Não se vááááááááááá!!!!!!

Cês sabem que eu sou fã do futebol de Alex. Dessas de achar um absurdo ele nunca ter ido a uma Copa do Mundo! Dessas de escrever e lançar um livro com a história dele (e de outros injustiçados). Abaixo, o texto de introdução da saga de Alex em OS SEM-COPA – Craques que encantaram o Brasil e nunca participaram de um Mundial. Fica aqui a minha homenagem e a minha saudade desse craque, desse meia que marcou mais de 400 gols na carreira e que pendura as chuteiras no fim de semana.

Os Sem-Copa - Alex

Alex – Aquele que foi presente

Ele desembrulhou gols espetaculares. Premiou torcidas com títulos inéditos e presenteou companheiros com passes açucarados. Desatou laços de partidas complicadas. Entre todos os jogadores deste livro, foi o que recebeu mais convocações para a seleção brasileira. Assim como é lembrança certa nas relações dos maiores camisas 10 que o Brasil já produziu.

Ídolo no Coritiba, no Palmeiras, no Cruzeiro e no Fenerbahçe, da Turquia, Alex é um daqueles meias clássicos, que brinda o time com categoria, visão de jogo e técnica. De bônus, sua inteligência, também fora de campo, ajudou o jogador a ter uma carreira longa, bem gerenciada e festejada. Apesar de tudo isso, inexplicavelmente, a Copa do Mundo nunca teve a chance de abrir um dos pacotes mais brilhantes da história recente do futebol.

Para saber mais sobre o livro e os outros personagens, vem aqui!

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Post-férias – Parc des Princes, Paris (PSG 3×0 Bordeaux)

Depois de contar pra vocês como foi a visita ao Parken Stadium em Copenhagen, na Dinamarca, durante as minhas maravilhosas férias, é hora de contar como foi a experiência de assistir a um jogo do Campeonato Francês (ú lá lá) em Paris. Lembrando que já mostrei pra vocês minha visita, há muito tempo, ao Stade de France (sim, aquele da Copa de 98), hein?! Mas agora é a vez do Parc des Princes!

Então, mais uma vez, pisca os olhinhos, se transporta para a cidade luz e, voilà, vem comigo!

Parc des Princes

O jogo
O PSG está correndo atrás do tri no campeonato e segue com um time estrelado nessa temporada! Para o jogo, válido pela 11° rodada da competição, contra o Bordeaux, atual quarto colocado, o clube de Paris entrou em campo desfalcado (lágrimas) de Ibrahimovic, lesionado, e Cavani , suspenso, mas teve a brasileirada toda! Lucas marcou dois gols de pênalti e David Luiz e Thiago Silva tiveram atuações seguras, mas um torcedor sentado atrás de mim gritou, num certo momento, “Tu n’es pas le numero 10!” (Você não é o número 10!) quando David Luiz insistia em se posicionar quase na ponta direita! Maxwell também estava em campo. Lavezzi marcou o terceiro gol. E só pra alfinetar, o juiz da partida errou que foi uma beleza (inclusive num dos pênaltis)! Não é só no Brasil que a coisa tá feia pra arbitragem aparentemente.

Levanta o mosaico!!!!!

O Estádio
Achei bem bonito e bastante organizado. A capacidade é de pouco menos de 50 mil pessoas e estava cheio. Não é distante do centro, ainda mais de metrô. Para vocês terem uma ideia, ele fica aproximadamente a 4km da Torre Eiffel. Construído em 1897 (isso mesmo!!!), já foi palco de três finais da Liga dos Campeões da UEFA: 1956: Real Madrid 4 – 3 Stade de Reims; 1975: Bayern de Munique 2 – 0 Leeds United; 1981: Liverpool 1 – 0 Real Madrid. Já sediou também jogos da Copa do Mundo em 1938 e 1998.

Antes do jogo começar, tem música do campeonato, bandeiras no campo, bolinhas de sabão (sim, bolinhas de sabão), mosaico e todo um cerimonial para o evento. Baita identidade e evento, mesmo sendo “apenas mais um jogo de meio de campeonato”. Aquele lance do locutor do estádio falar o sobrenome/nome do jogador na escalação e a torcida completar com o outro nome/sobrenome do jogador funciona demais. Todo mundo berra! E por falar em torcida, ela não faz muita pressão, mas é muito divertida! Em diversos momentos, um lado do estádio canta, aí o outro responde, e assim sucessivamente, tipo num jogral. ADOREI!

Bolinhas de sabão!

Como chegar
Fácil, fácil, fácil, fácil. Tem um metrô quase na porta. Basta descer na estação Porte de Saint-Cloud, da linha 9.

Quanto custou
O ingresso custou 87 Euros. Com o euro valendo R$3,20, saiu por mais de R$275, o que não é nada barato para um campeonato nacional, mas isso é consequência do valor da nossa moeda e da política de sócios torcedores. Assim como no jogo entre Dinamarca x Portugal, comprei pela internet dois meses antes da partida, imprimi o ingresso em casa, ainda no Brasil, e na hora, bastou passar o código de barras na catraca e pronto. O site foi o Viagogo, que é a plataforma oficial de troca de ingressos do time parisiense (o PSG, inclusive, foi o primeiro clube francês a fechar parceria com o site, que é uma empresa virtual especializada em comercialização de ingressos).

\o/

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Post-férias – Estádio Parken, Copenhagen (Dinamarca 0x1 Portugal)

Ai, as férias… sofá, viagem, passeios, preguiça, turismo, comilanças e… FUTEBOL!

Claro, vocês não acharam que eu conseguiria ficar tantos dias (25, pra ser exata, mas quem tava contando, né?) sem nossa paixão de cada dia, não é?! Do futebol brasileiro até que tirei férias mesmo, é preciso respirar de vez em quando até das coisas que a gente ama (#mulherdemalandro), mas aproveitei os destinos da viagem pra assistir a dois jogos na Europa. O primeiro foi em Copenhagen, Dinamarca, que você fica sabendo como foi neste post-férias e o outro foi um jogo do PSG, em Paris, que conto num próximo!

Então, pisca os olhinhos, se transporta pra bela Copenhagen e vem comigo!

Parken Stadium

O jogo
Dinamarca 0x1 Portugal – Eliminatórias para Eurocopa 2016
Portugal não havia vencido ainda nessas eliminatórias e, olha, teve que suar pra vencer a Dinamarca. Cristiano Ronaldo marcou aos 50 minutos do 2° tempo para minha felicidade (já explico) e desespero dos mais de 30 mil dinamarqueses no estádio.
Agora, explicando, eu não estava torcendo contra a Dinamarca, mas queria colocar um gol de Cristiano Ronaldo no “currículo”! Depois de Zidane, Messi, Ronaldo, Romário, Xavi, Iniesta e outros craques, tava faltando ver o portuga melhor do mundo in loco! Pois bem, objetivo alcançado!

O estádio
O Telia Parken é o maior estádio da Dinamarca e é a casa do FC Copenhagen e da seleção nacional. A capacidade é de 38 mil torcedores. O estádio original é de 1911, mas foi demolido em 1990 e reinaugurado em 1992. De fora, o estádio não é nada demais, fica entre outras construções então a gente nem consegue ter uma imagem completa dele. Por dentro, o estádio é bem arrumadinho, bem sinalizado e confortável, mas nada demais! Estava chovendo MUITO, mas como o estádio é muito bem coberto, não caiu um pinguinho de chuva em mim! \o/. Comprei uma cerveja que fiquei na dúvida se tinha álcool e não comi, mas o tradicional pão cm salsicha e, claro, pipoca, eram vendidos aos montes! A torcida canta muito pouco. O ambiente, assim como os dinamarqueses, em geral, não é nada hostil para o visitante.

Dinamarca 0x1 Portugal

Como chegar
O estádio fica no norte da cidade, mais ainda num local central, e próximo à estação de trem Østerport (Observação: Copenhagen tem trem e metrô, então, cuidado pra não confundir os dois, como aconteceu comigo. Algumas estações centrais, como a Norreport, dá acesso aos dois transportes, então é preciso prestar atenção!). Peguei o S-Train (como é chamado lá) na estação Norreport, bem no centrinho da cidade mesmo, na direção Farum, e desci na estação seguinte, que já é a Østerport. De lá, o estádio fica a uns 15 minutos de caminhada.

Quanto custou
O ingresso custou 405 DKK (coroas dinamarquesas) que é igual aproximadamente a R$170. Comprei pela internet dois meses antes da partida, imprimi o ingresso em casa, ainda no Brasil, e na hora, basta passar o código de barras na catraca e pronto. Simples assim.

A cara da felicidade (e do frio)!

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Jogo dos sete erros do futebol brasileiro – Erro 5

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começará a partir de hoje uma brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Ache os sete erros!

Erro 5 – um futebol que não pensa

A capa da Placar de outubro traz o último brasileiro eleito o melhor do mundo. Pode catar na memória, Kaká, em 2007, é o nome dele. De lá pra cá, argentinos, espanhóis e um português (jogadores praticamente apenas de Real e Barcelona) dominaram os três primeiros lugares. A única exceção aconteceu em 2013, quando Franck Ribéry, francês e jogador do Bayern de Munique, ficou em 3° lugar atrás de Messi e Cristiano Ronaldo. E repito: ZERO brasileiros. Não é à toa que os grandes clubes do mundo não têm brasileiros como grandes protagonistas (e Neymar não é uma exceção porque ele não é o principal jogador do Barcelona).

Arrá, então, o problema é a safra que é ruim? Veja só, se você trata mal as uvas de um parreiral, planta num terreno ruim e, vira e mexe, arranca as raízes da videira, você acha que a culpa do vinho que vem delas ser ruim é da safra? Pois é a mesma coisa.

O futebol brasileiro não cuida de si mesmo. Não cuida bem de sua base, não cuida bem de seus poucos ídolos, não cuida bem de seu patrimônio, não cuida bem de suas finanças, não cuida bem de sua torcida, não cuida bem de seus jogadores, não cuida bem nem de seu maior produto, o Brasileirão. E a gente poderia continuar… Mas, pior do que cada um desses não cuidados listados, é não pensar. O futebol brasileiro, comandado da forma que é atualmente, simplesmente não pensa, não discute seus erros e, consequentemente, é incapaz de aprender com eles. Não é que antes ele se cuidava e por isso Kaká, Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo estavam entre os melhores do mundo (entre 2000 e 2007, apenas um ano não teve brasileiros concorrendo). É que o futebol (e principalmente, o jogo em campo em si), como tudo no mundo, evoluiu. e a ausência de um brasileiro entre os três melhores do mundo nos últimos seis anos não é uma pane (goooool da Alemanha), ao contrário do que Felipão e a CBF devem pensar. É reflexo de um futebol que não pensa, que parou no tempo, e que não oferece a seus jogadores os nutrientes necessários pra que suas safras forneçam vinhos que possam estar entre os melhores do mundo.

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Jogo dos sete erros do futebol brasileiro – Erro 4

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começará a partir de hoje uma brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Erro 4 – Torcidas organizadas ou muito mais do que isso

Foto: Reprodução

Há quantos anos discutimos as torcidas organizadas? Há quanto tempo jornalistas e estudiosos noticiam e escancaram o perigo no qual esse segmento do futebol se tornou? Rodada após rodada, as situações se repetem e a gente se repete. Pode procurar aqui no blog e você vai encontrar diversos textos sobre o assunto. Todo mundo já sabe que estes elementos não são fruto do amor pelo futebol e, sim, de uma sociedade doente que não educa, não dá oportunidades, não pune de forma adequada e, pior, depois de tudo isso, não aprende também.

Mas, daí, imagine só, você é um clube de futebol brasileiro e sabe de tudo isso. Você tem milhões de torcedores e um potencial imenso de agradá-los (não apenas com vitórias em campo, mas com serviços, afinal, eles são clientes), mas você prefere agradar e se tornar refém de uma minoria que quebra seu estádio, arranja briga, faz você perder mando de campo e receita, explora sua marca sem te pagar nada, ameaça seus jogadores e outras atrocidades mais. Eles pedem, por exemplo, pra você tirar as cadeiras do espaço onde eles querem ficar e você faz o que? Tira! E eles fazem o que? Brigam! E você faz o que? Nada! E na rodada que vem a gente vai fazer o que? Falar de novo da violência! E os marginais vão fazer o que? Ganhar ingresso (do jogo que não for de portões fechados)! E aí se o time perder?! Ameaçam jogador! E a gente pode ficar aqui brincado com mais essa brincadeira até a temporada terminar. E começar de novo…

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Jogo dos sete erros do futebol brasileiro – Erro 3

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começará a partir de hoje uma brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

SIM, EXISTEM SETE ERROS ENTRE AS DUAS IMAGENS!!!!

EXISTEM SETE ERROS ENTRE AS DUAS IMAGENS!!!!

Erro 3 – Uma seleção paralítica

Você toma conta da Seleção. Aquela que já tem mais de 100 anos de história, que participou de todas as Copas do Mundo, que é maior campeã mundial e que é referência pra todos os outros países. Você não acha que foi exatamente fácil, mas confessa que o talento dos jogadores sempre superou uns probleminhas de organização. A verdade é que você nunca parou pra pensar que o futebol estava evoluindo, que os outros países estavam aprendendo uma ou outra coisa e que você estava ficando pra trás. A possibilidade de um novo Pelé, de um novo Garrincha, Romário, Ronaldo ou de um eterno Neymar fizeram você se acomodar. Até você ser atropelado por um caminhão cegonha alemão que levava jumbos. Era hora de mudar. Você sabe que não resolverá tudo em um ano. Sabe que é um trabalho profundo de reestruturação e, principalmente, de reflexão do futebol nacional. A sua Seleção Brasileira é um reflexo do futebol de cada dia. Você sabe que os dois merecem mais, então convoca uma comissão de estudiosos, jornalistas e técnicos e profissionais do futebol para repensar o que está sendo feito. Não é certeza que isso trará um, dois, três, outros cinco títulos mundiais, mas você vai fazer de tudo pra que os próximos Romários, Ronaldos e Neymars tenham um time e um futebol mais forte para apoiá-los.

Você toma conta da Seleção. Aquela que já tem mais de 100 anos de história, que participou de todas as Copas do Mundo, que é maior campeã mundial e que é referência pra todos os outros países. Você não acha que foi exatamente fácil, mas confessa que o talento dos jogadores sempre superou uns probleminhas de organização. A verdade é que você nunca parou pra pensar que o futebol estava evoluindo, que os outros países estavam aprendendo uma ou outra coisa e que você estava ficando pra trás. A possibilidade de um novo Pelé, de um novo Garrincha, Romário, Ronaldo ou de um eterno Neymar sempre te deixaram tranquilo. Mesmo após ser atropelado por um caminhão cegonha alemão que levava jumbos. Pra que mudar? Você sabe que resolverá tudo com umas vitórias e firulas. Basta fazer um discurso raso usando a palavra reestruturação que vão acreditar que você vai propor uma reflexão do futebol nacional. A sua Seleção Brasileira é sua pra fazer o que quiser e ela não tem nada a ver com o futebol de cada dia (que você acha que vai muito bem, obrigado). Os dois, inclusive, merecem o que você achar mais conveniente, então você convoca um técnico chefão, próximo da sua patota, e que concorda com o que você tem feito. Você tem certeza que isso trará um, dois, três, outros cinco títulos mundiais, afinal você sempre terá um “novo Pelé” por aí e você não precisa dar nenhum apoio. Eles apensas nascem.

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Jogo dos sete erros do futebol brasileiro

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começou a brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Ache os sete erros!
Erro 2 – A justiça da mãe Joana
Você administra/toma conta/tem poder sobre alguma instituição do futebol brasileiro. Você identifica diversos erros e questões importantes fora das quatro linhas. A quantidade de situações irregulares é grande.  Nas inscrições de jogadores, nas súmulas, nas condutas dos árbitros, atletas e até da torcida. Você decide então fazer um trabalho profundo pra tentar mudar isso. Recicla e treina árbitros de verdade e discute a profissionalização da categoria. Facilita informações para que os clubes evitem punições. Faz um trabalho de base para que os atletas aprendam melhor, não só as regras do jogo, mas as lições da vida como cidadão. Você sabe que não acabará com a falta de educação e o racismo, problemas muito maiores que o futebol, mas acha que pode ajudar a diminuir as injustiças. Você sabe que é muito mais difícil percorrer o caminho da prevenção do que da punição, mas decide fugir da lógica do futebol brasileiro.

Você administra/toma conta/tem poder sobre alguma instituição do futebol brasileiro. Você identifica diversos erros e questões importantes fora das quatro linhas. A quantidade de situações irregulares é grande.  Nas inscrições de jogadores, nas súmulas, nas condutas dos árbitros, atletas e até da torcida. Mas você decide não fazer nada pra tentar mudar isso. Reclama e critica a arbitragem a cada rodada ou dificulta informações para que os clubes evitem punições. Mal forma jogadores, quanto mais cidadãos. Você sabe que não acabará com a falta de educação e o racismo, problemas muito maiores que o futebol, então você fica na sua cadeira confortavelmente tentando separar um ou outro “elemento” da sua torcida ou do seu time. Deixa pros outros (ou pra justiça da mãe Joana). Você sabe que é muito mais difícil percorrer o caminho da prevenção do que da punição, então você segue a lógica do futebol brasileiro.

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Jogo dos sete erros do futebol brasileiro

O futebol brasileiro é um jogo de muitos erros. Em campo e fora de campo. São quantos você quiser achar. Este blog decidiu escolher sete deles e começará, a partir de hoje, uma brincadeira. Você lê os dois textos e encontra o erro entre eles. Garanto, não será difícil. E, garanto também, isso é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

7 erros

Erro 1 – O ciclo do imediatismo

Você é um clube de futebol brasileiro. Decide apostar num técnico “diferente”. Um estrangeiro, quem sabe. Traz o cara no meio da temporada, entrega um time desmontado e tecnicamente questionável. Ele pede reforços. Você traz alguns jogadores da confiança e do mundo dele. O time demora a engrenar, afinal, é ruim mesmo. A conclusão lógica é que você tomou muitas decisões erradas desde sempre, mas que, apesar dos resultados ruins, agora você tem um planejamento. Mesmo que os resultados só sejam para o ano que vem, você escolheu interromper a bola de neve infinita de erros por cima de erros. Tem consciência que o problema é maior do que nove derrotas. Você é um clube de futebol brasileiro, mas decide quebrar a lógica doente dos times brasileiros.

Você é um clube de futebol brasileiro. Decide apostar num técnico “diferente”. Um estrangeiro, quem sabe. Traz o cara no meio da temporada, entrega um time desmontado e tecnicamente questionável. Ele pede reforços. Você traz alguns jogadores da confiança e do mundo dele. O time demora a engrenar, afinal, é ruim mesmo. A conclusão lógica é que você nunca tomou decisões erradas, apesar dos resultados ruins, e que você segue um planejamento: o de nunca tê-lo. Você não quer saber de resultados para o ano que vem, então você coloca mais velocidade na bola de neve infinita de decisões por cima de decisões. Tem a certeza que o problema não é maior do que o técnico e os próximos três pontos. Você é um clube de futebol brasileiro e isso é o que os times brasileiros fazem.

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100 anos de futebol numa nuvem qualquer

Hoje, lá de cima, o primeiro goleiro da Seleção Brasileira deve se lembrar de cada detalhe daquele dia, há exatos 100 anos, quando onze brasileiros entraram em campo contra os jogadores profissionais do time inglês Exeter City. Certamente, os torcedores que assistiam à partida no Campo da Rua Guanabara pensavam: “se todo grande time começa com um grande goleiro, nosso número um neste primeiro jogo da Seleção Brasileira (embora as camisas ainda não tivessem número) anuncia um futuro de primeiros lugares.”

Recorte de jornal com a primeira seleção brasileira. Em pé, no centro, Marcos Carneiro de Mendonça. Sentado, também no centro, Friedenreich.

O Brasil venceu aquele jogo, mas Marcos Carneiro de Mendonça saiu decepcionado. Para o goleiro, futebol era prazer. Para os adversários, resultado. Embalados pela cobrança profissional, disputavam os lances com mais força, enquanto os brasileiros jogavam em ritmo de diversão. Irritados com a derrota, os ingleses partiram pra violência. Rubens Salles foi atingido nas costelas e o craque Friedenreich perdeu dois dentes.

Marcos Carneiro de Mendonça Lá do céu, Marcos Carneiro de Mendonça avançaria alguns anos em sua memória. Ídolo em seu clube e de seu país, ainda jogou muitas partidas pela Seleção. Mas, aos 24 anos, com a chegada da profissionalização do futebol, as cobranças por resultado e obrigações, se afastou do futebol.

“Aquelas mudanças não me animavam”, diria, sentado numa nuvem ao lado do outro craque presente naquele jogo. “Nunca fui um entusiasta dessa profissionalização, sabe Fried, mas jamais imaginei que fosse caminhar para isso. Que veria o futebol brasileiro dessa forma. Que raios de profissionalismo é este que estamos vendo lá embaixo?”, completaria.

Friedenreich“E eu, caro amigo, imagine a minha decepção ao olhar para os campos brasileiros e pra essa seleção que temos hoje e provavelmente seguiremos tendo? Você sabe, desafiei meu pai, alemão, quando rejeitei jogar pelo Germânia, clube da rica colônia alemã e da sociedade paulistana daquela época. Jogamos juntos diversas vezes, você sabe que o estilo de jogo por lá não era o que eu procurava, não é? Aquele jeitão europeu de jogar futebol, pegado e quase violento, não combinava com o meu estilo. Mais de 100 anos depois, não me arrependo nem por um dia de ter ido para o Ypiranga, clube recém-promovido à Primeira Divisão da Liga Paulista de Futebol. Confesso, abro um sorriso toda vez que alguém insinua que o estilo atrevido, insinuante e bonito do futebol brasileiro começou comigo, mas é triste admitir que, hoje, olhando para o meu estilo, eu escolheria jogar pela Alemanha.”

“Realmente, Fried, deve ser ainda mais duro pra você ver esse futebol jogado por aí. Mas será que a coisa não muda depois do que aconteceu na Copa do Mundo?”

“Gostaria de acreditar que sim, meu eterno goleiro, mas não vejo motivos para pensar positivo. Tudo bem, tudo bem, sei que já tive minhas desavenças com a CBD, que hoje chamam de CBF. Você bem lembra, antes daquele Sul-Americano de 1919, quando conquistamos juntos o primeiro título para a Seleção Brasileira, cheguei a ser punido pela entidade. Diga-me, que culpa tive eu do Sul-Americano de 1918 ser adiado e eu já ter gastado o adiantamento recebido pra viagem? Mas, enfim, mágoas passadas, acho que concorda comigo quando digo que estes que estão à frente da CBF não estão preocupados com o futuro do futebol brasileiro. Enquanto tantas outras seleções evoluem e tentam jogar um futebol envolvente, interessante e bonito, vamos aguentar mais alguns anos de contra-ataque, bola parada, arrogância e atraso tático.”

“De fato, Fried. Se, há 100 anos, eu não gostava de futebol de resultado e não suportava ver nosso esporte ser jogado sem prazer, sem diversão e sem beleza, imagina agora?”

“Difícil, amigo, difícil. Quem sabe daqui mais uns 100 anos? Mas, enquanto isso, que tal visitarmos meu pai numa nuvem lá por cima da Alemanha? Veja só, há mais de 100 anos que o velho me chama e, finalmente, tenho vontade de atender ao pedido.”

E trocaram de nuvem.

P.S. Marcos Carneiro de Mendonça e Friedenreich estão no meu livro Os Sem-Copa pra quem quiser conhecer um pouco mais sobre eles.

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Futebol e lágrimas não caem do céu

Peço licença pra começar esse texto relembrando um outro, que escrevi em 2011, quando a Seleção Brasileira realizou seu milésimo jogo na história.

“A Seleção Brasileira nasceu pra mim na Copa de 1986. Muitos de vocês já conhecem essa história: eu não tinha completado três anos ainda, mas já adorava a farra do futebol. Na ocasião, uma de minhas avós, ao voltar de uma viagem com presentes para os netos, trouxe para meu irmão uma camisa da Seleção e, para mim, uma boneca. Era dia de jogo do Brasil e eu achei aquilo um absurdo. Do jeito que só uma criança faria, chorei e protestei pelo fato dele ter recebido um presente relacionado à festa da Copa do Mundo e eu não. Felizmente, minha mãe encontrou uma solução: tratou de escrever Brasil com lápis de cera verde numa folha de papel ofício e colou a “obra” numa camisa amarela que eu já tinha no armário. Estava pronta a camisa da Seleção Brasileira que, pela minha reação de felicidade e satisfação, era tão oficial quanto a que Falcão, Casagrande, Zico, Sócrates e companhia desfilavam nos campos do México.

Pra minha mãe, a Seleção Brasileira nasceu em 58, quando ela era arremessada pra cima por meu avô a cada gol do Brasil no nosso primeiro título mundial. Pra meu pai, foi na Copa do Mundo seguinte, quando a família toda se reunia em volta do rádio pra ouvir as partidas do time que conquistou o bicampeonato. Sempre tive a certeza que a cada partida, gol de Pelé e de Ronaldo, drible de Garrincha e Neymar, jogada de Sócrates e Ronaldinho, título, goleada ou derrota do Brasil, nascia uma Seleção Brasileira particular pra alguém. Umas mais espetaculares e outras sem muito brilho e com algumas cabeças de bagre dentro de campo, mas todas são especiais de alguma forma.”

Até as que perdem, acreditem. Em algum lugar, ela nasce de novo. E cresce. Porque lágrimas de bola não nascem de primeira. São trabalhadas, massacradas num tiki-taka interminável, incansável. Que passa a bola pra lá, a derrota pra cá, a bola pra lá, a vitória pra cá, a bola pra lá, a derrota pra cá, a bola pra lá, a vitória pra cá… e quando você menos espera, ou nem mais espera, a lágrima vem. Por isso, torcedor enganado, iludido, consciente, entendido, novo, velho, cascudo, sonhador, ou seja lá qual você for, pode chorar, se tiver vontade. Essas lágrimas não nasceram de uma bola de escanteio. Muito menos de uma bola perdida. Seus olhos não jogam por uma única bola. Jogam por pré-temporadas e campeonatos inteiros de posse de bola. Nada mais justo que caiam lágrimas.

Danilo Borges/Portal da CopaAssim como nada mais justo que caia futebol da Alemanha. Porque, pode ter certeza, a oitava final de Copa do Mundo da Alemanha não caiu do céu. Não tratarei aqui dos motivos, mas desde a constatação, apesar do vice-campeonato em 2002, de que o futebol local precisava de uma reformulação, as coisas foram repensadas. Da formação dos jogadores, passando pelos métodos de treinamento, até o estilo de jogo atual, muito mais jogado, talentoso e versátil. E, não se engane, a seleção da Alemanha é “apenas” o sétimo gol da goleada. Os outros seis foram/são dados na Bundesliga, jogo após jogo, estádio cheio após estádio cheio.

Pode ter sido um castigo cruel demais, especialmente para as crianças, que nada entendem dos meandros sujos da CBF ou da arrogância ultrapassada de quem a comanda, mas se houvesse justiça no futebol, a desorganização do futebol nacional seria a explicação para a derrota de hoje. A explicação está nos clubes da elite do futebol que iniciam uma temporada esgotante sem um período de treinamento decente e está nos clubes pequenos que penam pra jogar um estadual e acabam o ano em maio. Está também nos talentos que vão embora cedo porque não temos um campeonato nacional forte o suficiente. A explicação é dada toda quarta e domingo. Toda terça e sexta.

Confiar que um novo Pelé (ou Garrincha, ou Amarildo, no caso de precisar de um plano B, né?) vai cair do céu com o peso da camisa da Seleção Brasileira me parece longe do ideal. É preciso muito mais. É preciso pensar numa reformulação (o que não significa que somos os piores do mundo, não temos nada de bom e os 23 jogadores dessa seleção merecem ser banidos da seleção, por favor, hein?!). E isso tudo é dito, pelos que pensam futebol de forma séria, muito antes da derrota de hoje. Talvez, ela sirva pra que outras pessoas também digam. E que pra que outras pessoas também escutem o que é preciso ser dito (pelo Bom Senso F.C., por exemplo). Futebol não cai do céu. E é uma pena que a CBF siga abrindo seu guarda-chuva enquanto tantas lágrimas são treinadas.

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