Arquivo de abril 2011

Dia do Goleiro – o especial

Quando o atacante fura e perde aquela bola importantíssima, quando o contra-ataque adversário é fulminante, quando o meio de campo não marca, quando os laterias dão espaço, quando o zagueiro falha, ele é a última esperança. Aquele ser que pode salvar o título tão desejado. Ou entregá-lo.

O goleiro é um elemento especial dentro de campo. Enquanto todo mundo quer ver gol, ele tá ali pra acabar com a alegria, o objetivo e o fundamento do futebol Estranho, né?

Mas, enquanto muitos dizem que o goleiro tem uma profissão ingrata, eu vou defender de uma forma bem mulherzinha e divertida! Pessoas, o goleiro é o único que pode usar uma roupa diferente! Veja bem, já é tão difícil se destacar em campo nesse mundo cruel e hostil chamado futebol e você ainda tem que ficar vestido detalhadamente igual a outros nove sujeitos?

Brincadeiras a parte, já que hoje é o Dia do Goleiro, vamos relembrar alguns dos maiores “exemplares da espécie” no futebol brasileiro? Aproveitando que no dia 23 de abril foi o Dia do Livro e eu não postei nada por aqui, vou usar um trechinho de “Os 11 maiores Goleiros do Futebol Brasileiro”, escrito pelo jornalista Luís Augusto Símon, da Editora Contexto.

Barbosa, goleiro da Copa de 50
“Saiu do Ypiranga, conquistou o Vasco, o Rio, todo o Brasil, e pagou até a morte por sofrer o gol que impediu o primeiro título mundial da seleção pentacampeã.”

Gilmar, goleiro campeão do mundo em 1958 e 1962
“Alto e elegante, transformou-se em ídolo de muitas torcidas, após ser campeão mundial com a Seleção Brasileira. Antes disso, porém, precisou superar a rejeição do Santos e a suspeita nunca comprovada de haver aceitado um suborno.”

Leão, goleiro campeão do mundo em 1970
“Com muito trabalho e pouca conversa, nunca deu chance aos concorrentes, impressionou Cruyff, jogou quatro Copas do Mundo e diz que poderiam ter sido cinco”.

Taffarel, goleiro campeão do mundo em 1994
“Jogou em grandes clubes no Brasil e na Europa. Mas foram suas atenções na Seleção que o tornaram mundialmente conhecido”.

Rogério Ceni, goleiro com o maior número de gols marcados na história do futebol
“Obsessivo, dedicado e talentoso. Além de defender sua meta, faz muitos gols e já atingiu o status de mito na história do São Paulo.”

Dida, goleiro da Copa de 2006 (*tinha trocado as bolas do ano, como os leitores João Matos, Lucas e Daniel Sampaio me alertaram. peço desculpas pelo erro e obrigada pela correção! : ))
“Deixou o interior da Bahia para conquistar o planeta, brilhando nos títulos mundiais do Corinthians (Fifa) e do Milan, alem de jogar três Copas pela Seleção Brasileira.”

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Dupla personalidade

Torcedor tem mania de achar que o mundo está contra o escudo na camisa dele.
A tabela não favoreceu propositalmente, o juiz, claro, torce para o time adversário, o narrador grita gol mais fraco quando é a favor do seu artilheiro, o comentarista é pé frio, o repórter é parcial, o editor do jornal tem como missão de vida acabar com o sono dele e por aí vai.

Em dia de Ba-Vi, então, a coisa fica feia. Os torcedores do Bahia não querem ler sobre a boa fase do Vitória e os rubro-negros não querem saber se o Tricolor tem condições de vencer o Leão. Na verdade, muitos acham até absurdo falar do rival por aqui. Na brincadeira e com respeito, a birra faz parte da irracionalidade do futebol. É por isso que, pensando em você, torcedor, nos jogos da semifinal do Baiano, a coluna terá dupla personalidade. Abaixo, já que o Bahia é o mandante (domingo que vem a coisa será invertida, obviamente), texto especial para quem veste azul, vermelho e branco. Quem estiver de vermelho e preto, pode pular as próximas linhas e ir direto para o Negô, Negô.

Bahêa, minha vida
Esse é “o” jogo. Superação. Muita coisa tem que mudar, o elenco precisa de reforços urgentes para a Série A, já sabemos disso. Mas, com certeza ninguém esqueceu, o jogo de hoje é contra um time de Série B. Essa balela de melhor campanha não vai fazer diferença alguma quando entrarmos em campo.

O paredão Omar, apesar de ter tido algumas falhas recentemente, vai fechar o gol. É verdade, Marcos não vai muito bem, mas Ávine está de volta pra compensar. Mesmo fora de ritmo (quem liga para os 63 dias fora dos gramados?), tem qualidade para mudar o jogo. Com Souza ganhando ritmo (bem ou mal é o artilheiro do time ao lado de Rafael), quem sabe aquela jogadinha certeira Ávine–Jael não ganha um novo protagonista? Não precisa nem falar que Titi e Thiego vão tirar tudo e que, no meio de campo, o grito da Torcida de Ouro vai segurar a marcação e ajudar na criação. Esse Ba-Vi é nosso, Esquadrão!

Negô, Negô
É sério que esse time que não ganha um Campeonato Baiano há nove anos (ou qualquer outra coisa desde 2002) acha que vai conseguir passar pelo Leão? Não interessa se estão dizendo que somos favoritos. Os números apenas provam nossa superioridade (em todo o campeonato, enquanto o Bahia tem 30 pontos, temos 42; já vencemos 13 vezes, eles apenas 9; se formos falar nas derrotas… Só humilhação. Perdemos apenas duas vezes e eles, seis), mas vamos mostrar futebol mesmo é dentro de campo.

Em fase espetacular, Nikão, o melhor jogador do Baianão, vai soltar o pé esquerdo pra cima de Omar. Quantos gols o ataque deles tem mesmo? Pois o nosso trio ofensivo marcou 22 dos 37 gols e nos ajuda a ter o melhor ataque da competição. É muita eficiência pra cima de um time que até agora não mostrou nada. Esse pentacampeonato é nosso!

Pretinho Básico
Para os tricolores: o Bahia é superior ao Vitória em números de títulos baianos. Temos 43 contra 26 do Leão. O complexo de inferioridade deles se justifica. Pra piorar, eles têm 24 vice-campeonatos (nós temos 19). Nacionalmente, a coisa é ainda melhor: temos dois campeonatos brasileiros (59 e 88) e eles… nada!

Esporte Fino
Para os Rubro-Negros: nos últimos dez anos, levantamos a taça oito vezes. Temos menos títulos, mas o presente é nosso! O Bahia é um time do passado. Nos últimos 20 anos, foram campeões apenas cinco vezes enquanto triunfamos 13 vezes. Nos últimos quatro anos, eles foram nossos vices. Em 2011, nem isso serão!

ERRATA: Imperdoável: na coluna impressa, o número de títulos do Leão saiu errado. São 26 títulos baianos e não 23.

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Bem-aventurados os que não escalam

Eu sempre fui do tipo (raríssimo, por sinal) de torcedora que não tende a colocar a culpa no técnico em muitas situações. Minha energia futebolística e opinativa é geralmente direcionada aos jogadores. São eles que vestem a mesma camisa que eu, que colocam o pé na bola (ou não), que acertam um belíssimo chutaço no ângulo, que desarmam aquele contra-ataque mortal, que defendem uma taça em cima da linha. Concordo com o treinador argentino Carlos Bianchi quando ele disse, ao conquistar seu quarto título na Libertadores, que “são os jogadores que entram em campo e ganham os campeonatos”.

Claro, não precisa ir ao extremo de que “os técnicos nunca erram, os fatos é que desandam”, como já disse os escritor Ruy Carlos Ostermann. Não é que os treinadores sejam apenas um enfeite, mas eu sempre pensei neles como uma soma e não como complemento. Sabe aquela “teoria de relacionamentos” que diz que o ideal é que a pessoa já seja completa e o parceiro adcione alguma coisa (e não que o outro te complete)? Pois bem, é mais ou menos por aí. Talvez seja reflexo daquela história de que, na Copa de 70, não era Zagallo quem escalava o time. Enfim.


Voltando pra terra, o fato é que, quando paramos pra pensar que quem está com a bola não é Pelé, Garrincha e cia (nem perto disso), o cara que está à beira do campo se esgoelando faz diferença, sim. Que o diga a torcida do Bahia.
Apesar da campanha não ter sido um desastre, foram oito vitórias, três empates e apenas duas derrotas, Benazzi foi do tipo técnico-enfeite na hora de transformar onze jogadores numa unidade.

Em pouco mais de 50 dias, não conseguiu criar um padrão de jogo e um esquema para o time. Enquanto o juiz não dá o apito inicial e os jogadores estão todos paradinhos e arrumadinhos é fácil dizer que o Bahia joga num 4-4-2, com três volantes. O difícil é conseguir transpor esse sonho para uma realidade de 90 minutos de correria. Como diria o técnico Gentil Cardoso (a coluna hoje está numa onda teórico-filosófica, por que será?), “é obrigação do treinador enxergar o que se passa na alma do jogador. Ele tem que ser guia e fazedor de milagres. Mestre e curandeiro. Dar vista aos cegos e muleta aos aleijados”. Principalmente, eu completaria, quando se tem nas mãos um elenco limitado.

Que René Simões (ou a torcida) não espere que Camacho, por exemplo, seja um jogador brilhante. Mas ele pode render muito bem sendo taticamente disciplinado num time bem esquematizado. Está aí o papel do treinador, teoricamente falando. Na prática, difícil, meus amigos, difícil.

Como já diria Carlos Drummond de Andrade (prometo que é a última citação), “Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio”.

PRETINHO BÁSICO
O técnico do Brasil até as vesperas da Copa de 70 era João Saldanha. Após uma briga com a CBF (o regime militar também estava no meio), ele foi substituído por Zagallo. Fala-se muito que quem mandava e escalava a Seleção durante a Copa, não era Zagalo e sim alguns jogadores, entre eles, Gerson e Carlos Alberto Torres.
ESPORTE FINO
Hoje aposentado, Carlos Bianchi foi campeão da Libertadores três vezes pelo Boca Juniors (2000, 2001 e 2003) e uma com o Vélez Sarsfield (1994). O brasileiro Gentil Cardoso treinou diversos clubes, como Botafogo, Vasco e Flamengo, entre as décadas de 40 e 60 e ficou conhecido pelas suas frases de efeito.

*Peço desculpas pelo título errado na versão da coluna impressa no jornal de hoje. : (

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Coisa de doido

Com apenas 7 minutos do 1º tempo, o atual técnico do Bahia tira Dodô do jogo. Não, ele não se machucou num lance infeliz logo no início da partida. Mais 15 minutos de jogo, Benazzi chega à conclusão de que Boquita (ou Marcos ou Titi ou Camacho) não é um jogador para o Bahia e ali, no gramado mesmo, ordena que a diretoria dispense o jogador do clube. Antes mesmo do fim da primeira etapa, Benazzi já fez as três alterações e já mandou embora (não só do estádio, mas do clube) cinco jogadores do elenco.

No intervalo, faz um escarcéu tão grande que o arbitro estava roubando para o outro time que acaba expulso da partida. Do vestiário, ouve pelo rádio que a FBF percebeu que todos os árbitros que apitam o campeonato são ruins, na verdade, péssimos e resolve acabar a partida antes mesmo dos jogadores voltarem a campo.

Enquanto isso, pelo Vitória, Antonio Lopes entra em campo com dez jogadores, revoltado com o fato de não ter lateral-esquerdo que mereça vestir a camisa. Apesar da classificação, irrita-se com a furada do atacante e resolve tirá-lo do jogo. O reserva, sem ritmo, acaba deixando o Vitória, na prática, com nove jogadores para a partida.

Loucura? Pois basta sentar nas arquibancadas de qualquer estádio do Brasil que você vai ouvir torcedores pedindo absurdos do tipo. E é pra ser assim mesmo. Quem veste a camisa de um time para sentir, e não para jogar, é pura emoção, reação e irracionalidade. Se uma voz, do fundo do subconsciente do sujeito, mandar ele enterrar um sapo no gramado ou deixar o time dele sem goleiro, ele coloca aquilo pra fora. Estádios são verdadeiros parques de diversão para as idéias mais mirabolantes (e cruéis), futebolisticamente pensando, e não há nada que diga que é proibido passear nesse carrossel de absurdos.

Mas, que isso fique para o escudo no peito de quem não escala e administra ou tem um apito na mão. Claro, tudo pode melhorar (e até tem a obrigação): escalação, esquema tático, arbitragem, administração. Mas, reações irracionais e radicais são coisas de torcedor. Nesse sentido, quem deve gritar (e até se divertir com isso) é você. Ba-Vi Se nas arquibancadas técnico-torcedor é tudo igual, a coisa não poderia estar mais diferente para a dupla

Ba-Vi
Enquanto Antonio Lopes encontrou um padrão de jogo, tem um elenco praticamente definido, o time do Bahia, no sentido de um conjunto, segue sendo uma interrogação. Se Lopes, mesmo sem dar show e tendo caído para a Série B em 2010 tem estabilidade para trabalhar, Benazzi comanda os treinos com uma buzina no seu ouvido dizendo que o Bahia deve iniciar o Campeonato Brasileiro com seu quarto técnico na temporada. Ninguém tem dúvidas, mesmo o torcedor que pensa nos absurdos aí de cima, que as duas realidades se refletem dentro das quatro linhas, não é? Pois é.

PRETINHO BÁSICO
Vagner Benazzi é o terceiro treinador do Tricolor em 2011, já que Rogério Lourenço e Chiquinho de Assis não conseguiram se manter no cargo. Benazzi estreou no triunfo por 2×0 contra o Vitória, no dia 19 de fevereiro, no estádio de Pituaçu, e tem no currículo 12 jogos: 8 vitórias, 3 empates e 1 derrota pelo Bahia.

ESPORTE FINO
Antonio Lopes chegou ao Vitória em outubro do ano passado e dirigiu o Leão nas dez últimas rodadas do Brasileirão, mas não conseguiu evitar a queda para Série B. Em 2010, foram dois triunfos, três derrotas e cinco empates sob seu comando. Em 2011, o técnico tinha 12 triunfos, 3 empates e 3 derrotas até ontem.

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Os craques que não vimos jogar

Essa semana uma revista me procurou para participar de uma eleição dos melhores jogadores da história do futebol brasileiro. Na posição que fazia parte da eleição, eu poderia escolher três jogadores, excluindo Pelé (que obviamente não participa de nenhuma dessas pesquisas).

Meu primeiro pensamento fez uma viagem no tempo e coloquei na ponta da caneta três craques do passado. Já tava visualizando em preto e branco quando parei pra pensar: como é que vou escolher três craques que eu não acompanhei? Um trio que eu não vi jogar nem durante um campeonatozinho inteiro sequer?

Futebol é uma onda. Idolatramos craques da nossa imaginação. Minha geração não viu Pelé, Garrincha, Rivellino, Nilton Santos, Falcão, Puskas, Franz Beckenbauer, Cruyff, Platini (e a lista continua…), mas eles seguem nas listas de melhores do mundo de praticamente todo apaixonado por futebol com menos de 30 ou não.

Lembro que logo que comecei a me interessar de verdade por futebol (e não apenas torcer pelo time e acompanhar os principais campeonatos), tive uma crise de personalidade futebolística porque nunca tinha assistido 90 minutos de uma partida de Pelé ou Garrincha. Foi durante uma clássica discussão sobre os dois jogadores:

-Pelé foi mais completo, verdadeiro jogador atleta!
-Mas Garrincha era de outro planeta! Entortava a gente só de olhar!
-E até parece que Pelé não encantava também!


Blá, blá, blá sem parar e eu muda. Como é que comenta só pelos melhores momentos? Só pelo drible, pelo banho de cuia, pelo golaço de youtube? Mas, mãe que é mãe faz de tudo pra resolver nossas angústias (e no caso da minha, também uma típica louca por futebol, os nossos complexos relacionados ao mundo da bola merecem atenção especial). Pois bem, tratou de me arranjar o vídeo na íntegra da final da Copa do Mundo de 1958. 90 minutos de realidade. 90 minutos de um verdadeiro primeiro encontro com Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo. 90 minutos dignos de conto de fadas, mas nem por um segundo imaginário.
Quem lê sempre minhas palavras por aqui, sabe que sou uma saudosista (e que o complexo futebolístico de não ter vivido a era Garrincha nunca vai passar, mesmo depois de dezenas de encontros de 90 minutos). Mas, recomendo, a graça é sentir saudade do que a gente viu ou viveu. Mas, por hoje, chega de saudade e rascunho de lição de vida.

PRETINHO BÁSICO

É mais do que básico saber detalhes do nosso primeiro título mundial. A final foi disputada contra a Suécia, dona da casa. O Brasil entrou em campo com o uniforme azul e venceu por 5×2 com gols de Vavá (2), Pelé (2) e Zagalo. O técnico era Vicente Feola. Na Copa, o Brasil disputou seis jogos e fez 16 gols.

ESPORTE FINO

Achou estranho algum dos nomes citados no texto? É hora de aprender: Ferenc Puskás era o líder da Seleção Húngara que fez história na década de 50; Franz Beckenbauer é alemão, campeão mundial em 74 e 1990 (como técnico); Cruyff foi uma verdadeira revolução no futebol holandês; o francês Michel Platini marcou época.

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