Arquivo de julho 2012

Sobre deuses e homens

Uma dessas histórias de deuses e fantasias conta que há muitos e muitos anos, Hércules, filho de Zeus, o deus grego supremo, matou um homem em um dia difícil, por um motivo bobo. Arrependido, então, ele teria criado as Olimpíadas para pedir desculpas ao pai e aos outros deuses. Mitologia a parte, a verdade é que os gregos inventaram os jogos para exibir suas habilidades e agradar aos deuses do Olimpo.

Muito tempo se passou desde o primeiro registro dos jogos em 776 antes de Cristo. Mundos giraram, mares subiram e baixaram, tochas olímpicas se acenderam e se apagaram e, hoje, acho difícil que algum atleta, até mesmo os gregos, pense em subir ao pódio para agradar Zeus, Apolo, Atenas, Afrodite e companhia. Lá do alto do monte sagrado onde moram, no entanto, se eles olharem com atenção, serão capazes de perceber a inversão.

Deuses são os outros. Aqueles que começaram a correr numa estrada de barro, que tiveram que abandonar a família para mergulhar em águas distantes, que treinaram descalços, que choraram, que sentiram dor. Que passaram por cima da pobreza de um país que pouco sabe criar seus atletas. Que ignoraram a incompetência de tanta gente pequena, num território de possibilidades tão gigantescas. Que transformam um sistema educacional tão cheio de falhas e que pouco os incentiva num improvável e invertido patrocínio para sonhos olímpicos. Porque deuses mesmos são esses brasileiros que vencem cada desafio e dificuldade que lhes é apresentado durante todos os outros dias, além destes quinzes de Olímpiadas, a cada quatro anos, a que os mortais assistem.

Por isso, da próxima vez que você se sentir no direito de cobrar uma medalha de um nadador, cobre uma piscina olímpica em Salvador, por exemplo.  Na realidade local, mas que está longe de ser exclusiva, você pode bradar também que não temos ginásios ou campeonatos estruturados em vez de xingar a queda de um atleta.  Quando ousar desdenhar de uma derrota na expectativa de uma medalha, experimente conhecer um pouco mais da história de quem está ali. Dificilmente, ela terá qualquer traço de decepção. Decepcionante mesmo é saber que quando a pira olímpica é apagada no fim dos jogos, não é apenas o fogo que some. Quantas vezes você ouviu o nome de Sarah Menezes, primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha de ouro no judô nas Olimpíadas, nos últimos quatro anos?

Na sua famosa Odisséia, Homero, poeta épico da Grécia Antiga, afirma que “Todo homem precisa dos deuses.” Já passou da hora, no entanto, de aprendermos que os deuses também precisam do suporte dos homens. Medalhas virão, derrotas também – e, sim, elas serão maioria, mas quem disse que a vitória está exclusivamente na cor de um metal pendurado no peito? Não é difícil perceber que já existe uma coroa de louros, planta que representava a vitória na Grécia e na Roma antigas, em cada um dos 259 “deuses” brasileiros em Londres e todas elas têm um brilho dourado.

Pretinho Básico
A delegação brasileira em Londres conta com os superpoderes de 132 homens e 123 mulheres, de 32 modalidades. Nas Olímpiadas de Pequim, em 2008, foram 277 inscritos, a maior já inscrita pelo Brasil. Nos últimos jogos, o Brasil também igualou seu recorde em números de medalha, foram 15, como em Atlanta em 1996.

Esporte Fino
Até ontem, só uma mulher brasileira havia conseguido o ouro em prova individual na história das Olimpíadas: Maurren Maggi, no salto em distância, em 2008. A 16ª medalha do judô em Olimpíadas tornou a modalidade, provisoriamente, na mais vencedora na história do Brasil nos Jogos, superando a vela, que acumula 15 medalhas.

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Analgésico em caso de cirurgia

A solução para todos os problemas do futebol. O remédio para curar a falta de planejamento, as contratações equivocadas, as decisões erradas, a política de uso da base praticamente inexistente, a posição na tabela. Atenção! Não importa qual é a sua doença neste Brasileirão (ou qualquer outra competição futebolística neste país): a forma mais fácil de resolver qualquer que seja a sua dor ou erro está na lógica e simples decisão de demitir o técnico. Ele é culpado dos seus problemas, dos seus pontos, da seca do Nordeste, do gato ter ficado preso em cima da árvore e do pão que sempre cai com a banda da manteiga para baixo.


Isso, claro, foi uma ironia e isso, claro, também não é uma defesa cega ao trabalho de Falcão. Não acho que ele fazia um trabalho excelente, mas também acho que nenhum outro técnico estaria fazendo. Não sou a única que tem ressalvas às escolhas dele no Bahia. A primeira e maior crítica está no uso, ou melhor, na não utilização de alguns jogadores da base. Ninguém está defendendo aqui que esses meninos sejam titulares de cara, mas será que, de forma homeopática, gota a gota, não poderiam ser úteis? Na doença de um ataque tão ineficiente, por que Rafael Gladiador foi ignorado? Jones Carioca, Júnior, Ciro são tão melhores? E Jussandro? Diante da situação crítica nas laterais, não poderia ter sido testado por 30 ou 45 minutos que fossem nesta Série A?

O caso é que o Bahia tem muitas outras dores além de uma falha ou outra de Falcão. Em minha opinião, a diretoria erra ao tentar curar um arranhão quando na verdade existem feridas por todo o corpo. E pode estar errando duplamente ao trocar um medicamento por outro muito similar, afinal, Falcão e Caio Júnior têm estilos parecidos, apesar de carreiras e histórias diferentes. Será que o novo técnico tem o estilo de aplicar uma injeção de ânimo daquelas que você sente o efeito durante dias? Porque, já que não vai haver nenhum transplante de jogador, é preciso dar uma  reanimada urgente nesse grupo.

Mas, de novo, não é falha do treinador ter em mãos um grupo tão complicado. Porque o Bahia não tem um elenco com qualidade pior do que Sport, Atlético-GO ou Figueirense, por exemplo, mas falta ambição para muitos jogadores. Não acredito que Mancini, ou Zé Roberto (e outros), tenha a mesma entrega de quem ainda tem a sede de conquistar o mundo e a torcida. Essa é umas das contribuições mais importantes dos jovens para um grupo, principalmente quando o elenco não é dos melhores.

Dado todo esse boletim médico, torço para que Caio Júnior consiga fazer escolhas melhores para o doente que terá em mãos. É indispensável, no entanto, que a diretoria do Bahia saiba que um resultado melhor será apenas um analgésico. O Bahia atual é caso de cirurgia.

PRETINHO BÁSICO
Falcão chegou ao Bahia em fevereiro para substituir Joel Santana. No Campeonato Baiano, o treinador teve um aproveitamento de 75% e conquistou o título estadual, algo que não acontecia desde 2001. No Brasileiro, fez 10 jogos (5 derrotas, 4  empates e apenas uma vitória contra o Sport) e teve aproveitamento de 23%.

ESPORTE FINO
Caio Júnior já passou por clubes como Paraná (em 2006, quando ficou em 5° lugar no Brasileirão e levou o time à inédita Libertadores), Gama, Góias, Palmeiras, Flamengo, Botafogo e Grêmio. No exterior, trabalhou no Al Gharafa, do Catar, e antes de acertar com o Bahia estava no Al Jazira, dos Emirados Árabes.

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Ó, dúvida cruel

Responda rápido: você prefere garantir o melhor lugar no inferno ou o pior lugar do paraíso? Escolhe ser o dono da bola com poucos amigos e habilidades ou o craque canhoto do baba (ou pelada) de meia? Come aquela panela de brigadeiro no meio da tarde sabendo que vai engordar ou é mais feliz optando pela barrinha de cereal pra garantir a saúde e a silhueta? Ou seja, futebolisticamente falando, é melhor enfrentar o Flamengo, hoje, na Série A, mas com o pensamento e os pés na zona, ou só entrar em campo na terça-feira, contra o ASA, na Série B, mas com o pensamento e a cabeça no título do campeonato?

Há tempo, o futebol baiano vive às voltas com esse dilema. Depois de escaparem do que era ruim e só ficava pior, na Série C, Bahia e Vitória alternam entre o que é ruim, mas é bom, na segunda divisão, e o que é bom, mas é ruim, na primeira.

Claro, o Bahia tem o consolo de poder dizer que está na elite do futebol brasileiro, mas que felicidade tem o tricolor em ver o time na atual situação da tabela? Onde está a euforia de poder gritar gol com esse time de Falcão, desde que a taça do Campeonato Baiano foi parar no Fazendão? Cadê o conforto de ver o estádio cheio de gente com a esperança de chegar a algum lugar?

O Bahia que está aí não é personagem principal da história e o torcedor tem mais é que cobrar por isso. Não é raro ouvir que ao menos na Série B ele gritava gol, estava no topo da tabela e tinha o sonho real de alguma conquista, ao contrário do medo de cair da cama durante o pesadelo. Claro que essa afirmação é uma “escolha” feita de cabeça quente, mas que nem por isso deixa de ser verdade. Nos noventa minutos de cada jogo, é um sufoco torcer pelo Bahia na Série A.

Já o Vitória parece ter iniciado o campeonato ciente do papel de grande que deve assumir na Série B. Não, nenhum rubro-negro está feliz de ver o Leão fora da elite, mas quando ele assiste aos jogos do time, ao menos, é feliz. Enquanto o rival sofre com a escassez de gols e triunfos, o torcedor do Vitória explode de alegria gol após gol. Na parte “boa” do inferno, o rubro-negro balançou as redes em todos os dez primeiros jogos da competição e já comemorou sete triunfos (o Bahia venceu apenas uma vez). No Barradão, o torcedor ainda não saiu com uma derrota sequer engasgada na garganta (nesse caso, em toda a temporada). No pensamento, tem a perspectiva de poder imaginar uma taça. Nos noventa minutos de cada partida, é muito mais fácil e alegre torcer pelo Vitória na Série B.

A verdade é que ninguém gostaria de ter que escolher entre estas duas opções. Bom mesmo é estar no melhor lugar do paraíso, ser o craque e também o dono da bola e comer brigadeiro e não engordar. Mas esta realidade está distante do futebol baiano. Somos grandes demais para a Série B, mas no fechar da tabela, temos sido pequenos demais para a Série A.

PRETINHO BÁSICO
A última vez que Bahia e Vitória estiveram juntos na mesma divisão foi na Série C de 2006. De lá pra cá, o Vitória disputou três vezes a Série B (2007, 2011 e 2012) e três vezes a Série A (2008 a 2010). O Bahia ficou na Série C por mais um ano, passou três anos na Série B (2008 a 2010) e voltou à Série em 2011.

ESPORTE FINO
No Baiano, o Bahia marcou 61 gols em 13 triunfos, quatro empates e duas derrotas. Nos oito jogos da Série A 2012, marcou apenas 6 gols em 3 derrotas, 4 empates e uma vitória. Já o rubro-negro tem hoje o ataque mais positivo do Brasil. São 90 gols marcados (21 na Série B) nos 44 jogos realizados até agora.

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Maria aprende com as outras

Maria era uma bola brasileira. Onde as outras bolas do país iam, Maria ia também. Quando as bolas iam para a arquibancada, Maria também ia para arquibancada. Se as bolas saíam pela linha de fundo, Maria saía por ali também.

Um dia, todas as bolas decidiram se mover apenas quando fossem chutadas. Maria também escolheu a preguiça e ficou lá estagnada no meio de campo. Depois, todas as bolas colocaram em seus gominhos pensantes (ou não) que a culpa dos fracassos era sempre do técnico. Maria também tratou de entrar na onda de demitir e contratar técnicos em sequência. Afinal, Maria ia sempre com as outras…

Desorganizadas e passionais, as bolas acumularam dívidas, tropeços e confusões. Eventualmente, Maria, ou outra bola, marcava um gol ou levava uma taça, mas, na maioria das vezes, não sabiam nem explicar o porquê daquilo ter acontecido. Cheias de cores exuberantes e talentosas, Maria e as bolas disfarçavam a completa desorganização que as dominava. Era uma verdadeira piscina de bolinhas infantil. E não era fácil sair dali.


Certo dia, uma das bolas resolveu fazer algo diferente. Enquanto Maria e as outras bolas se batiam uma nas outras, viram a bola dissidente ser tricampeã brasileira. De repente, organização, planejamento e estrutura viraram palavras da moda. Maria até gostou da ideia. Mas, como todas as bolas continuaram na piscina, Maria ficou também.

Com o tempo, uma ou outra bola conseguia sair daquela bagunça, mesmo que jogada para fora após ser pisoteada. É famosa a história, por exemplo, de uma bolinha verde que conseguiu, em pouco mais de dois anos, conquistar o título da Série B, o tri estadual, a maior série de vitórias da história do futebol, e ainda chegar em duas finais seguidas de Copa do Brasil. Garanto, Maria, que ela não conseguiu o feito indo com as outras. Tampouco precisou descobrir a bola, vale ressaltar.

Nesta semana, outras duas bolas espertinhas resolveram ousar e convidar duas estrelas do futebol mundial para brilhar e dar umas espetadas por aqui. E elas aceitaram, algo que nem a bola mais vanguardista do pedaço imaginaria há alguns anos.

Veja só, Maria, trazer Seedorf e Forlán não é coisa para bola que vai com as outras. Sim, muitos vão resmungar que estão em fim de carreira e chegam para ter vida fácil no Brasil. Discordo dessa opinião. Claro, não são garotos, mas, pelas suas trajetórias, ainda têm muita bola pra jogar. Sem falar no potencial de marketing que esses dois possuem e que precisa ser explorado pelo Botafogo e Internacional (este último, por sinal, já pulou fora da piscina de bolinhas faz tempo).

Não falta identidade e personalidade para você, Maria, nem para as outras bolas ou cada clube do futebol brasileiro seguir seu próprio caminho. É importante ir para onde leva o seu pé, mas também é sinal de inteligência saber reconhecer bons exemplos. Deixar de ser Maria vai com as outras não significa que você não possa fazer um caminho que já foi bem trilhado por outra bola. Há uma diferença entre aprender e imitar. Seja uma Maria que aprende com as outras.

PRETINHO BÁSICO
Aos 36 anos, nascido no Suriname e naturalizado holandês, Seedorf é recordista de títulos da Liga dos Campeões por times diferentes: quatro – Ajax (95), Real Madrid (98) e Milan (2003 e 2007). Na seleção holandesa, disputou a Copa do Mundo de 1998. O ex-meia do Milan assinou contrato com o Botafogo por dois anos.

ESPORTE FINO

O uruguaio Diego Forlán foi eleito o melhor jogador da Copa de 2010 (foi o artilheiro também), quando jogava no Atlético de Madrid. No ano seguinte, foi campeão da Copa América com seu país e se transferiu para a Inter, mas não vingou em Milão. Aos 33 anos, o atacante firmou contrato de três anos com o clube gaúcho.

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Campanha rubro-negra chega à BBC


A campanha Meu Sangue é rubro-negro já está rolando desde o último sábado (30), mas me senti mais do que na obrigação de valorizá-la também por aqui, mesmo que um pouco atrasada. É sensacional. Uma prova do quanto o futebol é capaz de devolver o que deixamos de nós mesmos em campo e nas arquibancadas. Afinal, se o futebol faz o  coração bombear nosso sangue com mais força do que o normal, nada mais justo que a gente devolva um pouco desse sangue para quem precisa.

E uma ideia tão ousada só poderia ter grande repercussão. A campanha Meu Sangue é rubro-negro, na qual o Vitória incentiva a doação de sangue dos torcedores, ganhou destaque até na BBC de Londres, empresa de comunicação inglesa com alcance mundial. Pra quem ainda não sabe, o Vitória tirou as tradicionais listras vermelhas da camisa, que vão voltar gradativamente  de acordo com o aumento no número de doações.

Contra o Avaí, a camisa foi preta e branca. No jogo com o Paraná, dia 10, uma listra vermelha já vai aparecer na camisa, que só vai virar rubro-negra completamente dia 14 de agosto, contra o Guaratinguetá. Vale lembrar que  a evolução das cores só contam nos jogos dentro do Barradão. O Leão negocia com a Penalty a possibilidade de colocar a camisa  alvi-negra à venda para os torcedores.

Campanha do Vitória foi destaque na BBC e em outros veículos de comunicação internacionais

Confira o vídeo oficial da campanha narrado pelo ator rubro-negro Wagner Moura.


****Onde doar****

Hemoba
Ladeira do HGE – Avenida Vasco da Gama.
Hospital Irmã Dulce
Largo de Roma
Hospital do Subúrbio
Estrada Velha de Periperi

Atualização
Nesta quinta-feira (5), o ator Wagner Moura, que narra o vídeo oficial da campanha, divulgou um novo vídeo convocando os torcedores para participar da campanha. Veja:

Wagner Moura convoca torcida para campanha from ADSS – Presença Digital on Vimeo.

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Confronto de cores

Compagni, è vero! L’Italia ha raggiunto la finale di Euro 2012, contro la Spagna. Isso mesmo, amigos: a Azzurra chegou à final do torneio e hoje enfrenta La Roja num confronto metade “yo ya lo sabía”, metade “mamma mia!”. Sim, porque a Espanha já era esperada na decisão, afinal é a Seleção mais vitoriosa nos últimos anos, com os dois últimos títulos mais importantes do futebol mundial na bagagem. Do outro lado do campo, no entanto, muita gente apostava na Alemanha (alguns até mais do que nos próprios espanhóis).

A Itália, bem diferente, chegou à competição assim meio descompensada, destemperada e escandalosa. Enfim, uma coisa completamente, justamente, italiana, tu capisci? Amigos, a situação era tão desfavorável que só poderia nos levar a conclusão lógica, racional e empiricamente comprovada de que a seleção italiana só poderia ser mais perigosa exatamente por isso. Não captou? Relembro: foi assim antes das copas de 1982 e 2006 (vencidas pela Itália), ambas antecedidas por escândalos de manipulação de resultados no futebol do país, como também aconteceu em 2012.

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Dentro das quatro linhas, as duas pintam com um jogo de grupo forte, mas de cores completamente diferentes. La Roja tem um conjunto extremamente técnico onde todos têm papeis de importância parecida. A harmonia da pintura é tão grande que falta justamente uma pincelada que se destaque mais do que as outras, que seja mais decisiva lá na frente. Se há alguma crítica a ser feita nessa obra-prima, é a falta de um goleador. Há quem ache monótono contemplar a estratégia espanhola de segurar e controlar a bola (de forma genial), sem muitos chutes a gol. Respeito, mas sou do time que pagaria para entrar no museu onde essa arte estivesse sendo exposta com um sorriso no rosto.

A força da Azzurra também está no bom trabalho coletivo de seus jogadores, taticamente inteligentes, mas bem menos talentosos que o time vermelho. Na exposição azul, um meio de campo mais rápido, ligado brilhantemente por Pirlo nesta Eurocopa. A imprevisibilidade do atacante Balotelli (um personagem espetacular, mas, na minha concepção de craque, um jogador “comum”) e a segurança do goleiraço Buffon completam o portfolio. Ambos foram fundamentais nas horas decisivas.

Misturando as duas cores numa tela branca, a aula de arte na escola nos ensinou que encontraremos tonalidades do roxo ao lilás. No verde do gramado, o provável é uma predominância do vermelho, que faz seu jogo e concentra seus pintores no campo do adversário. Justamente por isso, o rápido e agudo contra ataque italiano, pode encontrar mais espaços descoloridos e tornar o azul ainda mais forte. Hoje, antes da bola rolar, se fosse um investimento, eu compraria o quadro azulado, mas ainda preferiria o vermelho pendurado na minha sala. De toda forma, os deuses do futebol têm o costume de pingar cores que não estavam disponíveis na paleta inicial.

Pretinho Básico
A Espanha, duas vezes campeã da Eurocopa (1964 e 2008), pode conquistar, além do tri, a façanha jamais atingida por uma seleção de ganhar duas vezes consecutivas o torneio tendo vencido ainda a Copa do Mundo (2010) entre elas. A Itália, campeã da Euro em 1968, busca o bicampeonato. Os alemães são tricampeões europeus (1972, 1980 e 1996 ).

Esporte Fino
Na campanha da competição, a Espanha venceu três jogos e empatou dois (um exatamente contra a Itália na fase de grupos). Marcou oito gols e sofreu apenas um. A Azurra venceu duas partidas e empatou três. Fez seis e levou três gols. Esta é a primeira vez na história que Espanha e Itália fazem a final de uma Eurocopa.

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