Arquivo de janeiro 2013


Fifa lança pôster oficial da Copa do Mundo de 2014

Foi apresentado, nesta quarta-feira (30), no Rio de janeiro, o poster oficial da Copa do Mundo no Brasil. Já que eu falei da bola e do mascote, vamos pitacar também sobre o poster, não é mesmo?

A missão foi da agência brasileira Crama, que preparou duas opções para o cartaz. Uma comissão julgadora formada por Jerôme Valcke, pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, pelo presidente do COL, José Maria Marin, pelo artista plástico Romero Britto, e por Ronaldo e Bebeto, integrantes do conselho do COL, fez a escolha final.



A imagem é inspirada no mapa do país, assim como o de outros Mundiais, e tem o entorno do desenho repleto de peculiaridades de cada região do país. No lançamento, Ronaldo disse assim: “O cartaz oficial é um passo importante para representar o Brasil e a Copa do Mundo, tanto no próprio país-sede como no exterior. É importante passar a imagem de uma nação moderna, inovadora, sustentável, feliz, unida e apaixonada por futebol”, afirmou Ronaldo. Ok, vou abstrair essa declaração do Fenômeno e me concentrar no poster.

Vamos lá, o que eu gosto na imagem é que ela tem realmente várias identidades do Brasil. Viram que tem ali uma baiana de acarajé, o calçadão de Copacabana, um tucano, o frevo, chimarrão e outras coisinhas mais? Mas, dito isso, eu não gostei naquela primeira vez que você bate o olho na imagem. Não ficou vivo, tem muito espaço branco e não prende minha atenção.

Não é dos piores. A gente olha, fica meio na dúvida, não adora, faz cara de paisagem e ele passa. Mas, poderia ser MUITO melhor.

Abaixo, os cartazes das últimas cinco Copas e o de 82, na Espanha, com a pintura de Joan Miró (um dos meus artistas preferidos) e que talvez seja o cartaz que eu mais goste.

E vocês? O que acharam do cartaz da Copa do Mundo no Brasil? Têm algum outro preferido? Comentem aí, pessoas! 🙂

Comments 3 comentários »

Sobre cabelos e mudanças

O primeiro dos doze estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo de 2014 a receber uma partida oficial abre hoje o seu gramado para o mundo do futebol. Numa rodada dupla, Fortaleza x Sport e Ceará x Bahia, iniciam no Nordeste uma mudança fora de campo cheia de simbolismo e realidade que se espalhará por quase todo o país.  A 501 dias do Mundial, os torcedores que sentarem, hoje, nas arquibancadas do Castelão, em Fortaleza, poderão se sentir rasgando algumas folhas do calendário.

Gosto de momentos históricos. De fatos e eventos que possam marcar de alguma forma o início de uma mudança positiva. Como uma ex-namorada triste que muda radicalmente o corte de cabelo na tentativa de esquecer o passado. Isso significa que ela será uma nova mulher quando sair do cabeleireiro? Claro que não. Assim como a inauguração de uma primeira arena moderna e nos padrões Fifa no Nordeste não vai transformar o futebol da região após 90 minutos de bola rolando.

Mas, se uma mulher pode iniciar uma nova era mais promissora com uma simples ida ao salão de beleza, não é possível que a construção de quatro arenas (totalizando mais de 3,5 bilhões), em Fortaleza, Salvador, Recife e Natal, não possa dar um empurrãozinho mínimo que seja no crescimento e melhora no futebol nordestino.

Neste início de temporada, com a mais do que bem vinda volta da Copa do Nordeste, o torcedor começou fazendo a sua parte. Nas duas primeiras rodadas, o público da competição foi melhor do que os de todos os Campeonatos Estaduais disputados pelo Brasil. Ou seja, se alguém tinha que dar a primeira tesourada nas madeixas, ela foi dada. As próximas, agora, são um misto de cortes lógicos com outros que precisam de mais cuidado e competência.

Porque a gente imagina que a volta do Nordestão obrigará os times a se qualificarem de forma mais eficiente. Que o nível técnico mais alto de um, que arrancará os cabelos dos outros, e a rivalidade farão com que os clubes se esforcem cada vez mais para subir de patamar. A disputa de uma competição melhor fará com que cheguem mais preparados para o Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O pensamento lógico é que o mercado (da bola e da grana) se fortalecerá. Mas, tudo isso só vai funcionar mesmo se os dirigentes e gestores também decidirem “cortar o cabelo”. Se assumirem uma postura menos amadora, mais inteligente e, acima de tudo, de mais respeito ao torcedor. Não basta sentar nas arquibancadas com o corte de cabelo da moda se o que ele vê em campo é um monte de gente careca.

Pretinho Básico
O Nordestão volta ao calendário principal do futebol, depois de dez anos esquecido, com a participação de 16 clubes. Bahia e Pernambuco têm três clubes cada e Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba e Sergipe têm dois representantes – Piauí e Maranhão não participam desta edição. Bahia e Vitória são os dois últimos campeões.

Esporte Fino
Na 1° fase, os clubes foram divididos em quatro grupos. Os dois melhores clubes de cada grupo avançam à fase seguinte, disputada no sistema “mata-mata” a partir das quartas de final. As finais acontecem em 10 e 17 de março. A partir de 2014, dará ao seu campeão uma vaga na Copa Sul-americana do mesmo ano.

Comments Nenhum comentário »


Se não tivesse sido Garrincha

Manuel Francisco dos Santos morreu quase esquecido na cama de um hospital, há exatos 30 anos, por consequência de uma cirrose hepática. Tinha 49 anos, 14 filhos de seis mulheres diferentes, três casamentos e apenas um olhar perdido. Não era especialmente bonito ou charmoso, não vestia as melhores roupas nem era letrado ou doutor. Pra completar, tinha a perna esquerda seis centímetros mais curta do que a direita e sofria com o alcoolismo. Teria sido apenas mais um Mané, se não tivesse sido Garrincha.

Um Mané enterrado num tumulo mal cuidado. Que morreu depois de sofrer todas as consequências de ser o torto que era e todas as tristezas de ter outros tortos por perto. Que assinava papeis em branco. Que viu a carreira ser encurtada pela ganância de gente que achava que sabia algo sobre valor. Que jogava peladas na cidade em que nasceu como se fossem finais de campeonato, no auge da temporada ou na véspera de uma partida importante. Que sentia dor. Vendido sem aviso. Que não entendia a realidade perdido em seu mundo inconsequente e ignorante. Que perambulou, como um bêbado na estrada, em campos e escudos por ai, numa tentativa triste de reviver o que já estava morto. Que foi crucificado pela sociedade. Explorado e abandonado. E que bebeu, bateu e perdeu. Amor, dinheiro, profissão, dignidade. Um Mané que perdeu tudo. Que teria sido apenas mais um qualquer, se não tivesse sido Garrincha.

O Garrincha que foi imortalizado no melhor futebol do mundo. Que viveu para ser a alegria de um povo. Que mais do que conquistar títulos por um time, virou símbolo solitário de uma torcida. Que conquistou duas Copas do Mundo (1958 e 1962) e que perdeu apenas uma das 60 partidas que fez com a Seleção Brasileira. A mesma que ajudou a transformar em mais do que uma camisa amarela qualquer. Que colocou na cabeça da gente que futebol também é arte e poesia e, desde então, deixou essa dor danada de que com ele em campo o sorriso era maior. O Garrincha que amou, alegrou e venceu. Torcedores, gols, títulos, corações. O Garrincha que venceu tudo. Que teria sido apenas mais um Mané, se não tivesse sido Garrincha. Que teria sido apenas mais um qualquer, se não tivesse sido Garrincha. Que teria sido apenas mais um Garrincha, se não tivesse sido o único Garrincha.

2013
Que a temporada que se inicia neste fim de semana de aniversario de morte de Manoel Francisco dos Santos tenha mais vida. Que seja mais alegria e menos abandono. Que tenha menos caos fora das quatro linhas e mais poesia dentro de campo. Que seja mais Garrincha e menos qualquer.

Pretinho Básico
Garrincha nasceu em 28 de outubro de 1933, em Pau Grande, Rio de Janeiro. O apelido veio de um tipo de pássaro comum na região e que Mané gostava de caçar. Começou a carreira jogando no clube de sua cidade e, aos 19 anos, entrou no Botafogo, onde ficou mais de dez anos, disputou 608 partidas e marcou 245 gols.

Esporte Fino
Após deixar o Botafogo, tentou a sorte no Corinthians, Flamengo, Olaria, Bangu, Portuguesa-RJ e até no Atlético Júnior, da Colômbia. Mas a bebida e problemas no joelho fizeram que ele fracassasse. Em diversas pesquisas realizadas por revistas e jornais de todo mundo, foi eleito para a seleção dos maiores jogadores do século XX.

Comments 1 comentário »

Por quem você vai torcer em 2013

Se você é um daqueles torcedores ferrenhos e fanáticos pelo seu time e pouco (ou nada) conversa sobre futebol com pessoas que não sabem decoradas as escalações do Bolinha F.C. de 1954, dificilmente entenderá que tipo de torcedor é esse que falarei nas próximas linhas. É muito provável, inclusive, que você nunca nem tenha reparado a existência dele. Em grupos nem tão futebolísticos assim, no entanto, é comum a existência dos torcedores de jogadores. Eles não gritam necessariamente pelo escudo na camisa, mas sim pelos pés que calçam as chuteiras.

São vários níveis. Aquele, por exemplo, que tem um time do peito, mas que também tem um jogador do coração. Geralmente um craque internacional, ou mesmo brasileiro, mas que não joga mais no país, eliminando, portanto, a possibilidade de choques de interesse a cada campeonato. Mas tem também quem pule de tricolor para rubro-negro, de colorado para alvinegro, de azul celeste para azul-grená de acordo com quem veste a camisa.

Bom mesmo é quando dá pra unir o gol com a vontade de chutar. Quando a gente pode gritar pelo nosso time, mas também pelo cara que está ali em campo correndo, chutando, defendendo e se jogando no chão. Quando torcemos pelos onze e, ao mesmo tempo, pelo um.

No futebol baiano, no entanto, isso é coisa rara. Nossos dois principais times vivem de torcedores que se alimentam basicamente da camisa em campo. Porque a verdade é que, quando a gente tira o pano, quase ninguém continua com o escudo no peito. Afinal, que jogador de Bahia e Vitória merece o seu sangue neste início de ano? Algum ali compartilha a mesma seringa que alimenta a sua veia? Ou sua paixão, tão quente e carnal, acaba assassinada na superfície fria de jogadores que nada significam pra você?

O mercado do futebol atual não é fácil para Bahia e Vitória, sabemos. Não dá sempre pra contratar o craque que vai fazer história ou manter o garoto que começa a escrever a sua, mas dá pra ter respeito pela torcida que vai ao estádio por eles. E é triste que Bahia e Vitória não saibam criar, cuidar, aproveitar, amar seus ídolos e também lucrar com eles. Enquanto o Vitória escorraça do Barradão quem deixou e conquistou corações rubro-negros por ali (estão lembrados de Viáfara?), o Bahia se desfaz, pouco a pouco, de suas próprias veias tricolores (Ananias, Maranhão, Paulinho, Gabriel…).

Tudo indica que 2013 vai exigir muito amor à camisa para os torcedores da dupla baiana. Com as escalações que teremos em campo, capaz até do torcedor mais ferrenho não querer saber o nome dos jogadores. O jeito será fechar os olhos e se agarrar ao escudo vestido pelos onze. Definitivamente, não será fácil torcer pelo ‘um’ que estará por baixo dele.

Pretinho Básico
Em seu primeiro jogo-treino na temporada, contra o Botafogo-Ba, no sábado (12), o Vitória entrou com a seguinte formação: Deola; Léo, Gabriel Paulista, Reniê e Iuri; Rodrigo Mancha, Neto Coruja, Leilson e Arthur Maia; Marquinhos e Lúcio Maranhão. O Rubro-negro venceu com um gol de pênalti, mas alguém nessa escalação te ganhou?

Esporte Fino
O Bahia também realizou um amistoso de preparação, na sexta-feira (11), contra a equipe da FTC, no Fazendão. O time que iniciou o jogo foi: Marcelo Lomba; Madson, Danny Morais, Brinner e Jussandro; Diones, Kléberson, Anderson Talisca e Zé Roberto; Ítalo Melo e Souza. O Tricolor venceu a partida por 7 a 0.

Comments 2 comentários »



Apostas e apostas

Acompanhe a historinha: você conhece um cara lindo, inteligente, engraçado e que te trata bem. Seus amigos, no entanto, contam que o seu príncipe encantado tem realmente várias qualidades, mas que os namoros dele não têm dado certo porque ele gosta mesmo é de ser solteiro. Você pensa. Fica meio receosa, mas, no fim das contas, avalia que suas chances de ganhar um final feliz nessa história são reais. E então você coloca suas fichas no cara. Isso é aposta de risco.

Numa outra situação, um conhecido seu tenta te convencer a sair num encontro às escuras com um amigo dele. Você nunca ouviu falar no cara, ninguém consegue te dar uma referência de confiança e as poucas informações que chegam é que o último namoro dele não foi nenhuma maravilha. Isso é aposta furada.

Agora, analisem comigo: você teve o pior ataque do Campeonato Brasileiro na temporada passada e, claramente, precisa de um jogador para a posição. Daí você fica sabendo de um atacante que disputou a Série C de 2012 pela Chapecoense. No currículo pelo clube, dos 22 jogos no campeonato, ele esteve presente em oito, mas apenas dois como titular. Nesse período, marcou um golzinho só.  Antes disso, pelo Novo Hamburgo, do Rio Grande do Sul, na disputa do Campeonato Gaúcho, cinco jogos, sendo dois como titular, e também nenhum gol marcado. Nada contra Thuram,  meus amigos, mas desconfio que não precise dizer a vocês em que categoria de aposta ele se encaixa.

Trazer o destaque de um time pequeno é aposta. Repatriar um craque em má fase na Europa é aposta. Promover jogadores talentosos da base para o time profissional também é. Na real, até a contratação de um craque consagrado é uma aposta. Claro, tem aquela aposta que você só precisa perguntar ao Google pra confirmar a vitória e tem as do tipo Mega-Sena da Virada. Níveis diferentes de apostas para níveis diferentes de “investidores”.

O problema é que o Bahia não tem um elenco que permita apostas do tipo furada (já tem muitas, na verdade). Num time com dois atacantes com qualidade e em boa fase e ao menos um reserva decente, vai lá, tudo bem trazer um jovem sem custo pra testar, ter paciência, dar uma oportunidade. Mas num time que garantiu a permanência na Serie A no último minuto, com um atacante (Souza) que vira e mexe se lesiona, outro (Zé Roberto) que não marcou nenhum gol em 40 jogos, e reservas que, bem, eu não vou nem começar a falar dos reservas, não dá. Simplesmente não dá.

O entrosamento desta base do Bahia pode até ser suficiente em encontros “sem compromisso” pela Copa do Nordeste e pelo Baianão.  Mais adiante, no entanto, o Brasileirão não terá dó de avisar: esse pretendente está muito mais para sapo. E do papo furado.

Pretinho básico
O Bahia estreia em 2013 no dia 19 de janeiro, em Pituaçu, contra o Itabaiana (SE), pela Copa do Nordeste (20 de janeiro a 17 de março). No fim de março, entra já na 2° fase do Campeonato Baiano (20 de janeiro a 19 de maio) e em abril entra na Copa do Brasil (3 de abril a 27 de novembro). O Brasileirão começa 26 de maio.

Esporte fino
Souza, com 27 gols, foi o artilheiro do Bahia em 2012. Gabriel e Júnior, com 13 cada um, ficaram logo atrás. O volante Fahel (9), o zagueiro Rafael Donato (6), Lulinha (5), Hélder e Rafael (4), Ciro, Magno, Neto (3) seguem a lista da artilharia tricolor no ano que passou.

Comments 1 comentário »


Warning: readfile(../ga.txt): failed to open stream: No such file or directory in /home/claraalbuquerque/claraalbuquerque.com.br/wp-content/themes/mandigo/footer.php on line 356