Arquivo de novembro 2012


Bahia: é hora de acertar a receita

Na lista de compras dos últimos supermercados, podemos dizer que Bahia e Náutico são farinha do mesmo saco. Desde 2003, quando o Campeonato Brasileiro adotou o regulamento dos pontos corridos, os dois alternam entre a despensa e a cozinha. O Bahia participou da receita da Série A em três oportunidades (2003, quando caiu, 2011 e 2012). Já o Náutico esperou na despensa por 12 anos até conseguir entrar na cozinha e esteve entre os ingredientes de primeira em 2007, 2008, 2009 e 2012.

Quando falamos da composição nutritiva de cada um, tricolores e alvirrubros têm elencos relativamente parecidos. Acho até que o tricolor baiano leva vantagem quando pensamos em cada jogador de forma independente. Em contrapartida, na hora de colocar o prato na mesa, o Náutico saciou melhor a fome de gol. Enquanto o Bahia tem, ao lado do Atlético-GO, o pior ataque do campeonato, com apenas 35 gols, o Náutico anotou 42.

Por que, então, o Náutico oscilou em torno da 12ª posição (esteve na zona de rebaixamento em apenas uma rodada, a 3ª) enquanto o Bahia sofreu entre os quatro últimos em 13 oportunidades e não desgrudou muito da 16ª colocação? A diferença, queridos cozinheiros, está na panela. Sim, o Náutico é um péssimo visitante (pior campanha da competição), mas sabe fazer sua comida direitinho dentro de casa.

Das 13 vitórias do time no Brasileirão, 12 foram nos Aflitos. Pra colocar água na boca, se o Bahia tivesse o aproveitamento do clube pernambucano em casa (mantendo os resultados como visitante), estaria na 5ª colocação, com 59 pontos, isso sem descontar os pontos das vitórias e empates que se tornariam derrotas dos adversários. A verdade é que, apesar da torcida não ter abandonado o time, Pituaçu não tem sido saboroso para o Bahia. Levando em conta a campanha no estádio em 2011 e 2012, na Série A, foram apenas 12 vitórias em 37 partidas. É muito pouco.

Hoje, a panela volta a ferver e o Bahia não pode se dar ao luxo de azedar a refeição. Se tem muito o que aprender com a campanha do Náutico dentro de casa, a hora não poderia ser melhor. A torcida merece esse banquete.

Seleção
Tinha boas esperanças no trabalho de Mano Menezes quando ele assumiu, mas me decepcionei com o rumo que ele deu à Seleção. Existiram, sim, vários momentos em que a demissão do técnico seria coerente, mas ela não aconteceu. Quando, então, começa a existir algum avanço, ela vem. A hora e a forma como tudo aconteceu, junto com a entrevista coletiva concedida por Andrés Sanches após a decisão da CBF, mostram em que tipo de caldeirão o futebol brasileiro está sendo cozinhado. Não é à toa que já tem muita gente com nojo do que sai dele. Simples assim.

Pretinho básico
O Bahia já disputou 35 partidas em Pituaçu na temporada 2012. Contando Baiano, Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana foram 16 vitórias, 12 empates e 7 derrotas, marcando 59 gols e sofrendo 32. Nos 18 jogos como mandante na Série A, foram 5 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, com 15 gols a favor e 15 contra.

Esporte fino
O aproveitamento do Bahia em casa é de 42,5%, o 3º pior, à frente apenas dos rebaixados Figueirense e Atlético-GO. Fora de casa, foram 5 vitórias, 5 empates e 8 derrotas, uma delas, inclusive para o Náutico, nos Aflitos: 1×0 na 18ª rodada. O Náutico venceu uma partida fora de casa em todo o campeonato.

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Passando aqui apenas para dizer:

Seja MUITO bem-vindo de volta à Série A, Vitória!!! Foi com muito drama, mas foi!!! Agora é respirar fundo e pensar em 2013 com mais serenidade!! Comemorem, torcedores, vocês merecem!!!!!



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CBF ignora suspense e divulga melhores do Brasileirão

Já sabemos o campeão, grande parte dos rebaixados (Atlético-GO, Figueirense e Palmeiras) e quem garantiu um lugar na zona de classificação para Libertadores. Neste final de semana, esperamos também a confirmação do acesso do Vitória e da permanência do Bahia na Série A. Então, por que não dar uma chance para o suspense e esperar mais um pouco para anunciar os melhores do Campeonato Brasileiro?

Pois foi justamente isso que a CBF não fez, nesta sexta-feira (23), com a decisão de antecipar os vencedores da Premiação Brasileirão 2012 . Nas últimas edições, três jogadores de cada posição eram indicados e os vencedores só eram divulgados no dia da premiação. Este ano, a ‘festchenha’ acontece  no dia 3 de dezembro, no HSBC Brasil, em São Paulo.

E vamos à seleção do Brasileirão 2012:
Goleiro: Diego Cavalieri (Fluminense)
Lateral-direito: Marcos Rocha (Atlético-MG)
Zagueiro 1: Leonardo Silva (Atlético-MG)
Zagueiro 2: Réver (Atlético-MG)
Lateral-esquerdo: Carlinhos (Fluminense)
Volante 1: Jean (Fluminense)
Volante 2: Paulinho (Corinthians)
Meia 1: Ronaldinho (Atlético-MG)
Meia 2: Lucas (São Paulo)
Atacante 1: Neymar (Santos)
Atacante 2: Fred (Fluminense)
Técnico: Abel Braga (Fluminense)
Revelação: Bernard (meia do Atlético-MG)
Craque do Brasileirão: Fred (atacante do Fluminense)

Agora, vocês lembram da nossa minha seleção? Relembrando: Diego Cavalieri; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver (vocês queriam Werley, do Grêmio), Carlinhos; Jean, Paulinho, Ronaldinho, Juninho Pernambucano (Vasco); Neymar e Fred. Técnico: Cuca
Revelação: Bernard
Craque do Brasileirão: Fred (decidi pelo artilheiro na mesa do bar como também bem disse na coluna dos melhores aqui)
Como praticamente “acertamos” a seleção oficial, não poderemos cornetar, não é mesmo?!? Como não poderia deixar de ser, acho que ela está bastante justa.

***AVISO***
Agenda de pitacos do fim de semana informa: no domingo (25), comento Bahia x Náutico, em Pituaçu, a partir das 16h (horário da Bahia), pelo PFC. Ingressos esgotados, então quem não comprou, só na telinha comigo mesmo! =)

Confira o vídeo com os melhores do Brasileirão divulgado pela CBF:

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Vida e alma contra o Ceará no Barradão

Recebo, com alguma frequência, reclamações de leitores que gostariam que eu falasse mais sobre coisas além do “futebol jogado” propriamente dito. Cobram, por exemplo, que eu escreva mais sobre arbitragem, conspirações, questões ligadas à diretoria, administração e bastidores dos clubes.

Como jornalista, tenho a obrigação de me manter minimamente informada sobre assuntos, digamos, extracampo. Até porque eles influenciam (pouco ou muito) no que acontece nos 90 minutos de jogo. Gosto de manter, no entanto, um limite e até uma certa distância desses assuntos. E isso tem muito a ver com o que penso sobre futebol.

Futebol pra mim sempre esteve ligado à vida. Vida no sentido de coração acelerado, de memórias, histórias, da realidade do presente, mas também de cicatrizes do passado e de planos brilhantes pro futuro. Dentro disso, tem a parte de perder, de chorar, de cair? Claro que tem. Tristeza, que eu saiba, nunca significou falta de vida. E se tem vida, tem alma. E tenho certeza que não é nos bastidores, no apito, no erro do bandeirinha, no salário atrasado, no dirigente arcaico e incompetente que a gente vai encontrá-la.

Como diria o poeta português Fernando Pessoa, e “se a alma não é pequena”, tomo a liberdade de dizer que ela pode até estar em dois lugares quando falamos de futebol. O primeiro, mais aparente, está com o time em campo. Aquela “poeira cósmica” em comum que paira sobre cada jogador que sua a camisa do clube. E aqui a gente pode falar de esquema tático (ou da falta dele), dos craques, das jogadas, das qualidades e defeitos do grupo. É o futebol na essência mais orgânica de sua alma.

A outra parte da alma está nas arquibancadas. No torcedor que prende a respiração no último minuto do jogo, que sofre, mas também vibra, que infla o peito de felicidade, mesmo que já tenha murchado de dor tantas outras vezes. É o futebol na essência mais visceral de sua alma.

E é dessa parte da alma que o Vitória respira hoje. É ela, latejando em cada um de vocês, rubro-negros, que pode levar o Vitória de volta à elite do futebol brasileiro. Desde aquele golzinho de pênalti marcado por Neto Baiano, na estreia da Série B 2012, passando pela campanha fantástica do 1° turno e pelas derrotas que complicaram o time no 2° turno, até o último segundo do último jogo do ano, no próximo sábado, contra o Ceará, no Barradão. Esqueça o que não é futebol, torcedor, e alimente essa alma com cada um desses momentos. O Vitória vai precisar de você.

Pretinho básico
O Vitória caiu para a Série B após terminar o Brasileirão de 2010 na 17ª colocação. Em 2011, o time deixou a vaga escapar na penúltima rodada, contra o São Caetano, quando perdeu o jogo em pleno Barradão. Sem depender apenas de si mesmo, teve que adiar o acesso mesmo vencendo a última partida no campeonato.

Esporte fino

Goiás e Criciúma já garantiram vaga na Série A de 2013. Vitória, Atlético-PR e São Caetano brigam pelas últimas duas posições no G-4 que garantem o acesso. Com dois pontos e duas vitórias a mais que o São Caetano (critério de desempate), um empate diante do Ceará coloca o time baiano na Série A.

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E os melhores do Brasileirão são…

Durante alguns dias, leitores do meu blog deram sugestões dos jogadores nas posições em que nós, jornalistas esportivos de todo o país, devemos votar na cédula fornecida pela CBF. O esquema base é o 4-4-2, então, nesse caso, nem adianta querer tirar um volante, colocar três meias ou três atacantes. Quanto aos escolhidos, vai ter gente que vai discordar completamente? Vai. Vai ter torcedor dizendo que fulaninho não poderia estar ou o contrário de qualquer jeito? Vai. Mas aí vocês podem recortar a coluna do jornal e levar pra mesa de bar pra discutir com os amigos porque vai ser muito mais divertido.

O jogador que teve mais votos foi justamente o camisa um dessa nossa seleção: Diego Cavalieri. E não tem muita discussão. O goleiro do (virtual) campeão de 2012 foi um monstro e é o maior “culpado” pelo sistema defensivo do Fluminense ser o menos vazado da competição. Quem não se lembra das defesas salvadoras de Cavalieri em momentos de pressão?

Nas laterais, confesso, nenhum jogador encheu muito meus olhos, principalmente na esquerda. Marcos Rocha, do Atlético-MG, foi a escolha da maioria na direita e Carlinhos, do Flu, na esquerda. Na zaga, eu estava certa que a briga seria entre Gum (Flu) e a dupla do Atlético-MG: Leonardo Silva e Réver. Werley, do Grêmio, no entanto, foi o escolhido da galera ao lado de Leonardo Silva.

No meio, um jogador foi lembrado por praticamente todos: o volante Paulinho, do Corinthians. Mais do que merecido. Ao lado dele, outros 11 foram citados (inclusive Helder, do Bahia). Pela falta de consenso, meu voto vai para Jean, do Flu. Pra armar as jogadas, os internautas optaram por Bernard e Ronaldinho Gaúcho, do Atlético-MG. Seedorf (Botafogo), Lucas (São Paulo), Gabriel (Bahia) e Deco (Flu) também ganharam votos, mas senti falta da minha escolha inicial: Juninho Pernambucano, do Vasco. Talvez pelo péssimo momento do time, ele tenha sido esquecido. Mas, como Bernard também foi o eleito a revelação, vou manter a minha decisão de ter Juninho nesse time, se vocês me permitem alguma arbitrariedade já que a seleção é minha, não é?

Por fim, o ataque foi fácil. Fred (Flu) e Neymar (Santos) são os responsáveis pela bola na rede. Pra comandar esse grupo, Abel Braga (Flu), Cuca (Atlético-MG) e Ney Franco (SP) empataram. Em nome de um futebol mais leve e ofensivo, escolhi Abel Cuca. Pra craque do Brasileirão, a coisa pegou. Neymar é o melhor na atualidade, mas merece o título de craque do Brasileirão? E Cavalieri pode ser craque-goleiro? Ronaldinho queimou minha língua e mereceria. Mas, e Fred, artilheiro do Campeonato? Acho que vou discutir numa mesa de bar e depois conto pra vocês.

Pretinho basico
Os goleiros Rogério Ceni e Marcelo Lomba também foram citados. Na lateral esquerda, Cortês, do São Paulo, chegou perto do eleito, Carlinhos. No ataque, Barcos (Palmeiras), Kieza (Náutico), Luís Fabiano (SP) e Wellington Nem (Flu) também foram bem lembrados.

Esporte fino
Minha seleção de 2011 (com o time dos jogadores na época): Marcelo Lomba (Bahia); Fágner (Vasco), Dedé (Vasco), Rhodolfo (São Paulo) e Cortês (Botafogo); Paulinho (Corinthians), Casemiro (São Paulo), Lucas (São Paulo) e Diego Souza (Vasco); Neymar (Santos) e Damião (Inter). Técnico Ricardo Gomes.

*CORREÇÃO: O técnico escolhido foi o Cuca, do Atlético-MG e não Abel, do Fluminense, como saiu na coluna impressa.

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Vamos pitacar nos melhores do Brasileirão 2012??

Olá, pessoas!!

Jornalistas de todo o país receberam esta semana um e-mail com o convite para votar nos melhores do Campeonato Brasileiro 2012.  A votação, organizada pela CBF, vai até o dia 19 de novembro, ou seja, duas rodadas antes do encerramento do Campeonato Brasileiro Série A.

Cavalieri, goleiro do Fluminense merece ser escolhido como o melhor do Brasileirão 2012?

Na cédula, devemos votar em dois zagueiros, laterais esquerdo e direito, dois volantes, dois meias e dois atacantes (pois é, infelizmente, temos que nos conter no esquema 4-2-2-2). Escolhemos também o craque do campeonato e a revelação. Por fim, fora das quatro linhas, votamos também no melhor técnico do campeonato.

Pois bem, o que vocês acham de me dar uma ajudinha nessas escolhas?? Topam?! Então pronto, vale opinar em todas as categorias, em apenas uma, em cinco, oito, não interessa, o importante é pitacar!! Deixem os escolhidos de vocês aí nos comentários. Pra começar, aviso que o goleiro já está praticamente decidido. Vocês concordam??

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Sobre futebol, amor e ódio

Futebol é paixão, alegria, prazer, diversão e blá-blá-blá. Sim, sim, a gente sabe tudo sobre essa parte cor de rosa do futebol. Sobre cada timbre do grito de gol, sobre cada variação do sorriso na vitória, sobre cada variação da felicidade na conquista do campeonato. Essa é a faceta do esporte que a gente gosta de viver e que é mais fácil de entender.

Mas, mesmo que o amor esteja (e deva estar) sempre lá, o futebol não vive sem o ódio. Um dos motivos dessa nossa atração pelo futebol é a possibilidade de colocar, de forma controlada, nossos descontroles pra fora. É a hora que podemos xingar em público e desejar os piores castigos pro atacante que perdeu o gol ou pro técnico que fez uma substituição errada. É o mundo onde podemos criar teses malucas e raivosas contra alguém que nem sabe da nossa existência. É o lugar onde não é proibido ter ódio do juiz, do zagueiro, de Ricardo Teixeira, do Corinthians ou de Maradona. O refúgio onde podemos colocar pra fora toda a carga negativa de emoção que temos. E não há nada de errado nisso.

Precisamos de fortes emoções, sejam elas boas ou ruins, e o futebol é a realidade paralela perfeita para vivê-las, sem que elas tragam riscos à alguém. E está aí parte fundamental dessa situação: sem que coloquemos alguém (ou sejamos colocados) em perigo. Esse ódio nos é permitido porque ele é, de alguma forma, racional e, de todas as formas, pacífico. Ninguém que passa 90 minutos de um jogo amaldiçoando um jogador quer que ele realmente sofra qualquer tipo de dano físico (ou mental). Essa enxurrada de adrenalina “positiva ou negativa”, ao mesmo tempo em que nos abastece, também nos limita como torcedores.

Já esse ódio irracional, patético e nojento que fez alguns vândalos agrediram jogadores do Vitória, na última sexta-feira, no aeroporto de Salvador, não faz parte do futebol. Vaiar, opinar, protestar, cobrar e extravasar na arquibancada, tudo bem. O torcedor tem o direito de interagir, e é por isso que ele não é apenas um espectador, mas quando parte pra violência em qualquer situação que seja dessa participação, a coisa muda de patamar.

Tática, técnica ou emocionalmente podemos debater se um ou outro jogador é menos ou mais importante para o Vitória ou qualquer time que seja. A certeza de que o Vitória não precisa de pessoas como estas “torcendo” pelo time, no entanto, não é discutível. Portanto, se você é torcedor de verdade, diferente desses aí, pode continuar amando odiar, odiando amar ou simplesmente odiando. Já o ódio de quem grita “Ou sobe por amor ou sobe por terror!” é absolutamente dispensável.

Pretinho Básico
Revoltados com a queda de rendimento do Vitória na reta final da Série B, que chegou a ser líder por 11 rodadas, integrantes de uma torcida organizada protestaram violentamente contra o time na última sexta-feira.  Quando os jogadores começaram a deixar o ônibus, no aeroporto, eles partiram para cima dos atletas.

Esporte Fino
O Estatuto do Torcedor visa estabelecer a organização dos eventos esportivos no Brasil com o intuito de proteger os direitos dos torcedores, incluindo a segurança. Muitos especialistas apontam, no entanto que uma legislação específica ligada à violência é fundamental para diminuir a impunidade nos casos ligados ao futebol.

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