Arquivo de junho 2011

Matéria pro Correio que fiz hoje

Equipe de futebol mirim da Catalunha acaba após sofrer 271 gols e marcar apenas um

Clara Albuquerque | Redação CORREIO
clara.albuquerque@redebahia.com.br

Futebol é definitivamente algo encantador, ainda mais para as crianças. Veja só essa história: uma equipe de futebol mirim da Catalunha, na Espanha, virou documentário justamente pela dificuldade de alcançar o objetivo do jogo: o gol. Durante o campeonato retratado no vídeo, o time formado por crianças entre 7 e 10 anos, levou 271 gols e marcou apenas um.

Com 12 meninos e duas meninas na escalação, o Margatánia se acostumou a perder de goleadas. O menor placar que o time perdeu foi por 12 a 0, mas o maior foi 27 a 0. “Não, eu nunca marquei um gol. Se um dia eu conseguir, acho que vou voar”, diz um dos pequenos no documentário. “Uma pessoa quase marcou um gol uma vez, mas eu não vi”, diz outro jogador. E a história segue com as declarações inocentes e comoventes das crianças.

Depois desse retrospecto, mesmo marcando um gol no seu último jogo “oficial”, o time acabou. As crianças, no entanto, não parecem tristes com a situação.

“Nós não ligamos de não fazer gols porque nós nos divertimos. Vamos marcar quando a gente crescer”, diz Pol, o mesmo que pretende voar.

Assista o documentário

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Muito mais que um beijo no escudo

Em meio à velha e batida discussão do êxodo precoce dos nossos craques para o exterior, uma frase do presidente do Santos, após o belíssimo título do Peixe na Libertadores, me chamou atenção:  “O Santos não é um banco, que objetiva só o lucro. O que a gente objetiva é títulos”, disse Luis Álvaro Ribeiro, em entrevista ao Arena SporTV, no dia seguinte à conquista. A declaração é óbvia (quem não sabe que um time de futebol visa ser campeão?), mas anda sendo esquecida por muitos dirigentes.

Claro que uma coisa está ligada a outra, mas existe uma diferença significativa no resultado a depender do que vem primeiro na equação: se são os títulos que trazem o lucro ou o dinheiro que gera os resultados. No caso da permanência de Ganso e Neymar no Brasil, é o que fica no clube que resulta em dividendos, taças e alegrias e não o que vai embora, como acontece na maioria das vezes. Mas, além da clara oportunidade (e felicidade) de ver dois craques jogando por aqui, uma das vertentes que mais gosto nessa história é a ideia de poder acompanhar jogadores desse nível escreverem sua história e se tornarem ídolos de uma torcida. Não, não estou falando de ganhar um título, beijar o escudo e ir embora no ano seguinte. Estou falando daquele ídolo que deixa mais do que uma linha no texto da vida de um clube. Que além de bordar estrelas na camisa, escreve seu nome em cada peito que bate embaixo do escudo.

Com raríssimas exceções, estamos em falta desse tipo de jogador há algum tempo no Brasil. Se antes o nome de clube era sobrenome, hoje é trampolim, passagem, temporada e até retiro espiritual (ano sabático, de farra ou do que mais você queira chamar). É por isso que jogadores com essa mentalidade precisam ser lembrados, festejados e admirados. São eles que criam gerações de torcedores, não apenas porque receberam um uniforme de papai e mamãe, mas porque têm um motivo para fazer brilhar seus olhinhos infantis.

E esse torcedor é diferente porque reconhece, em campo, alguém como ele. Porque sabe que se ele chorar, vai ter um cara vestido como ele, sentindo a mesma coisa, seja na felicidade de erguer uma taça ou na tristeza de uma derrota. Porque quando jogadores como Ávine, na volta do Bahia à Série A, por exemplo, choram compulsivamente, o torcedor derrama as mesmas lágrimas que ele. E elas, no meu mundo do futebol, valem mais do qualquer dinheiro.

Dica de moda
Sei que estou mudando completamente de assunto, mas preciso tirar isso do meu peito: o que são os novos uniformes de treino da dupla BaVi? Péssimos, minha gente! Se os anteriores (o do Bahia era azul e o do Vitória era cinza) não eram nenhuma maravilha, ao menos eram básicos. Agora, o Bahia vai seguir em clima de São João, mesmo depois da canjica acabar e o Vitória vai ficar com aquele laranja terra gritando nos nossos olhos. Rebaixados no quesito estilo.


Pretinho Básico

No passado, os jogadores ficavam anos em seus clubes e criavam uma identidade por lá. O Rei atuou no Santos de 1956 à 1974. Garrinha entortou adversários no Botafogo de 1953 a 1965. Mais recentemente, Zico jogou no Flamengo de 1971 a 1983 e 85 a 90 e Dinamite fez gols pelo Vasco entre 1970-1979, 1980-1989, 1990 e 1992-1993.

Esporte Fino
Atualmente, os goleiros Rogério Ceni e Marcos são os exemplos de ídolos que ainda escrevem suas histórias em um clube. Ceni está no São Paulo desde 1991 e Marcos defende o gol do Palmeiras desde 1993. No Bahia, Ávine já completou 202 jogos e, no Vitória, o volante Uelliton é o mais antigo no elenco.

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A lição de um pretinho básico

Quando falamos de futebol, por conta do nosso histórico antiquado (que está mudando, ainda bem), somos nós, mulheres, geralmente, que temos alguma coisa a aprender.  As que gostam, mas não acompanham há muito tempo, querem conhecer os jogadores, os esquemas, entender a regra do impedimento e por aí vai. As que não gostam, se deixando levar pela emoção do esporte, pelo sorvete do estádio ou pela paixão de alguém especial, têm ainda mais coisas a aprender.

Eu acho, no entanto, que os homens, tão metidos a entendidos de futebol, estão precisando aprender umas coisinhas com as mulheres. Toda mulher que se preze, por exemplo, sabe o que fazer quando nenhuma roupa funciona para aquela ocasião. A saia é curta demais, o vestido longo tem muito brilho, a calça jeans é muito desarrumada e a de risca de giz grita trabalho. Quando tudo no guarda roupa parece inadequado, complicado ou errado, qual é a solução, leitoras queridas? Um pretinho básico! Simples, fácil e eficiente. Pode até não dar show, mas a gente chega até o fim do evento numa boa.

Pois bem, dito isso, os homens que tomam conta da nossa duplinha Ba-Vi poderiam aplicar essa teoria ao futebol. Não é muito mais fácil já sair de casa (ou começar a temporada) vestindo um pretinho básico do que chegar na festa (ou no campeonato) trajando um vestido (ou elenco) surpresa que pode acabar se revelando feio e absolutamente inadequado e ter que fazer todo o caminho de volta pra trocar de roupa e tentar chegar novamente na festa antes dela acabar?

Que dificuldade é essa que Bahia e Vitória têm em fazer o mais simples, o básico? Agora, colhem no Brasileirão das séries A e B, os olhares de desaprovação por terem chegado desarrumados na festa. Geninho, consultor de moda do Vitória, não satisfeito com os erros descritos pra quem quisesse ler na etiqueta, ainda resolveu inovar. Não é à toa que o Vitória é um time inseguro e sem confiança. Foi tanto troca-troca de roupa e estilo (o Rubro-negro foi do romântico recatado ao rock porradão) que não tem quem desfile com tranquilidade. Aos Rubro-Negros, resta torcer que o time não se perca na volta pra casa pra trocar de roupa.

No Bahia, a história não é muito diferente. Ansioso para desfrutar de um novo guarda-roupa (já é o segundo do ano), o Tricolor esqueceu o pretinho básico no fundo do armário e resolveu apostar mais uma vez num estilo próprio. Resultado: as peças podem fazer um tremendo sucesso ou ser um grande fracasso. No caso dos Tricolores, é torcer que as novas peças se ajustem ao corpo com o tempo e façam bonito (ou ao menos não rasguem durante o campeonato).

Para o ano que vem, vamos todos torcer que a lição seja aprendida. Se minha mãe não precisou me ensinar mais de uma vez o poder de um pretinho básico, no futebol, parece que a gente precisa insistir durante anos até que alguém aprenda e vista esta ideia.

Pretinho Básico
Geninho ainda não conseguiu repetir  a escalação do Vitória de um jogo para o outro. Em Vitória 1 a 0 Vila Nova, ainda com Ricardo Silva, o Leão foi no 4-4-2. Em Icasa 3×1 Vitória, Geninho estreou no 3-5-2, testou um 4-4-2 em Vitória 0x1 Guarani e até um 4-5-1 em Vitória 3×2 Duque de Caxias. Ontem, ele repetiria o time que empatou em 1×1 com ABC, mas Neto Baiano sofreu um desarranjo intestinal e não enfrentou o Sport.

Esporte Fino
Quando o juiz deu o apito inicial de Fluminense e Bahia, apenas três jogadores da estréia no Campeonato Baiano estavam em campo: o zagueiro Titi, o lateral Ávine e o atacante Souza. E deste time que iniciou a temporada em janeiro, apenas Ávine, Hélder e Jael estavam na campanha que devolveu o Bahia à Série A em 2010.

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Visitando o Stade de France

Ok, não é tão fácil chegar no Stade de France, como é chegar no Camp Nou (como contei aqui nesse post), mas não é nenhum bicho de sete cabeças e eu garanto que vale a visita.

Eu sei, eu sei, não temos boas memórias deste estádio, afinal, perdemos aquela final de 1998 de forma vergonhosa para a França, mas ainda assim todo apaixonado por futebol, se tiver a oportunidade deve conhecer esse estádio.

Pra chegar lá, saindo do centro de Paris (o estádio fica no norte de Paris, na comuna de St. Denis), você leva uns 40 minutos de metrô. Na verdade, você tem que chegar em alguma estação de metrô que tenha ligação com o RER D (RER são os trens que vão além do centro de Paris). No meu caso, eu saí da estação Hôtel de Ville e troquei para o RER D na estação Chatelet). Daí é só pegar o trem na direção Orry-la-Ville-Coye e saltar na estação Stade de France St. Denis. Ao chegar, você ainda vai precisa andar uns 10 minutinhos…

Chegando lá, o estádio está aberto para visitação. O ingresso para fazer o tour (sai um grupo de hora em hora acompanhado por um guia) custa  12 Euros e você conhece todo o estádio.

Arquibancadas, vestiários (na minha visita fomos exatamente no vestiário onde o Brasil ficou no final da Copa de 98), onde passam um filmezinho com diversas imagens de eventos importantes que aconteceram no estádio, via de circulação interna do local, o centro médico, a prisão (sim, isso mesmo, tem uma prisão com diversas salinhas individuais onde os torcedores violentos são colocados), a sala de aquecimento (milimetricamente planejada para os atletas, com chão especial e temperatura controlada) e finalmente o túnel de entrada para o gramado. É legal que, nessa hora, o guia do tour forma duas equipes com os visitantes como se fôssemos realmente entrar em campo e um sistema de som recria o ambiente da torcida lá fora com a música oficial da competição enquanto você caminha em direção ao campo. As crianças adoram (e eu também)!

No fim, um mini museu e uma lojinha com muitos produtos do estádio, da seleção francesa de futebol e de rugby. Também adoro!rs


Olha só quem está ali infiltrada entre as camisas francesas!!! : ))

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Sobre lembranças, memórias e futebol

Toda mulher gosta de ser jovem (e vamos deixar de historinha que são todas mesmo). É claro, existem umas que se preocupam mais com as rugas e outras que não se incomodam tanto com os sinais da idade, mas, o fato é que se pudéssemos escolher, aparentaríamos sempre alguns anos a menos. Na direção exatamente oposta, caminham as nossas memórias. Quanto mais lembranças, histórias, cicatrizes (não as físicas, por favor) e recordações, melhor. Quem não gosta de ouvir aquela música e lembrar de alguém? Andar por aquela rua e reviver um momento especial, sentir aquele cheiro e se transportar para um ano que já passou? E finalmente (já que é ele que nós amamos), quem não respira fundo de saudade de futebol? Daquele gol inesquecível, daquele campeonato emocionante, daquela partida, daquele craque, daquele dia? E se também temos memórias ruins, da derrota, do choro, da humilhação, a verdade é que se não podemos mudá-las, também não deveríamos querer esquecê-las.

Durante as férias, estive no Stade de France, em Saint-Denis (a cerca de 40 minutos do centro de Paris), no mesmo dia da despedida de Ronaldo Fenômeno da Seleção Brasileira (e isso foi uma completa coincidência). Aquela final da Copa do Mundo de 1998, disputada nesse estádio, é uma das lembranças mais vivas que tenho do futebol. No primeiro Mundial que acompanhei, em 94, pouco fazia diferença se Zinho era uma enceradeira e o time era um tédio de pragmatismo só. Eu tinha 10 anos e torcia para a melhor seleção do mundo. E era esse meu pensamento até aquele decepcionante 12 de julho de 1998. Chorei igual uma criança, mesmo naquela fase que a gente acha que já é adulta (sem as rugas, claro), mas não passa de uma pirralha.

Sentada na arquibancada daquele estádio suntuoso, depois de visitar o exato vestiário onde Ronaldo teria pedido à Zagallo para entrar em campo, respirei fundo de saudade e pensei: como é bom poder criar lembranças daquilo que a gente ama. Sim, porque pra ter memória de alguma coisa, a gente precisa viver essa coisa e, portanto, criar o caminho atrás dos nossos pés. Se jogar, gritar, chorar, mandar o juiz praquele lugar, bater com orgulho no peito coberto pelo escudo, amar, escalar, cornetar, sofrer, comemorar.

Quem me conhece sabe que eu sou uma típica representante do 8 ou 80. E pra mim, se tratando de futebol (vai lá, no esquema tático, a gente abre uma exceção de vez em quando), tem que ser 80. E se tiver que ser 8, que a gente possa somar mais um pra virar um 9. Como o de Ronaldo. Intenso, significativo e cheio de lembranças.

Bahia e Vitória
Eu sei, eu sei, já estamos na quarta rodada do Brasileirão e não escrevi nenhuma linha sobre a dupla baiana nas competições. Pois bem, hoje no apito inicial da maioria das partidas da Série A, desembarco de volta ao nosso amado futebol de cada terça, quarta, sexta, sábado e domingo (Ufa! Não agüentava mais assistir a reprise de Azerbaijão 1×3 Alemanha).

Pretinho Básico

Difícil achar alguém que tenha esquecido, mas vamos relembrar. Na Copa de 98, o Brasil chegou à final após vencer a Holanda nos pênaltis. Horas antes da partida com a França, Ronaldo sofreu uma convulsão e foi vetado do jogo, mas depois voltou a ser relacionado. O Brasil perdeu por 3×0 com gols de Zidane e Petit.

Esporte Fino
Com capacidade para 80 mil pessoas, o Stade de France, maior estádio do país, foi construído para a Copa de 1998. Inaugurado em janeiro de 9198 num amistoso entre França e Espanha, já foi palco também da final da Liga dos Campeões, em 2000, entre Real Madrid e Valência e, em 2006, entre Arsenal e Barcelona.

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Atenas – Estádio Panathinaiko



Conheço muitas pessoas que se animam com o futebol apenas no período da Copa do Mundo. São aqueles famosos torcedores de quatro anos em quatro anos. Muitas vezes, durante o resto do tempo não têm nem um time para chamar de seu, mas se esgoelam e sofrem com a Amarelinha no Mundial.

Pois bem, obviamente, eu não sou deste tipo de torcedora… mas, quando se trata dos outros esportes, eu sou uma autentica e fissurada torcedora sazonal das Olimpíadas. Natação, nado sincronizado, ginástica, hipismo, vôlei, o que tiver passando na televisão, eu paro pra assistir! Desde pequena, lembro que eu e meu irmão passávamos a viver em função do horário das competições durante os jogos.

De férias, como vocês sabem, ao passar pela Grécia, fiquei ansiosa pelo encontro com o estádio Panathinaiko, sede dos primeiros jogos olimpicos da era moderrna , realizados em Atenas, em 1896.

E que lugar maravilhoso!!! Além da óbvia beleza, é emocionante pensar que aquelas arquibancadas viram pelo menos 2.200 anos de história. Além de abrigar os Jogos Panatenaicos, parte das festividades da Panathenaea, maior celebração de Atenas, em homenagem à deusa que empresta o nome à cidade, também foi palco de duelos de gladiadores, corridas de bigas e lutas de animais durante a época do Império Romano na Grécia.

Depois de sumir nas páginas da história, foi reconstruído todo em mármore (como em sua última versão no passado) para os Jogos de 1896, no mesmo local, encravado entre os morros de Agra e Ardettos, no centro da cidade. Atualmente é utilizado para celebrações e eventos importante ligados ao esporte no país.

Espero que gostem das fotinhas que fiz!

No próximo domingo, já tem coluna de volta no Correio*.

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