Tic-tac, tiqui-taca, tic-tac

“Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora”

Porque, finalmente, o Brasil, todo poderoso do futebol mundial, dono do maior número de horas campeãs mundiais vai enfrentar a Espanha, seleção do momento há muito mais do que algumas horas.

Reprodução

E já faz algum tempo que o mundinho encantado do futebol conta os tic-tacs do relógio por esse confronto. Não necessariamente porque o tiqui-taca espanhol (ou do Barcelona) é um alarme de bola para todo mundo, como é para mim. São muitos os que acham o estilo de jogo espanhol sonolento (como lidar?) e não param o relógio para ver a Espanha em campo. Temos todos que concordar, no entanto, que essa seleção fez/faz história. Não ganhou duas Eurocopas (2008 e 2012) e uma Copa do Mundo (2010) por acaso. Com características bem peculiares e jogadores espetaculares, nos fez de alguma forma repensar o futebol como um todo. Gostando e torcendo ou não, aspectos mais táticos e coletivos do esporte viraram assunto das redações às mesas de bares e, tenho a impressão que, “de uma hora pra outra”, todo mundo estava debatendo e discutindo sobre futebol como há algum tempo não víamos.

“Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado”

Porque, finalmente, a geração de Xavi e Iniesta, que despertou comparações com os melhores times da história do futebol, vai enfrentar a seleção que mais soube criar esses grandes times.

E, não, não temos um grande time como outros do passado, mas o futebol também é feito de momentos simbólicos. E simboliza muito para a Espanha vencer esse jogo, não pelo título inédito (insignificante, vai), mas pelo desejo de preencher o espaço vazio de não ter encontrado o Brasil nesse caminho vitorioso – o último jogo entre Brasil x Espanha aconteceu em 1999, um empate por 0 x 0 em Vigo. Pra Espanha consagrada, festejada, consolidada, campeã mundial, que não precisa provar mais nada pra ninguém, o placar dos minutos finais da partida é o que interessa.

Pra seleção brasileira, ao contrário, não é o resultado por si só que deve significar alguma coisa. Pro Brasil em desenvolvimento, que ainda busca maturidade, crescimento, evolução, consistência (acrescente aqui a palavra da sua preferência) e que ainda tem muita coisa pra provar, é o desenrolar dos 90 minutos que vale alguma coisa. Porque o importante é testar e medir esse grupo diante da Espanha e será, no mínimo, curioso ver como Felipão vai acertar os ponteiros para o tiqui-taca espanhol.

Se as duas seleções fossem se encontrar dez vezes seguidas, eu apostaria dez vezes na Espanha. Seria bem menos arriscado e acho que levaria a aposta ao menos umas seis ou sete vezes. Se tivesse que apostar apenas uma vez, neste domingo, a situação mudaria completamente. Mas, dentro do possível, depois da semifinal com a Itália, torço que a Espanha venha descansada e com tudo. Esperamos tempo demais pra pilha do relógio acabar na hora h, né não?!

“Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora”

Um comentário para “Tic-tac, tiqui-taca, tic-tac”
  1. Felipe Arouca disse:

    E não é que a pilha acabou na Hora H. Viu o esquadrão Verde e Amarelo e Amarelou. Que Pena.

  2.  
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