Arquivo de junho 2014

Uma Copa pra quem não entende de futebol

A gente que é doente por futebol, gosta de qualquer Copa do Mundo. Da Copa de 90 à Copa de 58. Da competição cheia de empates e 1×0 àquela com maior média de gols, viradas e resultados imprevisíveis da história. A gente prefere esse segundo tipo mais emocionante, é claro, mas a verdade é que a gente vira o mundo de cabeça pra baixo se precisar pra assistir a Irã e Nigéria numa segunda-feira de Copa do Mundo.

Há muito tempo, uma bola de Copa do Mundo não balançava tanto as redes!

A coisa não é a mesma coisa pra quem não acompanha futebol dessa forma. Quem não sabe (ou não quer saber) as variações táticas, não avalia o desempenho de cada jogador, não se interessa pela escalação da Holanda e não tá nem aí pra evolução (ou involução) de uma seleção especifica, quer ver emoção e não necessariamente futebol.

É por isso que essa Copa tem sido uma competição mais do que perfeita pra quem não entende de futebol (e tem acabado com os bolões de quem  “entende”). Se antes, os torcedores de quatro anos em quatro anos, assistiam ao Mundial pela festa, agora também podem aproveitar pra se esbaldar com muito mais. Se é emoção que eles querem, a gente prova que emoção é o que não está faltando. Então, pode esquecer as previsões táticas, as projeções de gols e as últimas estáticas e vem comigo!

Uma Copa de Gols
Nunca na história desse país…  Na verdade, desde a edição de 1958, a média de gols da Copa do Mundo não alcança o patamar de 3 gols por partida. Em suas seis primeiras edições, de 1930 a 1958, as médias foram todas mais altas – a maior sendo a de 1954, de 5,38 gols por jogo. De lá pra cá, o número de seleções aumentou (de 16 para 24, em 1982, e então para 32, em 1998), mas os gols, esses teimaram em se manter entre 2,96 (saudades 1970) e 2,21 (beijo, Copa de 1990, não me liga).

Em 2014, pra alegria geral da nação, a primeira rodada teve um total de 49 gols em 16 jogos (e uma média de 3,06 gols por jogo), um recorde neste formato com 32 seleções. Até o início dos jogos de quinta-feira (19), mesmo com o 0x0 de Brasil e México, a média seguia com três gols por partida, mas caiu com o zero a zero entre Japão e Grécia. Atualização: com os jogos de sexta-feira (20), a média voltou a subir (2,96), graças à mais uma goleada, dessa vez na França sobre a Suíça, na Fonte Nova.  Não dá pra garantir que a média seguirá subindo, mas até agora ela tem feito a festa. Inclusive, nesse ritmo, não acho impossível a Copa de 2014 alcançar o total de gols de 2010 (145) ainda na primeira fase! Digam se não é pra sair pelas encruzilhadas fazendo oferendas pra agradecer aos orixás?!

Uma Copa de vencedores
Nunca na história desse país… Na verdade, nunca na história das Copas tivemos tão poucos empates! Pra começar, pela primeira vez desde 1930, um Mundial teve 10 jogos seguidos sem empate. E passamos! Chegamos a 12 jogos.

Em 23 jogos, tivemos quatro empates (17%)!! A esta altura, em 2010, já tínhamos visto oito empates. Com exceção da Copa de 1930 (18 jogos), quando não houve nenhum empate, a Copa com o menor número de empates foi a de 1934 (16 seleções, 17 jogos, 16 vitórias e apenas um empate). Em 1954 (16 seleções, 26 jogos), apenas dois jogos terminaram em empate, mas essas porcentagens de empates (5,88% e 7,69% respectivamente) nunca mais se repetiram. Na real, subiram bastante. De 1982 (24 seleções) a 2010 (32 seleções), esse número variou entre 32% e 21%. Neste período, a Copa com o menor número de empates foi a de 1994, com 11 empates.

Com uma última rodada de grupos emocionante, vamos torcer que os gols sigam saindo. Não duvido nada que esta Copa bata o recorde de números de vitórias da “era moderna”!

Uma Copa de viradas
Nunca na história desse país… Na verdade, nunca estivemos tão perto de bater o recorde de viradas em uma edição de Copa do Mundo. A gente que acompanha e destrincha Copa do Mundo sabe que é uma situação bem complicada de ser conquistada. Não é a toa que o recorde histórico de viradas em Mundiais é de nove jogos em 1970 (num total de 38 jogos) e em 2002 (64 jogos). Mas a Copa de 2014 não é nada apegada a caminhos projetados e  já tivemos seis vitórias com viradas de placar, incluindo a do  Brasil, na abertura contra a Croácia, a da Costa Rica, ao bater o Uruguai, e a da Suíça, com um gol num contra-ataque no final do jogo diante do Equador. Até a final, no Maracanã, no dia 13 de julho, eu aposto em mais viradas e muito mais emoção.

Uma Copa de goleadas e surpresas
Pela primeira vez na história, a atual campeã mundial foi desclassificada nos primeiros dois jogos. E o olha que, na estreia, a Holanda, atual vice-campeã, já havia feito 5 a 1 na revanche contra a Espanha. Inclusive, essa derrota espanhola também significou algo histórico para o torneio, já que um defensor de título jamais havia sofrido derrota tão grande. Ainda teve a Alemanha, forte candidata ao título, vencendo Portugal, de Cristiano Ronaldo, eleito melhor jogador do mundo, por 4 a 0. Isso tudo e nem terminamos a segunda rodada da fase de grupos. Atualização: e o que dizer da Costa Rica? Classificada no grupo da morte com Itália, Uruguai e Inglaterra, ao fim da segunda rodada?!

Mesmo sem tudo isso, eu teria assistido (e sigo fissurada em) cada uma das partidas da Copa, mas garanto que praquela tia que não entende de futebol ou praquele amigo que não faz ideia da forma com a Espanha joga, isso faz diferença. Então é melhor correr pra Copa. Se tem alguém que ainda estava em dúvida em acompanhar a Copa do Mundo, ela acabou.

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Vai ter leitura na Copa!

Vitrines dos sonhos nas livrarias! E olha o meu Os Sem-Copa sempre lá! :)

Vitrines dos sonhos nas livrarias! E olha o meu Os Sem-Copa sempre lá! 🙂

Cês sabem, é claro, que eu sou louca por livros de futebol e que faço coleção deles. Logo, com a proximidade da Copa do Mundo e a avalanche de lançamentos e vitrines futebolísticas, minhas prateleiras ficaram mais cheias e meus bolsos mais vazios.

Lançamentos

Ainda não tive tempo de ler todos, mas antes que a Copa comece e outros assuntos tomem conta deste blog, faço uma lista das novidades das minhas prateleiras! Não vou indicar o meu Os Sem-Copa, mas vcs já sabem, né?!


Os dez mais da Seleção Brasileira, de Roberto Sander. Maquinária Editora

Sander conta a história de dez craques que fizeram história na Seleção. A escolha dos jogadores foi feita através de uma consulta a diversos jornalistas como Juca Kfouri, Mauro Beting, PVC, Roberto Assaf, Ruy Castro e outros. São eles: Leônidas, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Rivelino, Zico e Romário, Tostão e Ronaldo. Sim, você pode discordar da lista. Eu trocaria um nome com certeza, talvez dois. Faz parte! Mas o livro vale muito a leitura. Os textos fluem e quando você percebe já leu a história de todos os craques do livro.

Tática Mente – A história das Copas explicadas pelas cabeças e pranchetas dos treinadores, de Paulo Vinícius Coelho. Editora Panda Books
Eu sou fã do PVC e esse livro é pra quem curte tática. O livro conta a história da formação de varias seleções, destrincha o sistema tático de outras, explica ou questiona o de mais algumas. São vários textos independentes com uma seleção (e uma prancheta) como tema. Tem as seleções brasileiras de 70, 82, 94, 50… outras grandes seleções como a Holanda de 74, a Hungria de 1952, a Espanha de 2010, confrontos como Uruguai x Argentina na Copa de 30 e outras equipes não tão vitoriosas ou famosas, como a Escócia de 1986, treinada inicialmente por Jock Stein, maior treinador escocês antes de Sir Alex (que foi seu pupilo e assumiu aquela seleção), e que morreu no vestiário após uma partida decisiva entre Escócia e Gales nas eliminatórias pra Copa.

Infográfico das Copas, de Gustavo Longhi de Carvalho e Rodolfo Rodrigues. Editora Panda Books.
Esse livro traz uma infinidade de estatísticas, listas, números e informações curiosas organizadas em infográficos lindos e coloridos. Um livro divertido pra folhear durante os jogos e descobrir, por exemplo, em qual Copa foi marcado o gol número 1.000 na história do Mundial,  quais são as maiores sequências invictas das seleções, quantos gols foram marcados na Copa de 1998, quais clubes brasileiros tiveram mais jogadores campeões do mundo, quem são os técnicos que dirigiram mais jogos, quais jogadores brasileiros foram expulsos nos Mundiais e muito mais!

Lançamentos
O Planeta Neymar: Um Perfil, de PVC. Editora Paralela.
Ainda não consegui ler todo, mas foi o único livro sobre o craque que me interessou nessa leva de lançamentos para a Copa do Mundo. Não espere fotos coloridas e detalhes sobre o namoro do jogador com a atriz Bruna Marquesine. PVC faz um perfil jornalístico, com o respaldo de quem acompanhou de perto a ascensão de Neymar, mais precisamente desde 2005, quando o jogador ainda não havia completado 15 anos.

O Guia Dos Curiosos – Copas, de Marcelo Duarte, Editora Panda Books
Segue a mesma linha de livros divertidos pra folhear durante as partidas menos interessantes (ou no intervalo, sei lá!) da Copa do Mundo. As curiosidades e informações muito bem selecionadas são divididas por Copa do Mundo. O livro é o nono volume da série, O Guia dos Curiosos, que trata de outros temas como Invenções, Brasil, Sexo e outros.

Maracanazo – A história secreta, de Atilio Garrido. Editora Livros Ilimitados
Não li ainda, mas trata-se do novo livro do jornalista uruguaio Atílio Garrido. O release conta que o autor vai além do relato esportivo e cria um documento histórico informativo, crítico e emocionante deste que foi um dos maiores fatos do futebol mundial e que teve profundas consequências nas histórias dos respectivos países, nos âmbitos cultural, social, político e, obviamente, esportivo.

Lançamentos
Béla Guttmann — Uma lenda do futebol do século XX, do autor alemão Detlev Claussen
O livro acabou de ser lançado e a editora (obrigada!!!) me mandou um exemplar quentinho da gráfica pra fazer parte da minha coleção. Eu conhecia a história do Béla Guttmann de forma superficial e estou morrendo de vontade de conhecer melhor! Pra quem não ligou o nome ao personagem, Béla é aquele ex-treinador húngaro, bicampeão da Champions em 1961/62 no comando do Benfica que ficou famoso ao lançar uma maldição no time. Ao sair do clube após um desentendimento com a diretoria, Béla anunciou uma maldição aparentemente profética: a de que o Benfica não voltaria a vencer uma competição continental pelos próximos cem anos. E olha que de lá pra cá já se foram alguma finais, hein?! Incluindo a mais recente, em maio deste ano, quando o Benfica perdeu a decisão da Liga Europa para o Sevilha. História imperdível!

O Drible, de Sergio Rodrigues. Editora Companhia das Letras
Não briguem comigo, mas também não comecei a ler ainda. O que posso dizer é que esse livro está recebendo dezenas de elogios e belas críticas. Ele não é um livro “comum” de futebol. É um romance (eta novidade maravilhosa) que tem futebol como tema. O Drible conta a história de um cronista esportivo de oitenta anos, desenganado pelos médicos, e testemunha dos anos dourados do futebol brasileiro que tenta se reaproximar do filho. Pra isso, decide escrever um livro onde narra a história do fictício Peralvo, um ex-jogador de talentos paranormais que deveria ter sido “maior que Pelé”, caso uma tragédia não o tirasse de campo.

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