Arquivo de abril 2012

Quando os gols enganam

Na minha infância, quando minha mãe falava sobre futebol, ela não passava horas me contando sobre os números de gols de um jogador, nem despejava na mesa somente resultados positivos e estatísticas de times campeões na história. Minha “criação futebolística” me deu a opinião de que essa nossa paixão não é feita apenas de gols, mas de talento, técnica, disciplina, organização tática. Uma planilha com o resultado de todos os jogos da Seleção de 82 não te permite enxergar a beleza daquele time.  Saber a quantidade de gols marcados por Pelé não te dá uma mínima ideia de quem ele foi no futebol. Uma lista com todos os títulos conquistados pelo histórico Barcelona de Guardiola não vai te proporcionar qualquer entendimento da genialidade de Messi ou do fantástico toque de bola de Xavi, Iniesta e cia. O Barcelona não deixa de ser o melhor time do mundo simplesmente por ter marcado menos vezes que o Chelsea. Os números, frios, não podem refletir a magia do esporte.


Não estou dizendo que os gols não são importantes, longe disso, dentro de cada 90 minutos eles são fundamentais, mas eu ainda insisto em acreditar que o futebol deve aparecer muito mais no escudo do nosso peito do que na calculadora do nosso cérebro. De forma ainda mais gritante do que em competições disputadas no estilo mata-mata, nossos times não podem confiar apenas no ataque mais positivo do Brasil ou no maior artilheiro do ano, no país, para o Brasileirão. As 38 rodadas vão exigir muito mais organização e constância do que os 27 gols (até sábado) de Neto Baiano ou que as 65 vezes que o Bahia balançou a rede.

Ninguém vai negar os números e recordes do artilheiro rubro-negro, e eles não devem ser diminuídos, mas os problemas de criatividade no meio de campo são enfatizados quando o Vitória não consegue ter opções de jogadas contra times de tamanha inferioridade técnica e não quando Neto Baiano arranca uma classificação heroica marcando três gols. A falta de filosofia e padrão de jogo são muito maiores do que a troca de técnicos. No papel, não acho que o Vitória tenha um elenco ruim, faltam algumas peças (lateral e meio de campo principalmente), mas vai penar na Série B se não tiver opções para os jogos cascudos e feios que vêm por aí.

No caso do Bahia, é a falta de equilíbrio do time que pode comprometer. Souza e Gabriel estão em grande fase, mas eles não podem ser a única opção. Se, no Campeonato Baiano, já percebemos que basta marcar o líder de assistências tricolor para o esquema morrer, o que dizer quando o Bahia enfrentar clubes com muito mais qualidade? Outro problema crônico: a defesa do Bahia. Gosto do trabalho de Falcão, mas espero que ele não tome real conhecimento da maior deficiência tricolor apenas na estreia do Bahia contra o Santos de Neymar. Um possível título baiano pode vir de um gol de barriga, de canela e até contra, mas eles não devem nunca mascarar o que acontece em campo.

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Arena Fonte Nova lança maquete eletrônica em 3D

Levanta a mão quem está morrendo de saudades da Fonte Nova e não vê a hora de torcer naquelas arquibancadas de novo? o/

Sabemos que não está na hora ainda, mas já dá pra sentir um pouquinho do clima com a maquete eletrônica da nova arena, lançada no site www.arenafontenova.com.br.  O vídeo utiliza a tecnologia 3D e faz um passeio por todos os 10 pavimentos da nova arena. A circulação de pessoas e os acessos ao novo equipamento ganharam movimentos. São apresentados todos os espaços, do campo de futebol aos camarotes, passando pelos assentos, restaurantes e quiosques, com detalhes ilustrativos do projeto arquitetônico.

Destaque para a iluminação cênica no vídeo. Achei linda a imagem do estádio iluminado durante a noite junto com os orixás do Dique. “A maquete eletrônica antecipa a experiência do público no novo espaço e aproxima as pessoas do conceito multiuso da Arena Fonte Nova, um complexo de lazer e entretenimento para a cidade”, ressalta Lino Cardoso, diretor de Marketing da Arena Fonte Nova.

E aí? Deu ou não vontade de gritar gol por lá?!

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Um ídolo com todas as letras

Preste atenção na história e na matemática. Em 2009, o time T1 contrata um jogador que nós vamos chamar aqui de J1, para efeito ilustrativo. J1 então começa a temporada disputando o campeonato estadual. Além de ser campeão marcando gol na final contra o maior rival de T1, ainda recebe o título de artilheiro da competição com 18 gols. Incógnitas do futebol, J1 deixou o clube após 22 gols em 35 jogos.

Em 2011, o mesmo clube T1 traz o jogador J2 e ele já estreia no clássico local deixando seu gol. J2 não chega na sua melhor fase e figura até no banco de reservas, mas ainda assim é o artilheiro da equipe na temporada com 19 gols em 47 jogos.

No ano seguinte, o jogador J3, da mesma equipe T1, passa por fase espetacular quando se trata de bola na rede. Logo nas primeiras rodadas, dois hat-tricks (três gols na mesma partida) consecutivos. Jogo após jogo, J3 vai deixando sua marca: artilheiro de T1, do campeonato estadual, do Brasil, maior goleador do estádio de T1, salvador da pátria em diversos jogos.

Agora, acompanhe a equação: J1 + J2 + J3 = Neto Baiano. Com exceção de J2, a maioria das torcidas já trataria J1 e J3 como um ídolo. Os torcedores rubro-negros, sem o resultado dessa equação aí, muito provavelmente estariam mais do que felizes com um jogador como esse na equipe, mas, olha, eu não sei qual é o caso dos rubro-negros que têm tanta resistência com Neto Baiano. O cara faz e acontece, vive salvando o time das maiores roubadas (o Leão deveria mandar fazer uma placa pela virada histórica protagonizada por Neto contra o ABC, pela Copa do Brasil), provoca o Bahia, chama mídia, faz o diabo a quatro e ainda assim eu vejo muito torcedor do Vitória criticando e reclamando.

Ele é o atacante mais habilidoso, técnico, talentoso do Brasil? Não. Merece estar na Seleção Brasileira? Em minha opinião, não. Ele perde chances claras de gol vez ou outra? Perde. Mas tem algum outro jogador que, mesmo tendo um aproveitamento melhor, marca tanto quanto ele? Não. Tem alguém que atualmente bate no escudo do Vitória colado de suor no peito e diz “deixa comigo que eu resolvo” mais forte e eficiente do que ele? Não.

Portanto, recado para a parte da torcida que ainda olha torto para Neto Baiano e também para o Vitória: valorizem J1, J2 e J3, porque Neto Baiano + T1 = ídolo.

Copa do Brasil e Baianão
Vitória e Bahia têm grande oportunidade de beliscar alguma coisa na Copa do Brasil. Passando pelo Botafogo, dá pra botar banca pra cima de Coritiba ou Paysandu pra chegar na semifinal. Já o Bahia, enfrentando primeiro a Portuguesa, terá o desafio de passar pelo Grêmio (caso o Fortaleza não faça uma graça, o que seria ainda melhor).

Pelo Baianão, Vitória da Conquista e Feirense devem confirmar o favoritismo da dupla Ba-Vi para a final. Caso o clássico defina realmente o título estadual, ainda vejo o Bahia com um time mais maduro taticamente do que o Vitória. As mudanças e oscilações na Toca do Leão moldaram um time mais nervoso e inconsistente em campo.

PRETINHO BÁSICO
O primeiro gol de Neto Baiano com a camisa do Vitória aconteceu em um jogo com o Atlético de Alagoinhas, no Campeonato Baiano de 2009, dia 18 de janeiro. Na temporada 2012, o artilheiro pode bater o recorde dos 27 gols marcados por Cláudio Adão em uma edição do Baianão, em 1986, jogando pelo Bahia.

ESPORTE FINO
Com os três gols que fez no jogo contra o ABC pela Copa do Brasil, na  quarta-feira passada, Neto Baiano se tornou o maior artilheiro na história do Barradão com 46 gols em 47 jogos. Antes dele, o meia Ramon Menezes tinha o título, com 44 gols. Em todas as passagens pelo Leão, o goleador já marcou 68 vezes.

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Trailer PES 2013

Como vocês perceberam no último vídeo Ora Bolas, videogame não é muito o meu forte, mas a quantidade de gente viciada nesses games é imensa, eu sei! Pois bem, foi liberado o primeiro trailer de Pró Evolutions Soccer e eu achei muuuito bom!!! Não tem nada muito espetacular, mas achei que a imagem e a trilha ficaram muito boas! Para as meninas, Cristiano Ronaldo, garoto-propaganda da série, não deixa de ser um atrativo, não é?! Confiram:

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Queridos,

Criei uma página no Facebook para interagir com vocês! Mais um canal pra gente bater uma bolinha, trocar informações, postar fotos e pitacar! É só curtir AQUI ou clicar na imagem abaixo!! =)

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A vida depois dos 100

O Santos deu de presente para as 100 crianças que entraram em campo contra o time de Neymar, Ganso, Borges e cia no jogo comemorativo pelos seus 100 anos, na Vila Belmiro, aquilo que é seu maior patrimônio: uma bela história pra contar. Sim, talvez, o Santos fosse apenas mais um time se não fosse Pelé, se não tivesse sido fundado em São Paulo, se não fosse a casa de Pepe, Coutinho, Diego, Robinho, Neymar. Mas a história não é feita de se, não é feita do que não foi. É feita do que é e do que o Santos soube ser.

É feita dos 11.793 gols que nenhum outro clube de futebol do mundo marcou. Do primeiro título paulista, em 1935, sobre o Corinthians. É feita do dia em que Pelé assinou seu primeiro contrato, marcou seu primeiro gol, dos mais de mil segundos em que a bola deixou o toque de Pelé para encontrar as redes adversárias. Do momento em que o menino virou Rei. Das mãos que levantaram taças de Mundiais, Libertadores, Campeonatos Brasileiros, Copa do Brasil e estaduais. Essa história é feita de pedaladas entre as quatro linhas, de riso na arquibancada e de aprendizado fora de campo.

O Santos soube ser quem poderia ser. Aprendeu a usar suas qualidades, reverenciar seu passado e planejar o futuro sem deixar de sonhar. É um dos poucos exemplos no Brasil de como ser e fazer futebol no presente. É um dos poucos que poderia chamar outros clubes brasileiros para um conversa sobre a vida.

Quem nunca ouviu aquela história de que, quando somos jovem, temos tempo e disposição, mas não temos todo o dinheiro que precisamos; quando adultos, temos dinheiro e disposição, mas não temos tempo e, finalmente, que, quando temos tempo e dinheiro, a idade não nos permite disposição? Pois bem: o futebol nos permite quebrar essa lógica.Se somos obrigados a passar pela vida sabendo que um dia a deixaremos, o futebol faz o milagre de ser eterno. De possibilitar que o Santos chegue aos 100 anos com a mesma disposição para chutar a bola que muitas décadas atrás. É fundamental, no entanto, perceber como cada time encara essa vida depois dos 100.

O Flamengo, por exemplo (e poderia escolher outro aqui, mas o faço por ser o maior time do país), com seus 116 anos, não soube ser quem poderia. É o que é pela sua gigantesca torcida e não por si mesmo. Bem diferente do São Paulo, que ainda não completou 100 anos e Internacional, centenário recente em 2009, que parecem ter a qualidade de saber crescer.

E, por favor, não estou comparando amor, paixão, tradição e títulos entre os clubes, muito menos dizendo que essa ou aquela história é maior ou melhor. A questão é saber administrar e alcançar o potencial de cada um. A impressão que tenho é que os anos passam e os clubes brasileiros seguem sendo o que são, mas bem longe do que poderiam ser.

Parabéns, Santos! Seu maior presente para sua torcida é ter a capacidade e a decência de ser tudo que você pode ser com a maturidade de um senhor e a alma de cada um daqueles 100 meninos e meninas do início deste texto.

PRETINHO BÁSICO
O Santos FC foi fundado no dia 14 de abril de 1912. De lá pra cá, foram 5.588 jogos, dois Mundiais Interclubes (1962 e 1963), três Copa Libertadores (1962, 1963 e 2011), oito Campeonatos Brasileiros (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004), 19 Estaduais (2010 e 2011, inclusive) e muitos outros títulos.

ESPORTE FINO
Pelé, maior artilheiro da história do Santos, jogou no alvinegro praiano de 56 a 74, fez 1.116 partidas, marcou 1.091 gols e conquistou 21 títulos importantes (entre outros torneios menores). Pepe é o vice-artilheiro, com 405 gols, e Coutinho, o 3º, com 370. Neymar já fez 96 gols pelo clube em três anos de profissional.

Abaixo, belo vídeo oficial produzido pela SantosTV para o centenário!

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Meu BaVi ideal para hoje

Calma, calma, eu sei que hoje não tem clássico BaVi! Apenas resolvi escalar aqui pra vocês os times de Bahia e Vitória que EU colocaria em campo hoje pela Copa do Brasil (levando em conta os desfalques).

Primeiro o Vitória porque entra em campo antes, às 20h30, contra o ABC. Resumindo, um 4-2-2-2, com um volante de marcação (Uelliton) e outro que sai mais para o jogo (Mineiro). Pedro Ken e Geovanni na criação, Marquinhos livre, leve e solto para atacar e Neto Baiano, claro, lá na frente. Ah, no gol, o goleiro é Douglas.

No Bahia, não mudaria muita coisa. Eu colocaria apenas Morais no lugar de Magno. Sei que ele não passa por boa fase, mas ainda acho que com uma sequência de jogos ele vai produzir mais do que Magno. Na direita, claro, Gabriel, melhor jogador do Campeonato Baiano na minha opinião, e Lulinha pela esquerda. OBS. O Bahia precisa de contratar laterais URGENTEMENTE (não, não acho que o lateral direito Gil, de 20 anos, que veio do Cruzeiro inicialmente para base tricolor é uma das soluções)!


E vocês?? Que time colocariam em campo??
(O site maravilhoso que monta esses campinhos lindos aí de cima para nooooooooossa alegria é o http://www.footballuser.com/post)

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A maldição da final inédita

Era 2010. Santos e Vitória buscavam o título inédito da Copa do Brasil numa final nunca antes disputada entre os dois. Os dois times sabiam que levantar a taça significaria o início de um sonho com a vaga na Libertadores. O que Neymar e Ganso com os meninos da Vila e Elkeson, Bida e cia da Toca não tinham conhecimento era que a chuva que caia no Barradão naquele dia trazia uma maldição. “Ao time que subir ao ponto mais alto do pódio, um pedacinho de céu será oferecido, mas aquele que sucumbir à derrota espetará o pé no espinho de uma grama e morrerás”.

De lá pra cá, é fácil contar a história. O Santos ganhou a vaga para Libertadores, foi campeão da competição (e do Campeonato Paulista de 2011) e ainda assistiu sua maior promessa se tornar o melhor jogador brasileiro da atualidade. Cumprindo o outro lado  da profecia, o Vitória ruiu. Do tetracampeonato baiano em cima do Bahia, no início de 2010, o Rubro-negro amargou o rebaixamento para a Série B no Brasileirão em dezembro do mesmo ano, seguido da perda do Baianão para o Bahia de Feira em 2011 e do castigo de mais um ano na segunda divisão nacional.

Em menos de dois anos, o Vitória tentou de tudo. Contando com Ricardo Silva, que estava naquela fatídica final de 2010 e agora volta para o lugar de Cerezo, foram seis tentativas de acabar com a maldição. Todas falharam. O que se diz por aí e se torna cada vez mais claro é que tem gente demais metendo a varinha mágica para quebrar o feitiço. Cerezo, é bem verdade, não facilitou sua vida na Toca. Algumas vezes cogitei a possibilidade de que algum encosto ruim soprava escalações e esquemas desencontrados no ouvido do treinador. Independente de quantos jogos ganhava ou gols fazia, as decisões de Cerezo só colocavam mais um ingrediente no caldeirão da maldição e o técnico acabou tendo que entregar sua varinha rubro-negra.

Depois de seis outros bruxos, digo, técnicos, lançarem algum encatamento sem sucesso, uma sétima tentativa está prestes a começar. Temo que os mesmos erros sejam cometidos. Seja quem for o novo escolhido, já chegará com o caldeirão cheio de asas de morcego, língua de cobra, xixi de sapo e perna de barata. Já passou da hora de rever o que está na receita antes de colocar um novo ingrediente na poção.

Na maldição da Bela Adormecida (que espetaria um dedo na agulha de uma roca e morreria, pra quem não percebeu ainda a inspiração da coluna), a princesa Aurora não escapa do seu destino, mas uma de suas fadas madrinhas ameniza a maldição e ela apenas adormece até que um beijo verdadeiro de amor a desperte. O Vitória, da mesma forma, não morre neste conto futebolístico, mas como em toda história da vida real, vai precisar de muito mais que uma fada madrinha.

Pretinho Básico
Toninho Cerezo foi anunciado para a temporada atual em dezembro de 2011. Antes dele e depois daquela final em agosto de 2010, Toninho Cecílio (agosto a outubro de 2010), Antônio Lopes (outubro de 2010 a maio de 2011), Geninho (maio a julho de 2011), Benazzi (agosto a novembro de 2011) treinaram o Vitória.

Esporte Fino
Em 2009, Ricardo Silva treinou o Leão no intervalo dos comandos de Vágner Mancini, Mauro Fernandes, Carpegianni e do retorno de Mancini. Foi efetivado no começo de 2010, mas voltou como interino entre a saída de Toninho Cecílio e a chegada de Antônio Lopes. Em 2011, comandou entre as saídas de Lopes, Geninho e Benazzi.

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Café e uma porção de confiança, por favor

Na sexta-feira, após uma manhã de debates no 38º Congresso da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace), realizado aqui em Salvador, sentamos eu, o colega Herbem Gramacho, Jayme Brandão, assessor de imprensa do Bahia, e o técnico Falcão para um bate-papo. Pedimos um café, falamos sobre o calor massacrante de Salvador (como vocês devem perceber, eu e Falcão dividimos o sofrimento com o sol), sobre a cidade de Roma, sobre a Seleção Brasileira e, claro, sobre o Bahia.

Falcão reconstrói sua carreira por aqui e sabe a importância de ter uma boa relação com a imprensa, já que passou muitos anos atuando do lado de cá e talvez, por isso mesmo, não tenha hesitado em abrir suas ideias e valores sobre futebol e, claro, sobre o time que treina. Ao pedir o segundo café, no entanto, Falcão devolveu nossa curiosidade na mesma moeda: “Vocês já me perguntaram demais, agora quero saber o que vocês estão achando do Bahia?”

Eu sempre fui um pouco desconfiada. Lembro-me de sempre preferir não confiar no cruzamento, na defesa do goleiro, no pênalti antes de dele ser batido, no zagueiro recém-contratado, no gol no último minuto, na vitória. Quando ela vinha, portanto, era sempre uma surpresa boa.

A última década deu um pouco do meu perfil para a torcida do Bahia. O Tricolor não deixou de amar o escudo, mas os anos de tropeços fizeram a confiança ser deixada pra trás. Por muito tempo, o torcedor assistiu e reviveu seu time o deixar na mão. Ele estava sempre lá, nos momentos mais difíceis e sombrios, mas não recebia nada em troca.

Mesmo com o retorno para Série A, o time do Bahia mostrou por muito tempo aquele futebol da série “Meu coração está na boca”. Era um tal de chutão pra frente, de bola queimando, de pindaíba e de incertezas dentro das quatro linhas… Torcer pelo Esquadrão, Falcão, era um verdadeiro sufoco!

É claro que os doze jogos de Falcão à frente do Bahia não mudaram completamente esse panorama, mas o time ganhou muito em campo. A impressão é que, mesmo com variações de uma partida para outra, o Bahia começa a assimilar uma filosofia. Os jogadores entram em campo com um papel definido, sabendo o que devem fazer (mesmo que nem sempre o façam). As goleadas não virão sempre, as falhas sempre existirão, assim como as derrotas, mas o torcedor já consegue esboçar alguma confiança de volta no time (com exceção da bola aérea na defesa, né?). O Bahia de Falcão pode até não jogar bem e dar espetáculo em todos os jogos, mas os minutos de sufoco são infinitamente menores do que nos últimos tempos.

Isso não significa que o Bahia será campeão baiano, nem que está pronto para o Brasileirão, mas o que eu acho do Bahia, Falcão, é que ele encontrou um caminho a ser seguido. Por natureza, eu serei sempre desconfiada, mas tenho certeza que isso já é um bom avanço. No futebol, confiança se ganha, sim, e também traz títulos.

Pretinho Básico
Apesar de ter o maior número de títulos estaduais (43), desde 2001, quando venceu o Juazeiro nas finais, o Bahia não sabe o que é comemorar o título do Campeonato Baiano. No ano passado, o Bahia foi parado nas semifinais pelo maior rival. A última conquista tricolor foi a Copa do Nordeste em cima do Vitória em 2002.

Esporte Fino
Nos 12 jogos à frente do Bahia, Falcão teve 9 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota. Neste período, o Bahia fez 34 gols e tomou 8. Nos sete primeiros jogos da temporada, com Joel Santana (e o interino Eduardo Souza) no comando, foram 5 vitórias, um empate e uma derrota e o Bahia balançou a rede 17 vezes, mas levou 10.


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