Arquivo de outubro 2012

Plim Plim ~ Facebook ~ Plim Plim


Minha gente linda que eu adoro!

Criei há algum tempinho uma página no Facebook pra contar as novidades e continuar essa troca de informações sobre futebol que a gente tanto gosta! É o lugar certo pra me encontrar pelo Face, tá?!? Espero que entendam que o perfil pessoal segue fechadinho pros amigos de carne e osso que não estão necessariamente tão interessados em futebol assim…

Então vamos curtir a página, sugerir links, opinar, comentar e isso tudo que essa internet linda da nossa modernidade nos permite!! #todoscurte \o/

Clara Albuquerque – Facebook

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Por que fazer hoje se ainda temos amanhã?

Por que estudar pra prova com uma semana de antecedência se você pode deixar pra virar a noite na véspera? Pra que comprar os presentes de Natal no início de dezembro quando você pode deixar para a última semana com os shoppings lotados? Por que fazer a mala calmamente no dia anterior se você pode jogar tudo desordenadamente horas antes da viagem pra não perder o voo? Agora, me respondam só mais uma pergunta: por que diabos voltar para a Série A tranquilamente na 34ª rodada se dá pra garantir o acesso de forma bem mais emocionante (pra não dizer desesperada) numa rodada mais perto do final?

É isso mesmo, apressadinhos, o Vitória gosta dessa história de emoção até o último minuto. No contexto geral, é claro que a gente quer um campeonato eletrizante até o final. Qualquer apaixonado por futebol gosta da adrenalina do tudo ou nada quando falamos de um contexto maior. Individualmente, no entanto, alguém duvida que os torcedores do Fluminense, por exemplo, preferem gritar “É campeão!” com antecedência? Se ficar tudo decidido antes, pode até faltar emoção depois, mas, no caso do acesso, a gente prefere a tese contrária à do título desta coluna: “Não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje”.

O Vitória fez um primeiro turno sensacional e terminou a primeira etapa da competição com 44 pontos conquistados – maior pontuação na era dos pontos corridos. Já era esperado que uma queda de rendimento acontecesse, mas ela veio maior do que se poderia imaginar. Os três pontos sagrados de quase todas as rodadas deram lugar a um aproveitamento de 52% que, levando em conta apenas o segundo turno, deixaria o Vitória num irritante 5º lugar.

Calma, o Vitória vai subir, mas é bem verdade que não precisava ser com tanta tensão. Disseram que a culpa era de Carpegiani. Ou, talvez, quem sabe, do caso Uelliton? O presidente também poderia ser a causa. O gramado, a trave, a chuteira, vai saber! Por que não até “nergias negativas”, como apontou o goleiro Deola após a derrota para o São Caetano na sexta?

Eu não estou no Vitória todos os dias, muito menos sei o que se passa no vestiário. Não recebo salário pra contratar, demitir, decidir, repensar, analisar e resolver os problemas do clube. Está claro pra mim (pra todo mundo na verdade), no entanto, que tem alguma coisa errada. Carpegiani não foi o primeiro a sair com um discurso negativo do clube. É papel da diretoria identificar e fazer sua parte. Pra dar um empurrãozinho, já posso garantir que o problema não são as energias negativas. Resta saber se os dirigentes são capazes de garantir, hoje, o que definitivamente não pode ser deixado para amanhã. Empurrar as responsabilidades para depois aumenta consideravelmente a chance de algo dar errado.

Pretinho básico
No fim do primeiro turno, o Vitória tinha 44 pontos com um aproveitamento de 77%, seguido por Criciúma (74%), Joinville (63%) e São Caetano (60%). Até então, Corinthians (2008) e Vasco (2009) tinham a melhor campanha na primeira metade da competição, terminando a ‘fase’ com 39 pontos ganhos.

Esporte fino
Quando falamos de título, o Corinthians foi o time que mais pontos conquistou na competição desde 2006, levantando a taça com 85 pontos. Campeã em 2011, com 81 pontos, a Portuguesa vem logo atrás no ranking, seguida do Vasco, que voltou à Série A no topo da tabela, em 2009, com 76 pontos.

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Brasileirão, um roteiro escrito

Vocês acompanharam o final de Avenida Brasil na última sexta-feira? Reviram ou assistiram com atraso no sábado? Eu não. Nunca gostei de novela e, confesso, até me irrito quando vejo alguns pedaços aqui e ali. Pois nestes últimos dias, me senti como muitas mulheres (e homens também) que não participam do mundo do futebol. Com exceção de quatro ou cinco, eu não conhecia os personagens, não sabia o que eles tinham feito e o que eles ainda poderiam aprontar. Exatamente como acontece com muita gente em relação ao futebol.

Mas, se foram várias as vezes que amigos se assustaram quando eu desconhecia alguma referência feita por eles à trama, também acho um espanto muita gente não conhecer os artilheiros, destaques, heróis e vilões do Brasileirão.

Pois no roteiro de 2012, arrisco dizer que o suspense principal já foi revelado.  Não acredito que uma reviravolta possa tirar o título do Fluminense e o jogo de hoje diante do Atlético-MG pode decretar o final dessa história. Durante todo o campeonato, o time de Abel Braga foi um personagem consistente que mesmo quando não teve uma atuação digna de prêmio, segurou o objetivo da cena. Foi assim em diversas oportunidades, inclusive contra o Bahia. E não me venham com teoria da conspiração relacionada à arbitragem. É natural que quem esteja no topo da novela, digo, tabela seja o alvo das acusações, mas o apito está ruim para todos os lados. Carminha que me desculpe, mas a arbitragem do Brasileirão já ganhou o título de vilã do ano.

Na briga pela Libertadores, o final feliz deve ficar mesmo com Atlético-MG, Grêmio e São Paulo. Acho difícil que o Vasco retome esta última vaga.  O tricolor paulista tem mostrado que é aquele típico personagem secundário que cresce durante a trama enquanto o Vasco foi se perdendo e desmontando até não ter mais identidade para ser protagonista (o São Paulo somou 21 pontos nas últimas dez rodadas e o Vasco, 12). Já no núcleo dramático, acredito que Atlético-Go, Figueirense, Palmeiras e Sport realmente não terão um final feliz. O papel do Bahia não será nada fácil, mas seus últimos confrontos, ao menos no script, devem render diálogos mais aliviados nas arquibancadas.

Acredito que o rascunho do campeonato está escrito, mas isso não significa que a versão final tenha perdido a graça. Você deixaria de assistir ao último capítulo da novela se eu te contasse o que aconteceria antes? Imagina no futebol, onde a palavrinha ‘improviso’ aparece no topo de cada cena sem que você tenha a chance de uma segunda gravação?
Não, não pretendo “me render” aos folhetins, mas, no fim das contas, futebol e novela têm muita coisa em comum. E sempre dá tempo de assistir aos capítulos finais mesmo sem saber escalar o time.

Pretinho básico
O Fluminense está na primeira colocação há dez rodadas e há 25 entre os quatro primeiros. Nas últimas dez rodadas, inclusive, foi o time que mais somou pontos: 25. Fred é o artilheiro do time, com 25 gols e, ao menos até o início da rodada, também era o artilheiro do campeonato, ao lado de Luís Fabiano, do São Paulo.

Esporte fino
O Bahia encara Portuguesa, Cruzeiro e Atlético-GO fora de casa e Grêmio, Ponte Preta e Náutico em casa. O Palmeiras pega Inter, Flamengo e Santos fora e Botafogo, Fluminense e Atlético-GO em casa. Atlético-GO, São Paulo, Vasco, Figueirense, Botafogo, Fluminense e Náutico estão no caminho do Sport.

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Sobre o Bahia e a arte de ser quase

O Bahia do primeiro turno era um time de ‘quases’. Estava quase sempre caindo, sua torcida estava quase sem esperança rodada a rodada, seu ataque estava quase sem gols e o grupo quase sem vitórias. Ao fim das primeiras 19 partidas do Brasileirão, o tricolor tinha marcado somente 15 gols, tendo passado em branco em oito jogos, e somava apenas três vitórias na tabela. Resumindo, quase sem perspectivas.

A chegada de Jorginho, no segundo turno, transformou o grupo. Em dez rodadas, o Bahia quase não perdeu, quase não tomou gols e quase ficou entre os dez primeiros na tabela, algo inédito na era dos pontos corridos. Pulando de um aproveitamento de 30% para 60%, com cinco vitórias e apenas duas derrotas (no primeiro turno, contra os mesmos adversários, foram cinco derrotas e apenas uma vitória), o Bahia deixou seus torcedores eufóricos. O Bahia segue sendo um time de ‘quases’, mas de uma forma bem mais confortável.

Tem um quase específico, no entanto, que anda engasgando o time: o quase grito de gol. Já praticamente igualando o número de gols do primeiro turno em apenas dez jogos, o Bahia melhorou consideravelmente seu ataque, mas ainda sofre com a quantidade de gols perdidos. Foi assim na derrota para o Internacional, na 26ª rodada, e principalmente contra Flamengo e Fluminense nas últimas duas partidas. O time ganhou padrão de jogo e até variações táticas, mas bate na trave, literalmente, na hora de decidir, mesmo jogando melhor que seu adversário. Sem um atacante que possa substituir ou até mesmo jogar com Souza, o Bahia tem se apoiado na pontaria de seus volantes. Cinco, dos últimos seis gols tricolores, foram marcados por eles*. O problema é que, também pra que isso dê certo, Souza tem que estar lá.

Dos dez jogos do 2º turno, Souza participou de seis, sendo três vitórias, dois empates e uma derrota. Apesar de ter marcado apenas três gols, foi fundamental para o funcionamento tático do time. Com o artilheiro do Bahia em campo, os volantes aparecem como surpresa (e não regra) e Gabriel, mais livre para se movimentar fora da grande área, rende mais. Não é à toa que Fahel, um volante, e Gabriel são os vice-artilheiros do time, cada um com quatro gols, seguidos por Helder, outro volante.

Nos últimos jogos, a torcida tricolor cansou de apontar para o buraco de Souza na hora em que o time atacava. A bola estava quase lá, mas faltava alguém pra matar o jogo. Resolver esse problemão (lá se vai uma temporada sem que se encontre um substituto para Souza) é a certeza que pode definir o ‘quase’ que acompanhará o Bahia nesta reta final do Brasileirão e, por que não, também em 2013. É o tipo de coisa que não dá pra quase decidir.

Pretinho básico
O atacante Souza marcou 26 dos 100 gols do Bahia na temporada. Júnior, atualmente no departamento médico, tem 13 e Gabriel (11), Fahel (7) e Rafael Donato (6) completam o top cinco na contagem geral. No Brasileirão, o artilheiro do Bahia tem 7 gols e é seguido por Fahel e Gabriel (4 gols), Hélder (3), Jones e Kléberson (2).

Esporte fino
No 1º turno, o Bahia balançou a rede 15 vezes e, nos 19 jogos, marcou mais de um gol em apenas quatro oportunidades. No returno, o time de Jorginho já chegou a 14 gols em dez jogos, tendo marcado mais de um gol também em quatro partidas (com direito a duas goleadas, algo que não existiu no 1º turno).

*No jogo de domingo (14/10), Coritiba 2×1 Bahia, o gol do Bahia foi marcado por Neto, um lateral.  Atualizando: dos últimos sete gols tricolores, cinco foram marcados por volantes, um por lateral e outro por Claudio Pitbull, um atacante.

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Cadê as surpresas, Brasileirão?

Mulheres, geralmente, não gostam de contar suas idades. Como se o segredo, de alguma forma, pudesse enganar o tempo e mantê-las jovens para sempre. Bobagem, meninas, um número não vai mudar quem somos e, vamos combinar, os tempos são outros. Os temidos 30 anos não são mais os mesmos. Seja na hora de mudar o rumo da sua vida, de se apaixonar novamente ou de começar a praticar um esporte, idade não é obstáculo. E o Campeonato Brasileiro está aí para provar.

Vamos fazer um exercício: pense em seis jogadores que têm sido protagonistas deste Brasileiro. Dificilmente, seus escolhidos não estarão entre: Luis Fabiano, Seedorf, Deco, Fred, Juninho Pernambucano e Diego Cavalieri. Com idades entre 29 (Fred e Diego são os caçulas) e 37 (Juninho é o mais velho da tropa), os seis lideram o ranking do Troféu Armando Nogueira, decidido por jornalistas esportivos da Globo, rodada a rodada, através de notas. Se mudarmos os parâmetros para a escolha, a tese segue sendo comprovada. Quer ver? Escolha um destaque de cada um dos times no topo da tabela e você provavelmente acrescentará Ronaldinho Gaúcho, 32 anos, do Atlético-MG e Zé Roberto, 38 anos, Grêmio.

Com tantos balzaquianos na lista e, principalmente, no caso dos que já passaram dos 35 anos, a primeira conclusão que tiramos só pode estar relacionada ao avanço da preparação física. Aliada à disciplina de atletas como Juninho, Seedorf e Zé Roberto, ela é de fazer inveja a muito meninote de 20 anos e acaba por criar uma nova categoria de craques veteranos, mas que jogam em alto nível.

Mas há outra pergunta importante a ser feita dessa lista: cadê as novidades, Brasileirão? Cadê as surpresas que possam trazer algum drible novo, uma ginga nova, ou uma esperança, sei lá, de futuro pra camisa 9 da Seleção?

No Brasileirão 2012, quem tem feito a diferença são os jogadores já conhecidos. São craques que já sabemos do que são capazes. Mais do mesmo (ainda que o mesmo seja ótimo). E aqui vale a ressalva, por qualidade, de Neymar e Lucas, mas que não tiveram sequência no campeonato por conta das convocações para Seleção. Ainda assim, a dupla não seria nenhuma novidade.

Os protagonistas deste Brasileirão têm muito mais a ensinar do que a aprender (e não digo apenas dentro de campo). Reflexo de um futebol que, mesmo em crítico momento de renovação da sua Seleção, não consegue apresentar nada de novo. Com exceção do craque do Santos (já que Lucas deixará o país no fim do ano), o que nos resta é aprender com os mais velhos enquanto esperamos pelo novo, quem sabe, em 2013

Pretinho Básico
Camisa 10 do Grêmio, com 38 anos, Zé Roberto voltou ao Brasil em maio. Jogou em Portuguesa, Real Madrid, Bayer Leverkusen e Bayern de Munique (Ale): Flamengo, Santos, Hamburgo (Ale) e Al-Gharafa (Qta). Pela Seleção, conquistou duas Copa América e duas Copa das Confederações e foi titular na Copa do Mundo de 2006.

Esporte Fino
O holandês Seedorf chegou ao Botafogo com 36 anos. No currículo, quatro Champions League por três clubes diferentes: Ajax, Real Madrid e Milan. Já Juninho, antes de voltar para o Vasco, onde já era ídolo (foi bicampeão brasileiro e campeão da Libertadores), comandou o Lyon nas sete conquistas consecutivas do campeonato francês.

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Porque ele é o melhor do mundo

Em tempos de tanto desrespeito no futebol, de tanta covardia, prepotência, ignorância e arrogância,  é um verdadeiro suspiro de alívio ler a entrevista de Messi, publicada pelo jornal espanhol “El Pais”, no primeiro dia deste mês, e traduzida em grande parte abaixo.

Mesmo sem querer ou precisar falar, o argentino explica, em cada resposta simples e honesta, porque é o melhor do mundo. O entendimento de quem é Messi e porque ele é o que é, não está nos números de gols ou de títulos do craque, embora tudo isso seja imprescindível.  A genialidade dos pés de Messi começa  em sua cabeça.

Em uma das raras longas entrevistas concedidas por Messi, um exemplo de craque, ídolo, profissional, mas acima de tudo, um exemplo do que é ser humano.

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Por Ramon Besa e Luis Martín, para o El País

Leo Messi marcou para encontrar os jornalistas às nove horas da manhã e chegou com meia hora de antecedência. Está frio e, no momento em que o argentino sente o clima, um dos membros da assessoria de imprensa do clube entrega um casaco, o qual ele recusa: “Estou bem”. Aos 25 anos, o argentino de Rosário se prepara para se tornar pai dentro de um mês – um menino, que se chamará Thiago – e está claramente feliz. Com exceção da hora marcada, não colocou mais nenhuma condição para a entrevista. Amável, sorridente e disposto a falar, não faz concessões em suas respostas, convencido de que falar à imprensa é um requisito dispensável ou gerenciável.

Pergunta. Dizem que você adora dormir, mas você já estava aqui às  8h30. Está preparado para dormir pouco com a chegada de Thiago?

Resposta. Eu sempre gostei de dormir, mas cada vez durmo menos. O que gosto mesmo é da siesta, realmente. Para a chegada de Thiago estou muito preparado. Estou animado.

P. Obviamente, a siesta você aprendeu em Barcelona …

R. Eu aprendi tudo aqui! Cheguei com 13 anos, cresci aqui, fui para a escola … A maioria das coisas que eu aprendi foi em Barcelona. E sempre disse que sou muito grato porque é assim que me sinto.

P. Você tem a sensação de ter devolvido ao Barcelona tudo o que você recebeu em sua criação?

R. Não, eu não sei … Sempre quis mostrar o meu compromisso com o clube. Talvez no início, fosse mais perceptível, agora é mais comum. Esta é a minha casa, o meu clube. Devo tudo ao Barça. E como sempre disse, estou feliz aqui.

P. Você já disse não se preocupar com número de gols, que prefere títulos. Existe alguma coisa que te preocupa em especial?

R. Eu prefiro ganhar títulos com a equipe do que ganhar prêmios individuais ou marcar mais gols do que qualquer outra pessoa. Estou mais interessado em ser uma boa pessoa do que ser o melhor jogador do mundo. Afinal, quando tudo isso acabar, o que você leva com você? Quando me aposentar, eu espero que as pessoas lembrem de mim como uma pessoa decente. Eu gosto de marcar gols, mas também de ter amigos entre as pessoas que tenho jogado.

P. Você também não se preocupa em ganhar a quarta Bola de Ouro da FIFA?

R. Prêmios são bons. Eu sou grato por eles, é claro, mas no final do dia essas coisas interessam mais a vocês [a imprensa]. Vocês estão sempre se perguntando se este jogador é melhor do que aquele jogador. Xavi ou Iniesta? Quem pode dizer? Eu tenho a sorte de ter cáido nessa equipe do Barcelona, com grandes jogadores. O barcelona me deu tudo: os prêmios, os títulos, os gols, tudo. Esta equipe vai entrar para a história por tudo o que ganhou. A equipe faz de mim um jogador melhor. Sem meus companheiros eu não seria nada – eu não teria ganho nada.

P. O que te deixa bravo?

R. Eu odeio perder. Na vida? Na vida, a pobreza. Eu venho de um país onde você vê em toda parte. Há muitas crianças que não têm escolha a não ser sair na rua e pedir ou trabalhar no que for desde muito jovem.

P: E a famosa bolha onde vivem os jogadores de futebol? Você não está alheio a estas coisas?

R. Não. Como você pode ser alheio? Somos privilegiados por viver da forma como vivemos. Nunca me faltou nada, exceto o resto da minha família quando eu estava em Barcelona sozinho com o meu pai. Mas a realidade é muito diferente. Muitos pais têm dificuldades de criar seus filhos … Eu sei.

P. Você tem uma fundação para ajudar crianças carentes.

R. Nós trabalhamos para educar as crianças, para tirá-las das ruas através da educação e do esporte. Trabalhamos com a UNICEF, escolas e hospitais … É bom poder ajudar.

P. Sua fama significa que você está sempre sob os holofotes. É sufocante?

R. Não, porque eu nunca estou fingindo. Eu sou do jeito que sou dentro e fora do campo. Não me importo de ser obeservado, porque eu sou sempre a mesma pessoa. Tem sido assim desde que eu comecei a ser conhecido e o embaraço inicial passa.

P. O seu estilo de jogo pode ser treinado? Você pratica?

R. Eu não sei, eu acho que não … Eu tenho jogado assim desde que era criança.

P. Isso é o que Tito Vilanova disse.

R. O que ele disse?

P. Disse que, para surpresa dele, você faz a mesma coisa de quando era criança, mas agora contra os melhores jogadores do mundo, não os de 14 anos de idade.

R. É verdade que meu estilo de jogo não mudou muito, mas, obviamente, eu aprendi coisas sobre o jogo. Ajudou ter vindo para o Barcelona e treinado com as equipes juvenis. Ainda ontem eu estava assistindo crianças de sete anos treinando perto de nós e a forma como são ensinados é diferente de qualquer outro lugar do mundo. São ensinados desde tenra idade a manter a bola, a tática, a entender o jogo. As crianças estavam jogando da mesma maneira que fazemos!

P. Dizem que, quando você descobriu que Vilanova iria substituir Pep Guardiola, apenas sorriu, mas o seu sorriso acalmou o clube inteiro.

R. É possível que eu tenha sorrido porque eu fiquei feliz que seria Tito. Eu o conheço desde criança e a equipe passou cinco anos com ele e Pep. Tito foi o primeiro [treinador] a jogar comigo. Até então, eu sempre era reserva ou não estava na equipe, e ele me fez mais ou menos um jogador titular na equipe [Júnior]. Eu o conheço. Ele é uma pessoa normal, aberta. Ele é franco, diz o que pensa. Eu gosto disso.

P. Você nunca se contenta com apenas um gol. Também está indo para um hat-trick (trio)de crianças?

R Eu não sei … Quanto mais, melhor. Que venham!

P. Uma das coisas mais surpreendentes é o quão difícil é te derrubar, e você nunca se joga…

R. Isso também vem de quando eu era criança. Eu sempre fui assim, eu sempre tentei terminar o movimento. Eu não sei, eu nunca fui de me jogar, eu nunca fui de procurar por isso.

P. Você fala muito em campo?

R. Não, eu não falo muito [risos].

P. Árbitros e jogadores adversário discordam…

R. Ah, eu falo muito com eles. Com meus companheiros de equipe que não é necessário. Nós temos jogado juntos por muito tempo nos entendemos com um olhar único.
P. Qual o jogo contra o Real Madrid que você mais lembra?

R. Eu lembro de todos os que ganharam. É o melhor sentimento, vencer o Real, por causa da história entre os dois clubes. É uma grande equipe. Eu acho que a semifinal da Liga dos Campeões no Santiago Bernabéu, por causa do que o jogo significava.

P. Você marca bastante contra Iker Casillas. Você não gosta dele ou alguma coisa?

R. Não, muito pelo contrário. Eu tive sorte o suficiente nos últimos clássicos para marcar. Espero que continue. Iker é um goleiro excelente, um dos melhores. Já marquei contra ele, mas ele também defendeu muitos. Ele é muito bom, muito rápido.

P. O que você admira no Real de Mourinho?

R. No contra-ataque, eles podem te matar. Eles têm atacantes muito rápidos e a ligação entre a defesa e o ataque dura cinco segundos e termina em gol. Eles não precisam estar jogando bem para marcar três gols. Eu tenho sorte de conhecer Higuaín e Di María. “El Pipa” [Higuaín] pode estar fazendo um jogo discreto, e em dois toques, marcar dois gols. O Real marca do nada, de repente.

P. O que você acha de Mourinho?

R: Eu não posso dizer. Eu não o conheço, nunca falei com ele. Eu só posso falar sobre o que ele conquistou. Eu sei que os jogadores falam bem dele, mas eu não o conheço.

P. Mourinho disse que o futebol do Barça é chato e que a Espanha é uma equipe defensiva.

R. Espanha joga quase da mesma maneira que nós. Você não consegue tirar a bola deles. Como jogador, é muito bom jogar assim. Joguei contra a Espanha e eu estava sempre atrás da bola, sem conseguir tirá-la deles. Foi o que aconteceu em Madri, em Murcia … Quando jogamos contra eles na Argentina, foi diferente. Eu nunca corri tanto sem ter a bola como quando jogo contra a Espanha.

P. É o seu sonho ganhar a Copa do Mundo no Brasil?

R. Eu adoraria, por causa do que isso significaria para a Argentina e para mim pessoalmente.

P. Você vai se aposentar sem vestir a camisa do [clube de infância] Newell Old Boys?

R. Ha, eu não sei! Eu sempre disse que gostaria de jogar na Argentina, pelo significado, por causa da forma como o jogo é lá, porque era o meu sonho estrear na Primera antes de vir pra cá. É um caminho inacabado, mas eu não sei. Ainda falta muito tempo.

Para ler a entrevista completa em espanhol

Para a entrevista em inglês

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