Arquivo de fevereiro 2013

O craque de gramado vermelho

No tapete vermelho, ele poderia ser um ator de Hollywood, um cantor mundialmente conhecido, um superstar e um símbolo sexual do cinema, da moda ou de qualquer outro ramo que produz celebridades desejadas e adoradas por todo o mundo. Ele está em tamanho real num cartaz super produzido na entrada das lojas, em tamanho gigante no outdoor de São Paulo ou num anúncio de cueca num painel publicitário em Nova York. Ele poderia ser Brad Pitt ou a versão masculina da Gisele Bundchen (quem seria?), mas é apenas o novo craque do futebol mundial.

Sim, porque atualmente não basta ser o artilheiro do campeonato, o camisa 10 da seleção, o recordista de títulos, o “próximo Pelé”. Tem que saber desfilar na passarela com um terno Armani. Tem que ter o corte de cabelo imitado por moleques em todo o mundo. Tem que saber fazer charme no telão. Tem que ir ao salão fazer a unha.

Estrela maior desta nova “categoria de jogador”, Cristiano Ronaldo é um exemplo perfeito do craque de  tapete, digo, gramado vermelho. Que sabe se vender como negócio dentro e fora do futebol. Que atrai os olhares de todo o mundo e não apenas do torcedor ou torcedora que sabe em que posição num esquema tático ele joga. Bem diferente de Messi, que eu escolheria primeiro no par ou impar do baba (ou pelada), mas que não entraria nem no top cinco caso eu pensasse apenas na imagem fora das quatro linhas.

Nesta terça-feira (26.02) tem superclássico entre o Barcelona de Messi e o Real Madrid de CR7, válido pela volta da semifinal da Copa do Rei, às 17h. O canal SPORTS+ , disponível nos canais 28 (em SD) e 228 (em HD) da operadora SKY, transmite o jogo.

E, quer saber, eu acho que esse tipo de “personagem” é muito bem vindo. Porque o craque de tapete vermelho não coloca sua imagem acima do que faz em campo, não se atrasa pro treino porque bebeu todas na festa de gala da noite interior, não deixa o resultado de sua vaidade ser mais importante do que os resultados de bola no pé. E com isso no pacote, como é o caso de Cristiano Ronaldo, ele acaba atingindo uma audiência maior e ainda mais variada do que melhores do mundo no estilo Messi. Claro que mesmo quem não gosta ou acompanha futebol sabe quem é o argentino do Barcelona, mas Cristiano Ronaldo acaba sendo uma porta de entrada para o futebol muito mais atraente para pessoas que ainda não se apaixonaram pelo esporte (ou pelo próprio português).

Pra muita gente, um gol de falta de Messi ou Cristiano, por exemplo, pode ter o mesmo valor (em circunstâncias iguais, claro), mas tem muito mais graça pra quem não entende ou acompanha tanto o jogo quando a falta é batida por CR7 e ele faz toda aquela pose e marra de se olhar no telão. E o craque de gramado vermelho sabe disso.

O genial Nelson Rodrigues disse certa vez:

“O craque é uma vítima da própria vaidade. A família, os vizinhos, os conhecidos vivem a adulá-lo. Há sempre alguém soprando na sua orelha:

– Você é o maior! Você é o maior!

Mesmo um São Francisco de Assis há de se comover com certos galanteios. De mais a mais, a máscara é a compensação do subdesenvolvido.”

Longe de mim discordar de Nelson Rodrigues (até porque o que não falta é jogador de futebol querendo andar no tapete vermelho sem ter o conjunto completo pra isso), mas o craque de gramado vermelho é diferente. Ele pode até ser uma vítima, mas é tão consciente de sua vaidade que isso não afeta seu jogo. A “máscara” se torna tão natural quanto o próprio ato de entrar em campo e jogar futebol. E as vítimas, no fim das contas, acabam sendo milhões de outras.

ATENÇÂO: vídeo abaixo para apreciação das vítimas femininas:


Pretinho Básico

O português Cristiano Ronaldo nasceu em 5 de fevereiro de 1985 (28 anos) e começou sua carreira nas categorias de base do Clube de Futebol Andorinha de Santo António. Em 1995, foi para o Desportivo Nacional, de onde foi para o Sporting Clube de Portugal. Em 2003, quando tinha apenas dezoito anos, Ronaldo assinou um contrato com o Manchester United, time onde virou ídolo e ganhou vários títulos: Premier League 2006-07, a Premier League 2007-08, a Premier League 2008-09, a Liga dos Campeões 2007-2008, o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA 2008, além de várias taças da Inglaterra.

Em 2008, foi considerado o melhor jogador do mundo pela FIFA, ganhou a Chuteira de Ouro da revista “France Football”. Por sua transferência em 2009 do Manchester United para o Real Madrid, num acordo no valor de 80 milhões de libras esterlinas (94 milhões de euros), se tornou o jogador mais caro da história do futebol.

Em um clube galáctico como o Real, o atacante se transformou num superstar. Na Espanha, seus gols se multiplicaram de forma inigualável. Se deixou a Inglaterra com 118 gols em 292 jogos pelo United (média de 0,4 por partida), no Real Madrid sua média é superior a um gol por partida. São 183 gols em 181 jogos, soma que o coloca em sexto lugar entre os maiores artilheiros da história do clube, onde ganhou  três títulos: uma liga espanhola (2012), uma Copa do Rei (2011) e uma Supercopa da Espanha (2012).

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Maldito Futebol Clube – Dica, Ora Bolas?!

Como vocês já sabem, toda sexta-feira agora é dia de Dica, Ora Bolas?!

Pois bem, a dica de hoje é o filme Maldito Futebol Clube (The Damned United, 2009, Inglaterra). Tem 90 minutos e 8 de acréscimo. Tem futebol, tem intriga, tem reviravolta, tem emoção, tem vitória e tem derrota. E pra ficar ainda mais interessante, é baseado em fatos reais e gira
em torno de um personagem fascinante da história do futebol inglês.

O filme conta a história da meteórica passagem do técnico Brian Clough (Michael Sheen) pelo Leeds United em 1974. Famoso por ter pego a equipe do Derby County na penúltima posição da segunda divisão inglesa em 67 e levar a equipe desconhecida ao título Inglês de 1972, Clough aceita treinar o Leeds após a saída de seu desafeto Don Revie (Colm Meaney), escolhido para dirigir a seleção inglesa de futebol.

A lealdade dos jogadores do Leeds ao antigo treinador, no entanto, e a tentativa de um arrogante Clough de impor seus métodos transformam a experiência no cargo, de apenas 44 dias, em um inferno. Deu ou não deu vontade de assistir?!

Quero saber mais, ora bolas!

Brian Clough
Antes de virar técnico e futebol,  Brian Clough foi atacante do Middlesbrough com passagens pela seleção inglesa. Após uma contusão no joelho, Clough teve de encerrar sua carreira mais cedo, e em 1965 começou sua carreira de treinador, sem muito destaque treinou o Hartlepool United. Em 1967 assumiu o Derby County e o levou à primeira divisão e depois ao título do campeonato inglês em 1972. Após uma derrota na semifinal da Champions League para o Juventus, Clough foi treinar o Brighton & Hove Albion FC. Foi quando foi chamado para treinar o Leeds United, onde ficou apenas 44 dias no comando.

Em 1975, começou a treinar o inexpressivo Notthingam Forest na segunda divisão e o fez campeão inglês de 1978 e bicampeão da Liga dos Campeões da UEFA (1979 e 1980). A equipe de Clough foi ainda a primeira a vencer uma semifinal de Copa dos Campeões fora de casa e conquistou uma invencibilidade de 42 jogos no Campeonato Inglês. Morreu em 2004 aos 69 anos sem nunca treinar a Seleção Inglesa, uma de suas grandes ambições.

O trailer não está muito bom, mas dá pra ter uma ideia:

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Futebol, vida e morte

Muitos já ouviram aquela famosa frase do ex-técnico inglês Bill Shankly que diz que futebol não é uma questão de vida ou morte; é mais importante que isso.

Eu sempre achei que ela fizesse sentido. E ela continua fazendo. Mas o sentido de vida e morte nessa frase está dentro de nós. Na vida que passamos a acolher no peito quando um escudo de futebol bate forte na gente. Na morte angustiante de um título perdido, de uma bola na trave. Na vivacidade profunda do sorriso de uma criança quando ganha uma bola. No vazio mortal de um rebaixamento e da despedida de um ídolo.

Mas ela só faz sentido assim, única e exclusivamente dentro de nós.

Porque do lado de fora, no futebol que a gente ama, só deve haver espaço para vida. Para o grito de gol nas arquibancadas, para o abraço do pai na derrota do filho, para os olhares de encantamento por um uniforme, para a dor da derrota, para a brincadeira com o rival, para o respeito , para a bola rolando, para a rede estufando. Porque tudo isso aí é vida. Porque ir ao estádio é vida. E sair dele também deveria ser.

Não há palavras de vida suficiente para a morte do menino boliviano de 14 anos durante o empate por 1 a 1 entre Corinthians e San José, em Oruro, quarta-feira, pela Libertadores. É a morte invadindo o lado de fora, e se derramando com dor na vida de dentro de nós.

Já passou da hora do governo e das autoridades brasileiras pararem de contar as mortes e passarem a dar valor à vida. O que mais será preciso? Que o Brasil seja o líder do ranking mundial de mortes ligadas a futebol? Pois bem, já lideramos a lista em 2012. Futebol não deve ser uma questão de vida e morte, mas apenas de vida.

Para refletir:
Para o Corinthians, já acabou a Libertadores 2013, texto de hoje no blog do jornalista André Rizek
O medo, a dor, o luto, texto de hoje no blog do jornalista Lédio Carmona
Estudo sobre violência no futebol nacional indica 2012 como ano com mais mortes na história
Brigas ligadas ao futebol já fizeram 155 vítimas fatais em todo Brasil
Brasil é o país com maior número de mortes de torcedores, diz sociólogo

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Dica, Ora Bolas?!

Toda sexta-feira será dia de Dica, Ora Bolas?! aqui no blog! Um filme, um livro, um programa, um evento imperdível. Basta ser bom e ter futebol no meio! Porque, afinal, a gente adora ler, ver e respirar futebol quando a gente não está torcendo e assistindo a… futebol!

Amanhã, portano, tem dica novinha, mas que tal relembrar algumas dicas que já passaram por aqui?! Afinal, 90 minutos de futebol não basta, né?

Filme
“Heleno – o príncipe maldito”

Livros
“Recados da Bola”
Coleção “O dia em que me tornei…”
“Brasil: um Século de Futebol: Arte e Magia”
“Estrela solitária – Um brasileiro chamado Garrincha”

Para sugerir um livro, filme, evento, etc, é só deixar um comentário!!

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Um cometa chamado BaVi

Cometas são pequenas “bolas de neve sujas” formadas por uma mistura de gelo, gases congelados e poeira. Todos, restos de formações do Sistema Solar. Algo bem parecido com os atuais times de Bahia e Vitória. Cada um com suas particularidades, hora mais dominado por sobras, refugos e reservas e hora mais frio, gelado, sem o calor que espera uma torcida. Ambos, aparentemente, sujos, perigosos e sem luz própria.

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Numa pesquisa meteórica, pelo twitter, perguntei o que os torcedores da terrinha estavam achando do futebol baiano neste início de ano. Vocês já imaginam as respostas: patético, vergonhoso, decepcionante, frustrante, ridículo, lastimável, ultrapassado, medíocre, incompetente.

Não são palavras de torcedores que se identificam com o time em campo, que percebem ali o trabalho (dos jogadores ou da diretoria) de quem os está representando, que lamentam uma derrota, mas se reconhecem na mesma paixão ou doação.

Mais parecido com um asteroide, que nada mais é do que uma grande pedra espacial, sobra do processo de formação dos planetas rochosos, como Terra e Marte, o Vitória tinha até consistência. Com um elenco, em minha opinião, melhor reforçado do que o do Bahia, o time de Caio Jr., fez a segunda melhor campanha da 1ª fase – entre todas as equipes. Não era nenhuma estrela pronta pra brilhar, mas deixava um rastro de esperança. Se souber aprender com o apagão cósmico que o tirou do Nordestão, pode encontrar alguma luz, mas precisa deixar de ser uma rocha sem vida.

Já o Bahia, não consegue ser nem um meteoroide, ou seja, um asteroide pequeno. Explico: um meteoroide que entra na atmosfera da Terra passa a ser chamado de meteoro. Essas pedras queimam em contato com os gases do ar, formando um rastro de luz – as populares estrelas cadentes. Quando esses meteoros não se desintegram totalmente no choque com a atmosfera, e, de fato, colidem com o solo, são chamados de meteoritos. Ou seja, esse Bahia que tá aí não tem nada nem remotamente parecido com uma estrela cadente (a não ser, talvez, pela parte que cai).

Nesta semana, o planeta todo deu uma olhada para o nosso sistema solar. Como vocês devem ter visto ou lido por aí, com diferença de algumas poucas horas, um meteoro atingiu a Rússia e um asteroide passou raspando pela Terra. Para os estudiosos, os dois eventos desta semana não são motivo para pânico. Já no caso de Bahia e Vitória, não podemos afirmar o mesmo.

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Keep Calm and Love Mustache

Quando a escolha de Felipão para técnico da Seleção Brasileira foi anunciada lá no fim de novembro, passei o dia escutando, discutindo, debatendo e trocando figurinhas sobre o assunto com profissionais que trabalham com futebol. Boa parte preferia um nome como Tite (inclusive eu), mas conseguia entender perfeitamente o porquê da escolha por Felipão. Para a CBF, ele é o pacote completo: campeão mundial, experiente, carismático.

O engraçado é que a gente, que trabalha com futebol, fica tanto tempo rodeado por pessoas que respiram e estudam futebol que nos esquecemos o quanto essa mistura é poderosa para os torcedores de ocasião. Perdoem a generalização, mas vem comigo: segundo o último censo, realizado em 2010, já somos mais de 190 milhões de brasileiros, sendo que somos mais mulheres do que homens (atualmente existem 95,9 “Joãos” para cada 100 “Marias” –são 3,9 milhões de mulheres a mais).

Considerando (pela minha experiência) que apenas 30% das mulheres não apenas gostem, mas também acompanhem o esporte e seu dia a dia, e que nem todo homem brasileiro (longe disso) leva jeito pra técnico de futebol, temos um numero considerável de torcedores bem diferentes de mim, de você, dos jornalistas especializados e dos torcedores que entendem de tática e técnica.

É esse cara (seja ele homem ou mulher) que Felipão tem que conquistar. As minhas amigas que só assistem futebol na Copa do Mundo, o conhecido que só diz ter um time pros amigos não encherem o saco, aquele tio ou tia que gosta da farra, veste a camisa, mas não faz ideia do que é um 4-4-2. Aquele torcedor que define sua imagem da seleção brasileira somente na Copa do Mundo. Que não acompanhará a evolução tática do time de Felipão, entre amistosos e Copa das Confederações, mas que gritará gol e roerá as unhas naquele tudo ou nada de no máximo sete jogos do Mundial.

Pra eles, o bigode de Felipão está na moda e bastarão as primeiras vitórias na primeira fase da Copa (que não costuma ser um bicho papão) para que embarquem e joguem junto com a seleção. E isso tem o seu valor.

Escalação
Agora pra vocês que curtem um esquema tático e dão mais valor a uma vitória quando ela é bem jogada, vamos a uma análise básica dos convocados de Felipão.

Lembrando e observando:

Goleiros
Júlio César – QPR
Diego Alves – Valência
Não gostei da volta de Júlio Cesar, que está em declínio há algum tempo. Testaria Cavalieri. A Seleção, claramente, ainda não tem um goleiro.

Laterais
Daniel Alves – Barcelona
Filipe Luís – Atlético de Madrid
Adriano – Barcelona

Zagueiros
Miranda – Atlético de Madrid
Leandro Castán – Roma
David Luiz – Chelsea
Dante – Bayern de Munique
Dante, que está matando a pau na Bundesliga, foi boa surpresa. Com a volta de Thiago Silva, Castán deve deixar a lista.

Volantes
Paulinho – Corinthians
Jean – Fluminense (no lugar do cortado Hernanes – Lazio)
Arouca – Santos
Ramires – Chelsea
Melhor surpresa na da convocação. Volantes modernos que sabem jogar e sair com a bola. Achei uma pena o corte de Hernanes. Sempre achei que o volante deveria ter espaço na seleção.

Meias
Ronaldinho – Atlético Mineiro
Oscar – Chelsea
Eu não convocaria Ronaldinho Gaucho. Sim, o meia fez um 2012 sensacional e ninguém aqui vai discutir a técnica do jogador, mas eu não daria mais um voto de confiança. Bem diferente de Kaká, que não teve um ano brilhante, mas eu ainda apostaria no grupo.

Atacantes
Lucas –PSG
Hulk – Zenit
Fred – Fluminense
Luis Fabiano – São Paulo
Neymar – Santos

Eu escalaria o time conforme a imagem abaixo (sim, bem ousado e ofensivo), contra a Inglaterra, nesta quarta-feira (06/02), mas não tenho medo de errar ao dizer que Ronaldinho, fora do meu time, estará entre os titulares de Felipão.

OBS. A coluna de domingo no Correio está de folga, os textos continuam aqui no blog, mas sem dia certo.

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