Um 2013 pra esquecer… e pra lembrar

MUITA gente me cobrou um posicionamento, uma opinião, uma palavra sobre o fim do ano do futebol brasileiro. Principalmente sobre o mangue embrolho nos tribunais que rebaixou a Portuguesa e salvou o Fluminense. Confesso que não tive a mínima vontade de opinar sobre isso. Existem argumentos para os dois lados, e vocês podem defender uma ou outra coisa, mas eu só vou falar uma coisa: isso tudo não é esporte. Isso tudo não é futebol.

Briga em estádio não é futebol. Marginal com barra de ferro na mão não é esporte. Decisão fora de campo, advogados ganhando jogos, pressão política e sei lá mais o que, isso tudo não é futebol e muito menos esporte. É por isso que eu preferi não entrar em discussão sobre isso. Porque eu gosto de discutir bola na rede, atacante em campo, gols, títulos, superação, artilharia, defesas, vitórias. Eu gosto de falar de esporte.

E é por isso que esse blog andou meio esquecido nos últimos dias (o que não significa que os assuntos acima não mereçam ser pensados e discutidos. Merecem, sim, mas para que soluções sejam encontradas e eles fiquem no passado… ) e é por isso também que escrevo hoje após o título mundial brasileiro no handebol feminino.

Alexandra e o técnico Morten Soubak / Foto: Confederação Brasileira de Handebol

Não, eu não acompanho handebol nem de longe da forma como acompanho futebol. Até muito pouco tempo, não entendia bulhufas das regras do esporte e não sabia o nome de nenhuma jogadora. Muito menos que uma delas, a Alexandra Nascimento, é a atual melhor jogadora do mundo. Apesar de tudo isso, foi emocionante ver a conquista do título inédito e histórico dessas meninas. A seleção brasileira nunca nem havia chegado a uma final e, desde 1995, com a Coreia do Sul, essa é a primeira vez que uma seleção fora da Europa conquista o Mundial feminino.

Teve investimento, claro. Reproduzindo uma matéria do Estadão, a seleção brasileira recebeu nos últimos anos ajuda significativa do governo federal. De acordo com o Ministério do Esporte, na preparação para a Olimpíada de Londres de 2012 e na próxima, no Rio, em 2016, o governo destinou R$ 5,4 milhões somente para a seleção feminina. Considerando os investimentos para os Jogos do Rio, a entidade vai liberar, tanto para a equipe nacional masculina quanto feminina, um total de R$ 9,4 milhões (R$ 3 milhões do Ministério do Esporte; R$ 4,4 milhões do Banco do Brasil e mais R$ 2 milhões dos Correios).

E também teve amor, dedicação, raça e muito trabalho (recompensado). Parabéns, meninas! Porque isso, sim, é esporte. E esporte pode mudar um país.

Que feitos como este abram os olhos de quem pode mudar este país. Que a conquista destas meninas não seja esquecida como acontece todo ano com o futebol feminino, por exemplo. Que as promessas não sejam apenas pelo calor do momento. Que os investimentos e as ações de formação, treinamento, qualificação e apoio efetivo aos jovens atletas não sejam esquecidas em três meses. Que os atletas deste país acreditem num futuro melhor, mas que possam viver o esporte em seu presente. E que a gente lembre, acredite e lute sempre por isso.

Obs. E parabéns ao Esporte Interativo por acreditar nessas meninas muito antes delas ganharem o Mundial! 🙂

Um comentário para “Um 2013 pra esquecer… e pra lembrar”
  1. Marco disse:

    Gostei de ter lembrado do EI por ter transmitido o jogo. É importante demais mostrar outros esportes.

  2.  
Comentar

*