Arquivo de agosto 2010

Aproveitando que na quarta-feira, dia 1 de setembro, o Curíntia faz 100 anos o livro de hoje é “Corinthians – É Preto no Branco”, de Washington Olivetto e Nirlando Beirão, da editora DBA e parte da coleção Camisa 13.

Eu simplesmente adoro a criatividade com a qual o livro foi escrito. Ele funciona assim: tudo o que está escrito em preto nas folhas brancas é como o corinthiano, obviamente, e publicitário Washington Olivetto gostaria que a história tivesse acontecido; o que está de branco nas folhas pretas é o que ele chama de “A verdade dos outros”, escrita pelo Nirlando. Ou seja, no preto no branco, o Corinthians tem estádio próprio (agora realmente vai ter!), se orgulha de já ter ganho a Libertadores e até rejeita Pelé.

Olha só o trecho de uma resenha sobre o livro que encontrei no site da Revista Época e que retrata bem o que é o livro:

“Tanta invencionice serve de vingança para todo corintiano que já sofreu com derrotas. A grande mentira do livro: Rivellino marcou o gol da vitória contra o Palmeiras, na final do Campeonato Paulista de 1974, terminando com um jejum de títulos de 20 anos. Ademir da Guia, vaiado pela torcida palmeirense, ao fim do jogo foi vendido para o Fluminense. É o avesso da história. O Corinthians perdeu. Rivellino, quase massacrado pela torcida alvinegra, é que foi parar no tricolor das Laranjeiras. Indagado sobre o risco de novas gerações lerem só os trechos com falsidades, tomando como verdade o que é balela, Olivetto é muito claro: ‘Esse é um de nossos objetivos, mentir tanto a ponto de os jovens considerarem verdade o que não é’, diz ele, bem-humorado. ‘Os corintianos gostam disso.’”

Agora tem um detalhe em especial que torna esse livro mais do que “apenas mais um” na minha coleção: a assinatura do craque Sócrates (que escreveu a orelha do livro).  Ele assinou o livro pra mim numa participação que fiz no Cartão Verde São Paulo (tem fotinha desse dia aqui: http://www.claraalbuquerque.com.br/?p=184).

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Mais um domingo de Fonte Nova

 Hoje é dia de futebol. Dia de ver arquibancadas cheias, o gramado ser pisado, a bola rolar, apito do juiz e reclamação de jogador. É tarde de vestir as cores do seu time, xingar aquela bola que bater na trave, sentar no mesmo lugar do estádio ou do sofá, de gritar gol e ficar rouco. É dia de sofrer com a derrota e a queda na tabela ou comemorar aquela vitória importante. Pra sonhar com a taça do campeonato, com a vaga na Libertadores, com o sucesso do atacante que estréia nesta rodada e até com uma goleada fora de casa. Se hoje é um domingo no meio da temporada e, portanto, tem futebol, os apaixonados pelo esporte podem fazer tudo isso aí e muito mais. Em Salvador, no entanto, a programação não será a mesma.

Sim, senhores, vai ter espetáculo, mas será tudo às avessas. No lugar dos 90 minutos de emoção depois do almoço, serão 17 segundos da implosão antes mesmo de você ter tempo de saber o cardápio do dia. Torcedores, principalmente do Bahia, tão apegados à Fonte Nova, não poderão passar energia para os jogadores ali pertinho, das arquibancadas. Estarão, conforme orientação oficial, à 250 metros do lugar onde costumavam demonstrar sua paixão. Até porque, não haverá um único jogador em campo para chutar a bola e comemorar um gol. O barulho não virá do canto da torcida, mas da estrutura desmoronando. Será um dia sem artilheiros, sem glória, sem muito espaço para sorrisos.

E nesse país onde é difícil ser indiferente ao futebol, que baiano é capaz de não ter sequer uma lembrança da Fonte? Pais lembrarão da primeira vez que pisaram no estádio e do dia especial que levaram seus filhos para conhecê-lo. Amigos recordarão da cachaça que tomaram depois daquela vitória histórica ou derrota infeliz. Namoradas avessas ao esporte ainda têm na mente aquela briga porque queriam fazer alguma coisa na hora do jogo, enquanto outras guardarão com carinho aquele beijo na hora do gol. Homens, mulheres, cachorros e papagaios terão que se acostumar a uma paisagem sem ela quando passarem pelo Dique.

Apesar de já sentirmos sua falta há algum tempo, ninguém está muito preparado para vê-la no chão. Serão dias estranhos até que um novo monte de concreto se transforme em mais do que apenas um monte de concreto. Até que as arquibancadas voltem a ser povoadas por lembranças. Confesso, vou sentir saudades da minha velha Fonte e dos pedacinhos de minha história que ficaram por lá, misturados à outros milhões de todos que passaram pela Fonte Nova.

Sim, hoje é dia de futebol. Dia de gritar gol, de reclamar do juiz, de vestir a camisa do seu time, de comemorar a vitória ou sofrer com a derrota. Em Salvador, no entanto, a programação não será a mesma. Hoje, sem a Fonte Nova, o grito de gol vai ser meio engasgado, o juiz vai ser pouco lembrado e a camisa vai ser meio desbotada. 

PRETINHO BÁSICO
Estádio Otávio Mangabeira é o nome oficial da Fonte Nova, propriedade do Governo da Bahia. Inaugurado em janeiro de 1951, foi palco de grandes jogos e conquistas, mas também de tragédias, como a ocorrida em 71, quando oficialmente duas pessoas morreram, e em 2007, com sete vítimas, quando o estádio foi fechado.

ESPORTE FINO 
O último gol na Fonte Nova foi marcado por Ávine, na vitória do Bahia por três a zero contra o ABC, em 2007 (um jogo antes da tragédia). A construção da nova arena, com capacidade para cerca de 50 mil pessoas, está prevista para começar no fim deste ano. O objetivo é terminar a obra em dezembro de 2012.

Coluna publicada no Correio* dia 29.08.2010

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Ontem, sexta-feira fui me despedir da Fonte Nova junto com os amigos Herbem Gramacho e Eduardo Rocha. Os dois trabalham na editoria de esportes do Correio* e como todo apaixonado por futebol aqui em Salvador, têm muitas lembranças do lugar. Paramos no dique e contornamos a pé o estádio já todo coberto por tapumes. A verdade é que ninguém tem muitas palavras pra dizer adeus… mas, se as imagens podem significar alguma coisa, aí estão elas:

Eduardo Rocha, eu e Herbem Gramacho

A Fonte vai deixar saudades

Outros torcedores também foram se despedir

Saudades...

 

E vocês, foram se despedir? Lembraram de momentos especiais vividos lá?

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Eu não gosto de política. Não me envolvo e não acompanho. Me informo o suficiente para votar e pronto. Mas, este ano, uma coisa me chamou atenção. Sim, é claro, só poderia ter a alguma ligação com futebol, né? Pois bem, ainda estou meio perplexa com a quantidade de craques (e outros nem tão craques assim) que resolveu aproveitar a fama passada nos gramados para garantir votos nas urnas.

Velha parceria agora nas urnas

Quem ainda tem recordações da parceria de Romário e Bebeto na Copa de 94, por exemplo, pode até se bater com a dupla juntinha por aí e matar as saudades. Mas nada de futevôlei na praia. É mais provável que você encontre os dois panfletando pelas ruas do Rio de Janeiro. O baixinho é candidato a deputado federal pelo PSB-RJ e Bebeto tenta ser titular como deputado estadual pelo PDT-RJ.

Na urna, Bebeto Tetra pra ninguem esquecer

Será que o Baixinho estreia na politica com gol?

Ainda no campo dos campeões mundiais, o que falar de Vampeta, que tenta se eleger deputado federal pelo PTB-SP? Será que, eleito, ele vai dar novas cambalhotas no planalto?

Teremos novas cambalhotas em Brasília?

 

E a lista continua. Marcelinho Carioca, ídolo do Corinthians é candidato a deputado federal pelo PSB-SP e o ex-atacante Marques, festejado pela torcida do Atlético Mineiro, mal aposentou as chuteiras e já tenta uma vaguinha como deputado estadual pelo PTB-MG.

Marcelinho Carioca quer se eleger deputado federal

Marques pendurou as chuteiras em maio e já é candidato

E Robgol? A torcida tricolor lembra dele! Pois o atacante protagonista na conquista da Copa do Nordeste de 2001 e de 2002 pelo Bahia já tenta a reeleição como deputado estadual pelo PTB-PA. Outro experiente nas urnas é Túlio. O atual vereador em Goiânia agora tenta se eleger deputado estadual pelo PMDB-GO.

Torcida tricolor baiana lembra bem de Robgol

Túlio Maravilha já é vereador e agora quer ser deputado estadual

Um goleiro também não pode ficar de fora do time. Aí quem entra em campo, é o ídolo gremista Danrlei como candidato a deputado federal pelo PTB-RS. E a lista continua com Roberto Dinamite (que já é deputado estadual no Rio de Janeiro), Nunes (centroavante daquele famoso time do Flamengo que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1980, o Mundial Interclubes de 1981 e o Campeonato Brasileiro de 1982) e outros.

É ele mesmo: Danrlei de Deus Goleiro

É certo que, num baba, qualquer um daria a bola pra esses caras, mesmo aposentados. Mas, e nas urnas? Você daria seu voto para algum deles?

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“A Regra é Clara”

Por motivos óbvios, eu adoro o chavão do Arnaldo Cezar Coelho! O nome do livro que apresenta as regras do jogo, é claro, não poderia ser outro.  “A Regra é Clara”, da editora Globo, explica as 17 regras do futebol (sim, senhores, são apenas 17) com direito a comentários e curiosidades. Você sabia, por exemplo, que até o ano de 1967 não eram permitidas substituições de jogadores durante uma partida, nem mesmo em virtude de contusão? A regra 11, que trata do impedimento, também está lá explicadinha.

Mas o livro de Arnaldo Cezar Coelho, não fala só de regras! Elas são apenas um capitulo da publicação. Antes, o ex-árbitro e comentarista da Rede Globo conta um pouco da sua história e como ele entrou para o mundo do apito. O início nas peladas na praia, a estréia no Maracanã (num FlaxFlu, em 1966), o jogo contra o Bahia em que sopraria o apito e apontaria para o meio de campo após o milésimo gol de Pelé (que não aconteceu porque o zagueiro tricolor Nildon defendeu) até a decisão da Copa do Mundo de 82 entre Alemanha e Itália.

No fim do livro, ainda tem um breve histórico da arbitragem nas Copas do Mundo. Pra quem gosta de futebol, regras e histórias, vale a pena ler!

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 Segurem as nossas promessas

O zagueiro David Luiz, no alto dos seus 23 anos, poderia ter subido junto com Edu Dracena e cabeceado a bola para longe do gol no último jogo da final da Copa do Brasil entre Vitória e Santos. Poderia também ter desarmado o passe certeiro que acabou no primeiro dos três gols do Palmeiras, que desclassificou o rubro-negro baiano da Copa Sul-Americana.

Pelo Vasco, o ainda mais novo Philippe Coutinho, de 18 anos, poderia ser o responsável por uma bela campanha do time carioca no Brasileirão deste ano. Quem sabe comandar o clube cruz-maltino numa Libertadores, depois de nove anos longe do torneio. Imagine então ter craque em dose dupla, literalmente, no caso dos gêmeos Rafael e Fábio, de 20 anos, decidindo as partidas-chave em uma possível conquista do Brasileirão 2010 pelo Fluminense. Em caso mais recente, será que Sandro, com seus 21 anos, não seria indispensável ao Internacional na disputa do Mundial, no fim do ano, em Abu Dhabi, provavelmente contra a poderosa Inter de Milão?

E a lista das nossas promessas que poderiam estar brilhando nos gramados brasileiros continua. Por muito pouco, mais uma leva inteira criada no Santos não está no campo do que poderia ter feito por aqui. Ainda podem. Por isso, o “fico” de Neymar (e a também permanência de Ganso) é tão importante para o futebol brasileiro. Esqueça as preferências clubistas ou estilísticas, o fato é que o jogador mais badalado do Campeonato Brasileiro fica no país. Definitivamente, algo histórico nos dias atuais. Tempos em que os clubes de futebol estrangeiros vêm fazer compras no mercadinho, digo escolinha, que se tornou o nosso futebol. Que bilionários de nomes estranhos despem nossos projetos de ídolos das cores que nos orgulham e nos levam ao estádio. Tempos em que falamos do futuro da nossa paixão, mesmo vendo que ele está sendo vendido antes mesmo de virar presente.

Apaixonada por futebol que sou, torço para que o exemplo de Neymar vire rotina. Ainda mais, torço para que a atitude do Santos seja recompensada com títulos e vitórias. Não porque eles são mais importantes que a permanência de um talento, mas para esfregar na cara de quem acha que o melhor futebol do mundo deve vender seu futuro como quem entrega bananas. Não é preciso ser gênio pra saber que, com organização, profissionalismo e vergonha na cara, a coisa funciona. E que aquela frase famosa do escritor Ruy Castro que se referia ao Flamengo, mas já havia virado nacional, “Craque o Flamengo faz em casa – e depois vende”, não seja mais realidade. Que o início deste texto não seja mais conjugado no futuro do pretérito, mas no passado das glórias que nossos talentos podem deixar no futebol brasileiro.

PRETINHO BÁSICO
David Luiz nasceu em Diadema-SP, mas começou nas categorias de base do Vitória aos 14 anos. Em 2005, com apenas 18 anos, estreou na equipe profissional e ajudou o rubro negro baiano a sair da Série C, em 2006. Logo depois, foi emprestado (e depois vendido) ao Benfica, de Portugal, onde está até hoje.

ESPORTE FINO
Philippe Coutinho foi contratado pelo Inter de Milão quando ainda tinha 16 anos, mas só se apresentou ao clube no mês passado (em função da pouca idade). O Fluminense também vendeu os gêmeos Rafael e Fábio antes da maior idade para o Manchester United, da Inglaterra. Sandro foi para o também inglês Tottenham.

Coluna publicada no Correio* dia 22.08.10

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Velhinhos do futebol!

Continuando no clima de bolo de aniversário, hoje (na verdade, ontem, dia 21/08, já que passamos da meia noite), o clube Vasco da Gama comemora 112 anos de fundação. Um dia especial para um clube que sempre foi pioneiro em sua história. Que passou por cima do preconceito ao colocar brancos, negros e mulatos em campo, sem importar dinheiro nem posição social, quando isso parecia algo horripilante.

No dia 1° de setembro será a vez do Corinthians entrar para a turminha dos centenários. Aproveitando a deixa, olha listinha dos 10 clubes de futebol mais antigos do Brasil que ainda estão assoprando velinhas e batendo bola nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

  • Clube de Regatas do Flamengo – fundado em 1895
  • Clube de Regatas Vasco da Gama – fundado em 1898
  • Esporte Clube Vitória – fundado em 1899
  • Associação Atlética Ponte Preta – fundado em 1900
  • Clube Náutico Capibaribe – fundado em 1901
  • Fluminense Football Club – fundado em 1902
  • Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense – fundado em 1903
  • Botafogo de Futebol e Regatas – fundado em 1904
  • Sport Club Recife – fundado em 1905
  • Clube Atlético Mineiro – fundado em 1908

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Parabéns pra mim!

O primeiro aniversário a gente sempre esquece! Ainda bem que temos fotos para nos mostrar como foi! Já na primeira vez que vamos num estádio de futebol, acontece justamente o contrário. Temos trocentas mil lembranças. Do cheiro, do gosto do sorvete (no meu caso de coco, melado de cajá), das cores (tricolores, já que minha família torce para o Bahia), dos gritos da torcida, de cada detalhe. Só não temos foto desse dia (eu, pelo menos, não tenho). De qualquer forma, nenhuma fotografia poderia captar as primeiras lembranças que vivemos por lá. E isso vale pra qualquer coisa importante pra você, não precisa ser a primeira vez num estádio. O que vale é lembrar.

A gente tem um aniversário “autoritário” todos os anos… e eu adoro comemorá-los, não se enganem, mas melhor ainda é recordar e festejar aqueles que só a gente mesmo sabe!

Enfim, chega de sentimentalismo, mas já que hoje é o meu aniversário, aquele que todo mundo sabe, parabéns para mim! Ah! E é claro que tem foto do meu primeiro bolinho de aniversário!! Olha ela aí!

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Meus livros de futebol são uma ótima fonte de pesquisa para as colunas de futebol. Na maioria das vezes, são eles que me fornecem dados, idéias e frases para complementar o assunto do texto. Quem lê minhas colunas, por exemplo, sabe que adoro citar frases de jogadores, técnicos, personalidades e gênios do futebol.

O livro Bolas e Bocas, de Mauro Beting, publicado pela editora LeiaSempre, é um dos que mais utilizo para isso. É basicamente um “catadão” de frases sobre o futebol. Das mais absurdas até àquelas incrivelmente geniais. Exemplos?

“Uma partida de futebol não pode sustar o curso da história”, Olavo Bilac, poeta, 1908.

“Não entendo como indivíduos que não dão para nada se transformam em heróis nacionais. Nada fizeram para o beneficio comum”, Lima Barreto, escritor, 1922.

“Se me dessem a Seleção Brasileira pra dirigir, com os craques que o Brasil tem, eu ia passar o resto da minha vida tocando harpa, numa boa”, Di Stéfano, craque argentino dos anos 40, 50 e 60.

“O futebol não tem mistério. Você é que faz o mistério do futebol”, Garrincha.

“tem duas coisas que eu não sei fazer na vida. Uma é jogar futebol. A outra é perder gols”, Dario, campeão mundial em 1970.

“A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus”, Armando Nogueira, 1970.

“Eu pesei: ele é feito de carne e osso como eu. Eu me enganei”, Tarcisio Burgnich, zagueiro da Italia sobre Pelé, 1970.

“A bola ia indo, indo, indo… e iu”, Paulo Nunes, atacante.

“Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe”, Jardel, grande cabeceador dos anos 90 e 2000.

E tem muito mais. Como o próprio livro diz: “Aqui tem quase tudo que você gostaria de falar sobre futebol. Mas alguém já falou antes”.

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Futebol troca tudo

Há 11 dias, Vitória e Santos decidiram a Copa do Brasil no Barradão e todo mundo já sabe o que aconteceu. De ressaca, o rubro-negro baiano perdeu logo depois para o Vasco da Gama e então se reergueu contra o Palmeiras, de Felipão. Hoje, por capricho do destino, volta a enfrentar o Santos. Mas você pensa que são os mesmos times? Que o capitão do Peixe que comandou a conquista ainda veste a braçadeira e que o técnico rubro-negro vai ter a chance da revanche?

Nada disso. No nosso futebol troca tudo, 11 dias podem mudar o mundo. No Vitória, a maior mudança foi fora de campo. Sai Ricardo Silva, entra Toninho Cecílio. Apesar do novo técnico já ter garantido o primeiro resultado positivo na estreia, não concordei com a substituição. Já não sou muito fã dessa dança das cadeiras e defendo que Ricardo Silva estava fazendo bom trabalho com o material que tinha. Para chegar à final de uma competição nacional sem ter um elenco excepcional, é preciso ter o dedo do treinador. Afinal, é muito mais fácil decidir jogos quando se tem um Neymar ou um Ganso passeando em campo. Agora que o fato já foi consumado, resta torcer para que Toninho Cecílio saiba levantar o grupo. Diferente do que ouvi muita gente falar, o Vitória não tem que torcer para que o Santos seja campeão sul-americano para ficar com a vaga da Libertadores, e sim mostrar suas garras para garantir a vaga sozinho. Repito, sem craques é muito mais difícil, mas o time não está na competição a passeio e vai caber ao técnico acertar a equipe.

Enquanto isso, as mudanças do Santos se deram dentro das quatro linhas. Hoje, nada de quarteto santástico. Robinho voltou ao Manchester City e André foi se esconder no Dínamo de Kiev, da Ucrânia. Neymar, machucado, não encara o Vitória e, pelo visto, em breve, pode não enfrentar mais ninguém por aqui. Uma pena. Não há dúvidas sobre o talento do garoto, mas acho que ainda não tem amadurecimento suficiente para alçar vôo em ares europeus, ainda mais no Chelsea. Um time sabidamente complicado. Melhor seria tomar de exemplo a história do próprio Robinho, que saiu cedo demais (e olha que ele já tinha dois brasileiros e uma final de Libertadores nas costas) e nunca conseguiu explodir fora do Brasil. Para o bem do Santos, da Seleção Brasileira e até do futuro do futebol brasileiro, gostaria de ver esses moleques por aqui mais tempo.

Claro, existe um pouco de paixão e sonho nesse desejo, mas também há a visão do negócio na atitude de segurar Neymar, Ganso e outros talentos por aqui. Não precisa ser especialista pra saber que a médio e longo prazo a permanência dessas promessas pode ser muito vantajosa em termos financeiros e de marketing. O Santos está mostrando que sabe e acredita nisso. Ao menos até agora, tem dado um excelente exemplo àquele mundo do futebol por trás da bola. Esse, diferente do troca-troca dentro de campo, custa a fazer alguma mudança.

PRETINHO BÁSICO
Atualmente, o elenco principal do Vitória participa de duas competições: o Campeonato Brasileiro, que tem hoje sua 14º rodada (são 38) e termina em dezembro e a Copa Sul Americana, pela qual o Vitória venceu o Palmeiras. A partir deste ano, o campeão da Sul-Americana ganha vaga na Libertadores.

ESPORTE FINO
 
Neymar tem apenas 18 anos, é paulista e veio das categorias de base do próprio Santos. Paulo Henrique Ganso tem 20 anos e nasceu no Pará. Antes de chegar ao Santos, em 2005, jogou futsal no Tuna Luso e nas categorias de base do Paysandu Sport Club. André tem 19, nasceu no Rio Janeiro e passou pelo Cabofriense.

Coluna publicada no Correio*, dia 15.08.10

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