Símbolo vai, ídolo não vem

E lá se vai o pé de Feijão / Foto: Reprodução
Tecnicamente, cada um em sua posição, Rafinha tem mais qualidade que Feijão. Futebolisticamente, cada um em sua emoção, não arriscaria um grão de Feijão por Rafinha.

Feijão é símbolo de um novo Bahia. Um clube que começa de novo, que não é o mais técnico e talentoso do momento e que vai passar uns perrengues por um tempinho ainda. O Bahia que renasce agora é um clube que não tem dinheiro de sobra, que não tem craque de sobra, que não tem gol de sobra, que não tem volante de sobra, que não tem ídolo de sobra, mas que tem alma, muita alma, de sobra e excesso.

Feijão não é o melhor volante dos últimos tempos. Não é um jogador pronto e insubstituível tecnicamente. Ainda tem muito a evoluir. Mas Feijão é o que o Bahia tem mais perto de sua torcida. Feijão é aquele morador de um bairro pobre, é aquele volante que se negou a treinar no rival e é aquele garoto que superou trauma do assassinato de um amigo em um campo de futebol. Feijão é aquele Bahia. Aquele Bahia que a torcida ama. E não é apenas pela disposição em campo com a camisa. É porque quando ele tira a camisa, o escudo tricolor continua no peito.
Eu não trocaria isso por Rafinha, aquele que adoraria ficar no Flamengo, mas que vem pro Bahia como quem vai pro Vitória, pro Coritiba, pro Sport…

Deixando um tiquinho a alma de lado, vamos a essa história de que o Bahia está bem servido de volantes. Segue a lista: Fahel, Helder, Rafael Miranda, Anderson Melo e Diego Felipe. Acho que vai faltar 1° volante… Vamos ver como Marquinhos Santos vai montar esse meio de campo.
Sim, o ataque do Bahia preocupa. Em 2013, o clube teve o terceiro pior ataque do Brasileirão e, ainda assim, perdeu Fernandão, sua maior referência (foram 15 gols do artilheiro do clube no campeonato, seguido de Marquinhos Gabriel, que é meia atacante, com apenas quatro, e que também deixou o tricolor). Na reapresentação, para o ataque, estavam Erick, Nadson, Rafael Gladiador, Zé Roberto, Rhayner, Hugo e Jonathan Reis. Será que Rafinha muda esse panorama?? Ou será que Erick, Rhayner, Zé Roberto, Hugo e o próprio Ítalo Melo, reapresentado como meia, não têm um perfil parecido??

Vale mesmo trazer Rafinha, ainda mais nessas condições, em troca de Feijão?? E tem mais, será que Feijão terá chances no Flamengo? Vai voltar tão melhor do que ficando no Bahia a ponto de valer a pena??

Rafinha pode calar minha boca (\o/ bom demais para o Bahia) e Feijão pode se dar bem e devolver sua alma para o corpo Bahia (\o/ bom demais para o Bahia e para Feijão). Não dá pra fazer previsão. O contrário também poderia dar errado e Feijão fazer uma temporada péssima no Bahia (não dá pra virar ídolo só com personalidade). Ainda assim, diante da situação, eu não teria aberto mão, novamente (como fez a antiga diretoria no caso de Gabriel), de um jogador com o simbolismo de Feijão. Não é todo dia que a gente vê um grão de ídolo em formação. Muito menos com uma história tão gigante. Fica pra próxima semente. Ou não.

OBS. Vale a leitura deste perfil de Feijão feito por Eric Luis Carvalho, no Globoesporte.com, em julho de 2013.

OBS2 (atualizada). Só pra lembrar, apesar do meu terrorismo minha opinião, ao menos foi um empréstimo e não venda!

2 comentários para “Símbolo vai, ídolo não vem”
  1. Daniel Melo disse:

    De acordo. Eu só que enviar Feijão para o Flamengo só faria sentido se a contrapartida fosse a vinda de Gabriel

    Aí seria vai ídolo, volta ídolo…

  2. Nelina disse:

    Belo texto! Assino em baixo.

  3.  
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