Arquivo de maio 2012

Eu pitaco, tu pitacas, ele pitaca. Nós pitacamos, vós pitacais, eles pitacam. Como vocês já sabem, quando se trata de futebol, todo mundo pitaca! E não faz diferença se esse exercício de palpites no Campeonato Brasileiro é muito mais uma brincadeira de adivinhação do que qualquer outra coisa. Pode reclamar à vontade de vários defeitos do Brasileirão, mas iniciar a competição sabendo que ao menos cinco ou seis times brigam efetivamente pela taça, isso é uma bela de uma qualidade. Por isso, guarda a coluna na gaveta ou anota os meus palpites num lugar seguro pra poder cobrar no fim do ano e vem comigo porque a “brincadeira” já virou tradição.

Em 2010, eu estava com o palpitômetro afiado. Acertei que Fluminense, Cruzeiro e Corinthians estariam entre os quatro primeiros da tabela. O Grêmio foi o quarto mosqueteiro que entrou no lugar do Botafogo, minha última aposta. No ano passado, no entanto, não cravei um time sequer que assegurou a vaga para a Libertadores. Acreditem, coloquei Santos (que ainda não tinha sido campeão da competição), Internacional, São Paulo e Cruzeiro na disputa. No fim do ano, Corinthians, Vasco, Fluminense e Flamengo me derrubaram. Na ponta contrária da tabela, rebaixei América-MG, Figueirense, Atlético-GO e Avaí. Não fui tão mal: 50% de acerto com América-MG e Avaí, mas Ceará e Atlético-PR foram os companheiros de descida.

Segundo meus oráculos futebolísticos, os quatro times que se classificam para a Libertadores no fim de 2012 são justamente os que ainda estão na competição deste ano. Neste momento, não tenho dúvidas de que Santos, Corinthians, Fluminense e Vasco são os times mais preparados para o Campeonato Brasileiro. Claro que tudo pode mudar. O Santos (pra mim o mais forte entre eles pelo fato de que Neymar pode desempatar qualquer análise), por exemplo, parece decidido a dar foco a apenas um dos compromissos, como aconteceu em 2011. O Fluminense tem um time de muita qualidade e tem tido suas melhores atuações justamente nos jogos mais importantes (contra o Vasco na Taça Guanabara, na decisão do estadual, contra o Internacional pela Libertadores e diante do Boca Juniors, duas vezes em plena Bombonera, só que desfalcado e com jogador expulso na segunda vez, com derrota por 1×0), mas pode sofrer no campeonato de pontos corridos. Já o Corinthians, com seu pragmatismo, e o Vasco, com sua alma, podem mudar de característica, e consequentemente de rumo, ao longo do ano.

Na parte de baixo da tabela, prevejo que torcedores de Sport, Náutico, Portuguesa e Figueirense não vão terminar o ano muito felizes. Na Série B, já passou da hora do Vitória mostrar que não merece estar por lá. Goiás, Atlético-PR e Ceará seguem o rubro-negro baiano.

Férias
Assim como no ano passado, esta colunista sai de férias no início do Brasileirão e deixa este espaço sob o comando da colega e amiga Daniela Leone. Após três semanas, volto para acompanhar com vocês as finais da Libertadores e Copa do Brasil e o nosso querido campeonato nacional. Cuidem bem da nossa dupla na minha ausência!

Pretinho Básico
As regras do Brasileirão seguem iguais. O sistema é de pontos corridos (jogam todos contra todos em partidas de ida e volta e leva a taça quem fizer mais pontos). Já sabem que vitória vale 3 pontos, empate, 1, e derrota, zero, não é? Simplificando: quatro primeiros vão para Libertadores e os oito seguintes para Sul-Americana.

Esporte Fino
O Bahia voltou a disputar a Série A em 2011, depois de passar sete anos longe da elite. No ano passado, terminou na 14ª colocação, garantindo a última vaga para a Sul-Americana deste ano (começa em agosto). O Vitória caiu para a Série B em 2010, após três anos seguidos na Série A. Em 2011, terminou a Série B em 5º lugar.

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Pessoas,

Depois de fechar o primeiro semestre com esse presente que foi comentar o JOGAÇO da final do Baianão pelo canal PFC, estou saindo de férias a partir de hoje! No próximo domingo, ainda tem coluna no jornal Correio*, que será devidamente postada aqui no blog, mas depois terei três semanas de descanso e viagem. Tomem conta com muito carinho da nossa duplinha baiana querida! Volto para acompanhar as finais da Libertadores, Copa do Brasil e, claro, o Brasileirão!
Fiquem com os deuses do futebol e até a volta! \o/

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Cara ou coroa

Cara. O grito estava engasgado. Por dez anos, ele ficou ali, como se estivesse carregando no peito tricolor, fazendo bater mais pesado o coração em contato com o escudo. Um escudo que tem estrela, duas, na verdade, e que não para de pulsar. E que não deixa cada torcedor do Bahia interromper a emoção que sai da garganta e ganha vida pelas ruas da cidade.

Porque, hoje, nenhuma direção é mais certeira do que aquela que Gabriel aponta. Porque não tem artilheiro do Brasil que faça outros mil gols que possam calar esse dia. Porque nenhum time tem uma zaga maior do que a do Bahia. Não importa se Titi não fez um bom campeonato ou se Rafael Donato, mesmo salvando o Bahia em diversas ocasiões, é fraco para encarar ataques de muito mais qualidade do que os que enfrentou até agora. Não faz diferença qual formação no meio de campo foi escolhida pelo Falcão. Se foi o chato esquema de três volantes que segurou o empate no sufoco ou se foram as triangulações e troca de passes que vimos no inicio do trabalho do técnico que funcionaram. Não inventem de reclamar se a marcação não foi avançada, se o time perdeu compactação, se essa taça veio no 4-2-3-1, 4-2-2-2, 4-3-2-1 ou no 10-0-0-0. Não precisa nem me lembrar o placar, ou até mesmo se teve gol. Hoje, eu tenho um grito maior para soltar. Porque só o maior campeão desse estadual merece desempatar esse jogo de nove (ou dez) títulos para cada lado. Pode colocar esse sentimento todo na cara, esteja ela limpa, molhada de choro ou pintada de azul, vermelho e branco. Hoje, ninguém nos vence em vibração. É Bahêa. É grito. Meu, seu, nosso. É campeão.

Coroa. Mais um. Como tem sido nos últimos 10 anos em que o Vitória dominou isso aqui. A emoção embarga a voz porque esse sentimento de ser campeão nunca se torna indiferente. O Leão se acostumou a ser campeão, mas não há torcedor nesse mundo que se acostume a “sentir campeão”. É sempre novo e cada vez maior. E hoje, um gosto especial de vencer na casa do adversário, faz o torcedor rubro-negro explodir de vermelho no preto de uma noite que chega na hora perfeita.

Porque não há cores suficientes para nomear cada gol do artilheiro Neto Baiano. Porque não tem gol de Raudinei ou Souza que posso mudar essa história. Não tem importância se falta criatividade ao meio de campo do time e se os gols acabam saindo sempre dos pés do mesmo jogador. Não adianta soprar para os adversários que a lateral esquerda do Vitória é uma avenida sem sinais vermelhos. E não faz diferença se comecei a gritar após uma bola parada de Geovanni ou durante uma jogada organizada e finalizada por Pedro Ken. Se teve jogador isolado lá na frente, se o time teve apenas uma ou nove chances claras de gol. O que importa é que teve uma lá. Na rede. Pra calar a boca de um estádio inteiro e colocar mais um orgulho no peito. Hoje, somos um nome na história. E essa coroa tem dono. É minha, sua, nossa. É campeão.

90 minutos antes, o juiz jogava uma moeda pra cima. Cara. Coroa. Campo. Bola. Começou.

Pretinho Básico
Bahia e Vitória se enfrentaram 19 vezes em finais de Campeonato Baiano. Foram nove taças para cada. Fechando a conta, o título de 1999 foi dividido entre os dois. Nessa final, o Vitória foi para Barradão e o Bahia, para a Fonte Nova. Ambos se consideraram campeões e a decisão oficial saiu dos gramados para o tapetão.

Esporte Fino
O Bahia tem 43 títulos do Baiano e o Vitória, 26. Desde que passou a utilizar o Barradão como seu mando de campo no estadual, em 1995, o Vitória conquistou 13 dos 17 títulos disputados. Em 1994, o gol de Raudinei, aos 46 minutos do 2° tempo, marcou a última vez que o Vitória decidiu o Baiano em desvantagem.

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Abre o jogo, Ba-Vi

Quando eu era bem pequena e não entendia muita coisa sobre esquemas táticos e movimentação dos jogadores em campo, tinha uma frase que meu pai falava em todos os jogos que sempre chamava minha atenção. Lembro perfeitamente: ele levantava, apontava o dedo na direção desejada como se estive ali na beira do gramado e gritava: “Abre o jogo!”. Normalmente a frase vinha seguida de palavras não muito bonitas, mas isso não vem ao caso. O engraçado é que eu cresci assistindo futebol esperando que os jogadores obedecessem meu pai. Podia ser jogo da Seleção Brasileira, do meu time do coração, ou de um time qualquer da 2ª divisão da Polônia que eu estava lá, sempre, de olhos nas laterais esperando alguém passar.

A possibilidade de meu pai perder a voz hoje, portanto, é grande. Bahia e Vitória sofrem com suas laterais. Na esquerda tricolor, a ausência de Ávine é uma verdadeira dor de cabeça para Falcão. As duas primeiras tentativas, William Matheus e o bolivia no Gutiérrez (que “também” é zagueiro), não chegaram nem perto do poder ofensivo de Ávine. O novato Gerley, com apenas três partidas, precisa ser avaliado com mais tempo, mas, a princípio, parece ser uma opção melhor que as outras.

A verdade é que não é nada fácil substituir o lateral que, antes de entrar nessa maré de contusões, estava entre os melhores jogadores da posição no Brasil. Pra completar a situação desse lado, o Bahia não encontra um jogador que faça pela esquerda o que Gabriel faz do outro lado (Morais, Magno, Lulinha, Vander, Filipe e Zé Roberto, todos foram testados) o que dificulta ainda mais que o pedido de meu pai seja concretizado. E já que falamos do lado contrário, deixa Madson por lá. Quando os marcadores se distraem nesse setor é que o Bahia mais tem criatividade e poder ofensivo (mas veja só que problemão acontece quando Gabriel e Madson são anulados).

No Vitória, os gritos de meu pai também seguiriam sem ser ouvidos. Você pode desenhar o caminho com aquele spray utilizado pelo árbitro na marcação de faltas que o lateral esquerdo rubro-negro não vai passar da linha do meio de campo. Wellington Saci não apoia o   ataque do Vitória e como se não pudesse piorar, também tem falhado repetitivamente na marcação. O outro jogador da posição no elenco, o garoto Mansur, também não tem condição de ser titular. Na direita, na falta de Nino Paraíba, que estava voltando em boa fase, eu apostaria no garoto Romário. Melhor do que Léo.

Como que para seguir a linha do jogo fechado da dupla, Falcão e Ricardo Silva fizeram mistério para o clássico. Treinos secretos, portões fechados e escalações escondidas. Esses momentos servem muito mais para criar um clima de clássico no grupo (e fora dele) do que para apresentar um novo e revolucionário esquema, vamos combinar. Longe dos 90 minutos, esconder ou abrir o jogo pode não fazer muita diferença. Na hora que a bola rolar, no entanto, abrir o jogo pode ser decisivo.

PRETINHO BÁSICO
Ávine iniciou a temporada passando por uma cirurgia no joelho. Depois de jogar apenas o segundo tempo do segundo Ba-Vi do ano (18/03), uma tendinite o afastou novamente dos gramados. Quase recuperado dos problemas no joelho, fraturou um dedo da mão no dia 14 de abril e segue de fora do time.

ESPORTE FINO
Na era Falcão, William Matheus foi o mais utilizado na esquerda (13 vezes), seguido de Gerley (três jogos), Gutierrez (2) e Jussandro, da base (1). Na direita, Madson atuou 12 vezes, contra oito de Coelho. Já na temporada do Vitória, Léo é o que mais atuou na direita (11 jogos) e Saci, na esquerda (16).

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