Arquivo de novembro 2010

O Vitória e os danados dos detalhes do futebol

Existem dois tipos de detalhes no futebol. Aqueles que acontecem muitas vezes nos 90 minutos de uma partida e aquele maior e mais importante. Na primeira classificação, estão aquelas miudezas, que também mudam o curso de um jogo, mas que muitas vezes passam despercebidas: o tufo de grama que desvia a bola por centímetros e facilita a defesa do goleiro; o cisco no olho que permite um contra-ataque adversário; um raio de sol que dificulta a visão na hora de chutar a bola; uma palavra de provocação que motiva aquele carrinho que termina numa expulsão e por aí vai. No segundo grupo, o objetivo de todo time: o gol.

Muitas vezes, o time não é ruim, joga bem, tem até certa qualidade, mas os detalhes o colocam numa situação difícil. É o caso do Vitória neste Brasileirão. O rubro-negro baiano não é a quarta pior equipe da competição. O Atlético-GO, na 15° posição na tabela, por exemplo, têm quatro derrotas a mais que o Vitória, sendo que, em sete delas, o time goianiense levou pelo menos três gols do adversário. O Avaí, em 16° e com duas derrotas a mais que o Leão também levou pelo menos três gols em sete dos 16 jogos que perdeu.

Já o Vitória, em 14 derrotas, deixou o adversário balançar a rede por ao menos três vezes em apenas três oportunidades (Grêmio, Botafogo e Atlético-Go). Se analisarmos a parte da tabela abaixo do Vitória, os resultados também mostram a distância do clube baiano para Grêmio Prudente, Góias (os dois já rebaixados) e Guarani.

Que me desculpem os torcedores desses times, mas o fato é que o Vitória não é tão pior do que o Flamengo ou o Ceará, por exemplo. Na verdade, nenhum deles apresentou um futebol muito melhor ou muito pior. Os danados dos detalhes do futebol é que conduziram o caminho. Quem assistiu o segundo tempo de Vitória e Corinthians viu que foram eles que evitaram o triunfo do clube baiano. Como disse Antonio Lopes, em entrevista recente no Correio, “fazemos a parte mais difícil, que é criar a situação de gol. Mas, num campeonato como este, não podemos perder a chance de marcar o gol e matar o jogo”. Pois é, delegado, ainda falta esse detalhe maior final e definitivo.

Desde que voltou a Série A, o Vitória não precisou lutar contra o rebaixamento. Nas duas últimas edições do Campeonato Brasileiro, fez uma campanha longe do pesadelo de voltar para a Segundona. Na verdade, na última vez que o Leão precisou brigar para não cair no precipício, quando estava na Série B, em 2005, todos os detalhes ruins de todos os jogos que não poderiam acontecer, aconteceram e o Vitória caiu para a Série C. Resta torcer que os últimos detalhes de 2010 estejam a favor do time baiano.

Pretinho Básico
O Vitória (17° colocado) tem os mesmos 40 pontos de Avaí (16°) e Atlético MG (15°), mas fica atrás no número de vitórias. Se o Leão perder para o Inter e esses dois times vencerem seus jogos, assim como Atlético-MG (42 pontos em 14°) e Flamengo (43 pontos em 13°), o Vitória pode ser rebaixado já nesta rodada.

Esporte Fino
Para se safar e depender apenas de uma vitória sua, na ultima rodada, o Leão precisa ao menos empatar com o Internacional. No Beira Rio, no entanto, nada de vida fácil: em 13 partidas jogando no campo do time gaúcho, foram sete derrotas, cinco empates e apenas uma vitória do Rubro-Negro baiano em 2003.

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“Meu jogo inesquecível”

Hoje a dica de livro (que deveria ter sido ontem) foi inspirada na Redação aqui do Correio*. Fiquei pensando quantas partidas emocionantes marcaram cada um de nós, apaixonados por esportes. Com isso em mente, bati o olho no livro “Meu jogo inesquecível”, organizado por Alexandre Petillo, Odersides Almeida, Olacir Dias e Thomaz Rafael.

 

"Meu jogo inesquecível" sobre o notebook que trabalho

Na publicação, 56 partidas emocionantes preenchem as páginas com tudo aquilo que o futebol pode nos proporcionar, contadas pelos próprios donos dessas memórias. Histórias de personalidades como Chico Buarque, Luiz Felipe Scolari, Roberto Dinamite, Nando Reis, Cleber Machado, Max Gehringer e outros estão por lá. Leitura fácil, leve e deliciosa!

E já que eu falei aqui da redação, aproveito para mostrar um pouquinho do nosso ambiente!

Bancada de esportes do jornal impresso

Bancada do Correio24horas. Fico ali naquele cantinho da esquerda!

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Você saberia explicar a loucura que é amar o futebol?

Sugeriram-me certa vez que eu escrevesse sobre pessoas que não gostam de futebol. Aqueles seres estranhos, é preciso confessar a minha opinião, que não são arrebatados por um escudo, que não abrem um sorriso ao ver um drible de Garrincha, que não entendem como alguém pode chorar dentro de um estádio diante de marmanjos que correm atrás de uma bola.

Eu pensei primeiro que poderia entender o caso. Que não seria assim tão difícil me colocar no lugar de alguém que não sabe o que é sentir uma felicidade inexplicável ou uma dor profunda por causa de um único jogo de futebol. Afinal, o que é essa loucura que fez os tricolores explodirem com a  volta do Bahia à Série A e que está deixando os rubro-negros numa angustia incomum com a possibilidade do Vitória cai para a Série B?

Que sentimento é esse que fez os baianos correrem para comprar um ingresso para as partidas de seus times? Que vai lotar o Barradão, hoje, num jogo absolutamente decisivo entre Vitória e Corinthians? Que insanidade é essa que faz os tricolores prometerem transformar a vida dos rubro-negros num inferno, caso o Vitória deixe a elite do Brasileirão? E que faz os torcedores do Vitória encherem a boca para lembrar que o Bahia ficou longe dela durante sete anos?

Geralmente, quem não gosta de futebol quer achar uma resposta lógica para cada uma dessas perguntas. Querem que os apaixonados pelo mundo da bola expliquem porque se emocionam tanto em 90 minutos. Pra mim, é aí que está o “erro”. Afinal, esta é boa parte do fascínio que o futebol exerce sobre nós: não saber, nem precisar, traduzir. A graça é justamente sentir e não racionalizar. É ter a certeza que o coração de outras milhares de pessoas acelera exatamente na mesma hora que o seu. É presenciar um mundo paralelo e único quando 32.157 pessoas desabafam que “o Tricolor voltou”, em Pituaçu, ou quando outras 35 mil gritarem “Nego, nego”, hoje, no Barradão, para transferir toda a energia positiva do mundo para os jogadores do Vitória.

Definitivamente, acho que me enganei. Não é nada fácil me colocar no lugar dessas pessoas, pois acho fantástico não saber colocar em palavras o porquê do futebol preencher tanto a alma de quem o deixa entrar.

Vitória 
O Rubro-negro vai ter que ditar o ritmo do jogo, hoje, desde o início e não dar espaço pro Corinthians. Preencher o meio de campo, acelerar suas jogadas, suar a camisa e colocar o coração em campo sem deixar a concentração de lado (o que já atrapalhou o time algumas vezes). Caso contrário, o líder do campeonato não deve desperdiçar a chance de colocar mais três pontinhos na sacola, que depende só dele para receber a taça. A torcida do Vitória, que tem feito bonito nessa reta final de campeonato, não merece ter que ouvir pedidos de explicações do porquê de uma posição na tabela doer tanto. Só quem sente, entende. Mas não explica.

PRETINHO BÁSICO
O Vitória ficou na zona de rebaixamento três vezes neste Brasileirão e, hoje, está a apenas dois pontos do Avaí, 18º colocado. Logo na 1ª rodada, quando perdeu para o Palmeiras, o Vitória ficou em 17º. Na 6ª, após derrota para o Fluminense, foi para a 17º posição e na 31ª, quando deixou o Botafogo vencer, caiu para 17º.

ESPORTE FINO

A melhor colocação do Rubro-negro baiano neste campeonato foi a 9º posição, assegurada nas rodadas 10 e 11. Caso ganhe hoje, a depender dos resultados dos jogos do Guarani, Avaí e Atlético-GO (que se enfrentam), Atlético-MG e Flamengo, pode até terminar a rodada em 13º ou 14º, onde teria uma vaga para a Sul-Americana.

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A redação do CORREIO, hoje, ficou mais animada com o pagamento da promessa de um tricolor!!!

Midia Noelle Santana | Redacao CORREIO

Há sete meses o assistente de tratamento de imagens Jaguaracy Batista, de 43 anos, não imaginava que teria de se desfazer do bigode que o acompanhava desde quando ainda era um jovem solteiro, de apenas 18 anos. O motivo do sacrifício? A volta do esquadrão de Aço para a Série A. Em maio deste ano, ‘Rick’, como e mais conhecido, apostou com o amigo, e editor de esportes do CORREIO, Eduardo Rocha de que caso o Bahia subisse, tiraria o seu ‘xodó’.

“O cara tá bonito. Perdeu uns dez anos de idade”, disse Eduardo Rocha, o amigo que incentivou a promessa de Jaguaracy.

O torcedor ainda vai surpreender a esposa nessa noite, ja que a amada nunca viu o marido sem o bigodinho. “Acho que ela vai ficar contente. Na verdade, vai adorar”, garantiu o tricolor que promete adotar o novo visual.

Veja as fotos do antes, durante e depois:

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Em busca do tempo perdido

Uma verdadeira aventura cheia de desafios, adversários, tropeços, bola na rede, contusões, pontos perdidos, viradas, drama, correria, choro e muito mais. Todas as emoções que um torcedor tem direito estão lá, na campanha do Bahia de volta à Série A. A saga começou bem, com uma vitória do aventureiro tricolor sobre os dois primeiros inimigos. No terceiro obstáculo, um empate serviu como um aviso de que a falta de atenção não seria tolerada pelos deuses do futebol. Com o mapa da temida Vila Nova nas mãos, foi fácil golear o inimigo. Sobrou fôlego para também derrotar o leão da ilha que resolveu invadir a casa tricolor.

Mas ainda faltava muito e, no sexto desafio, o herói de aço precisou buscar forças para se reerguer depois de levar uma goleada do vilão Icasa. A armadura deixou passar alguns golpes e o Tricolor só voltou à trilha certa na nona esquina da aventura, mas se feriu novamente na décima rodada. Quem tem escudo forte, no entanto, não se deixa abater. Depois de segurar um empate, tratou de embalar duas vitórias sobre um adversário alado e outro do Paraná. Na décima quarta parada, uma pista errada levou o Bahia a cair nas mãos dos líderes malvados na Arena Joinville.

Se recuperando, em casa, empatou com o Brasiliense, e ainda no aconchego de Pituaçu, com a ajuda de milhares de outros lutadores, derrotou o décimo sexto inimigo e também a ardilosa Portuguesa, que passou pelo caminho em seguida. Com a proximidade da metade da jornada, o Tricolor viu sua bússola perder a direção, mas tratou de consertá-la apressadamente, a tempo de chegar ao posto mais alto da saga na 22ª batalha.

De volta à labiríntica Vila Nova, o herói de aço se perdeu um pouco, mas, ao chegar na casa do leão, não perdoou o felino, que saiu ferido. Pena que o vilão Icasa passou mais uma vez pela trilha e derrotou o herói de aço, que buscou forças para não perder nas quatro lutas seguintes. Após um tropeço na 30ª travessia, o Bahia cortou as asinhas do 31º oponente e também triunfou sobre os dois seguintes. Então, de forma dramática, numa ponte estreita, o herói de aço caiu na boca do jacaré, mas tratou de vencer o bicho na arena, também dele, que veio logo depois no desafio aquático das sete lagoas. Ontem, o aventureiro voltou para casa com a possibilidade de achar o tesouro perdido, há sete anos, com a ajuda de milhares de sonhadores apaixonados, cheios de pistas e mapas da mina.

No fim da odisseia de volta à elite do futebol brasileiro, que pode ter acabado ontem (já que escrevo antes de ir ao estádio conhecer o resultado da aventura), o Bahia não deve achar uma taça de ouro ou um baú repleto de esmeraldas e colares de diamante. Vai descobrir que o maior prêmio que pode receber já é seu: o amor e a loucura de milhares de súditos tricolores felizes e ainda mais apaixonados.

PRETINHO BÁSICO
Até o jogo de ontem com a Portuguesa, o Bahia possuía 18 vitórias, sendo metade em casa e metade como visitante, oito empates e nove derrotas, apenas duas em Pituaçu. Em 35 jogos, marcou 59 gols e levou 40. Em três rodadas (4ª, 5ª e 21ª) esteve na liderança, e 33 dos 62 pontos foram conquistados em casa.

ESPORTE FINO
Em 1959, o Bahia foi campeão da Taça Brasil, primeiro torneio nacional organizado no país e, em 1988, conquistou seu segundo título brasileiro. Ficou na primeira divisão até 1997, quando desceu para a segundona. Voltou à elite em 2000, mas caiu de novo em 2003. Em 2005 foi até a terceirona, de onde saiu em 2007.

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“Recados da Bola”

No comentário deste post aqui, sobre o livro “O Artilheiro que não sorria”, a leitora Alessandra Lima comentou sobre o livro “Recados da Bola”, da Editora Cosac Naify.

Não tinha o livro e fiquei curiosa… Pois bem, semana passada num dos meus rotineiros passeios por uma livraria dei de cara com o livro. Não resisti e comprei mais uma preciosidade para minha coleção.

Com organização de Jorge Vasconcellos, a publicação traz depoimentos de doze mestres do futebol brasileiro: Barbosa, Domingos da Guia, Jair Rosa Pinto, Zizinho, Ademir Menezes, Djalma Santos, Bellini, Nilton Santos, Zito, Didi, Rivelino e Sócrates.

Não comecei  a ler ainda, apenas dei uma folheada pela fotos históricas e valiosas do livro, mas a apresentação de Luis Fernando Verissimo faz você querer devorar o livro! Olha só uma parte:

“Em Recados da Bola – depoimentos de doze mestres do futebol brasileiro” estão as histórias de bastidores que ninguém conhecia. As histórias pessoais que ninguém desconfiava, personalidades surpreendentes, tipos inesquecíveis – um mundo inteiro a ser descoberto, além da bola e seus caprichos.
O livro é sobre grandes craques do passado, mas é sobre toda a gente do futebol depois do futebol. Beleza”

Alessandra, obrigada pela indicação! Adorei!

Seleção antes de embarcar para a Copa do Chile em 62 na concentração de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Notem que o único prato cheio é o de Pelé!!!

Sócrates e Casagrande, no Corinthians, em 1982

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Alguém aceita um alfajor?

Sabe quando a gente chega numa doceria super concorrida, muito bem indicada por uma amiga e não sabe o que pedir (coisa típica e deliciosa das mulheres)? Mas aí você lembra que te disseram que a especialidade do lugar é o brigadeiro e decide pedir o docinho tradicionalmente brasileiro. Feliz da vida, você chega ao balcão já com água na boca. “Boa tarde, eu queria três brigadeiros, por favor!”. “Desculpe senhora, mas este doce está em falta, sobraram apenas três alfajores tipicamente argentinos”, responde a atendente, para o seu espanto.

É mais ou menos isso que está acontecendo no Brasileirão 2010. Você acha que vai ter o gostinho de se deliciar com meias-armadores criativos brasileiros, já que nosso campeonato não tem um grande número de estrangeiros e o tipo do jogador em questão é uma especialidade do país, mas pode tirar o açúcar do desejo. Quer dizer, pode deixar o açúcar no campeonato, mas trate de caprichar no sotaque para falar “dulce de leche”, pois são os argentinos que estão colocando gosto no “Brasileirón”.

Darío Conca, no Fluminense, Walter Montillo, no Cruzeiro e Andrés D´Alessandro, no Internacional são os últimos chocolates da bomboniere. No auge de suas carreiras, os três hermanos são os destaques de suas equipes. Estão, sem dúvida, na lista dos melhores jogadores do campeonato de qualquer entendido de futebol. Isso quando não são os donos das três primeiras posições no ranking.

O primeiro semestre foi de Conca. O baixinho abusado tomou conta do time e encontrou uma regularidade que antes não acontecia no Vasco, onde jogou em 2007, e no próprio Fluminense. Parecia que o ano ia ser só dele, mas outro hermano  decidiu entrar no páreo. Depois de aguçar o paladar dos apaixonados por futebol (e azedar o dos flamenguistas) com um golaço contra o rubro-negro carioca nas quartas de final da Libertadores, Montillo desembarcou no Cruzeiro com fome de doce, digo, bola. É o grande responsável pela arrancada do Cruzeiro no returno. Pra completar o trio açucarado, D’Alessandro, decisivo na conquista da Libertadores pelo Internacional, faz grande temporada.

Ganso
Está no cardápio, mas temporariamente indisponível. Ganso seria o nosso camisa 10, em 2010, mas precisou cuidar de seus ingredientes. Numa mistura perfeita entre a receita antiga da vovó e as novidades da cozinha moderno, o jogador do Santos é um brigadeiro refinado e elegante daqueles que só o Brasil sabe produzir. Faltando cinco rodadas para a doceria fechar, resta esperar que a fornada brasileira de 2011 seja melhor. Isso não impede, no entanto, que você aproveite os alfajores argentinos disponíveis na bandeja.

PRETINHO BÁSICO
O Brasil está acostumado a revelar exímios meias armadores. São aqueles jogadores que estão próximos dos atacantes, dão assistências (passes para outro fazer o gol) e até finalizam como os próprios atacantes. Pelé, Zizinho, Ademir da Guia, Sócrates, Rivelino, Zico, Rivaldo e Kaká são alguns famosos exemplos brasileiros.

ESPORTE FINO
Darío Conca é de Buenos Aires, tem 27 anos e está no Flu desde 2008. Em 178 jogos pelo tricolor carioca, fez 33 gols. Montillo tem 26 anos, nasceu em Lanús e chegou ao Cruzeiro em agosto de 2010. Fez 18 jogos e sete gols. D’Alessandro tem 29 anos e estreou no Inter em agosto de 2008. Fez 107 partidas e 19 gols.

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Entrevista com Bolota da Bahia

Redação CORREIO | Clara Albuquerque

Tricolor que navega pela internet e pelo twitter já deve conhecer o Bolota da Bahia. Personagem do blog Bora Bahêa Minha Porra, o gordo mais sexy da Bahia, como se gaba, é sucesso entre os cerca de 65 mil visitantes únicos que passam, por mês, pelo blog baiano. Criado pelos publicitários Fábio Domingues, Zé Ricardo Novoa, Marcos Carneiro e Bruno Cartaxo, o BBMP completou três anos de existência, em outubro, esbanjando bom humor e com a cara do torcedor do Bahia, digo Bahêa. Segundo Fábio, a galera se identifica tanto com a linguagem do espaço que tem até torcedor do Vitória que visita o endereço na rede.

Animado com a atual fase do Bahia e com seu linguajar afiado, já conhecido de quem o acompanha, Bolota deu ao CORREIO uma entrevista divertida onde revela um pouco de quem é e do que pensa sobre o Bahia, o Vitória e o futebol.  Escudos à parte, vale a pena se divertir com essa figura do futebol baiano. Só aqui no blog, võcê confere a entrevista completa e fotos exclusivas.  Vejam a matéria no CORREIO para as outras fotos!

Bolota e Zé curtem um jogo do Bahia na Fonte Nova

Quando e como você nasceu?
Nasci aqui na Bahêa mermo, em Salvador. Minha mãe me pariu no dia 12 de outubro de 1974 na Ladeira do Pepino. Pertinho da Fonte Nova. Quem conhece a Ladeira do Pepino sabe que aquela zorra é empinada pra cacete. Aí quando ela me pariu, desci rolando e quase fui parar no Dique do Tororó. Daí o apelido Bolota.

É verdade que existem quatro criadores por trás de você?
Lá ele. Tem um corno que faz meus desenhos. É o galêgo Fábio Domingues. Mas o cara é ruim como a zorra. Não conseguiu retratar toda a minha sacanofilagem e malemolência. Sou muito melhor ao vivo. Sou o gordo mais sexy da Bahia.

Uma lembrança inesquecível?
Do Bahia são várias. Semi-final de 88, Bahêa x Fluminense. Assisti a zorra pendurado no refletor num cagaço da porra de cair lá de cima. Mas pelo meu Bahêa, vale tudo.

Gol de Raudinei também foi sacanagem (final do campeonato baiano de 1994, quando Raudinei empatou o jogo aos 46 minutos do 2° tempo, dando o título ao bahia). Botei um torcedor do vice pra chorar naquele dia. Pra tudo o que o sacana falava ou me perguntava, eu só respondia: “Raudinei”. Ele perguntava “Bolota, você vai na casa de Lucicleide hoje?” e eu: “Raudinei!”. Fiquei assim o dia todo! Foi massa. O sacana pirou.

Qual sua maior qualidade e qual seu maior defeito?
Maior qualidade é ser tricolor. Outra qualidade é que eu como uma água da porra. Saiu até uma pesquisa que diz que as pessoas inteligentes bebem mais. Ou seja, sou quase um gênio, papá. Bebo feito a desgraça. Pra não dizer que tô falando merda, olha o link da pesquisa aê: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/pessoas-inteligentes-bebem-mais/. Meu maior defeito é falar palavrão pra caralho.

O que mais te faz feliz e o que mais te irrita?
O que mais me faz feliz é o Bahêa brocando. Felicidade da zorra. E se o Vicetória se lasca então… ô mô Deus… diliça, mamãe!!
O que mais me irrita é torcedor do vice tirando onda de porreta. Os caras são uns bufa, nunca ganharam nada que preste e ficam tirando filipeta.

Pra quem você daria uma chuteira de ouro?
Pra torcida tricolor. Esses são craques.

E em quem você daria um carrinho por tras?
Eu não dou carrinho por trás. Eu vou de frente e entro de sola na canela. A la Felipe Mello minha porra. Entro de sola na falta de democracia e transparência do Bahia, no Ruy Accyoli (atual presidente do conselho e ex-diretor de futebol do Bahia) e no corno que inventou a lei de proibir cerveja com álcool nos estádios.

Como você se tornou Bahia?
Eu não me tornei. Eu nasci Bahêa.

Bolota ainda adolescente morrendo de sono após comemorar uma vitória do Bahia

Você é supersticioso? Tem um ritual para os jogos do Bahêa?
Sou um cara muito supersticioso. Meu ritual começa no banheiro. Não sei nem se posso falar isso aqui, pois sei que é um espaço fino, de classe. Mas já que você perguntou, antes de ir prum jogo do Bahêa eu preciso dar uma descarregada na privada. Mandar um fax. Pintar a louça. Escorregar o moreno. Matricular o Robinho na natação. Sacou? Pelo formato do tolete eu já sei se o Bahia ganha ou perde o jogo. Tem gente que lê mão, cartas, borra de café… eu leio o meu tolete. Depois eu boto minha camisa azul da sorte, minha cueca do superman e meu chinelão branco. Pego meu buzu umas 2 horas antes, chegando no estádio tomo 3 latão da skol e um churrasquinho miau. Tô pronto.

Não precisa nem perguntar se você acredita que o Bahia vai subir, né? Mas diz aí, por que você acha que esse ano o Bahia volta pra série A?
Esse ano é nosso. Bahêa volta porque o nosso lugar é lá, neném.

O que você vai fazer quando o Bahia subir?
Vou cumê uma água monstra. Queria dar uns pitoque na Claudia Leitte, também. Mas isso é mais complicado.

E o que você está achando do Vitória este ano?
Tô achando lindo.

O que você acha que vai acontecer com Salvador se o Bahia subir e o Vitória descer?
Eu acho que vai ter muito neguinho morrendo de cirrose. HGE vai ficar lotado. Eu mermo vou me acabar!! meu figo que se prepare. Êêê, água dura!! Mas falando sério, agora… vai ser um carnaval da zorra!! Micareta tricolor em Salvador. Vai rolar o Micaretaço!!

Ser Bahêa é… ser brocador, lascador, mizeravão, botador e acima de tudo, é ser feliz.

Ser Vitória é… ser vice, corno e chupador de uva.

Futebol é… bola na rede, latão na mão e churrasquinho de gato.

Fonte Nova é… saudade.

Por fim, o coração do Bolota tem espaço pra mais alguém ou só pro Bahia?
Tem minha nêga. Que eu não vou dizer o nome dela aqui que eu não sou menino, né mãe?. Torcedor tricolor é lascador mizeravão e eu não vou ficar dando mole pra marmanjo que tá lendo essa bagaça aqui. Só vou dizer que a negona é gostosa pa cacete e que eu sou ligadão naquelas carne. Falando em carne, teve até um textículo que eu fiz contando o dia que eu levei a negona prum jantar romântico no MecDonaldes. Se jogue:
http://www.bbmp.com.br/?p=916

Agora conheça os quatro tricolores que fazem o BBMP

Fábio é um dos tricolores criadores do blog BBMP

Fábio Domingues, 35 anos, é publicitário e se tornou Bahia em 1986, quando voltou ao Brasil após anos morando fora. “Nasci em Salvador, mas com 3 meses fui morar no exterior. Lá fora eu não ouvia falar do Bahia, mas quando cheguei aqui, foi só ir a um jogo do tricolor para me apaixonar”.
Como lembranças inesquecíveis, ele destaca a Copa América de 89, jogada na Fonte Nova, quando a torcida do Bahia se revoltou com Lazaroni por não levar os craques do Bahia campeões brasileiros de 88, para a Seleção Brasileira. “Posso dizer também que eu vi um jogo do Bahia na Libertadores ao vivo e a cores. Bahia x Tachira, também em 89. Foi 4×1 pro tricolor. Tanto na Copa América quanto esse jogo do Bahia na Libertadores eu fui com meu pai. Foram momentos especiais”, conta Fábio, que prefere manter a cautela em relação ao acesso do Bahia à Série A. “Eu não sou o típico torcedor do Bahia otimista. Aliás, na minha vida eu sempre fui um cara meio pé atrás. Prefiro esperar pra depois comemorar. Mas este ano tem tudo pra ser o ano da subida do Bahia. O time está muito unido e a sorte tem andado do nosso lado”. Para ele, ser Bahia é… ser especial.

Zé já era tricolor na barriga da mamãe

Zé Ricardo Novoa, 35 anos, é publicitário e conta que virou Bahia antes de nascer: “Falam que na barriga de minha mãe eu chutava sempre na direção do gol do dique”. Sua lembrança inesquecível também foi antes de vir ao mundo: “Minha mãe tava com cinco meses de gravidez, eu fui comemorar uma brocadinha do Bahia levantando o cordão umbilical para o alto e girando. O cordão embolou no meu pescoço, avisei no ultrassom e não teve jeito: cesariana”.
Segundo Zé, o Bahia sobe “porque parece que esse ano os deuses do futebol resolveram fazer vista grossa e vão ajudar o tricolor mesmo com os Maracajás, Marcelos, Ruys, os conselheiros e todo aquele bando que anda pelas bandas do Fazendão”. Para ele, ser Bahia é… lindo.

Bruno é Bahia, publicitário e escreve no BBMP

Bruno Cartaxo, 33 anos, é publicitário, e se tornou Bahia mesmo com a família de seu pai sendo toda Vitória. Ele afirma, no entanto, que a da mãe é toda Bahia. “Como meu pai sempre quis bem aos filhos, deixou que eu me tornasse tricolor. Meu tio me levava para a Fonte Nova desde pequeno. Virei um tricolor apaixonado. Assim como meu irmão e minha irmã”. 
No título de 88 do Bahia, Bruno assistiu com a família toda na casa de seu avô. “A família inteira  reunida. Um nervosismo só. No final, descemos todos para a rua para a ver a festa, os carros buzinando, aquele carnaval. Aquilo me marcou muito”. Otimista, acha que o Bahia sobe porque a primeira divisão é o lugar dele. “O Bahia é grande demais. E a nação tricolor merece essa alegria”.¨Para ele, ser Bahia é… ter uma paixão imensa dentro do peito. Pertinho daquelas duas estrelas que só o tricolor tem em toda a região da Bahia.

Marcos pula de páraquedas com a camisa do Bahia

Marcos Carneiro é publicitário e “torcedor fanático do melhor time da galáxia há 32 anos”! Ele não se recorda como e quando se tornei Bahia, pois diz que a memória não consegue ir tão longe assim. “Pra falar a verdade, acho que nunca ‘me tornei’ Bahia, pois não lembro não ter sido Bahia em alguma época da minha vida. Sempre foi assim. Sem maiores explicações. Sou Bahia, assim como sou humano. Simplesmente faz parte da minha existência”.
Entre milhares de lembranças, a que veio à cabeça do tricolor foi o inesquecível BaVi de 94. “Estava com o rosto todo pintado, em companhia de meu irmão e meu pai, sem arredar o pé da Fonte, só esperando pra gritar GOL!”. Diz ele que assim como sabia que o Bahia levaria aquele título, também sabe que o tricolor sobe esse ano. “Não tenho uma resposta racional. Futebol não se resume apenas a elenco, organização, salários em dia ou adversários. Acho que o Bahia sobe por estar predestinado a subir. Dentre os clubes com maiores torcidas do mundo, nenhum tem passado por tantos sofrimentos como o nosso. Foram seguidos rebaixamentos, demolição de nossa casa, perda de sete irmãos tricolores, falta de títulos e de vergonha na cara. E uma hora isso acabará, pois não há mal que sempre perdure e, com todas as dificuldades possíveis, a hora é esta”.
Para ele, ser Bahia é… não ser Bahia e, sim, ser Bahêa! É achar que o time com dois jogadores a menos pode virar um jogo em 1 minuto. É rever a final de 88 contra o Inter e suar frio até o juiz “reapitar” o final da partida. É ser o 1º campeão brasileiro, o único bicampeão do Nordeste. É se arrepiar ao ouvir os primeiros acordes do hino mais fantástico que já existiu. É ir pro estádio sem nem saber o adversário. É ostentar duas estrelas no peito como se elas fossem as mais importantes do futebol mundial (e são). É idolatrar o vermelho, o azul e o branco, quando estão juntos, em seu manto. É ainda conseguir rir nas nossas desgraças e chorar nas nossas alegrias. É abraçar um estranho ao seu lado na hora do gol como se fosse seu irmão e gritar junto com ele “Bora Bahêa, minha porra!”. É saber que ninguém nos vence em vibração e torcer eternamente e incondicionalmente pro Esquadrão.

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