Arquivo de fevereiro 2011

Cante comigo:

“Se a canoa não virar,
Olê! Olê! Olá!
Eu chego lá!
Rema, rema, rema, remador;
Quero ver depressa o meu amor.
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar!

Já em clima de Carnaval, Bahia e Vitória voltam a trocar de bloco. Se antes, o Vitória estava dentro da corda dos “tô de bem com a vida”, agora parece ter deixado a canoa virar. Remou, remou e nos últimos três jogos não chegou a lugar algum. Bem diferente da fantástica campanha na Copa do Brasil em 2010 (quando perdeu para ninguém mais que o melhor time do ano, é bom lembrar), chegou depois do sol raiar e viu a bola “botarfogo” em seu lugar. Perdoem a dureza em tempos de malemolência carnavalesca, mas o Vitória foi incompetente. Entrou em campo como time pequeno. Ideia que precisa eliminar de vez de seus desfiles. A obrigação era ganhar, se impor, agredir, atropelar. Cadê a ambição, meus amigos? Assim não tem pentacampeonato baiano certo, sem falar na Série B, onde o Leão tem obrigação de rebolar apenas por um ano.

E se você é rubro-negro trate de colocar uma fantasia de destaque. É normal dar umas topadas enquanto se brinca Carnaval, mas nem por isso é preciso andar olhando sempre pra baixo. Não se conforme com carro de apoio.

Já o Bahia, que começou o Campeonato Baiano com a canoa furada, mesmo tendo retornado pra Série A, volta ao embalo do “Ó abre alas que eu quero passar”. Depois de finalmente encontrar algum ritmo no clássico contra o Vitória (marcou bem e não deixou o Rubro-Negro jogar), sambou em cima do São Domingos pela Copa do Brasil. Sim, foi de goleada, o lateral Marcos finalmente jogou alguma coisa, Ramon trouxe um toque de qualidade que não existia no meio de campo e o Tricolor encontrou o caminho para os gols, mas muita calma nessa hora. O time ainda é inconstante, até meio displicente, eu diria. E não tem quem me faça confiar no zagueiro Titi.  Que a estreia dos colombianos e de Robert ajudem o Bahia a encontrar todos os compassos de sua música.

É, torcedores e foliões, como o fim do ano passado anunciou e, até agora, 2011 confirmou, Bahia e Vitória só devem desfilar em blocos separados. Quando um sobe no trio o outro toma uma queda no meio da pipoca. Se um encontra o ritmo, o outro desafina. Espero que quando os dois se encontrem, finalmente, seja no camarote e não na ressaca.

Cante comigo:
“…Mas este ano está combinado
Nós vamos brincar separados!
Se acaso meu bloco
Encontrar o seu,
Não tem problema,
Ninguém morreu.
São três dias de folia e brincadeira,
Você pra lá e eu pra cá,
Até quarta-feira”

PRETINHO BÁSICO
Vitória e Bahia já entraram em campo 10 vezes em 2011 (oito pelo Campeonato Baiano e duas pela Copa do Brasil). O Vitória venceu quatro, empatou três e perdeu três. Fez 14 gols e levou 10. Já o Tricolor, saiu vitorioso em quatro jogos, empatou dois e perdeu quatro. Em 2011, balançou a rede 18 vezes e levou 14 gols.

ESPORTE FINO
Com a eliminação na Copa do Brasil, o Vitória tem apenas o Campeonato Baiano pela frente, até o inicio do Brasileirão, na série B, em maio. Pela Copa do Brasil, que só acaba em junho, o Bahia enfrenta o vencedor de Penarol-AM e Paysandu, que jogam quarta (dia 2). As datas dessa segunda fase são 16 e 30/3 e 6/4.

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Cinema da vida real

Eu adoro um filme de drama e superação. Daqueles que o protagonista tem dom ou talento especial, mas precisa passar pelas dores e provações do mundo real. No caminho para conseguir ser o que merece, chega ao pico da montanha e ao fundo do penhasco – às vezes mais de uma vez. Histórias que nos acostumamos a ver no cinema, mas que, na maioria das vezes, em escala menor, acontecem ao lado. Nós que não temos tempo para perceber.

Um cara, de carne e osso, em especial, no entanto, fez questão de nos mostrar que a vida real tem, sim, trajetória de cinema (numa escala gigantesca). Como se já não bastassem todas as emoções, seja drama, comédia, terror, alegria, suspense, proporcionadas naturalmente pelo futebol, ele decidiu que se tornaria o protagonista de uma incrível e fantástica saga, com direito a todas reviravoltas de uma grande produção: protagonista de uma geração.

Já no trailer, seria difícil escolher aquele clássico momento que mostra o ator principal no fundo do poço. No filme, duas cenas duelariam pelo posto. Primeiro, a fotografia escura e embaçada do longa-metragem mostraria o então melhor jogador do mundo no quarto de hotel nos arredores de Paris. Apagado, em silêncio, após a convulsão. No corredor, o grito solitário de seu companheiro de acomodação seria ouvido. Corta.

Na outra opção, seria o clarão das luzes dos refletores do Estádio Olímpico de Roma e dos flashes das máquinas fotográficas nos guiariam em um dia de festa e futebol na Itália. Mas, no retorno aos gramados de um dos maiores jogadores do mundo, depois de uma lesão, assistiríamos o craque desabar. Acordado, em agonia, após imagem chocante do tendão patelar do joelho direito se rompendo completamente. Nas arquibancadas, o silêncio profundo de uma multidão seria palpável. Corta.

Eu tinha 16 anos quando essa segunda cena desse filme real estava em cartaz. Nem imaginava trabalhar com futebol ainda, mas, se já estivesse envolvida com o mundo da bola, talvez me juntasse ao grupo (grande) dos que declararam o fim de um grande jogador. Ele jamais seria o mesmo ou conseguiria chegar ao topo novamente, disseram. Foi mais.

Depois de tudo, protagonizou a maior volta por cima da história do esporte, bem diante dos nossos olhos e conquistou o mundo novamente. E de novo e mais uma vez. Apagou a frustração que começou naquele quarto em Paris na Copa de 1998 com o título mundial em 2002. E quando todo mundo achava que os créditos já subiriam na telona, mais drama, mais dor, mais vontade, mais volta por cima.

Chegou a hora de nos dar o gran finale de uma história real que acreditamos apenas existir em filmes. Daqueles que a gente sai da sala dizendo “só no cinema mesmo pra ser assim”. O nome desse filme não poderia ser outro, realmente, que não “Fenômeno”. Obrigada Ronaldo.
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PRETINHO BÁSICO
Ronaldo Luiz Nazário de Lima nasceu no dia 22 de setembro de 1976, no Rio. Começou a carreira no Cruzeiro (1993-1994), passou pelo PSV-HOL (1994-1996), Barcelona-ESP (1996-1997), Internazionale-ITA (1997-2002), Real Madrid-ESP (2002-2007), Milan-ITA (2007-2008) e, por fim, Corinthians (2009-2011).

ESPORTE FINO
Ronaldo foi eleito melhor jogador do mundo pela FIFA em 96, 97 e 2002 e se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo (15 gols). Ganhou diversos títulos pelos clubes por onde passou e pela Seleção conquistou duas Copas (94 e 2002), duas Copas América (97 e 99) e uma Copa das Confederações (97).

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Se todos fossem no mundo iguais a você

Eu raramente coloco alguém tão num pedestal como esse cara. Não lembro de um outro alguém que mereça ter as palavras gênio, craque e homem escritas ao lado de seu nome numa frase. E quando eu penso que não tem mais degrau pra ele subir, ele sobe.

Não sou corintiana, mas o Sócrates é. É Corintiano e muito mais. Ai (suspiro) se todos os jogadores fossem um pouquinho mais iguais a você.

Abaixo, texto dele publicado na Carta Capital (tá aqui o link, pra quem não conhece vale a pena ler as outras colunas também).

O peso da camisa do Corinthians
* Socrates

Jogar no Corinthians é diferente. Não é como uma paixão adolescente descartável, tampouco uma daquelas certezas que possuíamos naquela época. É amor inconteste, é a alma gêmea com a qual sonhamos desde que a testosterona toma conta do nosso ser. Jogar no Corinthians é respeitar uma cultura, um povo, uma nação. É ter em conta que em cada segundo de nossas vidas é para servir a uma causa e não para dela usufruir. Jogar no Corinthians é como ser convocado para a guerra irracional e jamais duvidar que ela é a mais importante de todas as que existiram. É ser sempre chamado a pensar como Marx, lutar como Napoleão, rezar como o dalai-lama, doar a vida a uma causa como Mandela e chorar como criança.

Chorar de puros sentimentos, daqueles que arrepiam ao simples tocar da pele. Chorar de raiva inexplicável, quando sabemos que somos mais fracos e impotentes. Jogar no Corinthians é ser como todos os que nos assistem, é sentir a dor lancinante de estar longe dos que amamos, é ter certeza que ali, em campo, representamos muitos que lutam cada segundo para sobreviver no mais inóspito mundo, onde são a todo o momento agredidos, massacrados e cuspidos.
Jogar no Corinthians é ter coragem de enfrentar a massa, de colocar a cara para debater, discutir e explicar. Para jogar no Corinthians, não há espaço para passeios nem relax, o amor ao clube não deixa dormir. É uma honra infinita e, como tal, exige respostas, exclama respeito e compromisso. Jogar no Corinthians é saber o que é ser brasileiro, é alimentar uma família e a si mesmo com um mísero tostão, é andar horas, séculos, milênios em vagões imundos e porcos, sem que uma única voz se levante para nos proteger ou ao menos nos defender. Jogar no Corinthians é ir ao banheiro mais sujo do mundo por amor a uma bandeira.

Essa paixão não permite fugas, esconderijos, falsidades. É necessário ter coragem de representar o que de mais rico nós temos e de apresentar mais que atestado de bons antecedentes. Jogar no Corinthians é possuir uma declaração de honraria, ainda que seja válida por poucas semanas. Não é só suar a camisa, é sangrar até a morte. É parar de respirar quando uma derrota nos derruba sem direito a desfibrilador algum. É nunca rir da desgraça que provocamos (até porque jamais saberemos o tamanho dela).

Jogar no Corinthians é colocar alma e coração antes do bolso ou do futuro, e colar o supercílio com uma cola qualquer quando ele se mete a chorar de dor vermelha. Jogar no Corinthians é adormecer com o filho querido, é sentir o pulsar de seu pequeno coração, é abreviar a dor quando ela se estabelece. É saber o que é a sociedade no pleno sentido da palavra.

Espera-se de quem joga  no Corinthians uma postura altaneira e respeitosa, uma correção de conduta em relação aos anseios do povo que lá os coloca, endeusa, acaricia. Uma nação que tudo oferece aos jogadores que possam retribuir a confiança. Jogar no Corinthians exige um sentimento de brasilidade, de reconhecimento da extrema miscigenação existente nas arquibancadas, em cada mesa de bar, nos ônibus lotados de suor e sofrimento, para que se consiga responder às questões básicas colocadas na camisa alvinegra. Ser corintiano é, como disse o extraordinário Toquinho, “ser um pouco mais brasileiro”. Eu, por outro lado, digo: negros e brancos construindo uma nação.
Nada se compara ao Corinthians nesta terra chamada Brasil. Aqui, japoneses, árabes, mongóis, siberianos, italianos, bolivianos – além dos nordestinos – e até os originários de estados rivais se irmanam, dão-se as mãos, sofrem em comunhão. Gritam em êxtase a cada vitória por menos importante que seja, como se cada vizinho fosse mais que irmão, pai, mãe. Ou, quem sabe, ele seja realmente um representante de suas famílias distantes ou ausentes, inventando uma nova e substituta, formando uma gigantesca rede de genomas humanos com o mesmo DNA. Muitos não entendem a reação da torcida, mas é a que conhece.

Antigamente, se jogavam ovos e tomates nas péssimas apresentações artísticas. Hoje, jogam-se pedras, não nos artistas, e sim na falta de verdade na relação existente. E na instituição protegida pela armadura de um ou mais veículos e da guarda policial.

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Culpa das férias
*por Eduardo Rocha

Por do sol na capital das Alagoas e eu, leigo nos assuntos da bola local, recebo os últimos raios direto no rosto. Tão óbvio! O lugar onde se amontoava a maior torcida do CRB só poderia ser o pior do estádio Rei Pelé. Por que torcedor do Galo sofre! E sofro eu, junto, pagando por não estudar as armadilhas do Alagoano 2011. Os maruins atacam mais e melhor do que qualquer jogador do Clube de Regatas Brasil, do 1 ao 11, quando o radinho de um senhor de idade, impassível diante da notícia, detona: “o time da casa, há seis jogos sem vencer no estadual…”.

Lembrei do papo com o taxista:


– Pra onde?
“É ali pro Rei Pelé”.
– Vai espiar o jogo do Murici?
“Não, parceiro, é jogo do CRB”.
– Pois… é o Murici que vai jogar…

Mas a prosa desviou o rumo… A comitiva de um velório, carro funerário com caixão em cima, passa em frente ao estádio, em meio à torcida, uns 20 minutos antes do jogo.  

Lá dentro, bola rolando, chapéu, óculos, calça de linho e camisa de botão, o velhinho simpático continuava imóvel, olhar vidrado no campo. Do outro lado, a Galo Chopp distribuía narizes de palhaço nas arquibancadas sem uma geladinha no estádio  inteiro pra refrescar o juízo. Aí, até o xingamento parece diferente.

– Ô, filho da peste, vai lavar roupa!
– Diacho! Caneleiro do cabrunco!

Entre um maruim e outro, um tal Gustavo carregava o Murici ao ataque. E a essa altura, minha irmã, pobre coitada, já barganhava uma upgrade:

– Bora trocar de lugar no segundo tempo. A gente torce pra esse tal de Murici.

“Pô, Ana! Paguei dez conto na camisa do CRB. É um time tradicional aqui de Maceió…”

Ao contrário daqui, onde os ambulantes foram expulsos, lá eles circulam tranquilos dentro do estádio, vendendo camisa, pipoca, garrafinha (uma espécie de geladinho numa garrafa de plástico)… Ainda tem cachorro quente, pastel, churrasquinho e tudo mais.

Puro saudosismo… do churrasquinho e do passado em que o CRB mandava em Alagoas. O lance agora é com o interior: Asa, Coruripe, Murici, Santa Rita. O CRB só vive na minha saudade e na memória daquele senhor alinhado, de outro tempo, anestesiado com o gol de Elys. Dele, não se ouve um único lamento. Uma ilha de silêncio em meio a uns 400 alvirrubros alvoroçados, quase o público total do jogo.

Sentado, radinho de pilha no colo, vê o Murici atacando de CRB. A expressão é a mesma, como se a arquibancada do Rei Pelé o transportasse para um lugar seguro, onde é impossível ver o Galo perder. Só acorda do transe quando Franco castiga o CRB outra vez. Ainda assim, é como se acordasse de um sonho persistente. Ajeita o chapéu, dá outra espiada no campo e sai pelas arquibancadas em romaria com outros tantos alvirrubros bem antes dos 90.

Antes da saída, mensagem dos amigos no celular:

– Em Camaçari, Camaçari 3×2 Bahia.

A bola das minhas férias não é tão diferente da do dia a dia, afinal. 

*Eduardo Rocha é editor de esportes do Correio* e, mesmo de férias, resolveu colaborar para o blog! Obrigada, Rocha! : )) Bom descanso do futebol (ou não)!

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Um dia para se irritar

Quem me conhece sabe que eu faço de tudo para não me irritar com o que há de errado no futebol. Na verdade, em relação a praticamente tudo na vida, assumo a postura de que me aborrecer por algo que não posso mudar é, no mínimo, perda de tempo. Além de solicitar uma boa quantidade de nossas energias, vamos combinar… (amigos torcedores do rival do meu time, por exemplo, já desistiram de me pirraçar).

Não é à toa que é difícil achar um texto meu indignado ou revoltado com alguma situação. Algumas coisas, no entanto, merecem a nossa atenção, até porque muitas delas poderiam ser diferentes e eu tirei o dia para me irritar. Então lá vai: respira fundo que vai começar…

Eu me irrito quando vejo arquibancadas vazias. Pagar R$ 50 para assistir Bahia e Feirense, me desculpem, é dose. Imagine o cara que prometeu, em 2011, levar a Pituaçu a nova namorada que adora futebol, mas nunca foi num estádio? É justo esse torcedor tão bem intencionado pagar R$ 100?

Tudo bem que a diretoria tricolor queira incentivar o programa de fidelização de ingressos (e faz muito bem em criá-lo), mas é preciso pensar também em quem não pode aderir, mas é tão Bahêa quanto o torcedor que já garantiu lugar em cada um dos jogos. Até porque existe um abismo gigantesco entre assistir uma partida entre Bahia x Santos, pelo Brasileirão na Série A, e acompanhar Bahia e Camaçari.

Sejamos realistas: os estaduais precisam se reinventar e, dentro desse pacote, deveriam servir para criar uma identificação entre o time da nova temporada e a torcida. Pra isso, os estádios deveriam estar cheios de tricolores que querem conhecer os novos jogadores, incentivar e se apaixonar pelas novas jogadas. Todo mundo ganha. Me irrito com quem não percebe isso.

Arbitragem
Taí um assuntinho que tira muita gente do sério. Eu, normalmente, sou mais tranquila (tá, eu também xingo o juiz), mas não sou de pegar pesado. Uma faltinha ali, outro lateral acolá, a gente deixa passar, afinal, errar humano, mas, quando os erros são decisivos no resultado da partida, o buraco no gramado é mais embaixo.

Outra coisa irritante é violência. Não basta todos os problemas que já existem, ainda temos que aturar torcedor que acha que essa é a resposta para qualquer que seja sua reivindicação? Cadê o bom humor, o bom-senso, a festa (ou a hora de apenas ficar quieto)? Como disse de forma brilhante o colega jornalista Marcelo Sant’Ana, na coluna de quinta-feira, SOS Torcedor, “A arquibancada perdeu a capacidade de rir de si mesma”. Uma pena. Tanta coisa pra gente se irritar de verdade (sem violência, por favor), tantos assuntos que merecem ser discutidos e cobrados e o cara vai se enervar justo na hora que deveria estar relaxando e curtindo sua paixão? É demais pra minha cabeça. Agora, chega de irritação que hoje é dia de futebol.

PRETINHO BÁSICO
Com o fim dos jogos de ida da primeira fase do Campeonato Baiano (24 jogos), a média do público nos estádio é de 1.913 pessoas. Para se ter uma ideia, esse mesmo número sobe para 8.456 na mesma competição em Pernambuco, que está na 9ª rodada. Em São Paulo, a média é de 4.581 e, no Rio de Janeiro, 4.379.

ESPORTE FINO 
Para refletir: ingressos da estreia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo custaram entre R$ 20 e R$ 40 (inteira) e, pelo site do Barcelona, você assiste o melhor time do mundo pagando 42 euros (cerca de R$ 94) pelo Espanhol. Em Pernambuco, entradas para o clássico Sport e Náutico custam entre R$ 30 e R$ 60 (não sócios).

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Ter ou não ter lógica, eis a questão

Pela lógica, até o início do Campeonato Baiano, o Bahia chegaria melhor para o primeiro Ba-Vi do ano. Com a tão comemorada volta para a Série A, diversas contratações, ótimo clima nos treinamentos e até torcida ganhando prêmio, o tricolor tinha tudo para iniciar o ano com o pé direito. Os treinos no Fazendão mal haviam começado e o técnico novo já parecia ter achado um certo esquema ou base para o grupo.

Por essa mesma lógica, o Vitória deveria começar o ano desmotivado e por baixo. Com a queda para a Série B (e o aperto no orçamento), o Leão tinha feito poucas contratações, a torcida se irritava com as alfinetadas de seu arquirrival e o rubro-negro tinha tudo para fazer o primeiro Ba-Vi do ano acuado e cheio de desvantagens. Sem reforços, o técnico Antonio Lopes testava, testava e não achava um time ideal para disputar o Baianão.

Mas o campeonato começou e a lógica, como já era lógico, deixou o gramado, sendo substituída pelas surpresas do imponderável. Alguém aí tinha colocado no futuro do Bahia uma briga entre seu principal atacante e um gerente de futebol? E alguém imaginaria que o terceiro colocado da Série B em 2010 não conseguiria vencer o Serrano, o Ipitanga e o Fluminense de Feira? E o Vitória? Parecia estar numa verdadeira maré de azar com direito a completa indefinição do time e falta de peças, mas, sem muito alarde, está em primeiro lugar do Grupo 2 e vai entrar em campo, hoje, pela quinta rodada do Baianão, melhor resolvido que o Bahia.

Diante disso tudo, é irresistível não dizer que futebol não tem lógica, correto? Torcedores, comentaristas e entendidos do mundo da bola adoram a afirmação. Mas aí lembro do saudoso jornalista e escritor carioca Sérgio Porto, mais conhecido pelo seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, dizendo que “quem diz que futebol não tem lógica, não entende de futebol ou não sabe o que é lógica”.

Para tudo! Como assim? Pois é, se a lógica é um conceito definido como a forma que “deveríamos” pensar para não errar, usando a razão diante dos fatos e percepções (ou alguma coisa nessa linha), seria lógico dizer, então, que o Bahia leva esse jogo, já que o tricolor não perde do Vitória no Barradão há cinco anos? Ou o lógico seria dizer que o Vitória quebra o tabu, já que é o primeiro do seu grupo (e o Bahia quinto no seu) e faz campanha melhor até agora?

Correndo o risco de Stanislaw puxar meu pé, eu acredito que ele quis dizer é que o futebol não só tem lógica, como tem várias lógicas. O conjunto dessas várias lógicas (isso está até parecendo aula de matemática), e o confronto delas é que faz o futebol ser o que é. Absolutamente apaixonante e logicamente surpreendente.

PRETINHO BÁSICO
Nos últimos cinco anos, o Vitória não consegue vencer o Bahia em casa. A última vez que o torcedor do Leão pôde comemorar um triunfo no Barradão foi em 22 de janeiro de 2006, um 2×1, com gols de Leandro Domingues e Márcio Carioca. De lá pra cá, são seis triunfos do Bahia e três empates.

ESPORTE FINO
Sergio Porto foi um jornalista, escritor, compositor e radialista carioca que nasceu em janeiro de 1923 e morreu em 1968. Sob o pseudônimo de StanislawPonte Preta, ficou famoso por suas crônicas satíricas e críticas, principalmente com a publicação Festival de Besteira que Assola o País – Febeapá, lançado em 1964.

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Comentadinhas da semana

O futebol baiano não teve uma estréia badalada como o Rio de Janeiro com o primeiro jogo Ronaldinho Gaucho nem teve golaço de outro craque também estreando nova camisa, como teve o Campeonato Paulista, mas a semana também foi movimentada por aqui.

*Bahia
Jael e Bahia assinaram os papeis do divórcio. A emoção tricolor gritava “fica”, mas a razão selou o acordo final. O coração partido tricolor, tão carente de ídolos no presente, perde um jogador que tocava na alma e não só na bola, mas não havia outro caminho. O Bahia tomou a decisão que precisava para não degringolar toda uma gestão… O que não significa que seja fácil.

O que acontece com o Bahia? Tá na moda não definir o jogo na hora que tem a chance pra depois entregar a vitória de bandeja é?

Boquita foi o termômetro do último jogo do Bahia (Bahia 1×2 Flu de Feira). Enquanto o meia estava bem, o time funcionou. Quando Boquita deixou o gramado (substituído por Zezinho), o time saiu de campo junto.

O Bahia tem grande carência na lateral-direita desde o ano passado (com exceção de Jancarlos que parecia ser solução, mas se machucou) e precisou integrar o ótimo Madson, destaque na Copinha, à equipe, mas é preciso tratar com muuuuuuuuuuuito cuidado com esse jogador (e agora também com o atacante Rafael). Os dois têm potencial, mas jogadores de 18 anos que arrebentam quando sobem para a equipe profissional são exceção.

*Vitória


Minha gente, cadê a criatividade desse elenco?

O meia Elton, improvisado na lateral esquerda, estava de alguma forma resolvendo o problema no meio de campo, suprindo a falta de criatividade no setor com jogadas e cruzamentos pela esquerda. Com sua saída, o Vitória ficou sem uma saída para chegar ao ataque.

Gostei da contratação de Geovanni. O meia tem talento, mas é preciso ver qual é a sua real situação. Geovanni tem tido temporadas irregulares em times de pouquíssima expressão. Muita calma na hora de depositar todo peso e esperança da camisa 10 num jogador que não fazia exatamente essa função nos clubes por onde passou.

Ba-Vi não tem favorito.

Ah! Domingo comento Camaçari x Atlético, às 16h, na Tv Bahia, com flashes lá do Ba-Vi no Barradão.

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