Bunyodkor do Uzbequistão.

Coluna publicada no Correio*, dia 18.07.10

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Pra quem não leu a entrevista que saiu em duas partes (sábado e domingo) no Correio*, por Eduardo Rocha:

Tricolor sadio, como ele mesmo insiste em dizer, o baiano Daniel Alves até ia ao jogo do Bahia, ontem (sexta), em Pituaçu. “Mas com essa chuva… A gente gasta uma grana pra ficar bonito e vai tomar chuva? Não dá, né?”, diverte-se. Não foi a Pituaçu, mas veio à redação do CORREIO bater um papo. Na primeira parte desta conversa, o Daniel dos clubes, Baêa assumido. Amanhã, o assunto será o Brasil na Copa do Mundo.

Como foi a recepção lá em Juazeiro?

Foi legal. Gosto de fazer surpresa para os meus pais. Lá dá pra andar um pouco mais tranquilo… Bom, quase, né? (risos). Mas fiz tudo que eu fazia antes: fui na pizzaria que ia sempre, fui no bodódromo… Passei uma semana.

Igualzinho lá em Barcelona…

Que nada (risos). Em Barcelona, é mais complicado. Lá, eles param o carro do lado do meu no sinal pra pedir autógrafo. Mesmo com vidro fumê, eles reconhecem. O sinal abre e eles não saem enquanto não conseguem. Antes da Copa, eu era mais conhecido fora do Brasil do que aqui. 

Conversou com os companheiros do Barcelona?

Mandei um torpedo pro Puyol. Quando eles ganharam, mandei mensagem para todos os meu companheiros de Barcelona. Tem vários de lá. Se o título não poderia mais ficar com o Brasil, achei justo que ficasse com a Espanha. Eles nunca foram campeões. Está em boas mãos.

E agora, sem Dunga, como fica a Seleção pra você?

Meu objetivo primeiro é estar lá pra 2014. Já tão querendo fazer inovação, né? (risos). E isso não é agradável, mas acho que fiz um bom trabalho. Foi inesquecível como lição de vida. 

Então, vamos para o que interessa ao estado. Você acompanha o futebol baiano?

Futebol baiano, não. Acompanho o Bahia! 

É Bahia doente?

 Doente, não. Todo Bahia é sadio. Mas o time tem que se organizar. 

Tem alguém aí, desse time, que você gosta de ver jogar?

Rapaz, não sei se é pelo sangue negro, mas gosto do Ávine, o canhotinho. 

E tem chance de, algum dia, você jogar no Vitória?

Rapaz… Acho essa possibilidade bem difícil, viu? (risos).

Parte 2  

Copa do Mundo. Em visita à redação do CORREIO, Daniel Alves revelou a tristeza por não voltar ao Brasil com o título. Mas, cabeça erguida, garante que não havia o que ser mudado. Dunga e Jorginho só ganharam elogios. O lateral defendeu, inclusive, o intenso regime de concentração implementado pela comissão técnica. “O pessoal sempre fez de tudo para que fosse bacana, o mais divertida possível”. Na segunda parte da nossa entrevista, Daniel fala só sobre os dias na África do Sul. 

O que aconteceu naquele nosso jogo contra a Holanda?

 Até hoje a gente não consegue explicar o que aconteceu… Tava tudo fluindo bem: concentração, grupo fechado… a forma como aquele gol aconteceu mudou tudo. O encaixe do gol logo no início do segundo tempo… deu um branco. Era pra ter reagido, porque, na Seleção, você não tá jogando contra o Íbis. Tem que tá preparado. Todo adversário é forte. 

Faltou o quê para o título?

Não faltou nada. A gente teve tudo perfeito. O pessoal fazia de tudo pra concentração ser o mais divertida possível. É que às vezes o resultado não acontece. Aí, fica todo mundo procurando resposta. 

Mas, não faltou o Dunga fazer alguma coisa? Dar um toque no time… Aquele jeito dele na beira do campo não atrapalhou, não?

Dunga é o cara que vive o jogo, parece que ele tá em campo. Se a pessoa é muito tranquila, é criticada. Se é vibrante, também é criticada. Eu prefiro o treinador que vive cada jogo. 

E essa relação do Dunga com a imprensa?

O negócio aqui (no Brasil) é criar discussão. Queriam até polemizar um lance meu com o Júlio (Baptista)! O êxito nosso, é o êxito de todo mundo. Não consigo entender isso no futebol brasileiro. Na Espanha, eles têm essa consciência de que o êxito do time, é o êxito de todos – da imprensa, dos jogadores, da torcida… Aqui, querem nos comparar com outras seleções. Não tem como comparar. Na qualidade, o Brasil ainda está um ou dois escalões à frente. 

O que você achou de ser convocado como lateral e jogar sempre como meia?

Quando o Dunga me lançou no meio, foi porque ele me acompanhava. Eu joguei dois anos como meia no Sevilla. Quando fui convocado, queria jogar de lateral. Mas queria muito mais era jogar. O Dunga é correto com as coisas. Ele me deu sequência ali porque funcionou. É uma honra defender a Seleção. Não tem que escolher posição. Tem que sentir prazer. 

Decepção?

Decepção da Copa, para mim, além das vuvuzelas (risos), só a derrota para a Holanda. Mas, é isso mesmo.

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Hoje a tarde o jogador Daniel Alves passou pela redação do Correio* e rolou uma entrevista básica! Muito simpático, o lateral do Barcelona falou sobre a posição que jogou na Seleção Brasileira na Copa do Mundo, sobre a tristeza de perder para Holanda, até sobre o infeliz episódio que Dunga xingou um jornalista e outras coisinhas mais!

Amanhã, vocês conferem a entrevista no jornal impresso e depois coloco aqui também!

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No meu caso, recordar os vídeos que assisti deste craque e do momento especial que foi conhecê-lo numa participação que fiz no Cartão Verde São Paulo em 2008. Antes do programa começar, assisti boa parte de um jogo do São Paulo com o ídolo do Corinthians sentado na cadeira ao lado! Um verdadeiro privilégio! 

Que pelo menos um pouquinho do talento desse gênio inspire os jogadores para este recomeço de Brasileirão. Os jogos que acompanhei ontem (série B) e hoje foram terríveis. 

Ah, sim, claro, não precisa dizer o nome dele, né?

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É engraçado como cada Copa do Mundo marca os apaixonados por futebol de alguma forma diferente. Pode ser uma besteira, algo quase imperceptível, ou um grande acontecimento. Acho que de certa forma, elas abrem e fecham ciclos nas vidas de todos nós, obcecados pelo mundo da bola, e a cada quatro anos,  vivemos o “nosso” mundial.

A Copa de 1994, por exemplo, foi a primeira vez que acompanhei os jogos já entendendo alguma coisa do que se passava em campo.  Logicamente, foi também a primeira vez que vi o Brasil ser campeão, e na inocência da minha idade, foi a Copa, até hoje, mais feliz da minha vida. Em diversos sentidos, ela será sempre a primeira.

Na adolescência, a Copa de 1998 foi a minha grande tristeza do futebol. Poucas vezes chorei como naquela final com a França. Agarrada à camisa amarela, não conseguia entender aquele desfecho. No ano do penta, eu tinha acabado de entrar na faculdade, e aquele mundial me mostrou que o futebol seria muito mais do que uma paixão na minha vida. Em 2006, eu estava me formando em jornalismo e terminando de escrever o livro (A Linha da Bola). Foi uma época cheia de mudanças e meio estranha… assim como foi a Copa.

A Copa de 2010 foi a primeira que trabalhei envolvida com o evento. Acompanhei os jogos com um olhar diferente de todas as outras. Mesmo de longe, me senti parte do mundial, não apenas como torcedora. Pessoalmente e profissionalmente, esta Copa deu o pontapé, com o perdão do trocadilho, para o início de uma nova fase em minha vida e a verdade é que mal posso esperar por 2014!

Até lá, vamos de Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e etc mesmo que terça feira já tem jogo!!!

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Toda vez que um novo membro vai entrar pra algum clube, os sócios olham atravessados. Desconfiados, os donos pedem credenciais, antecedentes, árvore genealógica, fazem diversos testes e perguntas constrangedoras. Enquanto não decidem pela entrada, fazem o coitado esperar anos a fio comendo o pão que o diabo amassou. Não poderia ser diferente com os “pedintes” que sonham em entrar para o clube mais desejado do mundo bola e os deuses do futebol não poderiam ser mais exigentes com as seleções que hoje lutam para ter a mesma estrelinha na carteirinha, digo, camisa, que Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, França e Inglaterra.

A Holanda, coitada, já deve estar quase perdendo as esperanças de ganhar o direito de nadar na piscina do clube dos campeões mundiais. Em 1974, mostrou um belo de um currículo, com direito a apresentação do Carrossel Holandês e recomendações de ninguém menos que Johan Cruyff.
Chegou até à escolha final e estava toda confiante, mas a Alemanha, que já era sócia do grupo desde 1954, acabou com as esperanças dos holandeses. A Laranja Mecânica esperou mais quatro anos e achou que, finalmente, disputando a vaga com a Argentina, outra “pedinte”, conseguiria a estrela. Saiu decepcionada depois de, literalmente, bater na trave. Hoje, 32 anos depois, não trouxe atrativos de cair o queixo, mas mostrou sua determinação em entrar na panelinha mundial com toda a objetividade possível e ainda passando por cima do sócio mais estrelado. Sem dúvidas, chamou a atenção dos deuses do futebol, que já estavam esquecendo da solicitação holandesa.

Do outro lado, a Espanha veio toda prosa para pedir sua chance e, pela primeira vez, conseguiu fazer o apelo final. Muitos podem até dizer que a Espanha não sofreu tanto quanto a Holanda e que, por uma questão histórica, não é tão merecedora do título. Mas, a danada é tão envolvente, tão cheia de toque de bola e charme que acaba conquistando qualquer um.
Como negar a entrada de Xavi Hernandes, Iniesta e David Villa numa instituição feita por apaixonados por futebol? Difícil decisão.
A Fúria, mesmo mais mansinha, também merece sentar na janela. O próprio Rei do futebol concorda com a nova associação, mas, infelizmente para a Espanha, isto não garante muita coisa. Apesar de ter sido uma unanimidade com as bolas no pé e ter livre acesso em qualquer clube do esporte, Pelé erra bastante na hora de apadrinhar novos sócios.

No fim das contas, qualquer um dos dois que passar pela roleta receberá uma estrelinha merecida e fará parte orgulhosamente do clube dos campeões mundiais. Que o novato celebre bastante durante quatro anos, porque, em 2014, ninguém está interessado em ineditismos. A festa será fechada para membros, ou melhor ainda, para aquele sócio com as cinco estrelinhas que todos os outros invejam quando ele desfila pelas dependências do clube.

Coluna publicada no Correio* dia 11.07.10

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