Arquivo de agosto 2012

Falta alma ao futebol

Sempre fui dramática e emotiva. Não necessariamente daquelas que faz cena ou chora com as lágrimas dos outros, mas daquelas que só acredita naquilo que faz doer até os ossos ou rir até o dedo do pé. Porque uma derrota, seja ela estampada numa nota baixa na escola, passando por uma frustração profissional ou amorosa, ou dentro das quatro linhas, só se torna real pra mim quando parece anunciar o fim do mundo. Assim como uma conquista da taça da Liga dos Campeões no maior estádio do mundo, ou do coração de alguém especial, só tem sentido quando é desfrutada por cada pedacinho do nosso ser. Sonhos mornos e caminhos indiferentes pouco ou nada me interessam.

O saudoso Nelson Rodrigues sabia transformar o oito em oitenta com uma genialidade só dele, se é que me permitem alguma conclusão sobre o jornalista, dramaturgo e escritor que faria 100 anos na última quinta-feira. “Sem alma, não se chupa nem um Chicabon, não se cobra nem um arremesso lateral”, dizia.

E como tem faltado alma ao nosso futebol de cada dia. Jogo após jogo, os mesmos discursos, pensamentos e acontecimentos. A mesma humildade para buscar os três pontos, respeitando o adversário, claro.

Não tenho dúvidas de que Nelson Rodrigues encontraria, caso quisesse, uma forma de transformar qualquer empate ou declaração insuportável numa odisseia deliciosa e cheia de ritmo. Torceria o nariz (e escreveria um texto memorável), no entanto, para a falta de autenticidade encontrada nos campos do futebol atual.

Veja só: em crônica de 1955, na Manchete Esportiva, revista de esportes publicada semanalmente entre os anos 1955 e 1959, Nelson Rodrigues escreveu: “Hoje, os jogadores, os juízes e os bandeirinhas se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Não encontramos, em ninguém, uma dessemelhança forte, crespa e taxativa. Não há um craque, um árbitro ou um bandeirinha que se imponha como um símbolo humano definitivo”. Repetindo o ano: 1955!

Naquele tempo, onde havia muito menos informação e, principalmente, imagem disponível, havia espaço para se criar e imaginar alma onde não houvesse. Se alma existisse em três dos 11 jogadores, por exemplo, era possível colocá-la em, digamos, oito recheados personagens. Hoje, é difícil encontrar uma única alma que seja em cada partida onde 22 homens correm (ou não) atrás de uma bola. O excesso de imagens, debates e replays só aumenta a falta daquilo que já não vemos.

No mesmo texto citado acima, Nelson Rodrigues conclui: “Vejam vocês que coisa melancólica e deprimente: um jogo de futebol tem 22 homens. Com o juiz e os bandeirinhas, 25. Acrescentem-se os gandulas e já teremos um total de 29. Vinte e nove homens e nem um único e escasso canalha, nem um único e escasso vigarista!”.

Não, não estou defendendo aqui qualquer tipo de desonestidade, seja ela do juiz, de um atacante ou de um técnico. Acho “melancólico e deprimente”, no entanto, essa fábrica de conduta que coloca, de hora em hora, numa caixa embalada em papel fluorescente, mais um “não-personagem” em campo.

O canalha e o vigarista que faltam ao nosso futebol não é o jogador mau caráter ou o juiz ladrão, do qual Nelson Rodrigues lamentava o desaparecimento como um “desfalque lírico, um desfalque dramático para os jogos modernos”. O que falta dentro das quatro linhas é aquilo que preenche essa enxurrada de imagens que nos chega a cada rodada e que não impede em nada que haja um maior profissionalismo no esporte.

O que sinto falta é do choro que vem das entranhas, da dor que irradia e derrama dos olhos, do grito que rasga a garganta. Porque a gente até esquece a bola que não entrou, o título que faltou e até o nome daquele jogador, mas a alma, amigos, esta que Nelson Rodrigues retratava de forma magistral, que nos torna verdade e não apenas carne, esta não se esquece.

Pretinho basico
Nelson Rodrigues nasceu em 23 de agosto de 1912, no Recife, e mudou-se para o Rio de Janeiro aos 4 anos. Começou a escrever contos aos 10 anos e aos 13 já trabalhava como repórter. Escreveu ao todo 17 peças, além de contos, crônicas e romances e morreu em dezembro de 1980 de complicações cardíacas e respiratórias.

Esporte fino
Como cronista esportivo, ao longo dos seus 68 anos, cunhou frases e criou personagens antológicos sobre o futebol e nunca escondeu a paixão pelo Fluminense. Era irmão do flamenguista não declarado Mário Filho, cujo nome batiza o Estádio do Maracanã. É dele a famosa expressão “idiotas da objetividade”.

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Ora Rodas Stock Car Bahia

Neste final de semana, acontece o GP Bahia da Stock Car aqui em Salvador! O Ora Rodas, claro, não poderia ficar de fora dessa, então, tratamos de correr literalmente na pista da prova antes mesmo dela estar liberada pra vocês conhecerem um pouco mais! Quem nos acompanhou nessa volta foi o piloto Patrick Gonçalves, um dos baianos (junto com Diego Freitas) que corre pela categoria. Ele dirigiu pela primeira vez o Peugeot 408, versão de rua do carro que pilota na Stock Car.

Vamos lá então, mãos no volante, pé no acelerador e dedo no play!

Para conhecer mais sobre o Peugeot 408 e saber o que Patrick Gonçalves achou do carro, confira a matéria completa aqui!

Vrrruummmmmmmmmm!!!!

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Aquecendo o motor – Ora Rodas Stock Car Bahia


Vocês sabem que eu não entendo muita coisa de carro (já basta futebol né minha gente?), mas eu ADORO descobrir umas coisinhas sobre o assunto pra vocês! Não é à toa que, no ano passado, lançamos o Ora Rodas, a versão automobilística da Tv Ora Bolas, aqui do blog. Olha aqui o link pra  quem não conhece e não viu o vídeo ainda.

Pois bem, neste final de semana, acontece o GP Bahia da Stock Car aqui em Salvador. As ruas do Centro Administrativo, onde a prova será realizada, estarão interditadas desde as 20h desta quinta-feira e, no domingo, mais de 50 mil pessoas devem acompanhar a etapa baiana da competição. É claro que o Ora Rodas não poderia ficar de fora né? Pois já estamos aquecendo os motores aqui na edição do vídeo e, no sábado (25), vocês conferem a matéria com o piloto Patrick Gonçalves, um dos baianos (junto com Diego Freitas) que corre pela categoria. Pelo clima das fotos da gravação, dá pra perceber que eu me diverti muito né?! Até sábado, então!

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A ordem dos fatores altera o resultado?

Nas últimas cinco edições do Campeonato Brasileiro, a ordem da tabela na virada de turno teve significativa importância no resultado final da competição. A chance de permanência entre os quatro primeiros ou entre os quatro últimos daqueles que lá estão na 19ª rodada é maior do que a possibilidade de mudança ao fim da 38ª e última partida.

Analisando primeiro a parte feliz do Brasileirão, apenas em 2007 três times que não estavam no topo conseguiram tomar o lugar dos que estavam por lá: Santos, Flamengo e Fluminense expulsaram Botafogo, Cruzeiro e Vasco. Em duas oportunidades, a mudança aconteceu com dois times: em 2010, Cruzeiro e Grêmio entraram no lugar de Santos e Internacional e, em 2009, Flamengo e Cruzeiro roubaram a vaga de Palmeiras e Goiás. O ano de 2009, inclusive, foi o único nos últimos cinco em que o campeão não estava entre os quatro primeiros da tabela na metade do Brasileiro. Em 2008, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras não deixaram ninguém entrar e, ano passado, só o Fluminense se juntou a Corinthians, Vasco e Flamengo, tirando o São Paulo. Outra curiosidade é que, por três vezes, o time que estava na liderança na virada do turno acabou levantando a taça no fim do ano: Corinthians (2011), Fluminense (2010) e São Paulo (2007).

Boa notícia para o Atlético-MG, atual líder do Brasileirão e maior interessado que a ordem dos fatores não altere em nada. Se a colocação do time mineiro foi uma surpresa para a maioria dos interessados e especialistas no esporte (e me incluo nesta lista), a manutenção dela até o fim do campeonato não terá mais nada de imprevisível (com exceção do sucesso discreto e eficiente de Ronaldinho, que segue me surpreendendo). Se a arrancada de algum time é sempre possível, não acho provável. Se tivesse que apostar no quarteto, trocaria apenas o Grêmio pelo Internacional que, completo, tem maior margem de evolução que o rival.

Falando da parte de baixo da tabela, também podemos tirar conclusões. Em nenhum dos últimos cinco anos, por exemplo, o ultimo colocado ao final da 19ª rodada conseguiu se safar do rebaixamento. Péssima notícia para o Figueirense. O retrospecto também não é muito bom para os outros três que figuram por lá. No ano passado, apenas o Atlético-MG conseguiu sair do Z-4, dando seu lugar ao Ceará, assim como, em 2009, somente o Fluminense deixou a zona da amargura. Em 2010, os Atléticos (MG e GO) trocaram de lugar com Vitória e Guarani, que acabaram rebaixados, assim como apenas dois times fugiram do destino que a metade do campeonato lhes reservava, em 2008 e 2007.

Na Série B, a ordem dos fatores parece ser ainda mais importante. Nos últimos três anos, dos doze times que estavam na zona de acesso na metade do campeonato (quatro em cada ano, logicamente), apenas dois times (Americana, em 2011, e Ponte Preta*, em 2010) deixaram a vaga escapar na reta final. Se este resultado já parece seguro para o Vitória, o que vale agora, definitivamente, é a ordem dos fatores.

PRETINHO BÁSICO
Em 2011, o Corinthians chegou à metade do Brasileiro com 37 pontos e foi campeão com 71. Em 2010, o Fluminense virou o turno com 38 e também levantou a taça com 71. O Flamengo de 2009 tinha 19 pontos na 19ª rodada e estava na 10ª colocação. Foi campeão com 67 pontos, o menor número dos últimos cinco anos.

ESPORTE FINO
Em 2011, o Bahia tinha 20 pontos e estava na 16ª posição na virada de turno. Com 46 pontos e na 14ª colocação no fim do campeonato, levou uma vaga para a Sul-Americana. Já o Vitória, na metade do campeonato do ano passado, tinha 27 pontos e ocupava a 9ª posição. No fim, a vaga na Série A escapou com 60 pontos.

*Correção: na coluna impressa foi informado que o América-MG teria deixado a vaga escapar. O correto seria a Ponte Preta.

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Brasileiros poderão escolher o nome da bola da Copa de 2014

Vocês preferem a notícia boa ou a ruim primeiro?! A boa? Então vou começar pela parte interessante: eu, você e toda a torcida do Bahia, Vitória, Corinthians, Vasco, Flamengo, Boa Esporte Clube, Ypiranga e etc, poderemos participar da escolha do nome da Bola Oficial da próxima Copa do Mundo, que será realizada aqui no Brasil, como já sabemos. Essa é a primeira vez na história que isso vai acontecer e, considerando a fama que a última bola teve (quem não se lembra da Jabulani, na Copa da África do Sul?), achei a iniciativa da adidas, marca que vai produzir a bola, muito bacana. Nada mais justo que os torcedores, aqueles que gritarão tanto pra que ela entre no gol, ou que seja defendida pelo goleiro, escolham o nome pelo qual vão perder a voz.


A escolha será feita por meio de uma votação popular realizada na internet que começou ontem (12) e vai até o dia 2 de setembro. Quem quiser deixar o seu voto, poderá escolher entre uma seleção de três opções, definidas após a empresa ouvir torcedores de todo o Brasil e chegar a uma lista com alternativas selecionadas por terem uma forte ligação com a cultura brasileira. Aí é que vem a má notícia: os nomes não são tão interessantes assim, em minha opinião. Vamos a eles, suas respectivas defesas dadas pela empresa e críticas, feitas por mim:

BOSSA NOVA
A ideia aqui é que assim como o futebol Brasileiro, a Bossa Nova conquistou o mundo com arte e beleza. Por isso esse ritmo foi sempre associado à forma como o brasileiro joga bola, ousado e fazendo com que tudo pareça muito fácil.
Minha opinião: Eu amo Bossa Nova, mas confesso que nunca fiz essa associação do ritmo com a forma de jogar dos nossos craques. Se for pra ser um ritmo pelo qual somos famosos “dentro de campo”, o samba é a primeira coisa que vem à minha mente, principalmente pensando no apelo internacional. Sim, eu sei que a Bossa Nova nasceu da mistura do samba com outros ritmos, mas isso não é o suficiente pra mim na hora de fazer essa ligação com o futebol.

BRAZUCA
Para a campanha, a bola que vai rolar nos gramados do Brasil tem que ter a alegria e a irreverência do nosso povo. Será a bola que vai representar o orgulho de ser brasileiro e a paixão pelo futebol.
Minha opinião: É o nome mais simpático (apesar de que eu prefiro escrito com “s”), mas ainda acho muito pobre no sentido de carregar um pouco da nossa cultura. O nome é sonoro, alegre, mas falta conteúdo. Ele não me diz muita coisa. Diz pra vocês?

CARNAVALESCA
Nesta opção, o apelo é que o Brasil é ritmo, ginga, alegria, espetáculo. Com a bola ou o samba no pé, o povo brasileiro encanta o mundo. Por isso, a Carnavalesca representa a mistura de povos em uma bola que tem tudo a ver com a cultura e arte nacional.
Minha opinião: Eu não gosto dessa ideia de que no Brasil tudo é carnaval, o nome não é sonoro e, sinceramente, não acho que tem ligação com o futebol. Não gostei mesmo.

Pelas redes sociais, já percebi que as opções não foram muito festejadas, mas, e vocês, o que acharam? Sentiram falta da popular “gorduchinha”? Gostaram de algum?

Pra deixar o seu voto, basta entrar num dos três sites da campanha (onde você pode conhecer um pouco mais sobre as bolas dos outros mundiais). Todas as pessoas que votarem na escolha do nome da bola também poderão participar de uma promoção para concorrer a um par de ingressos para assistir ao jogo do Brasil na abertura da Copa do Mundo da FIFA 2014.

Pra votar:
www.adidas.com.br/nomedabola2014
www.globoesporte.com/nomedabola2014
www.nomedabola2014.com.br

A promoção será realizada no site:
www.adidas.com.br/nome-da-bola-2014/promocao

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Futebol malcriado

Vai ter gente dizendo que Neymar é uma farsa, um produto da mídia, que não joga 10% do que falam e que se preocupa mais com o penteado que vai usar do que com a bola que vai chutar. Vai ter quem diga que a culpa é exclusivamente de Rafael, Oscar, Sandro, Ganso, João, Maria ou José. Vai ter também, claro, aquele grupo grande e chato comemorando como um título de campeonato esta e qualquer derrota da “Seleção da CBF”.

Faltou técnico? Faltou. Mano Menezes até hoje não encontrou um caminho a ser seguido, convocou e escalou mal para os Jogos. O mérito tático do México, mesmo com jogadores tecnicamente abaixo dos nossos, nos faz imaginar o que poderíamos ter apresentado em Londres. Mas também faltou projeto olímpico? Faltou. Porque eu não sei, em que mundo, bradar e exigir uma medalha de ouro, a quatro meses da competição, pode ser chamado de projeto. Na verdade,  nunca houve uma atenção real para o torneio. Que eu saiba, planejar exige, no mínimo, metas e objetivos claros e consistentes. Bem diferente dos diversos caminhos que este time ameaçou trilhar para depois pegar outro rumo diferente. E, se a Copa do Mundo de 2014, na verdade, for o objetivo final, é preocupante que essa Seleção Brasileira que vimos em campo contra o México seja a base para algum futuro. E isso é muito mais preocupante do que a cor da medalha que foi para o peito desses jogadores.


Independente de todos os erros e de quem comanda ou não a Seleção Brasileira, nunca deixei de torcer pela Amarelinha. Sofri quando aquela cabeçada de Oscar, no último minuto do jogo e que levaria a disputa para a prorrogação, não entrou. Acho, no entanto, que esse ouro é uma obsessão de um país futebolisticamente mimado. Que tem a prepotência de achar que deve ter tudo sempre e que é incapaz de analisar seus próprios erros. Como os pais de uma criança que esperneia e grita na porta de uma loja por um brinquedo, mas são incapazes de perceber ou assumir a culpa que carregam pela malcriação. É assustador a quantidade de pessoas que costuma deixar passar batido o real significado da palavra malcriação. Ela precisa de mais de um sujeito para existir.

É aquela velha lição de bom senso que não é por que não conquistou a medalha que essa geração de Neymar, Oscar, Lucas deve ser crucificada e tachada como um completo fracasso. Assim como o panorama não seria o melhor, caso o ouro tivesse vindo. Que sirva para algum tipo de reflexão dos pais dessa criança. Torci pela medalha de ouro, mas a verdade é que ela não me fez muita falta. Existem outros motivos muito mais importantes para batermos o pé até 2014.

E já que estamos falando de Seleção Brasileira, vale refletir um pouquinho sobre esse distânciamento da torcida na coluna “Ame a sua Seleção”, escrita há pouco menos de um ano. O triste é que nada mudou.

PRETINHO BÁSICO
Assim como em 1984, quando perdeu para a França, nas Olimpíadas de Los Angeles, e em 1988, quando foi derrotada pela extinta União Soviética, em Seul, a seleção brasileira ficou com o vice-campeonato olímpico nos Jogos de Londres. O Brasil tem ainda duas medalhas de bronze, em 1996, em Atlanta, e 2008, em Pequim.

ESPORTE FINO
O próximo compromisso da Seleção Brasileira é um amistoso com a Suécia na próxima quarta-feira (15). A partida marca a despedida do Estádio Rasunda, em Estocolmo, palco do primeiro título mundial da Seleção em 1958. Em setembro e outubro, o Brasil faz amistosos com China e Japão, respectivamente.

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Onde você estará daqui a vinte e três rodadas?

Quase todo mundo já se deparou com aquele questionamento no qual deve se imaginar daqui a cinco anos. Seja numa entrevista de emprego, numa conversa séria com alguém ou sonhando acordado numa rede. Quem nunca parou para pensar como estará de vida em algum momento do futuro? Posso estar enganada, mas desconfio que as mulheres sejam especialistas no assunto. Cresci na carreira? Tive um filho? Plantei uma árvore? Eu, cinco anos atrás, por exemplo, imaginei e errei muita coisa do que vivo agora. As decisões durante o percurso que tomei, no entanto, me trouxeram exatamente ao lugar onde eu queria estar.

Futebolisticamente falando, porque é isso que interessa aqui, a gente também tem essa mania (e nesse caso arrisco dizer que a  especialidade é masculina). Onde você imagina o seu time daqui a cinco, dez, vinte e três rodadas? No topo da tabela, fugindo do rebaixamento, assegurando sua volta para a elite do  futebol brasileiro?


No caso do Vitória, projeto que haverá o que se comemorar no fim do ano. E isso tem tudo a ver com aquela história de construir um caminho e tomar as direções certas para isso. Claro que, eventualmente, todo mundo precisa fazer um retorno, parar no sinal e tal e coisa, mas o que fica difícil mesmo é querer chegar ao topo do Everest com um mapa que leva para a Finlândia.

Não parece o caso do Vitória em 2012. Percorrendo a estrada sem sucesso do ano anterior, após seus 15 primeiros jogos, o time baiano tinha apenas 20 pontos, 12  a menos do que possui agora, e ocupava a 12ª posição. Ao fim da 20ª rodada de 2011, tinha pulado para a 6ª posição, mas ainda sem alcançar a pontuação que já possui no momento atual com cinco rodadas de vantagem. Dá pra ser otimista, portanto, que o Vitória chega aos 63 pontos, média final limite para o acesso nos últimos três anos.  E dá pra pensar em título no fim do túnel, sim. Em 2009, na 15ª rodada, o Vasco, campeão naquele ano, tinha conquistado 29 pontos (dois a menos do que o Vitória, pra ficar claro). Ainda falando de times que levantaram a taça, o Coritiba, nesse mesmo momento em 2010, tinha 30 pontos e a Portuguesa, em 2011, ostentava apenas um ponto a mais que o Vitória.

Tem mais. Com exceção da Portuguesa, que se manteve na liderança desde a 10ª rodada, Coritiba e Vasco levaram mais tempo para segurar a primeira posição. O Coritiba se tornou líder para não mais deixar o topo da tabela somente na 23ª rodada, enquanto o Vasco fincou seu escudo por lá na 19ª.

Apesar do último tropeço, o Vitória tem tudo pra voltar a trilhar o caminho para a Série A. Pode não ser exatamente do jeito que a torcida deseja, pode não ser com um futebol tão bonito e pode ser sem os gols de Neto Baiano. O mapa para o destino, ao menos, aponta para o caminho certo.

Bahia
Em situação bem diferente, o torcedor tricolor prefere não imaginar onde estará seu time daqui a cinco, dez, vinte e quatro rodadas. O problema tricolor não é um tropeço, está bem antes, naquela história de um mapa que não leva para o destino desejado. Será preciso muitas mudanças de direção num grupo que já anda cambaleando. As chances de retomada, claro, existem, mas não serão nada seguras. O Bahia segue trilhas tortuosas.

PRETINHO BÁSICO
Desde a 10ª rodada, o Criciúma se mantém na liderança e o Vitória segue logo abaixo. Apesar da última derrota no Barradão, o Vitória não perdia em casa há vinte e três jogos. Na Série B, foram cinco vitórias, um empate e uma derrota em seus domínios. As outras duas derrotas no campeonato foram para Criciuma e Góias.

ESPORTE FINO
Até a derrota dessa rodada, na sexta-feira (3), dos 48 jogos do rubro-negro na temporada, Neto Baiano não havia atuado em quatro. Em todas elas, o Vitória havia vencido. Com 38 gols em 44 partidas, Neto Baiano possuia média de 0,8 gol por jogo e foi responsável por 44% dos 85 gols marcados pelo time no ano.

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